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Kurtuluş Savaşı Döneminde Mustafa Kemal ve Aleviler

3.1 TÜRKİYE CUMHURİYETİ VE ALEVİLER

3.1.1 Kurtuluş Savaşı Döneminde Mustafa Kemal ve Aleviler

A Carta Magna não deveria cuidar amplamente de temas pertinentes à legislação infraconstitucional. A Constituição de 1988 desprestigiou as Constituições Estaduais por lhes deixar pouco espaço de atuação própria.

179 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. Op.cit., p.520-521.

180 CUNHA FERRAZ, Anna Cândida. Poder Constituinte do Estado-Membro. São Paulo: Revista dos

Tribunais, 1979, p. 133.

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Jorge Miranda182 referindo-se ao conteúdo da Constituição Cidadã destacou sua natureza detalhista manifestada pela própria extensão de um texto demasiadamente prolixo. Em verdade, a Carta de 1988 poderia ter se pautado muito mais em bases axiomáticas, deixando aos Estados-membros um campo maior para que legislassem com maior desenvoltura em homenagem a sua autonomia e ao fortalecimento do próprio Federalismo.

A Constituição Federal analítica não favorece o desenvolvimento do Direito Estadual por abarcar uma série de temas que poderiam estar dispostos na legislação ordinária e na Constituição Estadual. A excessiva abrangência normativa da Lei Maior fez com que a Carta Estadual passasse a reproduzir em seu texto uma série de temas já dispostos na Lei Fundamental.

Aliás, tornou-se um problema a decisão de se transladar para a Carta Estadual tantos dispositivos da Lei Maior, pois tais matérias reproduzidas não poderão sofrer reforma constitucional substancial no plano estadual antes de uma iniciativa reformadora no âmbito federal.183

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Em palestra preferida durante evento comemorativo dos 20 anos da Constituição de 1988,

Miranda assim se posicionou sobre alguns aspectos da Lex Major brasileira relacionados ao modelo

de estado federal adotado e às relações daí decorrentes, sobretudo àquelas atinentes à autonomia dos Estados-membros: "Sendo o Brasil um país federal, uma República federativa, eu acredito que muitas dessas matérias poderiam ser deixadas para as Constituições dos Estados. Parece-me que é muito diferente a explicitação de muitos dos princípios (da Constituição) no Estado de São Paulo e, por exemplo, no Estado do Rio Grande do Norte. Acho que deveria haver maior maleabilidade na Constituição, deixando uma margem maior aos Estados, para, através de suas constituições, adotarem os grandes princípios constitucionais. A Constituição poderia ser mais principialista e deixar maior liberdade aos Estados federados" Fonte: UOL Notícias em Brasília. Claudia Andrade em 10/10/2008.

183 "(....) a ação direta de inconstitucionalidade tem como causa petendi, não a inconstitucionalidade

em face dos dispositivos invocados na inicial como violados, mas a inconstitucionalidade em face de qualquer dispositivo do parâmetro adotado (a Constituição Federal ou a Constituição Estadual). Por isso é que não há necessidade, para a declaração de inconstitucionalidade do ato normativo impugnado, que se forme maioria absoluta quanto ao dispositivo constitucional que leve cada juiz da Corte a declarar a inconstitucionalidade do ato. Ora, para se concluir, em reclamação, que a inconstitucionalidade argüida em face da Constituição Estadual seria uma argüição só admissível em face de princípio de reprodução estadual que, em verdade, seria princípio constitucional federal, mister se faria que se examinasse a argüição formulada perante o Tribunal local não apenas - como o parecer da Procuradoria-Geral da República fez no caso presente, no que foi acompanhado pelo eminente Ministro Velloso no voto que proferiu - em face dos preceitos constitucionais indicados na inicial, mas também, de todos o da Constituição Estadual. E mais, julgada procedente a reclamação, estar-se-ia reconhecendo que a lei municipal ou estadual impugnada não feriria nenhum preceito constitucional estritamente estadual, o que impossibilitaria nova argüição de inconstitucionalidade em face de qualquer desses preceitos, se, na conversão feita por meio da reclamação, a ação direta estadual em face da Constituição Federal fosse julgada improcedente, por não violação de qualquer preceito constitucional federal que não apenas os invocados na inicial. E como, com essa transformação, o Supremo Tribunal Federal não estaria sujeito ao exame da inconstitucionalidade da lei estadual ou municipal em face dos preceitos constitucionais invocados na inicial perante o Tribunal

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A Constituição de 1988 é democrática, e por isso mesmo deveria favorecer a atuação mais efetiva das unidades parciais na consolidação de um modelo de Estado Federal participativo. O Federalismo possibilita a conciliação entre unidade e pluralidade. Neste sentido, a Federação casa muito bem com a Democracia. 184

“Exatamente sobre os efeitos benéficos exercidos sobre o desenvolvimento da democracia, desde o Segundo Conflito Bélico Mundial, sob o coloridos de nuanças diferenciadas, mais de dezena de nações acolheram o modelo federativo. Este sistema ou soluções políticas de índole federativa vêm conquistando adeptos em todas as partes, apresentando-se, na contemporaneidade, uma das mais requisitadas opções para o desenho do modelo de organização estatal. (...) O seu ponto nevrálgico reside na partilha do poder entre diferentes instituições governamentais , em diferentes níveis ou esferas do poder. Sua ideia dimana do entendimento de que esta distribuição de competências políticas viabilizará maiores benefícios às comunidades. A mola mestra implica, exatamente, na indicação precisa destas competências.(...)” 185

O Estado federal caracteriza-se ao mesmo tempo pela unidade e pela repartição do poder. Entretanto, tais valores devem se apresentar harmonizados. Destarte, a centralização extremada do poder é lesiva à harmonia institucional, tanto quando favorece ao nível estadual, como quando beneficia à União.

