2.6. Yanığın Lokalizasyonu
2.7.1. Lokal Değişiklikler
Em resposta a questionamento realizado nas entrevistas, foi unânime a percepção de ausência de critérios objetivos e transparência nas decisões referentes às lotações dos servidores. Além de ser um ponto que incomoda os servidores, parece revelar um traço marcante de personalismo na SEPABE.
Como eu avalio os critérios de remoção? Os critérios ou a falta deles? (E7) Não existe qualquer critério. Acordei com meu nome no DO5. (E2)
Simplesmente não existem critérios definidos. Não posso sequer avaliar o que não existe. (E16)
Alguns depoimentos informam que os elos pessoais estariam sendo decisivos para definir as remoções. É interessante observar algumas palavras que surgiram para ilustrar esses laços, tais como “amizade” e “patotinha”.
Eu avalio os critérios para remoção como pessoais, amizade, patotinha. (E6) Depende de quem você é amigo. Fiquei tentando sair da [área em que estava lotado] durante séculos e não consegui. Só consegui após a permuta. E teve gente que nunca fiscalizou e conseguiu ir para lá. (E3)
Os depoimentos apontam para um personalismo que estaria ocorrendo tanto antes das decisões (quando se definem e se comunicam os critérios), como após (quando se comunicam as escolhas). A sequência de depoimentos abaixo ilustra esses fatos.
É verdade que a transparência deixa muito a desejar. Fui removido de oficio. Todos sabiam que haveria a remoção mas meu chefe sempre negava esse fato. Um belo dia, do nada, ele apareceu falando que alguns seriam informados de sua remoção no final do dia. Falou ainda que não adiantava perguntar os nomes ou os critérios antes, porque ele não ia informar. Aliás, até hoje ainda ninguém sabe quais foram os critérios. E olha que nós perguntamos depois, e muito. (E21)
Fui removido de ofício e ninguém me informou o critério. Meu chefe sequer me explicou o porquê. (E3)
Uma das formas veladas de se ter personalismo nos critérios de remoção parece ser a oferta de “oportunidades de escolha” nas quais se direciona para as escolhas desejadas de uma forma tendenciosa. Esse direcionamento seria feito ao oferecer opções pouco prováveis de serem desejadas por aqueles que são removidos.
Hoje te removem e dão opções absurdas para você escolher. Como não existem regras, te dão opções com base no que querem fazer com você. Falam que não tem
vagas em determinada lotação. Depois descobre que alguém foi para lá mas não te deram essa opção. (E6)
Outros depoimentos apontam que a restrição de locais de escolha não era respeitada, pois ocasionalmente informa-se não haver vagas em determinada lotação, mas pouco tempo depois se divulga alguma transferência para ela.
[...] falaram que nós podíamos escolher qualquer lugar “desde que estivesse na lista”. Pouco tempo depois, foi divulgado o nome de pessoas removidas para outro local que não estava nessa lista. Falaram que não havia vagas na [...]. Na semana seguinte uma pessoa próxima a um determinado chefe foi removida para lá. (E3) Às vezes, te removem e te informam que só há algumas opções para você escolher para onde deseja ir. Logo depois fica sabendo de alguém que foi para algum lotação para a qual informaram para você que não tinha vaga. Pois é, não é só uma questão de falta de transparência. As informações que são divulgadas muitas vezes parecem não ser corretas. (E21)
Em teoria, as transferências só poderiam ser realizadas por meio de permutas entre lotações diferentes, de forma a não alterar o quantitativo de cada uma. Entretanto, os servidores ficariam sabendo de casos de transferência que não respeitam essa regra.
Falam que você só pode ser transferido se houver uma permuta. De repente, fica sabendo de alguém próximo de quem está no comando que foi transferido sem qualquer troca. (E21)
Falam que você só pode ser transferido por permuta [...]Mas [fulano] foi [...] e puxou a esposa [...]para lá. Depois foi para [outra lotação], e puxou ela de novo. Teve também o caso de [beltrana], que acabou de ser transferida sem troca, só porque era amiga de [cicrano.].(E3)
Na visão de alguns informantes, não haveria interesse em se estruturar formalmente um concurso de remoção, pois definir o destino dos servidores é uma forma de poder por parte dos gestores. A expressão “amigos do rei”, presente em mais de uma entrevista, faz referência ao personalismo então existente.
