A análise descritiva foi realizada comparando-se as médias e as proporções para as variáveis utilizadas no modelo segundo o mecanismo de acesso à terra, por meio da desapropriação de terras (Programa Nacional de Reforma Agrária, utilizou-se a sigla INCRA) e por meio da aquisição de terras no mercado (Programa Cédula da Terra, utilizou-se
a sigla PCT). Apresenta-se a síntese comparativa das semelhanças e diferenças ao final da seção.
As características das variáveis utilizadas na função de produção – valor da produção e fatores de produção – para os beneficiários do INCRA e do PCT são apresentadas na Tabela 11.
O valor médio da produção anual para os beneficiários do PCT foi de R$1.784,92, enquanto para o INCRA o valor obtido foi de R$2.426,14, com significância estatística para a diferença entre os grupos (p-valor=0,0062). Observa-se que a dispersão foi maior para o conjunto de dados do INCRA (coeficiente de variação de 180%, Tabela 11 e Figura 8a). A área média explorada para cultivo e criação animal foi estimada em 5,8 ha para os beneficiários do PCT e em 7,6 ha para os agricultores do INCRA, com diferença significativa entre os grupos (p-valor<0,0001). Embora a mediana fosse semelhante entre os grupos, respectivamente 4,0 ha e 4,2 ha para PCT e INCRA, a área utilizada correspondente ao estrato superior de 10% dos agricultores, variou de 12,0 ha a 51,4 ha para o PCT e de 20,0 ha a 45,3 ha para o INCRA. Os agricultores do INCRA exploraram maiores áreas, com concentração nos estratos superiores.
Tabela 11. Estatísticas descritivas e testes de diferenças dos fatores de produção para os agricultores segundo o mecanismo de acesso à terra.
Variável
Média Desvio Padrão
Mediana Média Desvio Padrão Mediana W p-valor PCT (n=512) INCRA (n=547) Teste Mann Whitney Wilcoxon Valor da produção (R$) 1784,92 2473,93 1040,64 2426,14 4370,61 1144,29 130894 0,0062
Área utilizada (ha) 5,78 6,12 4,00 7,61 8,11 4,22 128139 0,0168
Dias de trabalho (DH) 557,30 430,84 448,50 638,69 440,85 561,00 120077 0,0001 Custos (R$) 496,16 1047,97 172,65 558,54 1538,09 178,00 139827 0,9671
Fonte: Dados originais de Buainain et al. (2002) para o ano agrícola 1999/2000.
Quanto ao emprego de mão de obra no ano agrícola 1999/2000, os beneficiários do PCT utilizaram menos mão de obra do que os beneficiários do INCRA. Foram 557,3 dias para o PCT e 638,7 dias de trabalho para o INCRA. Novamente, a utilização dos recursos produtivos foi mais intensa para os agricultores do INCRA, com significância estatística para a diferença (p-valor=0,0001). Considerando-se a área utilizada como referência
para o rendimento parcial da mão de obra, o emprego desta foi mais intenso para os agricultores do PCT, correspondendo a 96,4 DH/ha por ano, enquanto para os agricultores do INCRA, este valor foi de 83,9 DH/ha por ano.
(a) (b)
(c) (d)
Fonte: Dados originais de Buainain et al. (2002).
Figura 8. Porcentagem de beneficiários para os fatores de produção segundo o mecanismo de acesso à terra, PCT e INCRA: (a) valor da produção (R$), (b) área utilizada (ha), (c) dias de trabalho (DH), (d) custos produtivos (R$).
O custo médio de produção para INCRA e PCT não diferiram significativamente. Os custos produtivos foram respectivamente de R$558,54 e R$496,16 ao ano, para os beneficiários do INCRA e do PCT. A ausência de significância estatística para o teste de diferença de médias pode ser explicado pelo alto grau de dispersão dos dados, o
coeficiente de variação foi de 211% e 275%, para PCT e INCRA respectivamente (Tabela 11 e Figura 8d).
As estatísticas descritivas para as variáveis utilizadas como explanatórias da eficiência são apresentadas a seguir.
