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2 KAVRAMSAL VE KURAMSAL ÇERÇEVE-ARKA PLAN

2.9 LİSE SONRASI TERCİH SÜRECİNE KISA BİR BAKIŞ

Falar dos objetivos da AS é retomar a tarefa árdua de sua especificidade. Segundo Reis e Pestano (2006, p.2-5) os objetivos estabelecidos para a AS são amplos e podem ser traduzidos, diante de alguns argumentos, como funções de outras políticas sociais. Este desafio tem mobilizado vários autores no sentido de esclarecer essa especificidade, um processo que ainda está sendo construído. A Constituição Federal de 1988, art. 203, estabeleceu que a AS é “para quem dela necessitar” e traz como seus objetivos: a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; o amparo às crianças e adolescentes carentes; a promoção da integração ao mercado de trabalho; a habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de deficiência ao mercado de trabalho e promoção de sua integração á vida comunitária e a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso [...]. Este último item gerou a implementação do benefício de prestação continuada – BPC para aqueles não inseridos na previdência social, cujas famílias não têm meios de promover a própria manutenção.

Diante de tamanha amplitude de objetivos, uma característica parece se destacar, a provisão de condições mínimas de sobrevivência para os que estão fora do mercado de trabalho. Uma tradução possível sobre o que faz a AS é entendê-la como o mínimo que se recebe sem a contrapartida do trabalho, na definição de Faleiros (apud REIS E PESTANO, idem, p.3). A AS ficaria assim subordinada, na dependência das demais políticas sociais, submissa à adoção a aos efeitos da política econômica e de emprego, confirmando seu caráter unicamente tópico e compensatório.

Sobre o caráter compensatório podemos dizer que este é um terreno ainda mais movediço, porque o conceito ora é interpretado como o reajustamento do mercado para continuar operando dentro da mesma lógica, reforçando uma realidade desigual, ora é explicado como uma medida de correção dessa desigualdade, ao tratar os desiguais de forma diferente. É importante observar que há diferença para a ação compensatória numa sociedade, que alcançou políticas avançadas de proteção social, e num país onde tais políticas estão longe de uma universalização e impacto. No primeiro caso os direitos fundamentais estão garantidos para a maior parte da população, com condições dignas de sobrevivência para a maioria; nos países onde a maior parte da população ainda não tem essas condições, os direitos sociais não estão garantidos, é necessário um maior cuidado ao se analisar o caráter compensatório da política pública e denunciar a ausência de políticas sociais universais. Parece-nos necessária esta e outras diferenciações; primeiro porque não se pode ignorar que existe uma urgência em garantir condições de sobrevivência de grande parte da população; segundo porque direitos universais podem estar formalmente declarados, mas na realidade estão inacessíveis para aqueles que mais deles necessitam. A ambigüidade do termo compensatório expressa, de forma muito semelhante, a própria dificuldade de se compreender o que é a AS, que existe para garantir os mínimos sociais. Nesse sentido a AS busca uma universalização de condições dignas de sobrevivência numa sociedade, protege quem por alguma condição está sem o trabalho, e ainda denuncia a desigualdade de acesso aos direitos sociais, tratando de forma diferente os que são normalmente culpabilizados pela sua condição desigual. É necessário compensar, podemos dizer, esse desvio de olhar, não só com ações concretas e objetivas, como renda mínima, mas também com a mudança de valores, de atitudes discriminatórias, que contribuem para a permanência da exclusão social.

Os bens sociais, culturais e as condições dignas são elaborações teóricas difíceis de serem determinadas pelo coletivo da sociedade e não têm uma aplicação homogênea, as pessoas são únicas e respondem também de forma singular a essa realidade. As ações emergenciais são frequentemente tratadas como as únicas ações possíveis na AS, isoladas e pontuais, sem o enfrentamento das causas originais, o combate a essas causas deixa de ser reconhecido como um dever do Estado. Neste caso as ações da AS perpetuam a situação de exclusão e de dependência, não contribuem para mudar uma realidade social injusta. A política de AS que apenas pretende minorar ou controlar a miséria e se conforma com as desigualdades sociais não cumpre sua função, é uma assistência social stricto sensu. O objetivo compensatório da AS, no seu sentido lato sensu, é o seu imperativo de apontar para a inclusão, tratar de forma

diferente os desiguais, tornar claro situações encobertas pela “lei do silêncio e da omissão”, onde alguns são mais cidadãos que outros, por condição econômica, de etnia, pelo local onde residem, etc. O mal não está no caráter compensatório da ação, quando esta é parte de uma concepção de direitos universais e de democracia plena, mas sim no uso da ação compensatória como estratégia do sistema vigente, estruturado para privilegiar poucos ou aqueles que detêm o poder político e controlar os pobres. Neste caso podemos pensar que a AS não é uma política social, mas uma ação reformista e uma estratégia emergencial. Segundo Reis e Pestano (2006), é urgente que a AS busque construir sua especificidade enquanto política social, que não é uma tarefa fácil diante do quadro de ausência de políticas sociais efetivas e universais nos países periféricos.

No Brasil após a aprovação da LOAS, as discussões voltaram-se para a aprovação da Política Nacional de Assistência Social – PNAS (2004) e da Norma Operacional Básica do Sistema Único da Assistência Social NOB-SUAS (2005). A PNAS estabelece seus objetivos, procurando uma maior distinção do seu campo.

A Política Pública de Assistência Social realiza-se de forma integrada às políticas setoriais, considerando as desigualdades socioterritoriais, visando seu enfrentamento, à garantia dos mínimos sociais, ao provimento de condições para atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais. Sob essa perspectiva, objetiva:

* Prover serviços, programas, projetos e benefícios de proteção social básica e, ou, especial para famílias, indivíduos e grupos que deles necessitarem.

* Contribuir com a inclusão e a eqüidade dos usuários e grupos específicos, ampliando o acesso aos bens e serviços socioassistenciais básicos e especiais, em áreas urbana e rural.

* Assegurar que as ações no âmbito da assistência social tenham centralidade na família, e que garantam a convivência familiar e comunitária. (BRASIL, PNAS, 2004, p.27).

O texto da PNAS acima traz ainda uma diretriz bastante enfatizada no discurso oficial, que as ações tenham centralidade na família, e garantam a convivência familiar e comunitária. Os últimos vinte anos representam para a política de assistência social “um esforço de institucionalização sem precedentes” como destaca Costa (2006), e na busca dessa formalização e reconhecimento a última Conferência de AS aprovou a formulação dos dez direitos socioassistenciais.

Benzer Belgeler