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KURUMSAL YÖNETİM BİLGİ FORMU (KYBF)

A experiência com a formação continuada na perspectiva Crítico-Superadora desenvolvida em João Pessoa, se deu a partir de um Edital de chamamento público (001/07), que estabeleceu normas para que entidades públicas ou privadas pudessem concorrer através de projetos. A partir do interesse de um grupo de professores universitários que tinham assento no Conselho Municipal de Educação e que desejavam participar pela proposição de um projeto de formação continuada na perspectiva crítico-superadora, foi possível concorrer por meio do edital, tornando possível a concretização de tal interesse.

Assim, a proposta inicial idealizada e encaminhada pelo grupo de professores tinha como eixo principal a inclusão das principais abordagens de ensino da EF, de acordo com a proposição41 de Castellani Filho (1998) e Assis Oliveira (2001).

A partir do entendimento do grupo que elaborou e idealizou o projeto, ficou acordado que os(as) professores(as) de EF da Prefeitura Municipal de João Pessoa – PMJP necessitavam de uma discussão inicial abrangente acerca da temática das abordagens pedagógicas existentes na área. (Cunha, 2009). A utilização da abordagem crítico-superadora foi, então, privilegiada como proposta a ser utilizada para a realização do diálogo entre as outras abordagens. Segundo os idealizadores do programa de formação “essa perspectiva é a que mais responde as contradições presentes no atual momento político, econômico, cultural e, por conseguinte, educacional” (Cunha 2009, p. 4).

A formação continuada apresentou como objetivo geral “capacitar os professores de EF da Rede Municipal de Ensino, realizando um debate sob o olhar crítico de uma corrente progressista (marxista) da área, discutindo as diferentes concepções da EFE e buscando

41 A proposição de apresentação das abordagens seguiu o esquema dividido em: 1) concepções não –propositivas

(abordagem sociológica; abordagem fenomenológica; abordagem cultutal); 2) concepções propositivas que se subdivide em: a) não-sistematizadas (abordagem desenvolvimentista; abordagem Construtivista co ênfase na psicogenética; abordagem da concepção de aulas abertas; abordagem a partir de referência do Lazer; abordagem crítico-emancipatória; abordagem plural; abordagem pscicomotora); e b) Sistematizadas (abordagem da aptidão física/saúde; abordagem Crítico-Superadora e PCN’s.

estabelecer parâmetros-metodológicos para a disciplina.” (CUNHA, 2009, p.4). A proposta tinha ainda como meta a construção de vídeos formativos e livro didático público da EF.

Dentre o rol de atividades que foram propostas no programa de formação, pelos(as) professores(as) formadores(as) da universidade, a primeira delas foi o reconhecimento da realidade escolar e as conversas com professores, alunos e gestores administrativos pois o objetivo era que a formação fosse realizada a partir da realidade concreta de trabalho dos(as) professores(as).

Outra atividade desenvolvida ocorria por meio dos denominados Encontros de Formação, que aconteceram nos meses de abril a novembro, com uma carga horária de 8 horas/mês. Paralelo a estes encontros, ocorriam também momentos de vivências da prática escolar. Essas vivências tinham por objetivo a experimentação prática do que era visto teoricamente, ou seja, após o momento de estudo teórico acerca de determinada concepção ou abordagem de ensino da EF, os(as) professores(as) eram convidados a participar de momentos de vivências

O programa contou ainda com visitas aos pólos de ensino do município de João Pessoa. Estas visitas ocorriam com idas dos(as) professores(as) formadores(as) ao pólos para uma maior aproximação com o lócus de trabalho dos(as) professores(as) em formação. Esta aproximação propiciava que os(as) professores(as) formadores(as) apreendessem melhor a realidade dos professores e conseguissem elaborar e executar um plano de trabalho com elementos que facilitassem o entendimento dos conteúdos trabalhados, já que estariam mais próximos da realidade do grupo. O trecho abaixo aponta outras contribuições das visitas aos pólos.

As reuniões nos pólos se mostraram fundamentais para os professores, visto que, essas reuniões aumentaram em proporção direta as possibilidades cognoscentes dos mesmos, atuando como fonte geradora de conhecimento e oportunizando uma convivência e vivência ainda maior entre eles e o professor formador, o que trouxe ainda mais avidez e busca por novos conhecimentos” (CUNHA, 2009, p.9).

