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Hellas’ta Arkaik ve Klasik Dönem Kutsal Alanları

2. KUTSAL ALAN: GENEL BAKIŞ

2.3. Hellas’ta Arkaik ve Klasik Dönem Kutsal Alanları

partindo da proposta de aproximação entre os MC e as teorias crítica e democrática. Em sequência, destacamos alguns estudos das teorias do NMS, identificando e articulando aspectos de especial interesse para nossa análise do caso do Idec. Concluindo o capítulo, realizamos a revisão de parte do pensamento de Habermas, especialmente no que diz respeito à categoria esfera pública discursiva e ao seu trabalho relativo aos NMS.

4.2.1 - A possibilidade do consumo ético enquanto fazer político

Em seu artigo “Consumo ético: construção de um novo fazer político?”, Fontenelle (2007) discute as possibilidades de uma ação política por meio do consumo, visando “compreender o movimento pelo consumo ético e refletir sobre seu alcance na constituição de uma nova cultura de consumo e seu papel no ‘espaço público’”. Revendo amplamente a bibliografia pertinente, a autora observa a ausência de uma produção acadêmica nacional especificamente sobre o tema, e identifica na literatura internacional duas interpretações sobre ele: “uma que assume a positividade do movimento, sua capacidade de resistência e seu poder de transformação social; e outra que aponta para a negatividade do movimento e sua total absorção pelo mercado”. Situando sua análise numa interlocução entre o campo da psicologia e uma abordagem sociológica sobre os processos de democratização, a autora se propõe a trazer a perspectiva de uma dinâmica nova do “espaço público” a partir da emergência de novos atores políticos, assim recuperando a possibilidade de um diálogo entre teoria crítica e teoria democrática. Ainda, como pano de fundo para sua análise, coloca-se, em suas palavras, “a problemática da falsa autonomia do sujeito burguês e da (im)possibilidade da consciência crítica”.

Tomamos esse estudo – recente e com foco muito próximo à questão aqui discutida – como ponto de partida para a reflexão sobre a fundamentação teórica que apoiará nossa análise sobre os conceitos de cidadania por meio do consumo presentes nas propostas do Idec ao longo de sua história. Como já explicado, estamos aqui considerando a expressão

consumo ético como um equivalente a outras expressões que, mesmo utilizando-se de outros

adjetivos, traduzem em essência a mesma noção, qual seja, a da existência (ou dos limites) de uma dimensão no consumo possível de se traduzir como expressão do indivíduo no espaço público, ou seja, numa forma de exercício de cidadania.

A proposta de Fontenelle em torno da discussão teórica acima mencionada, e que detalhamos a seguir, é bastante clara e objetiva:

O artigo propôs que é possível refletir sobre a temática do consumo ético a partir da teoria crítica, na medida em que foi esta teoria que melhor formulou os impasses relacionados à questão da esfera cultural e das (im)possibilidades de uma esfera cultural autônoma. Através dos conceitos de representação política e de consciência crítica – ambos presentes no horizonte prático do movimento pelo consumo ético, bem como, no horizonte teórico da crítica da cultura – a realidade contemporânea poderia interpelar e fazer avançar a teoria que, a esse respeito, tem se emudecido. (FONTENELLE, 2007, p.18)

Para chegar a esta proposta, a autora enfoca duas temáticas, mencionadas na citação acima: a do nível da representação política e o da consciência crítica. Ao discuti-las, ela introduz a conexão deste debate com a teoria dos novos movimentos sociais:

O avanço do conceito de espaço público, no interior da literatura sociológica ao longo dos anos 90, indica um debate travado em torno da questão da representação e do conceito de democracia, ou seja, da relação entre política institucionalizada e “relação argumentativa crítica”, com a organização política no lugar da participação direta. É esse o centro do debate e é em torno dele que os denominados “novos movimentos sociais” ou new publics, são chamados a participar, tendo em vista que, na proposição habermasiana, o espaço público continuaria “estabelecendo, como órbita insubstituível de constituição democrática da opinião e da vontade coletiva, a mediação necessária entre a sociedade civil, de um lado, e o Estado e o sistema político, de outro (Avritzer e Costa, 2004:708). (FONTENELLE, 2007, p.15)

