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Kurumsal Yönetişimin Geliştirilmesi

Belgede YILLIK RAPOR 2010 (sayfa 28-33)

A constituição de espaços de discussão coletiva e pública é de suma importância, pois a natureza dos bancos comunitários incorpora princípios da economia solidária, tais como gestão democrática, autogestão, cooperação, solidariedade. Esses espaços são propícios para a construção não apenas da articulação entre os diversos atores presentes no território, tanto moradores como parceiros externos que atuam na localidade, mas também para a edificação do sentido coletivo das ações. (NEIVA, BRAZ, NAKAGAWA, MASCARENHAS, 2013).

A expectativa do grupo local em relação à contratação do segundo agente de crédito era tanta que a inexecução do projeto do governo estadual até o momento da inauguração foi frustrante para o grupo. Em abril de 2013 houve uma reunião em que o primeiro agente de crédito, contratado pelo projeto da ITES, repetiu a proposta da divisão de sua remuneração com a segunda agente de crédito para que ela pudesse repartir com ele as tarefas do banco até

o momento em que fosse liberada a contratação pelo projeto Ações Integradas, do governo estadual.

A justificativa dada pelo primeiro agente de crédito (IB 6) foi que era injusto a segunda agente estivesse envolvida desde o começo da articulação do banco não tivesse remuneração:

“É injusto uma pessoa que está desde o começo do banco não receba. [...] Primeiro, ela não vai estar aqui dentro sem receber nada! Já que ela vai passar boa parte do tempo aqui dentro. Segundo, eu preciso de alguém aqui porque enquanto eu to conversando com um comerciante vai ter que ter alguém aqui dentro pra poder receber alguém que queria trocar o dinheiro ou fazer alguma outra coisa. Porque eu não vou poder fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Porque se eu vou sair pra conversar com o comerciante eu vou passar um bom tempo lá com ele...”.

O cuidado com o funcionamento do banco e com uma de suas integrantes ficou evidente não só por parte do primeiro agente. Esse discurso se tornou, também, explícito. de forma generalizada. ao longo da reunião.

Diante da rejeição da proposta por parte da segunda agente, percebemos que logo o grupo se opôs à rejeição à posição da agente porque, na visão dos demais membros do grupo, esta postura prejudicaria o andamento das atividades do banco. O clima da reunião, portanto, ficou tenso.

Uma característica da realidade da comunidade São Rafael é que as relações afetivas entre os membros do conselho gestor e do CAC, juntamente com suas famílias, permitem que as pessoas se conheçam, que tenham acesso a informações sobre, até mesmo, dilemas individuais e familiares. O conhecimento mútuo impeliu o debate sobre a situação embaraçosa que se instalara por causa da não contratação da segunda agente.

O integrante IB 1 explicitou a necessidade de um diálogo claro e aberto na reunião sobre as dúvidas existentes, os questionamentos da família da agente, o por quê da contratação da agente não ter sido efetivada. Este acontecimento foi crucial para reafirmar a importância de usar o tempo das reuniões para exercitar o poder comunicativo de forma democrática (BRENNAND, 2006) e para torná-las laboratórios de prática e de aprendizagem (COSTA e CARRION, 2008).

Nesta reunião foi revelado um ruído de comunicação que não se revelara para o coletivo durante semanas, talvez meses. O ruído se referiu à interpretação, por parte da segunda agente, de que tinha havido remuneração para outra pessoa, que não era agente de crédito, fazer o trabalho do banco. O entendimento equivocado foi, então, esclarecido pelo grupo, que reforçou que o único pagamento por parte de projeto feito para pessoa física em relação aa atividades do banco saíra pelo projeto da ITES para o primeiro agente de crédito. Também foi

relembrado que o fundo do banco, por decisão coletiva, precisou ser usado para pagamento do trabalho do primeiro agente de crédito porque houve atraso para a efetivação do contrato pelo projeto da ITES do primeiro agente e este precisava de renda.

