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2.2. Kurum İmajının Etkileşimde Olduğu Alanlar

2.2.2. Kurumsal Kimliğin Temel Unsurları

2.2.2.1. Kurum Felsefesi

Esta pesquisa fundamenta-se na Teoria dos Campos, do sociólogo Pierre Bourdieu, com o objetivo de analisar o processo de formação do habitus nas obras sociais maristas do RS. Bourdieu é um pesquisador que dedicou boa parte de sua vida na elaboração da Teoria dos Campos e também utilizou seu método de pesquisa para demonstrar a constituição do processo de tomada de posição do cidadão nos grupos sociais. O tema desenvolvido por Bourdieu vai ao encontro da problemática de pesquisa deste trabalho, encontrada nas obras sociais maristas, que por sua vez estão inseridas no campo religioso e tem, em sua missão, o dever de fortificar o habitus religioso nos educandos e educadores. A identificação com a teoria do autor permite uma análise mais profunda da realidade a ser pesquisada, pois vai fazer um caminho já percorrido por ele em outras pesquisas, nas quais nos lembra que “[...] não podemos capturar a lógica mais profunda do mundo social a não ser submergindo na particularidade de uma realidade empírica, historicamente situada e datada [...]” (BOURDIEU, 1996, p.15).

A Teoria dos Campos de Bourdieu, a relação existente entre os diversos campos do espaço social, é construída a partir de estruturas que se organizam por características, ou seja, por identificação, no caso, religiosa ou mesmo econômica. A teoria dos campos nos remete a um entendimento das relações sociais entre os “diferentes”, em que acontece o aumento do capital religioso, que então passa a ser o capital de troca nas relações políticas, econômicas, sociais, religiosas ..., enfim dos diversos campos.

Entre os campos é que acontecem as relações capazes de modificar o espaço social e conseqüentemente atribuir maior ou menor capital aos campos. O interior dos campos é dividido em subcampos que estabelecem trocas, mas também dependem de

capital para sobreviver, ou seja, se o campo religioso perde seu capital, os subcampos religiosos ficam prejudicados e se descapitalizam.

Bourdieu diz que o espaço social é o local ideal para as trocas acontecerem e possibilitarem aos agentes tomadas de posição, envolvendo-os no espaço social, e nos lembra que

todas as sociedades se apresentam como espaços sociais, isto é, estruturas de diferenças que não podemos compreender verdadeiramente a não ser, construindo o princípio gerador que funda essas diferenças na objetividade. Princípio que é o da estrutura da distribuição das formas de poder ou dos tipos de capital eficientes no universo social considerado – e que variam, portanto, de acordo com os lugares e os momentos (BOURDIEU, 1996, p.50).

A construção teórica proposta por Bourdieu, motivada pela relação entre os campos e o exercício do poder, conduz a pesquisa por linhas que passam impreterivelmente pelo “empírico”, pela estruturação do espaço social e pela descoberta dos mecanismos de economia simbólica. A organização marista no RS, através de suas obras sociais dedicadas à formação de crianças e adolescentes, tem o intuito de estruturar a realidade social, que envolve as obras a partir dos cidadãos, pois a aplicação da Teoria dos Campos possibilita visualizar

a proximidade no espaço social, predispõe à aproximação: as pessoas inscritas em um setor restrito do espaço social serão ao mesmo tempo mais próximas (por suas propriedades e suas disposições, seus gostos) e mais inclinadas a se aproximar; e também mais fáceis de mobilizar (BOURDIEU, 1996, p.25),

na execução dos objetivos firmados nos campos.

As obras sociais maristas, situadas no campo religioso, exercem as trocas no próprio campo e com os demais campos, buscando aumentar o capital religioso. Estas obras dialogam de maneira especial com a Teoria de Bourdieu, que desenvolve o tema da formação do habitus religioso nos textos escritos por ele, sempre lembrando que

[...] o trabalho específico de socialização tende a favorecer a transformação da libido originária, isto é, dos afetos socializados constituídos no campo doméstico, nesta ou naquela forma específica de

libido, graças, sobretudo, à transferência desta libido em favor de agentes ou instituições pertencentes ao campo (por exemplo, no caso do campo religioso, grandes figuras simbólicas como o Cristo ou a Virgem, sob suas diferentes figuras históricas) (BOURDIEU, 2001, p.199).

