A análise dos beneficiários próximos da fronteira foi realizada comparando-se suas características com os demais beneficiários. Foram considerados como próximos à fronteira, os agricultores no estrato correspondente aos 5% maiores valores de eficiência produtiva. Primeiro foi feita a comparação entre médias e entre proporções, segundo a proximidade da fronteira. A comparação segundo o mecanismo de acesso à terra – PCT e INCRA – foi realizada somente para as variáveis que apresentaram diferença significativa na primeira comparação. Os resultados desse desdobramento são apresentados em detalhe no Apêndice 3. A sequência de comparações de variáveis segue a estrutura da seção 4.1, na seguinte ordem: eficiência estimada, valor da produção, fatores de produção, fontes de eficiência, iniciando-se com os efeitos das unidades da federação, qualidade dos solos, indicadores da tecnologia de produção, acesso aos instrumentos de apoio à produção, indicadores de capital humano e idade do projeto. A síntese dos resultados é apresentada ao final da seção.
Os beneficiários próximos da fronteira corresponderam a 53 observações, das quais 32 (60,4%) referem-se aos assentados por meio da desapropriação (INCRA) e 21 (39,6%) aos assentados por meio do mercado (PCT). Em relação ao total de observações dos respectivos grupos amostrais, os agricultores do INCRA próximos da fronteira corresponderam a 5,9% do total, enquanto para o PCT essa proporção correspondeu a 4,1%.
A eficiência média para o grupo próximo à fronteira foi de 0,7331, variando de 0,6930 a 0,8172, enquanto para o estrato inferior foi de 0,3414, domínio de 0,0111 a 0,6926 – a eficiência média para todo o conjunto de dados foi de 0,3163. Não foi observada diferença significativa para eficiência média estimada para os agricultores próximos à fronteira, segundo o mecanismo de acesso à terra. O valor médio para os beneficiários do PCT foi de 0,7291 (desvio padrão de 0,0311 e mediana de 0,7236), enquanto para os agricultores do INCRA foi de 0,7356 (desvio padrão de 0,0371 e mediana de 0,7239).
O valor médio da produção foi significativamente maior para os beneficiários da reforma agrária próximos da fronteira, R$11.876,45 contra R$1.601,91 para os demais, p-valor<0,0001 (Tabela 18). O emprego dos fatores de produção pelos agricultores
próximos da fronteira são caracterizados pela maior área média utilizada, maior nível de custos produtivos e menor utilização de mão de obra, em comparação com os demais agricultores. Não foi observada significância estatística para a diferença entre área média e emprego de mão de obra entre os dois estratos de eficiência. A média para a área utilizada próximo à fronteira foi de 8,52 ha, enquanto para os demais, foi de 6,63 ha. As unidades produtivas próximas da fronteira utilizaram mão de obra em menor intensidade, 534,64 DH contra 602,75 DH utilizados pelos demais agricultores. Somente foi observada significância estatística para a diferença de emprego do fator capital, representado pela variável custos produtivos (R$ 1.439,08 na fronteira contra R$ 480,40 para os demais, p-valor=0,0003).
Dentro do estrato de agricultores próximos da fronteira, não foi observada diferença estatisticamente significativa para o valor da produção segundo o mecanismo de acesso à terra, mas foi observado que este foi maior para os beneficiários do INCRA, R$13.492,74, contra R$9.413,53 para os beneficiários do PCT. O inverso aconteceu para a alocação de recursos em custos produtivos, sendo o maior valor para os agricultores do PCT, R$ 1.623,83, contra R$ 1.317,84 para os agricultores do INCRA, sendo que não foi observada significância estatística para a diferença.
Tabela 18. Estatísticas descritivas e testes de diferenças para eficiência estimada e fatores de produção, para os grupos de beneficiários segundo o estrato de eficiência, 95% menores e 5% maiores.
Variável
Média Desvio Padrão
Mediana Média Desvio Padrão Mediana W p-valor Eficiência PCT e INCRA 0,3414 0,1797 0,3334 0,7331 0,0347 0,7236 0 0,0000 Valor da produção (R$) 1601,91 1777,34 1012,92 11876,45 9977,22 9365,00 1704 0,0000 95% menores (n=1006) 5% maiores (n=53) Teste Mann Whitney Wilcoxon
Área utilizada (ha) 6,63 7,21 4,02 8,52 8,14 6,00 23091 0,1001
Dias de trabalho (DH) 602,75 437,90 516,50 534,64 433,39 477,00 29951 0,1294 Custos (R$) 480,40 1185,41 170,24 1439,08 2757,56 464,70 18849 0,0003
Fonte: Dados originais de Buainain et al. (2002) para o ano agrícola 1999/2000.