A distribuição dos beneficiários do PCT e do INCRA é apresentada na Tabela 12. A maior parte dos beneficiários do PCT concentravam-se no estado do Ceará, 36,33%, seguido por Bahia com 22,66%, Maranhão com 15,04%, Pernambuco com 15,82% e o restante em Minas Gerais, 10,16%. Para os beneficiários do INCRA, a ordem foi semelhante, embora os valores tenham sido diferentes. Foram 26,69% dos assentados localizados no Ceará, 20,66% no Maranhão, 19,74% na Bahia, 19,74% no Pernambuco e 13,16% em Minas Gerais. Não foi observada diferença significativa para as proporções segundo a localização nas unidades federativas.
Tabela 12. Estatísticas descritivas e testes de diferenças das unidades da federação, para os agricultores segundo os mecanismos de acesso à terra.
Variável Média Desvio Padrão Média Desvio Padrão χ² p-valor MG (proporção) 0,1016 0,3024 0,1316 0,3384 2,3122 0,1284 MA (proporção) 0,1504 0,3578 0,2066 0,4052 5,6716 0,0172 CE (proporção) 0,3633 0,4814 0,2669 0,4428 11,4123 0,0007 BA (proporção) 0,2266 0,4190 0,1974 0,3984 1,3448 0,2462 PE (proporção) 0,1582 0,3653 0,1974 0,3984 2,7770 0,0956
Fonte: Dados originais de Buainain et al. (2002) para o ano agrícola 1999/2000. PCT (n=512) INCRA (n=547) Teste χ²
Os dados sobre solos são apresentados na Tabela 13. Os assentados do PCT estavam localizados em municípios onde os solos de boa qualidade correspondiam em média a 47,64% da área total; os solos de qualidade regular correspondiam a 28,22% e os solos de baixa qualidade a 24,14%. Os assentados do INCRA, encontravam-se em municípios onde 39,07% da área correspondia aos solos de boa qualidade, 36,00% aos solos de qualidade regular e 24,93% aos solos de baixa qualidade. Foi observada diferença significativa entre PCT e INCRA, para a localização em solos de qualidade alta e de qualidade regular (p-valor<0,01 para ambas). Portanto os assentados do PCT tiveram maior probabilidade de
escolher imóveis com melhor dotação natural, enquanto os assentados do INCRA estiveram em posição intermediária, em municípios com maior parcela de solos de qualidade regular.
Tabela 13. Estatísticas descritivas e testes de diferenças da parcela da área municipal e dos indicadores das estratégias produtivas, para os agricultores segundo os mecanismos de acesso à terra.
Variável
Média Desvio Padrão
Mediana Média Desvio Padrão
Mediana W p-valor
Solo qualidade alta (% área municípal) 0,4764 0,3916 0,4387 0,3907 0,3181 0,3404 155367 0,0020 Solo qualidade regular (% área municipal) 0,2822 0,3499 0,1065 0,3600 0,3107 0,2819 110461 0,0000 Solo qualidade baixa (% área municipal) 0,2414 0,2927 0,0885 0,2493 0,2889 0,1469 137910 0,6670
Valor da produção consumo (% total) 0,5515 0,3233 0,5620 0,5427 0,3371 0,5476 142286 0,6501 Valor da produção coletiva (% total) 0,1507 0,2704 0,0000 0,0793 0,2096 0,0000 164114 0,0000 Dias de trabalho coletivo (% total) 0,1814 0,2276 0,1000 0,1128 0,1859 0,0377 169767 0,0000 Renda externa (% total) 0,3824 0,3391 0,3480 0,3483 0,3269 0,2905 147335 0,1388 Dias de trabalho externo (% total) 0,1143 0,2080 0,0000 0,1020 0,1889 0,0000 143776 0,3911
Fonte: Dados originais de Buainain et al. (2002) para o ano agrícola 1999/2000. PCT (n=512) INCRA (n=547) Teste Mann Whitney Wilcoxon
O conjunto de variáveis para estratégias de gestão tem as estatísticas descritivas apresentadas na Tabela 13, com exceção da variável criação animal, apresentada na Tabela 14.