Bourdieu, nos seus conceitos, procura dar respostas satisfatórias às problemáticas do espaço social, ampliando os objetos de análise sociológica em relação às demais teorias sociais, dando ao poder, ao religioso, ao ensino, ao econômico, ao simbólico ... atenção especial, como objetos preferenciais de análise. Bourdieu tem uma lógica em sua tipologia, produzindo uma definição objetiva quando retrata o espaço social e suas estruturas.

Todas as sociedades se apresentam como espaços sociais, isto é, estruturas de diferenças que não podemos compreender verdadeiramente a não ser, construindo o princípio gerador que funda diferenças na objetividade. Princípio que é o da estrutura da distribuição das formas de poder ou dos tipos de capital eficientes no universo social considerado – e que variam, portanto, de acordo com os lugares e os momentos (BOURDIEU, 1996, p.50).

A formação do habitus ganha destaque em sua teoria por representar o caminho a ser percorrido na transformação dos cidadãos e conseqüentemente do espaço social, ou seja, o agente é resultado das experiências incorporadas durante sua vida, afinal o habitus religioso representa uma fonte de valores e tradições típicas que tem por função

dar conta da unidade de estilo que vincula as práticas e os bens de um agente singular ou de uma classe de agentes. [...] O habitus é o princípio gerador e unificador que retraduz as características intrínsecas e relacionais de uma posição em um estilo de vida unívoco, isto é, em um conjunto unívoco de escolhas de pessoas, de bens e de práticas (BOURDIEU, 1996, p.22).

O conceito de habitus não quer significar “pré-destinação”, ou a imutabilidade, não tem por objetivo tornar o agente ou o espaço social algo fechado, mas quer demonstrar a dificuldade em modificar uma estrutura, algo já solidificado, rígido ..., que é o habitus, assim definido:

[...] o habitus é uma estrutura interna sempre em via de reestruturação – não se pode jamais considerar que as estruturas do habitus são fixadas uma vez para sempre. Mas, todo habitus possui uma forte inércia (ACCARDO, 1983, p.148).

A definição de habitus é essencial na formulação da Teoria dos Campos, pois Bourdieu procura tornar visíveis os jogos de relações que acontecem “nos” e entre os diferentes campos, nunca esquecendo as experiências e manifestações dos agentes nos mais diferentes grupos, local onde o habitus é posto à prova, onde ele se torna uma prática, uma manifestação social do que lhe foi passado como formação, como educação e que também o limitou, pois

receber uma educação é receber em regra geral uma educação ligada a uma posição de classe. A posição do agente na estrutura de classes conduz à constituição de um habitus de classe (ou de fração de classe). O habitus de classe é o denominador comum das diferentes práticas de um mesmo agente (ACCARDO, 1983, p.153).

O campo religioso interage constantemente com o campo do poder, onde as relações de troca se solidificam e levam os demais campos a buscarem soluções e se relacionarem entre si, fazendo as trocas simbólicas em busca do aumento do capital.

O campo do poder (que não deve ser confundido com o campo político) não é um campo como os outros: ele é o espaço de relações de força entre os diferentes tipos de capital ou, mais precisamente, entre os agentes suficientemente providos de um dos diferentes tipos de capital para poderem dominar o campo correspondente e cujas lutas se intensificam sempre que o valor relativo dos diferentes tipos de capital é posto em questão (por exemplo, a ‘taxa de câmbio’ entre o capital cultural e o capital econômico); isto é, especialmente quando os equilíbrios estabelecidos no interior do campo, entre instâncias especificamente encarregadas da reprodução do campo do poder (no caso francês, o campo das grandes escolas), são ameaçados (BOURDIEU, 1996, p.52).

A Teoria dos Campos busca dar conta de questões surgidas nas relações entre os diversos campos, estabelecendo uma matriz de análise mais audaciosa, empírica e atual, que compreenda os emaranhados do jogo social, em que a meta buscada é o aumento do capital simbólico e da barganha nas relações de troca entre os campos e subcampos.