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3. BATI ANADOLU HELLENİSTİK DÖNEM KUTSAL ALANLARI

3.12. LAGINA

Nosso foco nesta parte é caracterizar o direcionamento do Idec, por quem (e como) é definido esse direcionamento e o que lhe confere, ou não, autonomia. É importante destacar que faremos isso tendo por base a análise de documentos públicos produzidos pela entidade, considerando assim tanto aqueles assinados pela instituição quanto aqueles assinados pessoalmente por seus dirigentes, como no caso de entrevistas, capítulos de livro e artigos. Há, portanto, a possibilidade de que ocorra um viés mas, considerando a variedade de fontes pesquisadas, e o fato de que são sempre documentos públicos produzidos por diferentes pessoas, em diferentes contextos e momentos e com diferentes finalidades, assumimos ser baixo o risco de distorções.

Para a caracterização do direcionamento da entidade, ou seja, a compreensão sobre quem a dirige e para que objetivos (e também sobre as intenções com que ela desenvolve suas atividades), adotamos dois tipos de fontes. Um, factual, representado pelo conjunto de sua produção e das mensagens e propostas nelas contidas, e outro, mais formal, representado pelos seus estatutos, atas, planos e declarações públicas de seus dirigentes. A presente seção é fundamentada principalmente em fontes do segundo tipo.

5.3.1 - Qual o direcionamento do Idec

Como descrevemos, o Idec é fundado em 1987 por um grupo diversificado de cidadãos, sob iniciativa e forte inspiração de alguns profissionais originários do Procon-SP. A entidade assume a forma legal que, conforme legislação da época, mais se adequava às suas propostas e forma de organização, e que é assim descrita em seu estatuto: “Artigo 1º: (...) fica criada uma sociedade civil sem fins lucrativos, destinada a promover a defesa do consumidor, nas suas múltiplas espécies (...)”. A forma jurídica mudará ao longo de sua história, adequando-se às exigências e mudanças na legislação, mas sem mudanças formais que afetem a possibilidade da entidade garantir sua existência de modo autônomo, tanto em relação a recursos, quanto em relação à sua gestão e ao seu direcionamento político.

No primeiro estatuto do Idec, vigente à época de sua fundação, não há uma missão explícita. A destinação da entidade, dada pelo artigo citado acima, parece cumprir essa função: promover a defesa do consumidor, nas suas múltiplas espécies. Ainda focando seus estatutos, vemos no artigo 2º, que suas atividades incluem, entre outras de cunho mais operacional, a realização de estudos e pesquisas sobre “questões que afetam as relações de

consumo”. Incluem também a realização de palestras, cursos, treinamento de recursos

humanos, campanhas de mobilização e esclarecimento da opinião pública. Prevê ainda: V - Incentivar a criação de entidades civis de defesa do consumidor, bem como difundir seus objetivos sociais em segmentos organizados da sociedade civil, em todas as áreas de atuação, em que sua intervenção se faça necessária; [...]

VII - atuar junto aos poderes organizados – Legislativo, Executivo e Judiciário – no âmbito Federal, Estadual e Municipal – visando o advento e o aperfeiçoamento da legislação e dos procedimentos atinentes à defesa do consumidor;

VIII - representar, perante os órgãos competentes, inclusive podendo propor as ações judiciais que se façam necessárias, sempre que os direitos do consumidor forem de alguma forma lesados. (IDEC, estatuto 1987, livro de atas)

O que se percebe nos textos acima é, primeiro, o foco na defesa do consumidor. Não se fala explicitamente em promoção da cidadania, nem em aperfeiçoamento da democracia. Também não é tocado o tema meio ambiente. Devemos, porém, lembrar que à época o Brasil não tinha ainda uma legislação específica sobre o assunto, e que a constituição ainda era aquela imposta nos tempos do regime militar, o que coloca num patamar diferenciado a luta pelo reconhecimento de direitos, hoje vistos com naturalidade, mas que na época ainda eram, sim, um passo a ser dado no rumo da conquista das liberdades e direitos

civis, sociais e políticos, enfim, do exercício da cidadania plena. É importante lembrar também que até mesmo as diretrizes definidas pela ONU sobre direitos do consumidor eram ainda novidade, e mesmo elas pouco diziam sobre a questão ambiental, a cidadania, e a participação popular. Mais adiante neste estudo, na seção 5.4.4, em que tratamos de consumo sustentável e responsabilidade social empresarial, este assunto é tratado em mais detalhes.