A proporção do valor da produção coletiva em relação à total, foi de 15,07% para os beneficiários do PCT, enquanto para os assentados do INCRA, esta correspondia a 7,93%, com significância a diferença (p-valor<0,0001). Os beneficiários do PCT destinaram em média, 18,14% do trabalho anual para as atividades coletivas, enquanto para os beneficiários do INCRA, esta proporção chegou a 11,28%, com significância para a diferença entre ambos (p-valor<0,0001). Sob o ponto de vista da análise da eficiência, o trabalho destinado às atividades coletivas pode elevar o grau de eficiência na produção, por utilizar mão de obra excedente. Segundo, o efeito positivo pode ser maior, por alocar esforços para a utilização de ativos que requerem maior escala para sua exploração eficiente, por exemplo, um equipamento de irrigação de grande porte. Esta lógica corresponderia ao efeito esperado, implícito nas regras para a distribuição de ativos produtivos. Na prática, a maior parcela de trabalho em associação pode estar ligada às atividades de instalação das famílias
nos projetos de assentamento, devido a idade relativamente baixa destes. Por outro lado, a maior parcela do valor da produção coletiva, para os assentados do PCT pode ser uma resposta à estrutura de incentivos, particularmente para o pagamento da dívida.
Praticamente não há diferença entre os agricultores do PCT e do INCRA no que diz respeito à parcela da produção destinada ao consumo familiar. A proporção destinada ao consumo para o PCT foi de 55,20% e para o INCRA foi de 54,27%, sem significância estatística para a diferença. A produção de subsistência é indispensável porque evita a exposição ao risco da segurança alimentar. Um passo importante foi dado, mas talvez seja insuficiente para promover a superação das condições de pobreza por meio da geração de um ciclo de crescimento fundamentado na produção agrícola. Portanto, esta variável poderá contribuir negativamente para a eficiência, considerando-se que se concentra na produção de alimentos, produtos essenciais para a família, portanto de baixa elasticidade de consumo.
A proporção dos rendimentos externos no total de rendimentos dos agricultores beneficiários do PCT e INCRA, foi de 38,24% e 34,80% respectivamente. Em termos absolutos, os rendimentos externos anuais dos beneficiários do PCT e INCRA foi praticamente idêntico, R$1.751,38 para o primeiro e R$1.751,70 para o segundo. De um lado, os rendimentos externos podem relaxar a pressão sobre a lógica da subsistência, permitindo a aplicação de maior volume de recursos na produção. Por outro lado, pode significar competição para utilização da mão de obra, deslocando o foco da produção no lote e no projeto para atividades não agrícolas, fora do assentamento. Portanto, o trabalho fora do lote e do projeto tenderia a pressionar a eficiência negativamente. A proporção observada de trabalho fora do assentamento foi semelhante para ambos os grupos, 11,43% para os beneficiários do PCT e 10,20% para os assentados do INCRA, sem diferença significativa.
A criação animal, de médio e grande porte, além da função produtiva, pode ser considerada como um indicador da capacidade de poupança dos beneficiários (Tabela 14). De um lado, a competição interna por recursos produtivos pode pressionar a eficiência para baixo no curto prazo, em troca de um desempenho mais adequado para a subsistência no longo prazo. De outro, a existência de criação animal logo no momento de instalação das famílias nos projetos de assentamento pode favorecer o desempenho de curto prazo, por meio da produção de leite e derivados, seja para subsistência ou para a venda. A presença de criação animal foi maior entre os agricultores do INCRA, na proporção de 69,84%
contra 61,13% para os beneficiários do PCT, com significância estatística para a diferença (p-valor=0,0029).