Considerando-se a localização segundo a unidade federativa, o estrato de agricultores próximos da fronteira é caracterizado pela menor frequência de beneficiários do estado do Pernambuco, correspondente a 7,55% contra 18,39% no estrato que agrupa os
demais produtores (p-valor=0,0445 para a diferença, Tabela 19). A ausência de evidência estatisticamente significativa para as diferenças entre proporções, colocou como características complementares do grupo de agricultores próximos da fronteira, a participação mais frequente de beneficiários do Ceará (37,74% contra 31,01% para os demais), Bahia (24,53% contra 20,97% para os demais) e Maranhão (18,87% contra 17,89% para os demais), proporções que correspondem aos resultados obtidos na inspeção visual realizada na seção anterior (Figura 12, p.102). Para o estado de Minas Gerais, as médias segundo os estratos de eficiência foram semelhantes (11,32% para o estrato próximo à fronteira e 11,73% para o estrato dos demais agricultores). Os beneficiários do PCT dos estados do Pernambuco e de Minas Gerais foram ausentes para o grupo de produtores próximos à fronteira de eficiência plena. A proporção de produtores do INCRA no estado do Pernambuco, no estrato próximo da fronteira de eficiência, foi de 12,50% (p-valor=0,0920 para a diferença de média em relação ao PCT).
Tabela 19. Estatísticas descritivas e testes de diferenças dos indicadores das unidades da federação, para os grupos de beneficiários segundo o estrato de eficiência, 95% menores e 5% maiores.
Variável Média Desvio Padrão Média Desvio Padrão χ² p-valor MG (proporção) 0,1173 0,3219 0,1132 0,3199 0,0081 0,9281 MA (proporção) 0,1789 0,3835 0,1887 0,3950 0,0325 0,8569 CE (proporção) 0,3101 0,4628 0,3774 0,4894 1,0570 0,3039 BA (proporção) 0,2097 0,4073 0,2453 0,4344 0,3813 0,5369 PE (proporção) 0,1839 0,3876 0,0755 0,2667 4,0369 0,0445
Fonte: Dados originais de Buainain et al. (2002) para o ano agrícola 1999/2000. 95% menores
(n=1006)
5% maiores (n=53)
Teste χ²
Quanto à localização segundo a qualidade dos solos predominantes nos municípios, foram observadas evidências embora não significativas, de que os agricultores próximos à fronteira encontram-se em municípios onde a proporção foi maior para solos de qualidade alta (50,7% contra 42,8% para os demais) e de qualidade regular (37,51% contra 31,96% para os demais). O inverso aconteceu para a proporção de solos de baixa qualidade, maior entre os agricultores mais distantes da fronteira (25,22%) e menor para os mais próximos da fronteira (11,76%), com evidência de significância estatística para a diferença
(p-valor=0,0004, Tabela 20). No que diz respeito aos solos, o resultado comparativo entre as médias para a área ocupada pelas diferentes categorias de solo foi semelhante ao observado na comparação entre os grupos de agricultores segundo o mecanismo de acesso à terra para o conjunto total da amostra – maior proporção de solo de alta qualidade para os produtores do PCT, maior proporção de solos de qualidade regular para os produtores do INCRA e menor proporção de solos de baixa qualidade para ambos –, mas não foi verificada diferença estatisticamente significativa (para as três categorias de solo) segundo o mecanismo de acesso à terra, para os produtores próximos da fronteira (ver detalhes no Apêndice 3, Tabela A5).
Tabela 20. Estatísticas descritivas e testes de diferenças da parcela da área municipal e dos indicadores das estratégias produtivas, para os grupos de beneficiários segundo o estrato de eficiência, 95% menores e 5% maiores.