Contextualizando sua análise, Fontenelle lança mão da abordagem sociológica sobre o processo de democratização na América Latina consolidado ao longo dos anos 90. Citando Avritzer e Costa (2004), a autora analisa o “espaço público” também enquanto um “modelo discursivo”, que “diz respeito mais propriamente a um contexto de relações difuso no qual se concretizam e se condensam intercâmbios comunicativos gerados em diferentes campos da vida social”. É nesse contexto que buscamos os aspectos que coloquem os movimentos de consumidores do período apontado (do qual o Idec é possivelmente o maior expoente no Brasil) como expressão da sociedade civil e como atores efetivos nas relações de poder surgidas com a democratização.

Desenvolvendo uma esclarecedora análise sobre o conceito habermasiano de

esfera pública e sua aplicação, AVRITZER e COSTA (2004) começam por apontá-lo como

um elemento central no processo de reconstrução da teoria crítica ocorrido na segunda metade do século XX, pois significou, ao mesmo tempo, uma continuação da tradição crítica à cultura de massas da Escola de Frankfurt e uma grande mudança dentro dessa tradição, ao permitir o estabelecimento de uma nova relação entre a teoria crítica e a teoria democrática.

Citando uma série de autores, inclusive o próprio Habermas, Avritzer e Costa (2004, p.705) explicam que há duas dimensões desse conceito que o colocam como “um divisor de águas entre a análise da indústria cultural de Adorno e Horkheimer e as contribuições à teoria democrática contemporânea”. A primeira foi introduzir a possibilidade

de uma “relação argumentativa crítica” de grupos, organizações e movimentos com a organização política, no lugar da participação direta, dessa forma abrindo espaço para uma nova forma racionalidade e participação (AVRITZER e COSTA, 2004, p.706). Esta possibilidade, colocam os autores, representa um novo caminho dentro da teoria democrática, mais além dos debates entre os elitistas e os democratas participativos. Ou seja, é por meio da esfera pública que se viabiliza uma forma de participação democrática que, por um lado, não se restringe à delegação desse papel a uma elite, nem, por outro, cai nos modelos de participação direta.

A segunda dimensão que deu ao conceito de esfera pública habermasiano um papel tão central se refere às tensões entre a autonomia da crítica cultural e o caráter comercial do processo de produção cultural. O conceito aqui se coloca como continuação das análises de Adorno e Horkheimer sobre a perda de autonomia do campo cultural e toca na questão da infiltração mútua entre as esferas pública e privada. No que diz respeito ao foco de nossa análise, vale lembrar que as questões sobre autonomia tocam também, muito diretamente, as discussões sobre os comportamentos e escolhas dos consumidores.

Refletindo estas duas dimensões, duas áreas de investigação teórica em torno da esfera pública de Habermas são apontadas por Avritzer e Costa: uma focada no estudo dos meios de comunicação de massa, baseando-se numa suposta semelhança entre o consumo de bens materiais e culturais, e outra no estudo dos movimentos sociais e da sociedade civil. É nesta segunda área que focaremos a construção do nosso referencial teórico, pois é nela que se inserem as discussões inspiradas na ideia do desenvolvimento de uma esfera dialógica e interativa envolvendo os movimentos sociais e outras formas de associação voluntária em processos democráticos de debate e legitimação, numa forma de ação comunicativa com características e possibilidades peculiares. Ao deixarmos de lado, neste momento, a outra área de investigação mencionada (a que trata mais diretamente do processo de produção cultural), não estamos minimizando sua importância para a compreensão das questões envolvendo consumo e cidadania: estamos apenas adotando prioritariamente a abordagem mais diretamente aplicável ao nosso objeto de estudo (o caso do Idec). Ressaltamos porém que – como enfatizado no artigo de Fontenelle (2007) citado – permanece subjacente e muito relevante toda a discussão sobre as limitações e as condicionantes das opiniões e preferências expressas pelos integrantes da sociedade, individual ou coletivamente.

Assim, prosseguiremos agora explorando a primeira linha de teorias, em que se discute a esfera pública pela perspectiva dos movimentos sociais e da sua ação comunicativa.