Há ainda outros três pontos que devem ser lembrados perante as ausências que destacamos. O primeiro pode ser entrevisto nos três itens do estatuto do Idec reproduzidos acima, que apontam claramente o direcionamento da entidade para promover a ampliação de sua causa, pelo estímulo e apoio à criação de novas entidades de consumidores, e também pela atuação junto aos poderes públicos, dentro ou fora de processos judiciais. Mesmo que colocadas no marco mais restrito da defesa do consumidor (e não na promoção do seu protagonismo, como viria a ser no futuro), estas são práticas que apontam fortemente para os mecanismos de vitalização da esfera pública e promoção da cidadania e da democracia, nos termos do nosso referencial teórico. O próprio passado da líder do Idec e de seu grupo – como vimos – são indicações de que era mesmo esse o sentido.

O segundo ponto é que a própria prática jurídica – o ingresso de ações judiciais reivindicando demandas pontuais do cotidiano individual ou coletivo do consumidor – era vista também como uma parte do caminho para a democracia, ao servir de demonstração e motivação para todos que se dedicavam a fazer funcionar de fato o estado de direito recém- instalado no país. Nesse sentido, o “ativismo do direito”, citado por Josué Rios, coordenador jurídico do Idec desde o seu início, é uma indicação de que esta era mesmo a convicção do grupo. A frase de Ralf Nader citada com frequência tanto por Josué como por Marilena é clara nesse sentido: “Uma lei só deixa de ser um conjunto de palavras vazias quando alguém se vale dela, acionando o sistema judiciário e fazendo valer seus direitos”. Neste mesmo capítulo, na seção 5.4.2, falamos em mais detalhes desta postura e de como o Idec a adotou.

Finalmente, o terceiro ponto, é que existe espaço para posicionamentos mais voltados para questões políticas por meio do desenvolvimento de atividades de caráter mais genérico previstas no estatuto (estudos e pesquisas sobre “questões que afetam as relações de consumo”; realização de palestras; cursos; treinamento de recursos humanos; campanhas de mobilização e esclarecimento da opinião pública). Muitas manifestações do Idec apontam nessa direção, como se pode ver pela seleção de matérias e atividades da entidade.

fundação da entidade. Nessa ocasião há algumas mudanças importantes na sua organização em termos de gerenciamento e distribuição de poder (como comentamos mais abaixo) e também uma reordenação nos artigos iniciais, que passam a explicitar, separadamente, a missão da entidade, seus objetivos e as atividades que ela poderá desenvolver para atingi-los.

Assim, no artigo 1º, passa a constar que “o Idec (...) é uma associação civil de finalidade social, sem fins lucrativos, apartidária (...). A sua missão é defender o consumidor brasileiro”. Já o artigo 2º especifica que o objetivo do Instituto é contribuir para:

(a) que seja atingido o equilíbrio nas relações de consumo, por meio da maior conscientização e participação do consumidor e do maior acesso à Justiça; (b) a implementação e aprimoramento da legislação de defesa do consumidor, de repressão ao abuso do poder econômico e matérias correlatas, (c) a melhoria da qualidade de vida, especialmente no que diz respeito à melhoria da qualidade dos produtos e serviços oferecidos.

Finalmente, no artigo 3º são especificadas as atividades, que incluem, em primeiro lugar, “informar e orientar o consumidor sobre produtos e serviços e sobre todos os demais aspectos envolvidos nas relações de consumo, incluindo legislação, regulamentação e fiscalização”. Consta também a atividade de “atuar junto às instituições privadas visando o aperfeiçoamento de normas técnicas e dois procedimentos relativos ao fornecimento de produtos e serviços”.

Note-se que desaparecem as atividades de promover a criação de novas entidades e de realizar campanhas de mobilização e esclarecimento da opinião pública, que constavam anteriormente. Mas fica a atividade de “promover o intercâmbio de conhecimentos técnicos e científicos e a capacitação profissional com profissionais e entidades no Brasil e no exterior”.

