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Küresel krizin etkisiyle gerileyen istihdam 2009 yılı ilk çeyreğinden

Belgede YILLIK RAPOR 2010 (sayfa 41-45)

Na etapa da Oficina de Planejamento, constante na metodologia de criação de bancos comunitários (INSTITUTO PALMAS, 2011), um dos cuidados é que se boa parte dos serviços – por exemplo, crédito produtivo, moeda social, correspondente bancário e outros – não forem possíveis do banco executar, deve-se ter cautela no que tange à data de inauguração.

Em agosto de 2012, no encontro de formação entre incubadoras e comunidade, um membro da assessoria, AB 1, verbalizou que pela metodologia do banco, em dois meses a comunidade São Rafael já poderia inaugurar o banco e que seria suficiente mais duas vindas da ITES para encaminhamentos de questões e depois uma vinda para acompanhar a inauguração.

Após essa formação, membros do grupo local refletiram sobre a inauguração no prazo de dois meses e os integrantes do banco IB 1, IB 2, IB 8, IB 5 verbalizaram com clareza o receio sobre a questão, mencionaram a necessidade de estarem mais seguros, de receberem maior apoio, de terem melhores condições para a abertura do empreendimento.

Destacamos a reflexão feita por uma componente de assessoria da comunidade (AC 2), técnica que acompanha a comunidade São Rafael desde 1998 e que nesse tempo já fez parte de três instituições de apoio externas à comunidade. Esta entrevistada asseverou em sua

entrevista que, por vezes, membros de entidades de assessoria almejam que a comunidade tenha uma maior velocidade para execução de atividades, para a sua organização.

Contudo, AC 2 alega que nesses anos de acompanhamento à comunidade São Rafael e a outras comunidades permitiram que ela entendesse que a organização comunitária é um processo lento que, talvez, quem não pertence à comunidade e que acompanha as ações comunitárias possa acreditar que a organização comunitária demora muito para acontecer.

AC 2 explicou que durante o tempo que acompanhou a São Rafael percebeu que os membros de entidades de assessoria ficam ansiosos para que se estabeleça organização e o desenvolvimento comunitários. Porém, segundo a entrevista, é preciso entender que quem se propõe a viver a economia solidária vive um conflito porque está envolvida na economia capitalista, cujos pressupostos contrapõem o ideal daqueles que querem garantir a sua sobrevivência sob a égide da economia solidária.

Semelhantemente ao lançamento simbólico da moeda Orquídea, a festa de inauguração do Banco Comunitário Jardim Botânico contou com a presença de pessoas da comunidade e de representantes de entidades externas, como gestores públicos e componentes de organizações sociais80.

Convidar os órgãos públicos81 foi uma estratégia para dar visibilidade à concretização da tecnologia social e para explicitar publicamente a importância do apoio governamental para o fortalecimento das iniciativas comunitárias e para reforçar o papel dos entes governamentais na promoção do bem estar social da população.

A programação do evento contou com a fala de abertura do agente de crédito do Banco Comunitário de Desenvolvimento Jardim Botânico, Flavio Gomes de Pontes, do membro do conselho gestor do Banco Comunitário de Desenvolvimento Jardim Botânico, Enoque Raulino da Silva, do Secretário Executivo do Orçamento Participativo da Prefeitura Municipal de João Pessoa, Hidelvânio Macedo, da representante da Secretaria de Desenvolvimento Humano do estado da Paraíba, do técnico da Incubadora de Empreendimentos Solidários da Universidade Federal da Paraíba, Edinaldo Rosendo Barbosa,

80 Na inauguração estiveram presente mais de 50 pessoas, incluindo membros do Conselho Gestor, do CAC, de

entidades parceiras internas e externas à comunidade, de comerciantes adeptos ao recebimento das Orquídeas, de outros moradores da comunidade, de gestores públicos do poder executivo municipal e estadual, ou seja, prefeitura municipal e governo estadual, do poder legislativo municipal, isto é, da Câmara de Vereadores, de representantes de territórios e de entidades interessadas em criarem bancos comunitários em suas localidades.

81 Foram distribuídos dois modelos de convites: um colorido, impresso e entregue para parceiros e potenciais

parceiros externos, como também enviado por email para a lista de contatos do CPCC; e um preto e branco, impresso e entregue para atores sociais internos à comunidade e parceiros mais próximos do grupo gestor. A programação do evento foi divulgada, junto com o convite, pelo CPCC por meio virtual. Estes materiais visuais constam no Anexo U.

do técnico da Incubadora Tecnológica de Economia Solidária e Gestão do Desenvolvimento Territorial da Universidade Federal da Bahia, Diogo Ferreira de Almeida Rego.

Em seguida foram pronunciadas duas palestras: “Economia Solidária na Paraíba”, ministrada por Edinaldo Rosendo Barbosa e “Bancos Comunitário de Desenvolvimento no Brasil”, por Diogo Ferreira de Almeida Rego.