Variável
Média Desvio Padrão
Mediana Média Desvio Padrão
Mediana W p-valor
Solo qualidade alta (% área municípal) 0,4282 0,3571 0,3974 0,5073 0,3684 0,4492 23167 0,1066 Solo qualidade regular (% área municipal) 0,3196 0,3319 0,1983 0,3751 0,3394 0,3375 25417 0,5644 Solo qualidade baixa (% área municipal) 0,2522 0,2923 0,1297 0,1176 0,2219 0,0241 34351 0,0004
Valor da produção consumo (% total) 0,5506 0,3266 0,5560 0,4768 0,3925 0,3951 30448 0,0805 Valor da produção coletiva (% total) 0,1116 0,2396 0,0000 0,1566 0,3074 0,0000 24276 0,2060 Dias de trabalho coletivo (% total) 0,1383 0,2008 0,0635 0,2927 0,3054 0,2174 18253 0,0001 Renda externa (% total) 0,3768 0,3357 0,3411 0,1353 0,1545 0,0856 36053 0,0000 Dias de trabalho externo (% total) 0,1058 0,1962 0,0000 0,1484 0,2333 0,0000 24937 0,3659
Fonte: Dados originais de Buainain et al. (2002) para o ano agrícola 1999/2000. 95% menores (n=1006) 5% maiores (n=53) Teste Mann Whitney Wilcoxon
As características dos agricultores próximos à fronteira com diferença estatisticamente significativa, segundo as estratégias produtivas, foram a maior proporção de dias trabalho coletivo (29,27% contra 13,83% para os demais, p-valor=0,0001) e a menor proporção de renda externa (13,53% contra 37,68% para os demais, p-valor<0,0001, Tabela 20). Embora sem significância estatística, foram observadas evidências de maior proporção de valor da produção coletiva (15,66% contra 11,16% para os demais), maior proporção de dias de trabalho em atividades fora do assentamento (14,84% contra 10,58% para os demais) e menor proporção para valor da produção para consumo da família (47,68% contra 55,06% para os mais distantes da fronteira). A presença de criação animal também é
característica marcante dos agricultores próximos à fronteira (77,36% contra 65,31% para os demais, p-valor=0,0651, Tabela 21).
Tabela 21. Estatísticas descritivas e testes de diferenças da tecnologia e dos instrumentos de apoio à produção, para os grupos de beneficiários segundo o estrato de eficiência, 95% menores e 5% maiores.
Variável Média Desvio Padrão Média Desvio Padrão χ² p-valor
Criação animal (proporção) 0,6501 0,4772 0,7736 0,4225 3,4034 0,0651
Trabalho animal (proporção) 0,0676 0,2512 0,1321 0,3418 3,1811 0,0745
Força mecânica (proporção) 0,2803 0,4494 0,4906 0,5047 10,7905 0,0010
Sementes compradas (proporção) 0,4155 0,4931 0,3962 0,4938 0,0771 0,7812
Fertilizantes (proporção) 0,4135 0,4927 0,4906 0,5047 1,2291 0,2676
Cultivo várzea (proporção) 0,1889 0,3916 0,3396 0,4781 7,2498 0,0071
Cultivo irrigado (proporção) 0,0408 0,1978 0,1132 0,3199 6,2315 0,0125
Assistência técnica (proporção) 0,4334 0,4958 0,5094 0,5047 1,1829 0,2768
Crédito (proporção) 0,4642 0,4990 0,5472 0,5025 1,3914 0,2382
Migração local (proporção) 0,6809 0,4664 0,6415 0,4841 0,3586 0,5493
Migração estadual (proporção) 0,2495 0,4329 0,2830 0,4548 0,3007 0,5835
Fonte: Dados originais de Buainain et al. (2002) para o ano agrícola 1999/2000. 95% menores
(n=1006)
5% maiores (n=53)
Teste χ²
A comparação das características dos produtores próximos à fronteira segundo o mecanismo de acesso à terra, embora não tenha permitido concluir com significância estatística, indicou evidências de que as médias para as variáveis representativas das estratégias de gestão dos agricultores do INCRA foram maiores do que as médias observadas para o conjunto da amostra, aproximando-os das características dos agricultores do PCT (ver a apresentação detalhada dos dados no Apêndice 3, Tabela A5). Houve inversão para a parcela do trabalho destinado às atividades coletivas, a qual era maior para o PCT considerando-se o conjunto da amostra e tornou-se menor do que o INCRA para as observações na fronteira – passou de 18,14% para 26,65% para o PCT e de 11,28% para 30,99% para o INCRA. Criação animal também sofreu inversão, era maior para o INCRA para o conjunto da amostra e tornou-se maior para o PCT, quando considerados apenas os agricultores da fronteira – a proporção de assentados do INCRA era de 69,84% considerando
o conjunto da mostra e ficou em 75,00% próximo da fronteira, enquanto para o PCT, a proporção de criação animal passou de 61,13% para 80,95%. Em ambos os casos, as diferenças entre PCT e INCRA foram menores para os produtores próximos da fronteira, reduzindo-se as chances de encontrar-se evidência de significância estatística para as diferenças.