Essas mudanças ocorrem num período que foi um grande divisor de águas na história da entidade: a conclusão do primeiro processo de planejamento do Idec, a transformação do seu boletim em uma revista e a intensificação/profissionalização da atividade de testes e pesquisas. Trataremos de todos estes temas nas seções seguintes, e iremos retomá-los, em conjunto com os elementos formais que estamos agora enfocando, em nosso capítulo de conclusões. Frisamos, porém, o fato de que as várias disposições retratadas acima apontam fortemente para o Idec como defensor do consumidor, com grande ênfase em aspectos como a qualidade e segurança dos produtos, e menor atenção (pelo menos formalmente) às questões relacionadas a cidadania, mobilização política e meio ambiente.

A próxima mudança estatutária aconteceria quatro anos depois. Em relação às atividades, surge uma adequação formal, importante para a atuação da entidade na área judicial, passando a incluir “atuar judicial ou extrajudicialmente na defesa de quaisquer direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos”. Nos objetivos, é incluída referência à contribuição para “o equilíbrio ético nas relações de consumo”. A maior novidade diz respeito à missão da entidade, que ganha um parágrafo específico, nos mesmos termos que constam ainda hoje:

A missão do IDEC é a defesa dos consumidores, na sua acepção mais ampla, representando-os nas relações jurídicas de qualquer espécie, inclusive com instituições financeiras e com o Poder Público. (IDEC, estatuto 2007, art. 1º) Essa missão, como se vê, é bem diferente daquela citada na introdução do livro Idec 20 anos:

[O Idec] assumiu unicamente causas pertinentes à sua missão: “promover a educação, a conscientização, a defesa dos direitos do consumidor e a ética nas relações de consumo, com total independência política e econômica”. (IDEC, 2007, p.10)

Essa diferença, como contatamos, vem dos processos de planejamento, que são um aspecto muito forte da cultura do Idec, como comentado por Kodama (2001) e como fica também evidente na leitura das atas e registros legais da entidade, nos quais os planos e prestações de contas são uma constante.

Mais especificamente, a missão citada no livro dos 20 anos do Idec vem do segundo grande processo de planejamento realizado pela entidade no ano 2000. Com foco gerencial, Kodama descreve em detalhes tal processo, tanto em relação à sua forma, quanto em relação aos seus primeiros resultados (a autora escreve logo após terminado tal planejamento, portanto ainda sem conhecer seus resultados a longo prazo). A autora deixa claro – e com elementos convincentes – que se tratou de um grande momento de reflexão e redirecionamento da entidade, com uso de um modelo que:

[...] foi desenvolvido especialmente para organizações do Terceiro Setor pela Dialog, uma empresa de consultoria especializada em planejamento e gestão para este setor, a partir de modelos empresariais. O modelo utilizado considera que a visão de negócios para entidades sociais busca a sua eficiência e eficácia, dentro de seus resultados sociais efetivos e sua sustentação. (KODAMA, 2001, p.111)

Um aspecto a ser notado, evidentemente, é a linguagem business oriented que transparece em relação ao trabalho, e que reflete muito bem a tendência da época e o viés, ainda hoje muito em voga, de se encarar organizações da sociedade civil como “empreendimentos sociais”, e seus líderes e dirigentes como “empreendedores sociais”. Outros exemplos de como o Idec esteve próximo desta tendência surgem em entrevista de Marilena Lazzarini dada na época a um jornal. Na matéria, intitulada “Uma empresária da cidadania”, ela responde à pergunta sobre como se define, dizendo:

Houve época em que eu não me achava nada. Fui do conselho do Idec durante duas gestões. Nesse tempo, não poderia ser remunerada, e o Idec também não podia pagar. Consegui apoio da Ashoka (Empresários Sociais), fundação americana que dá bolsas para quem faz trabalho social. E que me deu uma bolsa de três anos para trabalhar no Idec. Isso foi muito importante, porque me encontrei: sou uma empresária social. Não sou do governo, nem da iniciativa privada. (DEBATE E DESENVOLVIMENTO, 1996, p.28-29)