As estatísticas descritivas para o conjunto de variáveis sobre tecnologia e instrumentos de apoio à produção são apresentadas na Tabela 14. Não foi observada diferença significativa para a utilização de força de trabalho animal segundo os grupos de beneficiários em comparação, sendo 7,62% para o PCT e 6,58% para o INCRA. A força de tração mecânica foi empregada mais frequentemente pelos beneficiários do PCT, 33,40% contra 25,05% do INCRA, com significância estatística para a diferença (p-valor=0,0028). O mesmo aconteceu para o emprego de sementes compradas no mercado, utilização de fertilizantes químicos e cultivo em várzea. A frequência de agricultores do PCT que utilizaram sementes compradas correspondeu a 46,29%, contra 36,93% do INCRA, com significância estatística para a diferença (p-valor=0,0020). Para os fertilizantes químicos, os números são de 45,70% para os beneficiários do PCT, contra 38,03% do INCRA. O cultivo em várzea esteve presente em 22,27% das práticas agrícolas dos agricultores do PCT, enquanto os agricultores do INCRA utilizaram a várzea somente em 17,18% dos casos. Para irrigação, ao contrários das demais práticas agrícolas, foi observada uma semelhança na ocorrência, sendo 4,69% para o PCT e 4,20% para o INCRA.
Quanto aos instrumentos de apoio à produção, a frequência de utilização de assistência técnica foi maior entre os agricultores do PCT, 52,15%, contra 35,83% com significância estatística para a diferença (p-valor<0,0001). Para crédito rural, não observada diferença significativa, sendo que 48,44% dos beneficiários do PCT receberam crédito, enquanto este número foi de 45,34% para os assentados do INCRA.
As variáveis para o conjunto de indicadores sobre capital social têm as estatísticas descritivas apresentadas na Tabela 15, com exceção para migração, apresentada na Tabela 14. A idade média do beneficiário do INCRA, 43,1 anos, embora ligeiramente superior à idade média do agricultor do PCT, 41,5 anos, foi suficiente para resultar em significância estatística para a diferença (p-valor=0,0334).
Quanto à migração, observou-se que a migração entre municípios, dentro do mesmo estado de origem, foi de frequência ligeiramente maior para os assentados do INCRA, 69,65%, contra 66,02% para os beneficiários do PCT, sem diferença estatisticamente significativa. A migração interestadual é menos frequente do que a migração
entre municípios, esta foi observada em 26,95% dos beneficiários do PCT e em 23,40% dos agricultores do INCRA, também sem significância estatística para a diferença. A migração pode contribuir para o acúmulo de experiência, portanto deveria produzir efeito positivo sobre a eficiência.
Tabela 14. Estatísticas descritivas e testes de diferenças da tecnologia e dos instrumentos de apoio à produção, para os agricultores segundo os mecanismos de acesso à terra. Variável Média Desvio Padrão Média Desvio Padrão χ² p-valor
Criação animal (proporção) 0,6113 0,4879 0,6984 0,4594 8,8791 0,0029
Trabalho animal (proporção) 0,0762 0,2655 0,0658 0,2482 0,4312 0,5114
Força mecânica (proporção) 0,3340 0,4721 0,2505 0,4337 8,9458 0,0028
Sementes compradas (proporção) 0,4629 0,4991 0,3693 0,4831 9,5473 0,0020
Fertilizantes (proporção) 0,4570 0,4986 0,3803 0,4859 6,4105 0,0113
Cultivo várzea (proporção) 0,2227 0,4164 0,1718 0,3776 4,3257 0,0375
Cultivo irrigado (proporção) 0,0469 0,2116 0,0420 0,2009 0,1453 0,7031
Assistência técnica (proporção) 0,5215 0,5000 0,3583 0,4799 28,6145 0,0000
Crédito (proporção) 0,4844 0,5002 0,4534 0,4983 1,0202 0,3125
Migração local (proporção) 0,6602 0,4741 0,6965 0,4602 1,6049 0,2052
Migração estadual (proporção) 0,2695 0,4442 0,2340 0,4238 1,7747 0,1828
Fonte: Dados originais de Buainain et al. (2002) para o ano agrícola 1999/2000. PCT (n=512) INCRA (n=547) Teste χ²
Tabela 15. Estatísticas descritivas e testes de diferenças dos indicadores de capital humano e idade do projeto, para os agricultores segundo os mecanismos de acesso à terra.