Após as apresentações, foram assinados publicamente os contratos de aceitação da moeda social Orquídea82. As iniciativas comerciais que se comprometeram em receber a moeda Orquídea são: uma farmácia localizada no bairro onde está inserida a comunidade São Rafael; um ponto de venda de bebidas, administrada por “Seu Peixinha”, representante dos comerciantes no conselho gestor. Depois da inauguração mais quatro estabelecimentos comerciais da comunidade assinaram o contrato para recebimento de Orquídeas: um armarinho, um salão de beleza, uma lanchonete e uma mercearia. Isso mostra o movimento para o início da constituição da rede local de prossumidores (MELO NETO & MAGALHÃES, 2008; MELO NETO & MAGALHÃES, 2006; INSTITUTO PALMAS, 2011).

Na organização do evento, várias pessoas da comunidade se engajaram para, como disse Katiucha, tornar o sonho em realidade. O lanche oferecido na inauguração foi produzido por componentes do grupo de produção, Padaria comunitária, a saber, Katiucha e Wanessa. O evento foi filmado por dois jovens da comunidade, Joânderson Gomes e Niraulo Felipe, que participaram da formação em audiovisual no Projeto Copa Solidária, com o apoio da pesquisadora. Os registros fotográficos tiveram o apoio da pesquisadora e de membros da comunidade, como também das incubadoras. Mais uma vez se percebe o envolvimento com as ações comunitárias movidas pelo “comprometimento”, tal como já mencionamos em exemplos anteriores ao longo da seção em que refletimos sobre os dados coletados.

Entrevistas foram gravadas, pelos dois jovens apoiados pela pesquisadora deste trabalho, com representantes do poder público, das incubadoras, de entidades de apoio e do coletivo comunitário responsável pela condução da implantação do banco, cujo resultado será a produção de um pequeno documentário sobre a experiência de organização do Banco Comunitário Jardim Botânico a ser exibido na comunidade e disponibilizado no site institucional do CPCC. As filmagens da inauguração e das entrevistas serão editadas e disponibilizadas para o público no youtube.

82 Duas estratégias para dar visibilidade ao BCD Jardim Botânico foram a produção e a distribuição: do folder de

divulgação do banco (Anexo V); do cartaz que indica que o estabelecimento é conveniado ao Banco Comunitário de Desenvolvimento Jardim Botânico, material entregue para cada comerciante que assina o contrato de aceitação da moeda social Orquídea (Anexo X).

5.2.13. As condições mínimas para criação do Banco Comunitário de Desenvolvimento

O Instituto Palmas (2011) elenca condições mínimas para que seja criado um BCD. Comparando a proposta com a realidade da comunidade São Rafael, elucida-se que:

1) A comunidade São Rafael tem um histórico de organização comunitária, de contato com o tema economia solidária e vivencia desta a partir do grupo de produção, de participação em movimento social como democratização da comunicação, de participação em mecanismos de controle social como o Orçamento Participativo, de mobilização local para realização de atividades comunitárias, de articulação política, de luta coletiva por melhorias para a comunidade;

2) A Entidade Beneficente Evangélica (EBE), durante anos, foi referência e base para a realização de inúmeras atividades comunitárias, congregando diversos organizações internas e externas à comunidade, dando suporte para a concretização de projetos em diferentes vertentes. Outra entidade de destaque é o CPCC, que agrega outras entidades voltadas para o desenvolvimento local, que é a responsável institucional pelo banco, que estimula a realização de projetos e atividades na comunidade e que se envolve na luta política sem assumir um posicionamento partidário;

3) O espaço físico do banco comunitário pertence ao CPCC, que é a entidade jurídica responsável pelo empreendimento;

4) Os equipamentos e móveis disponíveis no banco foram adquiridos a partir da doação do Instituto Soma Brasil, do repasse de objetos por parte do CPCC;

5) Os dois agentes de crédito dividem as tarefas e a remuneração no desejo de potencializarem o funcionamento do Jardim Botânico;

6) O valor do fundo está bem inferior ao que é sugerido pelo Instituto Palmas (2011), o valor atual é de R$ 585,30 e é usado apenas como lastro para a Orquídea; a intenção do conselho gestor e do CAC é aumentar o recurso do fundo para no próximo mês possibilitar o serviço de crédito para consumo em moeda social;

7) A sensibilização dos atores econômicos e sociais locais para a adesão à moeda social iniciou-se antes da inauguração e terá maior empenho dos agentes de crédito para promover a adesão à iniciativa;

8) O material de divulgação foi produzido com o fundo do banco e, imaginamos, que em dois meses será preciso confeccionar mais materiais.

No tempo que acompanhamos a experiência, percebemos que as condições mínimas, enunciadas no referencial, para a instalação do banco não foram cumpridas pela comunidade São Rafael, no entanto, estas condições não foram impeditivas para a implantação desta tecnologia social. O coletivo de lideranças locais conseguiu criar e cumprir as suas próprias condições, resultando na abertura do BCD Jardim Botânico

Da mesma forma que elementos da experiência do Banco Palmas podem ser utilizados para compreender a experiência do BCD Jardim Botânico, as condições presentes na comunidade São Rafael também podem ser consideradas como referências para outras experiências. A tecnologia do banco comunitário de desenvolvimento tem flexibilidade suficiente para se conformar de acordo com as características que a comunidade detiver.

Belgede YILLIK RAPOR 2010 (sayfa 41-45)