Não existe interesse em ter concurso de remoção aqui. O objetivo é você depender de A ou de B para sair de um lugar e ir para outro. Por isso, fez-se uma Resolução que vigorou por apenas 1 mês. Depois foi retirada e não se colocou nada no lugar. [...] Aqui simplesmente não há nada. Há muito amadorismo e personalismo – todos têm que indicar. (...)Se você for amigo do rei você está bem. Se não, está frito. Quis ir para [...] depois de pegar um cargo comissionado6 e falaram que poderia ir para qualquer lugar, menos para lá [...]. (E14)
Os amigos do rei conseguem lotações melhores, mesmo com classificações piores. (E3)
6 É prática na SEPABE as pessoas poderem escolher para onde desejam ir após assumirem um cargo comissionado.
Esse poder estaria sendo utilizado como forma de punir ou privilegiar determinadas pessoas conforme os interesses pessoais dos gestores.
Tinha que existir critérios para remoção. Não existe hoje. Não existe um parâmetro, uma regra, uma previsibilidade. Hoje é um jogo de dados [...] não, dados são aleatórios. Aqui é um jogo de cartas...não tem uma regra – é político. Se usa como forma de punição, como forma de privilegiar pessoas que se tem interesse, dar alguma vantagem. (E18)
Não há critérios para remoção. Depende de quem você é amigo. Fiquei tentando sair da [...] durante séculos e não consegui. Só consegui após a permuta. E teve gente que nunca fiscalizou e conseguiu ir para [...]. (E3)
A alocação dos recursos parecer representar um fator de grande importância no lado motivacional dos servidores. A clareza nos critérios de remoção seria primordial para ter pessoas satisfeitas, rendendo o seu melhor. Inversamente, a falta de informação em relação ao tempo em que se ficará lotado em determinado local desmotiva consideravelmente os servidores.
Os critérios de Remoção e de Lotação são primordiais para ter pessoas satisfeitas, rendendo o seu melhor. Como não se sabe quanto tempo ficará no local, acaba se desmotivando. (E1)
A SEPABE não ligou para tentar encaixar meu perfil em uma área boa para ele e para ela. Sou especializado na área [...], existe uma especializada nessa área e não me deram a chance de ir para ela. [...] Numa escala de 1 a 6, na qual 6 é o nível máximo de motivação, eu diria que entrei com 6 e estou com 1. Entrei louco para trabalhar. Queria me sentir útil, fazer as coisas, evoluir. Porem fiquei totalmente frustrado com tudo. Não senti que estava preocupada em ver em que sou bom e ponderar o que posso oferecer. (E5)
Se por um lado há pessoas extremamente desmotivadas devido a lotações inadequadas, há também o inverso: servidores muito estimulados por estarem atuando exatamente onde gostariam. Este é o caso de um entrevistado que descreve o prazer intelectual que sente por estar atuando em uma área que demanda constante aperfeiçoamento do conhecimento. Outro informante relata estar muito feliz por sempre ter ido aonde queria desde que ingressou na carreira:
A vantagem de trabalhar onde estou lotado é que realizo o tipo de trabalho que exige constante aperfeiçoamento do conhecimento de direito, estar sempre estudando. Há um prazer intelectual. (E4)
Estou muito feliz. Desde que entrei, sempre fui para onde quis ir. Gostei do [...] e do direito. Precisava vivenciar o direito. Fui para a [...], talvez por desconhecer minha lotação atual. Estou lotado onde gostaria. Há muitos assuntos técnicos que me satisfazem. Estou aprendendo muito – o aprendizado aqui é constante. (E9)
A questão do estímulo positivo também foi observada em outros depoimentos. Alguns registraram o fato de a motivação ter até mesmo aumentado com o tempo, conforme descobriam sua identificação com a atividade desempenhada naquela lotação.
Eu queria estar aqui. Vi que aqui era o meu lugar e isso me motivou bastante. (E7) Fui para uma área que tinha que ficar aprendendo e me desenvolvendo em Direito. Isso me motivou. Minha motivação aumentou muito. (E9)
O que se conclui das análises anteriores é que a alocação dos recursos influencia de forma significativa no nível motivacional dos servidores – tanto de forma positiva, como negativa. Ao longo da pesquisa, um gestor de nível estratégico manifestou perder parte significativa de seu tempo atendendo a pessoas pedindo para serem transferidas para outros lugares.
Um dos entrevistados acredita que o principal fator para garantir maior produtividade é uma melhor alocação das pessoas considerando suas competências – “colocar as pessoas certas nos locais corretos”.