A tecnologia de produção dos beneficiários da reforma agrária próximos da fronteira de eficiência plena é caracterizada, com significância estatística, pela maior presença de emprego da força de trabalho mecânica (49,06% contra 28,03% para os demais, p-valor=0,0010), cultivo em várzea (33,96% contra 18,89% para os demais, p-valor=0,0071) e cultivo irrigado (11,32% contra 4,08% para os demais, p-valor=0,0125, Tabela 21). A presença de emprego de força de trabalho animal (13,21% contra 6,76% para os demais) e de fertilizantes químicos (49,06% contra 41,35% para os demais), embora sem significância estatística, também foram evidências da diferença em favor dos agricultores próximos à fronteira.
No estrato próximo à fronteira, as diferenças para os indicadores de tecnologia da produção segundo o mecanismo de acesso à terra ficaram maiores para emprego de fertilizantes, cultivo em várzea e cultivo irrigado, em favor dos beneficiários do PCT, mas com significância estatística somente para a diferença no emprego de fertilizantes (76,19% para o PCT e 38,03% para o INCRA, p-valor=0,0014). Comparando-se as proporções estimadas para o conjunto da amostra com as proporções obtidas para o estrato próximo da fronteira, para os agricultores do INCRA, foi observado o aumento relativo maior no emprego de força mecânica, de 25,05% para 46,88% e do o cultivo em várzea variou de 17,18% para 25,00%. Houve aumento relativo em menor intensidade para sementes compradas, variando de 36,93% para 40,63%. O emprego de força de trabalho animal e o cultivo irrigado devem ser considerados à parte devido à baixa proporção relativa – o cultivo irrigado variou de 4,20% para 9,38% e o emprego de tração animal, que era de 6,58% para o conjunto da amostra, passou a 12,50% para o grupo próximo à fronteira. O emprego de fertilizantes foi realizado em 38,03% das unidades produtivas na fronteira, enquanto para as demais a frequência foi de 31,25% (ver Apêndice 3, Tabela A5).
Para os beneficiários do PCT, os aumentos relativos entre as proporções calculadas para o estrato próximo à fronteira em comparação com os resultados
para a amostra completa, foram maiores para cultivo em várzea, de 22,27% para 47,62%, e fertilizantes, de 45,70% para 76,19%. Em seguida tem-se o emprego de tração mecânica, que passou de 33,40% para 52,38%. Também foi observado aumento para o emprego da tração animal, que passou de 7,62% para 14,29% e para a utilização de cultivo irrigado, o qual passou de 4,69% para 14,29%. A utilização de sementes compradas caiu de 45,70% para 38,10% (ver Apêndice 3, Tabela A5).
Considerando-se o acesso aos instrumentos de apoio à produção, foram observadas maiores frequências para o grupo de agricultores próximos da fronteira, embora não tenha sido observada diferença estatisticamente significativa em relação aos demais agricultores. A frequência para o acesso à assistência técnica foi de 50,94% para os agricultores na fronteira, contra 43,34% para os demais, e o acesso ao crédito foi de 54,72% para os produtores próximos à fronteira, contra 46,42% para os demais (Tabela 21).
A comparação segundo o mecanismo de acesso à terra no estrato próximo à fronteira, revelou que a frequência para os indicadores de acesso aos instrumentos de apoio à produção foram maiores para os beneficiários do PCT. A parcela de produtores do PCT que obteve assistência técnica na amostra geral foi de 52,15%, passando a 71,43% na fronteira. Para os beneficiários do INCRA, este valor passou de 35,83% na amostra geral, para 37,50% na fronteira. Foi verificada significância estatística para diferença entre os agricultores dos grupos PCT e INCRA próximos da fronteira (p-valor=0,0157). A proporção de produtores com acesso ao crédito foi de 48,44% para o conjunto completo da amostra do grupo PCT, contra 71,43% para o estrato próximo da fronteira de eficiência. Para os beneficiários do INCRA, esta proporção passou de 45,34% na amostra geral, para 46,88% no estrato de agricultores próximos à fronteira de eficiência plena. Apesar de ser relativamente expressiva, não foi verificada significância estatística para a diferença entre grupos (PCT e INCRA), considerando-se apenas o estrato próximo da fronteira.