Variável
Média Desvio Padrão
Mediana Média Desvio Padrão
Mediana W p-valor
Idade (anos) 41,4981 10,8820 40,0000 43,0713 11,9792 42,0000 129457 0,0334 Escolaridade (anos) 1,8398 2,1513 1,0000 1,6527 2,0497 1,0000 145913 0,2176
Idade do projeto (anos) 2,0020 0,2382 2,0000 3,2102 1,2380 3,0000 57482 0,0000
Fonte: Dados originais de Buainain et al. (2002) para o ano agrícola 1999/2000. PCT (n=512) INCRA (n=547) Teste Mann Whitney Wilcoxon
A idade do projeto foi de 2,0 anos para os assentamentos instalados por meio de aquisição de terras no mercado (PCT) e de 3,2 anos para os assentamentos realizados por meio de desapropriação (INCRA), com significância estatística para a diferença (p-valor<0,0001, Tabela 15). A faixa etária dos projetos PCT e INCRA, até 3 anos para o primeiro e até 6 anos para o segundo, foi consequência do corte temporal estabelecido na amostra realizada por Buainain et al. (2002). O universo da amostra PCT compreendia os assentamentos instalados a partir de 1997, ano de início de operação do programa. Foi considerado como universo para a amostra do INCRA, os assentamentos instalados a partir de 1993, para evitar uma distância temporal que poderia distorcer os resultados comparativos e ao mesmo tempo, garantir representatividade estadual. O conjunto de dados resultante é formado por uma amostra na qual a totalidade dos beneficiários do PCT encontram-se em projetos de até 3 anos de idade, enquanto para o INCRA, 60,15% dos agricultores estão em projetos com até 3 anos e 39,85%, em projetos com 3 anos e mais (Apêndice 3, Tabela A7).
A consequência direta dessa distribuição foi a correlação linear entre idade do projeto e o mecanismo de acesso à terra, negativa para o PCT e positiva para o INCRA, mas na mesma intensidade, 0,5553 (Apêndice 4, Tabela A9). Portanto a variável foi removida do modelo por afetar diretamente a variável binária indicadora do mecanismo de acesso à terra, com efeitos colaterais adversos, provocando a inversão de sinais em outros parâmetros.
Essa situação levou ao desdobramento da caracterização dos agricultores em dois estratos, segundo a idade do projeto, sendo o primeiro até 3 anos e o segundo acima de 3 anos – os resultados são apresentados em detalhe no Apêndice 4. O objetivo deste desdobramento foi identificar as variáveis que poderiam carregar parte do peso do amadurecimento dos projetos, ainda que estes possam ser considerados jovens até 6 anos, valor máximo observado. A configuração dos estratos teve como objetivo excluir os agricultores do PCT do segundo estrato, dirigindo a comparação dos efeitos da idade do projeto somente para o subconjunto de observações dos agricultores do INCRA (Tabela A7 do Apêndice 4). A comparação de médias e proporções para o conjunto total da amostra, incluindo as observações do PCT encontra-se na Tabela A6 do Apêndice 4, somente em caráter ilustrativo.
Apesar da idade dos projetos afetar algumas variáveis da função de produção e do conjunto explicativo para eficiência, esta não provocou uma estimativa diferencial para a eficiência. Também não foi observada a diferença entre os agricultores segundo o mecanismo de acesso à terra, PCT e INCRA, considerando-se que cerca de 40% dos agricultores do INCRA encontravam-se no estrato superior para idade do projeto.
Os agricultores dos projetos de assentamento do INCRA com mais de 3 anos são caracterizados por ocupar maior parcela de área com cultivos e pastagens, utilizando 8,69 ha, contra a área média utilizada de 6,90 ha nos projetos com até 3 anos de idade (p-valor=0,0008 para a diferença). O emprego anual de dias de trabalho foi maior nos projetos com mais de 3 anos, 683,07 DH para 609,28 DH nos projetos mais jovens (p-valor=0,0439). A frequência de agricultores com acesso à assistência técnica foi de 41,28% para o estrato de projetos até 3 anos de idade e de 32,22% para os mais velhos (p-valor=0,0304). A idade do chefe da família também foi maior nos projetos com mais de 3 anos, 44,5 anos contra 42,1 anos para os projetos mais jovens (p-valor=0,0351).