O posicionamento “empresarial” de Marilena reflete mesmo uma tendência em voga no país, e o apoio dado pela Ashoka (que também viabilizou por três anos a atividade do responsável pelo departamento jurídico do Idec, Josué Rios) reflete como foi forte este movimento. Por exemplo, no perfil de Marilena publicado por essa organização o perfil empreendedor é valorizado, e também a estratégia de desenvolvimento e sustentação financeira do próprio Idec:

The challenge now is to turn these successes and this demand into an institution that will last, an institution that will permanently improve Brazil's marketplace by giving consumers the information and voice to insist on better products and services. A successful and especially a financially sustainable institution will quickly be copied -both in other parts of the country and by groups specializing in a particular area of concern, be it medical care or airline service. Marilena hopes such a multiplication will be her biggest impact. […]

Marilena is following a several-part strategy.

First, she's continuing to take up carefully selected collective suits […] They're the organization's most powerful, proven tool. [...]

Second, she hopes IDEC will expand its consumer testing and evaluation program. By conducting comparative quality and safety tests of different products and disseminating the results through the media and "Consumer, Inc.," the group's bimonthly bulletin, IDEC will bring a new discipline to the market, and hopefully also build its membership base.

Third, and partly building on the first two thrusts, Marilena is pressing hard for IDEC to build a documentation center with information about products and consumer rights. This information would be made available widely across Brazil and internationally through ALTERNEX […].

Fourth, Marilena feels that it is essential for IDEC to become a permanent, more professionally staffed, financially stable (and independent of conflicts) institution - hence her persistent focus on building up a membership base. Marilena hopes IDEC's example will stimulate the creation of independentconsumer rights associations all over Brazil. (ASHOKA, 1990)

Por interessante que seja, não é nosso foco discutir aqui os modelos gerenciais das organizações da sociedade civil, nem a classificação de lideranças sociais como algum tipo de empreendedor e tampouco as implicações que isso possa ter na capacidade de uma organização social manter-se fiel a seus objetivos. Esta é sem dúvida uma área de investigação importante, mas na qual não temos como nos alongarmos aqui. Assim, nos limitamos a apontar a questão e a ilustrá-la com uma colocação de Mário Aquino Alves (2002, p.304-306), que explorou bastante o tema da penetração discurso empresarial no assim chamado “terceiro setor”, nessa mesma época. Suas conclusões nos permitem relativizar a linguagem utilizada no plano do Idec, vendo-a como parte de um contexto, e não simplesmente como uma distorção nas propostas de uma organização da sociedade civil que, para alguns, não seria compatível com tal “orientação empresarial”.

Mantendo o foco do presente trabalho, consideramos importante trazer aqui alguns dos pontos evidenciados no trabalho de Kodama, de grande relevância, partindo da constatação de que desse planejamento resulta um plano estruturado em três partes: institucional, marketing e desenvolvimento operacional (2001, p.110-115).

O modelo adotado no “plano de desenvolvimento operacional” articula o Idec em torno de três grandes áreas, denominadas “unidades de negócio”. São elas: “Conhecimento e Informação”, “Educação” e “Mobilização”.

Essas áreas são articuladas entre si por um sistema de gestão, comandado pela Coordenação Executiva e compartilhando um conjunto de atividades-meio: administração, marketing e pesquisa e desenvolvimento institucional. É possível identificar nesse modelo muitas das atividades que examinaremos no decorrer deste trabalho, ajudando-nos na sua compreensão.

O “plano de marketing” tem três objetivos: fortalecer a imagem do Idec; aumentar a base de associados e “alinhar os produtos aos objetivos e estratégias do negócio” – e uma estratégia apoiada em cinco eixos, focados em atividades de comunicação e de captação de

associados e leitores. É um plano evidentemente voltado a viabilizar a sustentação financeira da entidade, por meios que não dependam de patrocínios nem de doações. Nesse sentido, tem grande relevância para a questão da autonomia do Idec, como discutiremos mais adiante.

Finalmente, o “plano institucional” é o que reflete a razão de ser da entidade, sua missão e seus objetivos. Vale a pena aqui transcrever como Kodama sintetiza estes aspectos:

No plano institucional, definiu-se o negócio do IDEC como sendo a promoção do direito do consumidor, onde suas linhas de produto são: conhecimento e informação, educação, e mobilização. A missão da entidade foi redefinida como: promover a educação, a conscientização, a participação, a defesa do consumidor e a ética nas relações de consumo, com total independência política e econômica.