A proporção de migração para municípios do mesmo estado de origem foi menos frequente entre os agricultores mais próximos da fronteira (64,15% contra 68,05% para os demais). Inversamente, a proporção de agricultores que migraram para fora do estado de origem foi maior para aqueles próximos à fronteira (28,30% contra 24,95% para os demais). Embora indiquem evidência de diferença de movimento, ambos os resultados não resultaram em significância estatística (Tabela 21). As frequências para as variáveis de
migração foram praticamente idênticas quando compara-se as médias entre PCT e INCRA. As diferenças estimadas entre PCT e INCRA foram pequenas, portanto sem significância estatística, tanto para a amostra geral como para o conjunto de observações próximas da fronteira (Apêndice 3, Tabela A5).
As diferenças estimadas para as variáveis idade do chefe da família e anos de escolaridade segundo os estratos de eficiência, não resultaram em significância estatística. Os beneficiários próximos da fronteira (chefe da família) tiveram idade maior, de 44,8 anos contra os 42,2 anos dos demais agricultores (Tabela 22). A diferença de escolaridade entre os beneficiários próximos da fronteira e os demais, tende à nulidade para a variável escolaridade do chefe da família, sendo de 1,6 anos de instrução formal próximo à fronteira e de 1,7 para os demais agricultores.
Os chefes da família do estrato próximo à fronteira tiveram idade média um pouco maior em comparação com a amostra geral, mas reduziu-se a diferença entre INCRA e PCT, resultando na ausência de significância estatística para a diferença. A idade do chefe da família do PCT foi estimada em 41,5 anos para o conjunto geral e em 45,9 anos para o estrato próximo à fronteira de eficiência. Para o INCRA, a idade do chefe da família considerando-se a amostra completa foi de 40 anos e de 46 anos para aqueles próximos à fronteira. Não foi observada diferença com significância estatística em termos de anos de instrução do chefe da família, considerando-se a comparação entre os beneficiários dos grupos PCT (1,4 anos) e INCRA (1,8 anos) próximos da fronteira (Apêndice 3, Tabela A5).
Tabela 22. Estatísticas descritivas e testes de diferenças dos indicadores de capital humano e idade do projeto, para os grupos de beneficiários segundo o estrato de eficiência, 95% menores e 5% maiores.
Variável
Média Desvio Padrão
Mediana Média Desvio Padrão
Mediana W p-valor
Idade (anos) 42,1809 11,4721 41,0000 44,7736 11,5303 46,0000 23137 0,1045 Escolaridade (anos) 1,7495 2,1120 1,0000 1,6226 1,8834 1,0000 26295 0,8612
Idade do projeto (anos) 2,6322 1,0963 2,0000 2,5094 0,9119 2,0000 27539 0,6439
Fonte: Dados originais de Buainain et al. (2002) para o ano agrícola 1999/2000. 95% menores (n=1006) 5% maiores (n=53) Teste Mann Whitney Wilcoxon
Os agricultores próximos da fronteira encontram-se em projetos com idade média de 2,5 anos, contra 2,6 anos para os demais, sem significância estatística para a diferença (Tabela 22). A comparação entre a média para a idade dos projetos PCT (estimada em 2,0 anos) e INCRA (estimativa de 2,8 anos) na fronteira de eficiência, revela que há diferença com significância estatística (p-valor=0,0016). Portanto, no estrato de observações da fronteira praticamente reproduz-se as características da variável idade do projeto, segundo o mecanismo de acesso à terra, obtidas para a amostra plena.
A idade do projeto está diretamente correlacionada com o conjunto de observações do INCRA (e inversamente em relação ao PCT), característica que afeta algumas variáveis do conjunto de dados. Por outro lado, não foi observada relação com a eficiência, por meio da estimativa da diferença entre médias segundo o estrato de idade do projeto (até 3 anos e mais de 3 anos) aplicado à amostra global (Tabela A6) e utilizando-se o subconjunto de observações restrito ao grupo do INCRA (Tabela A7). Portanto, os agricultores de ambos os grupos, PCT e INCRA, produziram em níveis de eficiência semelhantes, mas com fontes de eficiência de origem diferenciada.