Nós seríamos mais produtivos se [...] o principal é a gestão de pessoas: colocar as pessoas certas nos locais certos. Não existe gestão de pessoas. Não existe escolher as pessoas baseado em suas competências. (E4)
A definição de concursos de remoção objetivando a melhor alocação dos recursos seria uma alternativa. Experiências testemunhadas por servidores, quando exerciam a mesma função em outros entes, são pensadas como exemplos de práticas a serem adotadas:
No Estado de [...] tinha Concurso de Remoção e funcionava muito bem (em [...] e na Receita Federal também tem). E era transparente, existia critérios – havia uma legislação e você sabia sua posição global em relação aos demais. Aqui simplesmente não há nada. Há muito amadorismo e personalismo – todos tem que indicar. (E14) As vagas eram previamente disponibilizadas – era tudo publicado, todos sabiam onde existiam vagas. No dia x quem quisesse participava do concurso de remoção, comparecendo ao auditório. Quando chegava, assinava. Viam então o ranking para o cargo e pesquisavam quem estava lá. Fez remoção, vai para o final da fila. (E14) Também cabe pensar que a realização de concursos de remoção, se estruturada de forma dinâmica e sistemática, viabilizaria uma constante oxigenação dos servidores e incrementaria o aprendizado dos servidores com a vivência em locais diferentes:
É importante conhecer as áreas que existem do trabalho. Foi legal eu ter ido para uma regional, porque tenho o perfil de analisar dados. O trabalho lá foi bom porque depois me vi pronto para um trabalho na especializada. (E16)
As possibilidades de atuação na carreira estudada são amplas. Os servidores podem desempenhar as chamadas atividades fim (ou atividades “de ponta”) – nas quais se realiza a fiscalização direta dos contribuintes. Podem também desempenhar diferentes tipos de atividades meio – como o aprimoramento da legislação ou o gerenciamento de projetos para o aprimoramento dos processos existentes.
Um ponto interessante que se revelou na pesquisa foi a percepção de diferentes realidades conforme a lotação dos entrevistados. De um modo geral, parece haver uma divisão claramente definida entre os trabalhos de ponta (fiscalização) e as atividades de apoio (órgão central). Na ponta, parece haver alguma diferença entre os trabalhos em inspetoria especializada e regional.
Tive experiências diferentes, em diferentes locais. Cada local tem uma realidade diferente, aparentando diferentes instituições. (E20)
Vejo muita gente só reclamando. Há um grande distanciamento entre o fiscal de ponto e quem trabalha em órgão central, até em termos de posicionamento. (E7)
Entre os prós de se trabalhar na ponta, está a visão de que há maior flexibilidade de horário, que, como já foi visto, é muito valorizada pelos servidores. Entre os “contras”, está a percepção de que as ineficiências na área de TI seriam mais sentidas e de que as cobranças e os riscos seriam também maiores, conforme observado abaixo.
Na ponta, há bastante autonomia, muito mais flexibilidade de trabalho. Mas essas são as únicas coisas boas de trabalhar na ponta. Também, sofre com mais intensidade a precariedade dos sistemas. (E20)
Em órgão central não tem prazos de fiscalização, não corre risco de deixar credito prescrever, decair, tem serviço que depende menos do contribuinte e fica mais inserido na cultura da SEPABE (na inspetoria às vezes é muito largado). (E19) Aqueles que atuam em órgãos centrais receberiam maior apoio por parte dos superiores, porque haveria maior integração nesses órgãos, com decisões mais coletivas – o que parece gerar maior sentimento de confiança.
As decisões são mais coletivas. Há maior apoio dos superiores. Sinto segurança nas pessoas com quem trabalho, caráter e comprometimento. Na inspetoria [...] é cada um por si e menos transparente. [...] em órgão central, sim, me senti apoiado [...]. Mas na fiscalização me senti um peixe fora d’água – não existia qualquer apoio. (E1) Em Órgão Central: o superintendente é muito próximo e existe um bom feedback. Na Especializada o feedback é zero. Totalmente desmotivante. (E1)
Na [determinado órgão central] tem muito feedback – conversas para você explicar o seu julgamento e entender os demais. Os julgamentos são por turma. (E9)
O maior apoio existente em órgão central gera a percepção de que os servidores são mais valorizados e consultados, com maior oportunidade de apresentar sugestões de melhorias. No cargo em que estou envolvido existem muitas oportunidades de apresentar sugestões de melhorias. Mas nas Especializadas não existia nenhuma – ninguém te escutava. Quando você dava uma sugestão, falavam que já sendo implantada de cima, mas não existia qualquer feedback em relação a essa implantação. (E1)
Em Órgão Central, sou consultado pelos superiores em decisões que impactam o meu trabalho – é totalmente sincronizado. Nas especializadas, não – era o caos. Cada um por si. Cada um com seu procedimento. Cada um age acreditando no seu. (E1) Além disso, parece haver também a percepção de que em órgão central existe uma melhor estrutura e mais acesso à informação, apesar da menor autonomia e flexibilidade de horário.