As atividades coletivas foram desenvolvidas com menor intensidade nos projetos do INCRA com mais de 3 anos. A proporção do valor da produção coletiva foi menor, 3,87% contra 10,62% para os projetos com idade até 3 anos (p-valor<0,0038 para a diferença). A proporção de dias de trabalho dedicados às atividades coletivas foi de 9,41% para os projetos com mais de 3 anos de idade e de 12,53% para os projetos mais jovens (p-valor=0,0373 para a diferença).
A média para idade do projeto no estrato mais jovem (até 3 anos) foi de 2,3 anos e de 4,5 anos para o estrato de agricultores em projetos com idade entre 3 e 6 anos (p-valor<0,0001).
Síntese das diferenças entre os agricultores segundo o mecanismo de acesso à terra
Apresenta-se a seguir a síntese das variáveis que marcam as diferenças entre as características dos agricultores segundo o mecanismo de acesso à terra. Entre os fatores de produção, os beneficiários do programa de acesso à terra via desapropriação (INCRA) obtiveram maior valor de produção (R$2.426,14), maior área utilizada (7,61 ha) e maior intensidade de trabalho (638,69 DH). Para os beneficiários do programa de acesso à
terra via mercado (PCT), o valor da produção foi de R$1.784,92, a área efetivamente utilizada foi de 5,78 ha e foram alocados 557,30 DH de trabalho no ano agrícola de 1999/2000.
Em termos de localização geográfica, a diferença entre os assentados segundo os mecanismos de acesso à terra foi observada nos estados do Maranhão e do Ceará. no primeiro a proporção é maior para o INCRA (20,66%) e menor para o PCT (15,04%), sendo o inverso para o Ceará, com 26,69% dos assentados por meio de desapropriação (INCRA) e 36,33% dos assentados por meio da aquisição de terras no mercado (PCT). Na comparação entre PCT e INCRA quanto aos solos predominantes nos municípios, o resultado foi de tendência de localização em municípios com maior parcela de solos de alta qualidade para os projetos PCT (47,64%) e de predominância de solos de qualidade regular para os assentamentos INCRA (36,00%).
As atividades coletivas foram exploradas com menor intensidade pelos agricultores do INCRA. A proporção de dias de trabalho dedicados à atividades coletivas foi de 7,93% para os agricultores do INCRA e de 15,07% para os beneficiários do PCT. A proporção da produção proveniente da produção coletiva foi de 11,28% para os assentados do INCRA e de 18,14% para os beneficiários do PCT.
A tecnologia produtiva dos assentados do INCRA é caracterizada pela menor proporção de agricultores utilizando-se de força de tração mecânica (25,05%), sementes compradas (36,93%), fertilizantes químicos (38,03%), cultivo em várzea (17,18%) e assistência técnica (35,83%). A frequência de observações para os beneficiários do PCT foi de 33,40% para o emprego de força de tração mecânica, 46,29% para a utilização de sementes compradas, 45,70% para o uso de fertilizantes químicos, 22,27% para o cultivo em várzea, 52,15% para o acesso à assistência técnica.
Os agricultores assentados pelo programa de desapropriação do INCRA tiveram idade média de 43,1 anos, contra 41,5 anos para os agricultores assentados pelo PCT.
Considerando-se os estratos de idade dos projetos para o grupo de agricultores assentados por meio do programa de acesso à terra via desapropriação (INCRA), os fatores de produção que tiveram relação positiva com o estrato de agricultores em projeto com mais de 3 anos de idade foram área utilizada (ha) e dias de trabalho (DH). Entre as variáveis explicativas para eficiência, a proporção de valor da produção coletiva e de dias de
trabalho coletivo tiveram relação negativa com o estrato de projetos acima de 3 anos de idade. Por outro lado, as variáveis assistência técnica e idade do chefe a família tiveram relação positiva com o estrato de projetos acima de 3 anos de idade.