Houve incômodo coletivo quanto à postura de não verbalizar e não dialogar o que precisa ser tratado coletivamente. Assistimos a argumentação de que as reuniões devem ser aproveitadas para discussão e esclarecimento das dúvidas e a fala do integrante do banco IB 2 demonstra isso: “Toda reunião eu pergunto aqui sobre o que ta acontecendo. Eu pergunto: ‘Pessoal, tem dúvida? Tem isso? Tem aquilo?’ [...] Em qual momento da reunião a gente não discute o que está acontecendo?”.

As reuniões do conselho e do CAC representam espaços e tempos de convivência coletiva em que a comunicação implica em relacionamento com mutualidade, em que o diálogo deve vigorar.

“Diálogo é manter espaços abertos para que todas as partes expressem-se. Diálogo é confrontar opiniões, ouvindo razões do outro e valorizando suas preocupações e anseios. Diálogo é veicular a opinião do outro e propor a busca de um terreno comum quando ocorrem divergências ou conflitos. Se não é possível encontrar este terreno com a troca de idéias, diálogo é testar, na prática, as ideias de cada um, para depois confrontar os resultados desse teste e refletir juntos sobre o melhor caminho a seguir.” (ARRUDA, 2005, p. 38).

Na prática, o que se percebeu é que não há conforto e segurança por parte de todas as pessoas em expressarem suas opiniões e questionamentos nas reuniões. No momento posterior à reunião, quatro membros demonstraram incômodo quanto à situação debateram sobre o quanto a timidez impede que as pessoas se posicionem publicamente.

Vale ressaltar mais dois fatores detectados a partir das falas dos quatro membros do conselho: 1) A cultura machista na Paraíba e suas implicações para o retraimento de mulheres no que se refere a elas se posicionarem publicamente; 2) A pressão de algumas famílias sobre membros que se dedicam a trabalhos voluntários. O integrante do banco IB2 desabafou sobre a experiência dele: “Eu entendo a história da pressão, porque em casa também tem uma pressão da bixiga, quando eu comecei a participar desses negócio.”

Quanto à comunicação com os parceiros, durante o acompanhamento à comunidade, percebemos várias situações em que ruídos de comunicação prejudicaram o andamento de atividades. Três integrantes do banco (IB 1, IB 2, IB 6) em conversas e reuniões citaram a falta ou demora de respostas da ITES para o esclarecimento de algumas dúvidas do coletivo comunitário, para o encaminhamento de alguns documentos ou procedimentos, para a

definição dos encontros presenciais, para a fabricação da moeda social. Informações equivocadas foram passadas para a comunidade, a exemplo do edital incorreto encaminhado para contratação dos agentes de crédito e da indicação da época em que o agente seria contratado.

Em ambas as situações membros do conselho e do CAC angustiaram-se, pois havia a expectativa da remuneração a fim de que se possibilitasse uma maior dedicação dos agentes no que se referia às ações preparatórias para a abertura e funcionamento do banco. Em agosto de 2012 um membro da assessoria do banco (AB 1) expôs a condição de contratação do agente de crédito apenas com a abertura do banco, porque o projeto não permitia a justificativa de contratação de um articulador para um empreendimento sem que este existisse formalmente.

Em agosto de 2012, um integrante de assessoria do banco, AB 1, declarou que a fala da comunicação deveu-se a uma concentração no repasse das informações e a comunicação não fluiu. No último encontro formativo que antecedeu à inauguração do banco, refletiu-se que em alguns momentos, durante o andamento do projeto, a comunicação travou. Em outubro de 2012, outro membro de assessoria do banco (AB 2) mencionou que a ITES teve problemas de gestão do projeto, o que travou a efetivação de algumas ações de apoio ao banco da comunidade São Rafael.

Belgede YILLIK RAPOR 2010 (sayfa 28-33)