Síntese das características dos agricultores próximos à fronteira
Apresenta-se a seguir a síntese das características diferenciadoras dos agricultores próximos da fronteira de eficiência plena e, a partir destas, a diferenciação entre os grupos segundo o mecanismo de acesso à terra – INCRA e PCT. A eficiência média para o grupo próximo à fronteira foi de 0,7331, enquanto para os demais foi de 0,3414 e para todo o conjunto de observações da amostra foi de 0,3163.
O valor médio da produção foi significativamente maior para os beneficiários da reforma agrária próximos da fronteira, R$11.876,45. A intensidade de emprego dos fatores de produção foi maior para área média utilizada (8,52 ha) e para os custos produtivos (534,64 DH) e, menor para a utilização de mão de obra (R$1.439,08), em comparação com os demais agricultores.
Quanto à distribuição geográfica, o estrato de agricultores próximos da fronteira é caracterizado pela menor frequência de beneficiários do estado do Pernambuco, correspondente a 7,55% (único estado que contribui negativamente para eficiência). A distribuição entre os demais estados seguiu as características gerais da amostra. A proporção
de solos de baixa qualidade foi menor (11,76%) para os beneficiários próximos da fronteira. Não foi observada diferença estatisticamente significativa entre os estratos de eficiência para as demais categorias de qualidade dos solos.
As estratégias produtivas são caracterizadas pela alocação de maior parcela do trabalho para atividades coletivas (29,27%) e de menor participação das rendas externas na composição dos rendimentos totais (13,53%). A criação animal esteve presente em 77,36% das unidades produtivas próximas à fronteira. A proporção do valor da produção destinada ao consumo, a proporção do valor da produção resultante das atividades coletivas e a proporção do trabalho alocado fora do assentamento não indicaram diferenças em relação ao estrato de agricultores mais distantes da fronteira de eficiência plena.
A tecnologia de produção dos beneficiários da reforma agrária próximos da fronteira de eficiência plena é caracterizada pela maior presença de emprego da força de trabalho mecânica (49,06%), cultivo em várzea (33,96%) e cultivo irrigado (11,32%). O menor emprego de sementes adquiridas no mercado e o maior uso de fertilizantes químicos, não apresentaram diferença estatisticamente significativa para serem considerados como características típicas dos agricultores da fronteira. O mesmo vale para o acesso à assistência técnica e ao crédito, que foram maiores para o grupo próximo da fronteira, mas sem diferença significativa em relação aos demais agricultores.
Os agricultores da fronteira são semelhantes aos demais no que refere- se às variáveis caracterizadoras do capital humano – idade (44,8 anos), escolaridade (1,6 anos de instrução formal) e migração dentro (64,15%) e fora do estado de origem (68,09%).
Por último, não foi observada diferença estatisticamente significativa para idade do projeto segundo o estrato de eficiência – a idade do projeto para os agricultores próximos da fronteira foi de 2,5 anos e para os demais foi de 2,6 anos.
Síntese das características dos agricultores próximos à fronteira segundo os mecanismos de acesso à terra
Na fronteira, foram observadas diferenças estatisticamente significativas para um conjunto restrito de características, incluindo-se a localização segundo a unidade da federação, emprego de fertilizantes, acesso à assistência técnica e idade do projeto. Não foi observada diferença significativa para eficiência média estimada para os agricultores
próximos à fronteira segundo o mecanismo de acesso à terra (0,7291 para o PCT e 0,7356 para o INCRA). Foi observada a ausência de beneficiários do PCT para os estados de Minas Gerais e Pernambuco, no estrato de agricultores próximos da fronteira de eficiência plena, estados para os quais a presença de assentados do INCRA foi de 18,75% e 12,50%, respectivamente. Para o estado do Ceará, a proporção de agricultores do PCT (61,90%) foi maior que a do INCRA (21,88%). O emprego de fertilizantes foi observado com mais frequência no grupo do PCT, em 76,19% dos casos, contra 31,25% para o grupo de agricultores do INCRA. A proporção de agricultores com acesso à assistência técnica foi maior para o grupo do PCT, 71,43% contra 37,50% para o grupo do INCRA. Embora não seja uma característica marcante dos agricultores próximos da fronteira considerando-se a amostra global, a idade média dos projetos foi maior para os assentados por meio da desapropriação (INCRA), 2,8 anos contra