A meta-missão ou a missão de longo prazo do IDEC é: contribuir para que todos os cidadãos tenham acesso a bens e serviços essenciais e para o desenvolvimento social, o consumo sustentável, a saúde do planeta e a consolidação da democracia na sociedade brasileira.

Os objetivos fixados no plano institucional são:

Ser uma entidade de consumidores de base ampla e representativa;

Contribuir para a melhoria da qualidade e do controle de produtos e serviços, inclusive em relação a aspectos ambientais e os relacionados à responsabilidade social das empresas;

Contribuir para o desenvolvimento de consciência e atitudes críticas em relação ao consumo, capacitando a população a exercer seus direitos nas relações de consumo e a adotar padrões de consumo social e ambientalmente sustentáveis;

Influenciar políticas públicas e privadas;

Atingir a independência e o equilíbrio econômico com a utilização eficiente e eficaz dos seus recursos. (KODAMA, 2001, p.112, grifos nossos).

Como se nota, apesar de seu estatuto formal não refletir, o Idec desenvolveu ao longo de seus primeiros 13 anos de vida uma visão quanto ao seu papel na sociedade que vai bem além dos aspectos mais focados na simples defesa do consumidor. O plano institucional definido em 2000 – cujo modelo permanece em vigor – foi elaborado e aprovado pelo Conselho Diretor e pela equipe da entidade, e incorpora, explicitamente, preocupações de ordem ampla, conectando sua causa – os direitos do consumidor – a uma agenda mais ampla da sociedade, incluindo aí a consolidação da democracia e aspectos relativos à dimensão cidadã de cada indivíduo por diversas vias, como a sustentabilidade, o desenvolvimento social, a ética e a responsabilidade social das empresas, por exemplo.

Após esse processo de reformulação, um outro de planejamento – mais focado em prioridades temáticas do que em organização institucional – irá ocorrer em 2005, conduzido

pela própria equipe do Idec. Não iremos nos deter nele aqui, pois ele será o eixo em torno do qual desenvolveremos toda a segunda parte desta seção, em que discutimos as pautas do Idec.

Em suma...

Recapitulando os aspectos centrais desta seção, vimos que o Idec:

- Se estabelece formalmente como uma entidade, ao menos no plano formal, independente e desvinculada de quaisquer outras organizações ou grupos. - Traz em seus objetivos e missão uma pauta que destaca o modo de ação mais

voltado ao plano judicial e focado no conceito de defesa do consumidor, mas que também contempla ações no plano político e no fomento à criação e articulação com outras organizações de fins semelhantes.

- Desenvolve uma cultura de planejamento que se torna central no direcionamento de suas atividades, capaz de extrapolar e retrabalhar seu papel e objetivos formais.

- Busca adequar sua estrutura organizacional à viabilização de uma independência financeira.

Adicionalmente, lembramos aqui uma questão levantada ainda no início deste capítulo: a aparente incongruência (ou dualidade) que apontamos entre a razão de ser e a missão que o Idec apresenta em seu livro de 20 anos. Temos aqui uma boa indicação de resposta, qual seja, que por meio do planejamento – especificamente do modelo, da meta- missão e dos objetivos institucionais explicitados no plano do ano 2000 – a entidade conectou (resolveu internamente) o dilema entre atuar especificamente nas questões do consumo, enquanto visa, em termos últimos, a democracia e a cidadania.

A análise desse conjunto (reproduzido na citação de Kodama, acima), revela ricas conexões com nosso referencial teórico, tanto pela explicitação das causas enfocadas pelo Idec (que incluem expressamente os temas da cidadania, da participação e da democracia) quanto dos meios para atingi-las (que incluem desde a formação de bases sociais amplas e representativas e a participação em políticas públicas e privadas até as preocupações ambientais e a formação de cidadãos com consciência e atitudes críticas em relação ao consumo). Como vimos, são todos temas centrais tanto da história dos MC quanto das teorias sobre os NMS e do modelo do espaço público discursivo de Habermas.

Benzer Belgeler