O principal divisor de águas é se você está em órgão central ou na ponta. No órgão central você tem estrutura melhor, mais acesso às informações e às pessoas (para tirar dúvidas, por exemplo). Porém, [...] não tem a flexibilidade como se tem em trabalhar na ponta, nem a mesma autonomia. (E20)
No entanto, as dificuldades de se promover mudanças parecem também ser mais sentidas em um órgão central, porque grande parte das decisões e reflexões voltadas para o aprimoramento da SEPABE é nele concentrada.
Além disso, sofre com mais intensidade dos obstáculos para qualquer mudança que se queira fazer (na ponta você não trabalha a mudança, simplesmente cumpre o que é demandado. No órgão central você trabalha a mudança e por isso sente mais ela). (E20)
No que tange ao trabalho de fiscalização, parece haver também dois universos distintos. Existe, por exemplo, a visão de que quem trabalha em inspetoria especializada executa um trabalho que demanda maior capacitação.
E o trabalho é mais complexo e te força a ficar estudando a legislação. Vi colegas com mais tempo em regional que falavam que precisavam sair para usar sistemas como Access. Quer aprender, gosta de pensar, de sistemas mais complexos – a especializada é o local. (E16)
Além disso, percebe-se que o trabalho também é mais impessoal, mais profissional e mais complexo, em termos de ferramentas utilizadas, pois evolve atender contribuintes com alto nível de instrução:
O 2º ponto na especializada é que ao lidar com contribuintes maiores parece que eles já tem uma estrutura de advogados já preparado para aquilo. Isso é uma vantagem porque no pequeno contribuinte você está indo na pessoa física. E nossa atividade é vinculada. Não posso dar tratamento diferenciado pelo quesito emocional. A vantagem é que o trabalho com grandes contribuintes é mais impessoal - não vi a necessidade de justificar – infringiu a lei, logo vai ter auto. ficava incomodado
quando estava na regional. (...)As coisas vão sendo cada vez mais informatizadas. Comparo o servidor da regional com o servidor de antigamente, que tinha que pegar o livro, olhar. Como eu gosto de informática... gosto de analisar. Nem gosto de estudar com papel. (E16)
Fui lotado em vários locais na ponta (fiscalização). Cada local é diferente do outro. Em [...] havia vantagem de você aprender muito – muitas coisas complexas, mas muita gente para explicar. E você lida com contadores maiores. Já em regionais de [...], há uma quantidade muito grande de trabalho, porém menos complexos. Em regional do interior, há muito amadorismo por parte dos contadores. Como estão há muito tempo sem ser fiscalizados, não tem documentos básicos. (E17)
Há uma imensa variedade de oportunidades de trabalho e profissionais com perfis e preferências bastante distintos. Há quem prefira trabalhar diretamente em atividades de fiscalização. Outros, em atividades de apoio – seja pelo desinteresse pela fiscalização ou pela melhor adequação a outras atividades existentes na SEPABE. Entre as preferências pessoais dos informantes, apareceram, por exemplo, atuar na área de TI, não lidar diretamente com o contribuinte e poder pensar no todo, em vez de ficar concentrado em fiscalizações pontuais.
Não suporto fiscalização de rua. Computador é uma coisa com a qual sempre trabalhei. Nesse aspecto me sinto bem. Melhor do que ficar lendo lei e artigo. (E8) A vantagem de trabalhar onde estou lotado é a proteção - não tem o ambiente inóspito da ponta de ter que lidar com o contribuinte. (E11)
A vantagem de trabalhar onde estou lotado é que posso pensar no todo – não me sinto estimulado em fiscalizações pontuais. (E12)
Em suma, a SEPABE parece apresentar uma ampla gama de possibilidades de atuação – tanto da oferta de oportunidades, como de suas demandas. Conseguir maximizar o casamento das inclinações dos servidores (e a satisfação dos desejos de lotação) com as oportunidades existentes (e o interesse público) parece ser um fator chave para garantir a maior motivação e o aprimoramento de resultados na SEBAPE.