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2.   LOJİSTİK SEKTÖRÜNDE HİZMET KALİTESİ 50

2.2   Lojistik Sektörü ve Gelişimi 54

Ao optarmos pela entrevista individual semiestruturada como técnica de coleta de dados vislumbramos as possibilidades de maior aproximação das entrevistadas e a flexibilidade que ela nos daria para ouvirmos os professores em começo de carreira dando-lhes liberdade para contar a respeito de sua trajetória no curso de formação, sem, contudo, perder o foco da questão que desejávamos conhecer.

Após as leituras e orientações para organização de um roteiro guia para a entrevista, nos colocamos a caminho para testar o instrumento, a partir da entrevista-piloto; assim poderíamos averiguar a eficiência do mesmo em despertar as lembranças das professoras sobre o que se passou no período da formação, principalmente em relação ao Estágio Supervisionado, e nos auxiliasse a entender as imagens registradas/relatadas desse período e seus significados.

Parecia-nos tarefa da qual daríamos conta, mesmo não tendo realizado entrevistas em nenhum outro momento em que realizamos pesquisas em nossa

formação, pois nos trabalhos anteriores, o instrumento utilizado foi sempre o questionário. Sabemos que a relação que se estabelece entre o entrevistador e o entrevistado não é uma relação neutra. Nessa troca ficam condicionados muitos aspectos implícitos, pois tratar de vivências, sentimentos, passagens de vida que envolve a subjetividade de ambos os participantes da pesquisa. Entre entrevistador e entrevistado acontece um processo de interação que se estabelece através da intencionalidade subjacente a ação.

Para Yunes e Szimansky (2005, p.1):

Seja qual for o tipo de entrevista escolhida pelo investigador, encontrar-se-á certo grau de intencionalidade e interação social como aspectos essenciais do processo de organização e construção tanto das perguntas (no caso do entrevistador), como das narrativas (no caso do entrevistado). A entrevista face a face é fundamentalmente uma situação de interação humana, na qual estão em jogo as percepções do outro e de si, expectativas, sentimentos, preconceitos, interpretações e constituição de sentido para os protagonistas - entrevistador/es e entrevistado/s. Da mesma forma que quem entrevista tem/busca informações, quem é entrevistado também está processando um conjunto de conhecimentos e pré-conceitos sobre o interlocutor e organizando suas respostas para aquela situação. (YUNES; SZIMANSKY, 2005,p1)

Nesse espaço de nosso trabalho queremos comentar e dessa forma compartilhar algumas experiências do período de coleta de dados de nossa pesquisa.

Em data agendada para a entrevista-piloto, fomos ao encontro da entrevistada em sua residência, explicamos sobre o que tratava a pesquisa, entregamos-lhe o termo de consentimento livre e esclarecido e de posse de uma cópia do roteiro iniciamos a conversar. Na verdade, nessa primeira tentativa não conseguimos nos desvincular do roteiro e a entrevista careceu de informações, que talvez fossem expostas pela entrevistada, se devidamente provocada com perguntas adicionais relacionadas ao tema.

Ao ouvirmos e transcrevermos o material da primeira entrevista constatamos que parte das questões que desejávamos responder ficaram vagas, sem muitos argumentos que nos possibilitariam entender as percepções da entrevistada de forma mais segura. De fato, o fazer com o outro é sempre carregado de subjetividade. Embora soubéssemos o que buscávamos na

entrevista (intencionalidade) e da entrevistada ter consentido com a gravação, logo que principiamos a conversa, nos pareceu que esse elemento novo à situação causou-lhe certo desconforto. Com relação ao uso desses recursos Boni e Quaresma alertam que:

A presença do gravador, como instrumento de pesquisa, em alguns casos pode causar inibição, constrangimento, aos entrevistados. Em outros casos o pesquisado poderá assumir um papel que não é o seu, assumir um personagem que nada tem a ver com ele, ou seja, ele pode incorporar o personagem que ele acha que o pesquisador quer ouvir. (BONI; QUARESMA, 2005, p.77)

Logo na primeira análise do material detectamos essa carência e uma das sensações foi comprovar o quanto os conhecimentos necessitam de operacionalização para adquirirem eficácia. Propomo-nos nova entrevista-piloto na busca por aperfeiçoar nossa forma e o conteúdo. Ao fazermos o novo contato tomamos o cuidado para esclarecer sobre a gravação da conversa, ao realizarmos a entrevista.

Fomos para o encontro com a nova entrevistada com a ideia de nos ater ao roteiro, porém conduzir a entrevista de maneira menos formal. Novamente falhamos na tentativa, pois, num dado momento nossa intervenção tornou-se muito incisiva, contaminando em grande parte a fala da entrevistada. Ainda não estávamos devidamente preparadas para manipular as variáveis dessa técnica, pois nossa maior dificuldade foi não conseguirmos nos distanciar das questões investigadas no decorrer da entrevista, tecermos comentários em excesso e possivelmente influenciarmos suas respostas.

Retomamos as leituras, revimos o instrumento de pesquisa/roteiro pré- elaborado e realizamos mais algumas entrevistas que foram nos trazendo maior segurança e domínio na realização da técnica. Encontramos um ponto de equilíbrio nos diálogos com as entrevistadas e dessa forma, após a transcrição minuciosa dos diálogos gravados, produzimos os dados que nos possibilitaram seguir adiante no caminho da pesquisa. Foi necessário dispensar parte do material produzido; porém,se esse trabalho inicial não produziu dados relevantes que nos permitissem elucidar as questões que buscamos responder, foram de extrema importância para refletirmos sobre a prática científico-acadêmica e a

atenção necessária que o pesquisador deve ter com forma e conteúdo na busca pelo rigor nas pesquisas de natureza qualitativa, com bases fenomenológicas.

Entendemos que o que nos aconteceu nessa fase do trabalho pode ser associado ao que precisa acontecer em todo o processo de formação e já postulado nos itens 2.2.1 e 2.2.2 da unidade anterior que tratam sobre a relação teoria x prática e sobre a experiência formativa. Realizamos no período de coleta de dados, a partir das entrevistas-piloto, esse movimento de levar para o campo de atuação o conhecimento teórico e mediante as condições em que a ação acontece refletir sobre seus resultados para reconstruir novas possibilidades de construção de conhecimentos.

O processo é dialético, sem dúvida: leituras/preparo do roteiro/entrevistas- piloto/análise da entrevista/reelaboração do roteiro/novas entrevistas- piloto/análise das entrevistas/descarte de material/novas entrevistas/ transcrição das entrevistas/leitura e análise ideográfica dos discursos. Temos consciência de que só foi possível obter êxito no trabalho de entrevistas porque refizemos o caminho apoiados pelo conhecimento teórico aliado á reflexão sobre a prática vivenciada.

A trajetória no caminho de investigação e construção do trabalho de dissertação, etapa indispensável da formação do Programa de Pós-Graduação em Educação, nos colocou frente a um grande e novo momento de Estágio. As grandes descobertas e os confrontos com que nos deparamos ao longo de todo o processo desencadearam longas reflexões, grandes conflitos e significativas transformações em nossa prática profissional e existencial.