Começaremos por um breve panorama desses movimentos, e focaremos em seguida na perspectiva mais recente de Habermas, já nos anos 1990, quando o autor de Mudança estrutural na esfera pública (de 1962) revisita sua obra, enriquecendo-a e propondo um modelo que utilizaremos como parte do nosso referencial teórico neste trabalho.

4.2.2 - Teorias dos novos movimentos sociais

A expressão novos movimentos sociais (NMS) tem sido utilizada com bastante frequência – inclusive no meio acadêmico – como forma genérica para designar o conjunto relativamente heterogêneo de manifestações coletivas que emergem a partir dos anos 1960 na sociedade ocidental, primeiro nos EUA e na Europa, espraiando-se depois, com significativas variações locais, por outras regiões do globo. Seja por abrigar movimentos heterogêneos, seja por trazer o adjetivo “novo”, que pressupõe e contrasta um fenômeno anterior, o uso dessa expressão gera uma boa dose de polêmica que, porém, longe de invalidar seu uso, ajuda na sua compreensão e aperfeiçoamento. É o que concluímos revendo uma série de autores recentes, tanto brasileiros (como GOHN, 2008 e 2006; ALONSO, 2009; COSTA, 1999; AVRITZER e COSTA, 2004) quanto estrangeiros (como CALHOUN, 1993; BUECHLER, 1995 e EDWARDS, 2004). Sem ter a pretensão de esgotar o assunto, apresentamos a seguir alguns aspectos desse debate que se revelaram de maior importância para os objetivos do presente trabalho.

Um dos aspectos que chama atenção ao enforcarmos a teoria dos NMS no contexto da relação entre consumo e cidadania, é o importante papel desempenhado pela cultura, em ambos casos. Apesar de não ser esta a perspectiva que aqui adotamos (como indicado mais acima, nosso recorte no presente trabalho é eminentemente político), consideramos importante ressaltar que – como demonstra Alonso (2009) – os mais recentes desdobramentos dos debates em torno das teorias dos movimentos sociais apontam as questões culturais como origem importante de muitas das grandes transformações pelas quais passa nossa sociedade. Ressalta a autora que isso engendrou inclusive mudanças recentes na teoria sociológica, de certo modo reconfigurando o cenário em que se desenvolveu a teoria dos NMS.

Vemos a partir das análises de Alonso, que discutiremos ao final desta seção, a criação de um ciclo relacionando a teoria dos movimentos sociais com os estudos no campo da cultura, o qual por sua vez, como comentamos ao estabelecer o recorte aqui adotado, é de

fundamental importância também para os estudos sobre consumo. Isso reforça a indicação – já mencionada – de que um futuro aprofundamento das discussões sobre consumo e o binômio

cidadania-democracia inclua também, sem falta, a perspectiva dos estudos culturais.

Entrando na questão dos NMS, como primeiro passo, convém deixar claro o que cabe sob o guarda-chuva dessa expressão. O próprio Habermas (1981, p.34), em artigo específico sobre os NMS, enumera uma série de exemplos a partir da realidade alemã das últimas décadas do século XX: movimento antinuclear e ambientalista, movimento pacifista e pela solução dos conflitos Norte-Sul, movimentos pela cidadania e pela moradia, comunidades “alternativas” rurais e urbanas, movimentos pelos direitos das minorias (homossexuais, idosos, deficientes físicos, crianças e jovens). Entram em sua lista, também, o feminismo, o fundamentalismo religioso, os grupos de resistência ao excesso de tributos ou a “reformas modernizadoras”, pela qualidade de escolas e residência, e outros, incluindo ainda os movimentos de independência e/ou de reconhecimento com base em aspectos étnicos, regionais, culturais, linguísticos e religiosos.