O programa efetivou também a realização do II Fórum Municipal de EF. O evento reuniu os(as) professores(as) em torno de discussões sobre a realidade da EF na rede municipal da cidade de João Pessoa. Os temas privilegiados nas discussões versavam sobre as questões relacionadas às diretrizes curriculares, políticas públicas e práticas pedagógicas da EF. Como resultado das atividades do evento, houve a elaboração de uma carta encaminhada a Secretaria de Educação e Cultura do município de João Pessoa que solicitava diretrizes em torno do ensino da EF, políticas públicas e suas relações com as práticas pedagógicas da EFE.

Pelo exposto sobre o programa de formação continuada sob a perspectiva crítico- superadora realizado pela PMJP, sob a coordenação de professores da Universidade, é possível apreender que a lógica que orienta o programa ora apresenta características do modelo de orientação clássica ou tradicional ora do modelo crítico-reflexivo. Apresenta aspectos fortes que demarcam opção por um modelo crítico, quando utiliza a escola como lócus da formação, realizando as atividades no próprio local de trabalho dos(as) professores(as), e as práticas dos mesmos como referências ou eixos fundantes do programa; quando promove encontros de vivências que buscam refletir sobre as práticas no sentido de potencializar mudanças, quando visa a promoção da organização política dos(as) professores(as) em prol de questões que relacionam-se diretamente com a área e, também, quando faz opção por uma perspectiva crítico-superadora, proposta já evidenciada na área, que aponta contributos para a própria prática pedagógica.

No entanto, é importante também destacar que, pela leitura inicial que efetivamos do programa, mesmo não nos possibilitando uma análise crítica com propriedade e para não fazermos afirmações levianas, nos leva a pensar acerca de alguns aspectos limitantes, ou pontos limites, que indicam características do modelo tradicional, clássico ou estruturante. A proposta pauta-se num projeto que objetiva a capacitação dos(as) professores(as), como se os(as) mesmos(as) não fossem já capacitados para exercer o trabalho que já realizam e isto se pode notar quando vemos momentos nos quais os(as) professores(as) não são chamados(as) a colaborar de forma participativa acerca do que vai ser proposto, visto que foram definidas, a priori, pelos professores formadores as necessidades dos(as) professores(as), as abordagens que seriam trabalhadas, os conteúdos propostos, sendo deixado para segundo plano, o diálogo com o grupo para apreensão dos dados da realidade.

Cabe destacar que mesmo tendo inovações no projeto de formação continuada de professores de João Pessoa, que utiliza a abordagem crítico-superadora como concepção que pauta a formação, ainda se verifica a concepção na qual os(as) professores(as) formadores(as) das universidades são ainda os ‘detentores’ da realização de algumas tarefas, dentre as quais destacamos o trecho abaixo, no qual se tem explicitado uma das contribuições do processo formativo, informando que:

Outro achado é o envolvimento político dos formadores, ou seja, não apenas trazer o conhecimento referente às abordagens, mas um comentário crítico e sempre compromissado com a formação de um ‘novo professor’, qual seja, um professor que consiga analisar os dados da realidade, dando-lhes sentido e significado” (CUNHA, 2009, p.6)

Será que levar aos(as) professores(as) os conhecimentos já analisados e embasados criticamente é estar efetivamente compromissado com a uma formação docente qualitativamente diferenciada? Por que não potencializar a crítica junto aos(as) professores(as) e coletivamente propiciar que esta seja elaborada pelo grupo, com o grupo de professores(as)? Será que os(as) professores(as) não são capazes de realizar uma análise crítica a partir de sua inserção na realidade, fundamentada em suas práticas, dando-lhe sentido e significado?

Não queremos com isto desfazer ou mesmo desqualificar os benefícios, os avanços e as conquistas advindas com o trabalho de formação, pois bem sabemos que ainda são poucos os investimentos que são realizados neste contexto, no entanto, queremos apenas colaborar para com o debate para que este possa ser potencializador de novas reflexões, críticas, para que todos nós possamos ser beneficiados com programas que venham a ampliar nossas possibilidades de crescermos coletivamente, a partir de nossas referências também ampliadas.

2.4.4. Programa de formação continuada de professores de educação física – ETHNÓS –

Benzer Belgeler