Também Gohn (2008) exemplifica manifestações abrigadas sob o guarda-chuva das novas teorias sobre os movimentos sociais15, combinando uma série de autores e movimentos. Seus exemplos coincidem de modo geral com aqueles enumerados por Habermas, citados acima, e trazem mais casos concretos e de outras realidades, como as revoltas dos negros nos EUA nos anos 1950/60, os movimentos de pobladores (ou moradores) da América Latina, para mencionar apenas alguns. Falando do que está em questão nas teorias que tratam desses movimentos, a autora traz o debate até os dias atuais, à primeira década do século XXI. Referindo-se a Santos, (2000), Touraine (1994a), Mignolo (2003) e outros, ela afirma:

Há mais de dez anos o debate teórico nas ciências humanas tem dado destaque à crise do paradigma dominante da modernidade, às transformações societárias decorrentes da globalização, às alterações nos padrões das relações sociais, dado o avanço das novas tecnologias, e às inovações que têm levado ao reconhecimento de uma transição paradigmática. Isso tudo tem levado à rediscussão dos paradigmas explicativos da realidade à crítica à produção científica do último século, fundada na racionalidade da razão e na

crença no progresso e no crescimento econômico a partir do consumo.

(GOHN, 2008, p.41, grifos nossos)

15 Destacamos o título usado pela autora, que contorna a polêmica sobre o uso da expressão novos movimentos

Conforme a autora explica, isso tem levado à discussão sobre

[...] a produção/reprodução das relações sociais entre os indivíduos, grupos e movimentos da sociedade, sobre as formas como vivem, interagem,

reproduzem-se, atribuem sentidos às suas experiências, produzem sua cultura, fundamentam teórico-ideologicamente seus projetos de vida e

sociedade. A discussão também está imbricada no campo das políticas públicas, na forma com se elaboram as políticas institucionais que buscam normatizar e regular as relações entre sociedade civil e sociedade política. (GOHN, 2009, p.42, negritos nossos)

Trazemos os textos acima não apenas como forma de exemplificar e conceituar o que são e de que tratam os NMS, mas também para levantar um ponto que nos pareceu muito significativo: a ausência dos movimentos de consumidores dentre os muitos enumerados pela autora, em diversas oportunidades. Os trechos que destacamos – que dialogam diretamente com toda a discussão sobre consumo e movimentos de consumidores que apresentamos ao longo deste trabalho – deixam evidente que o consumo é parte do universo de discussões tratado pelas novas teorias das ciências humanas, e que tem implicações claras sobre as pautas dos NMS. Uma possível razão para essa ausência, supomos, seria o enquadramento dos MC em alguma outra categoria de manifestação social. Tal problemática, porém, não é explorada pela autora, e examinando os critérios que ela apresenta como característicos dos NMS, não vimos razão pela qual os MC (ou pelo menos algumas de suas manifestações) não pudessem ser incluídos sob o amplo guarda-chuva dos NMS. Pelo contrário, acreditamos que o exercício realizado no presente trabalho – aplicar categorias analíticas típicas dos NMS sobre o caso do Idec – aponta para essa possibilidade.

Também Habermas (1981), no artigo que citamos mais acima, não menciona os movimentos de consumidores (MC), nem para incluí-los, nem para excluí-los de sua análise. Nos vários textos que consultamos, tanto desse autor como em outros a ele referidos, também não localizamos uma explicação direta para isso. Como no caso de Gohn (2009), uma razão pode ser o entendimento de que os MCs não se caracterizariam como movimentos sociais, mas como outro tipo de fenômeno. Mas também aqui a caracterização do que sejam os NMS não desautoriza sua inclusão na categoria.

Tendo em conta que, como vimos anteriormente, as várias “ondas” dos MC se expressam por bandeiras ambientais, éticas ou sociais – e também por demandas específicas sobre alguns produtos e serviços –, aventamos que uma hipótese para explicar tal ausência seria o fato de que os MC não tenham sido tomados em seu conjunto, mas sim pelas suas

vários dos movimentos citados pelos autores. Independente da resposta à questão quanto a se os movimentos de consumidores podem ou não ser enquadrados como parte dos NMS, identificamos elementos suficientes para consideramos válida a utilização desse referencial teórico em nossa análise. Nesse sentido, a seguir explorarmos um pouco mais esse ponto, de duas formas: primeiro, examinando rapidamente as conceituações dos autores cujos exemplos discutimos acima e, em seguida, examinando alguns casos em que tal aproximação é feita.

Começando por Habermas (1981), este não oferece uma definição simplificada, do tipo “novos movimentos sociais são”. Na verdade, “New Social Movements” é o título do artigo publicado por ele, em inglês16, como uma síntese das análises que faz sobre o tema no último capítulo de sua grande Theorie des kommunikativen Handelns (Teoria da Ação Comunicativa), publicado em alemão naquele mesmo ano (1981), mas só traduzido para o inglês três anos depois. Aparentemente, ciente da demora e da menor difusão que poderia ter a obra completa, Habermas antecipa e simplifica o tema do NMS, numa estratégia que aparentemente se revelou eficaz, dada a grande repercussão do curto artigo, citado por muitos dos autores que pesquisamos. É bastante ilustrativo, para nossos fins, o que diz tal artigo quanto à pauta dos NMS. Ao indicar que há algo fundamentalmente diferente nos conflitos que então se desenrolavam nas sociedade ocidentais mais “avançadas”, Habermas observa que estes não mais se focam nas disputas distributivas (já então equacionadas naqueles países pelo welfare-state), ou nas áreas de reprodução material. Também observa que não são canalizados por partidos ou por organizações específicas, e que não visam simples compensações. Diz ele que, ao contrário,

[…] the new conflicts arise in areas of cultural reproduction, social integration and socialization. They are manifested in the sub-institutional, extra-parliamentary forms of protest. The underlying deficits reflect a reification of communicative spheres of action; the media of money and power are not sufficient to circumvent this reification. The question is not one of compensations that the welfare state can provide. Rather, the question is how to defend or reinstate endangered lifestyles, or how to put reformed lifestyles into practice. In short, the new conflicts are not sparked by

problems of distribution, but concern the grammar of forms of life. (HABERMAS, 1981, p. 33, itálicos do original)

Vemos na citação acima elementos do modelo habermasiano que discutiremos na próxima seção deste capítulo (como the media of money and power, reification e grammar of

forms of life), e por isso não os comentaremos agora, mantendo nossa atenção no fato de que,

quanto ao foco das suas preocupações, parece não haver nada que impeça a inclusão dos MCs na categoria em tela. Nesse memso artigo, o autor também desenvolve uma tipologia dos movimentos por critérios que tanto destacam a forma e finalidade de sua ação, como também os tipos de problemas a que se dirigem. Dentre as diversas categorias, podem se enquadrar várias das tendências dos MC.

Já a outra autora de cujos exemplos nos valemos acima, Gohn, oferece uma definição bastante clara e direta do que entende por movimentos sociais, ao expressar a conceituação operacional que utiliza em seu livro para analisar as diferentes teorias sobre eles: Um movimento social é sempre expressão de uma ação coletiva e decorre de uma luta sociopolítica, econômica ou cultural. Usualmente ele tem os seguintes elementos constituintes: demandas que configuram sua identidade; adversários e aliados; bases, lideranças e assessorias – que se organizam em articuladores, articulação e formam redes de mobilizações; práticas comunicativas diversas que vão da oralidade direta aos modernos recursos tecnológicos; projetos ou visões de mundo que dão suporte a suas demandas; e culturas próprias nas formas como sustentam e encaminham suas reivindicações.

Os movimentos sociais propriamente ditos, criados e desenvolvidos a partir de grupos da sociedade civil, têm nos direitos a fonte de inspiração para a construção de sua identidade. Podem ser direitos individuais ou coletivos. (GOHN, 2008, p.14)

A autora complementa esta conceituação explicando que os direitos, tanto individuais como coletivos, não devem ser entendidos como geradores ou reforçadores de desigualdades – perpetuando ou criando grupos fechados em seus privilégios ou especificidades –, mas sim como referências universais destinadas a garantir uma igualdade de condições concretas aos integrantes da sociedade. Nesses termos, os direitos também servem para corrigir ou compensar desigualdades que sejam não o reflexo da diversidade natural da sociedade, mas sim diferenças geradas por processos históricos ou sociais que tenham imposto a certos grupos vantagens ou desvantagens de condições econômicas, sociais, civis/políticas, culturais etc.

Lembrando que Gohn não trata aqui da discussão de serem alguns movimentos sociais “novos” e outros não, destacamos ainda um trecho onde a autora trata da aplicação

Benzer Belgeler