A Constituição Federal catalisou uma série de temas que não mereciam estar em seu texto. O Poder Originário decidiu concentrar o maior número de temas possível no bojo da Constituição Cidadã, no que também optou por disponibilizar boa parte de tais matérias no âmbito da competência legislativa da União.

A chancela do STF em prol da teoria da autonomia da norma repetida, aliada à inclusão de temas materialmente infraconstitucionais na Constituição de 1988, tem

de Justiça, e tidos, na reclamação, como preceitos verdadeiramente federais, mudar-se-ia a causa petendi da ação: de inconstitucionalidade em face da Constituição Estadual para inconstitucionalidade em face da Constituição Federal, sem limitação, evidentemente, aos preceitos invocados na inicial". (Rcl. nº 383, Rel. Min. Moreira Alves, julgada em 11.06.1992, DJ de 21.05.1993)

184 “Pilar de sustentação da democracia moderna, entendido o federalismo como mecânica de

acomodação de interesses e expectativas diferenciadas, no círculo de uma mesma comunidade estatal, apresenta-se o sistema sustentado por três específicos pilares: a) poder político partilhado; b) quadro de repartição de competências, fixado pela Constituição; c) soberania alojada no âmbito do poder central, restando os entes periféricos com a sua autonomia assegurada.” CAGGIANO, Mônica

Herman. As novas fronteiras do federalismo – Organização Mônica Herman Caggiano (e) Nina Ranieri. O federalismo no Brasil – São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008, p. 143.

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cooperado para a sobrecarga de ações e recursos que abarrotam aquele Tribunal. O Supremo é levado a decidir não apenas sobre temas da mais alta relevância, sendo obrigado também a tomar partido em questões menores que de modo algum deveriam alcançar a estatura daquela Corte.

Há uma desconfiança histórica com relação à atuação dos Estados-membros. As Constituições Federais, surgidas desde a Reforma de 1926, têm restringido a autonomia estadual a pretexto de se evitar ameaças à Federação.

Destarte, a conjuntura constitucional, atualmente vigente no Brasil, é desfavorável ao desenvolvimento de uma Constituição Estadual genuína. A Carta de 1988 impõe barreiras à originalidade normativa na esfera estadual. Deste modo, no Brasil o Direito Federal e o Direito Constitucional nacional prevalecem em áreas que deveriam também ser disciplinadas pelas Constituições Estaduais.

Cogita-se que em alguns Países poderá ter havido uma convergência entre as Constituições Estaduais no intuito de não inovarem para além da Lei Maior.

“Primeiro, determinar se a unidade constituinte fez uso ou não do espaço constitucional disponibilizado a ela é uma tarefa relativamente arriscada. Para fazê-la, é necessário procurar por diferenças existentes entre as Constituições subnacionais e a Constituição Federal, bem como por diferenças existentes entre as próprias Constituições subnacionais do sistema federativo. Isto porque tais diferenças indicariam que as unidades constituintes, de fato, cogitaram arranjos constitucionais alternativos em vez de adotarem, de maneira automática, os dispositivos constantes da Constituição Federal ou das demais unidades constituintes. Contudo, esta verificação não está à prova de falhas. As unidades constituintes podem ter cogitado seriamente alternativas àquilo que está presente nas Constituições das demais unidades constituintes ou da Federação, tendo, contudo, ao final concluído que não haveria qualquer razão para divergir destes modelos. Apesar da identidade existente entre os arranjos constitucionais, isto parece se qualificar como preenchimento do espaço constitucional, porque os constituintes fizeram uma escolha consciente em vez de terem simplesmente copiado o que encontraram.” 186

A Federação democrática de 1988 deveria permitir aos entes federados o exercício de suas competências legislativas a partir de seus interesses, na busca de soluções para questões inadequadamente atendidas pela União.

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Com efeito, a repetição indiscriminada da Lei Maior nas Cartas Estaduais reforça o equívoco de que todos os espaços federativos teriam as mesmas características.

Vale lembrar que nem sempre a Constituição Federal permite às Constituições Estaduais a repetição daquilo por ela propugnado para a União, ainda quando isto pudesse contribuir positivamente para uma participação mais efetiva da vontade dos entes periféricos na mecânica federativa.

É o que acontece, por exemplo, com o Senado Federal, órgão de representação dos Estados no Congresso Nacional. Neste caso, a Lei Maior de 1988 não permitiu que se estabelecesse órgão semelhante na estrutura dos Estados, tendo feito opção pelo unicameralismo, apesar de se apresentar democrática a ideia de se conceder voz aos Municípios na seara legislativa estadual. Nesta hipótese, o Senado Estadual seria uma arena para representação dos interesses municipais nos domínios territoriais de cada um dos Estados-membros.

A propósito, na República Velha permitiu-se a criação de Senado Estadual. Naquela ocasião, os Estados estavam aptos a decidir sobre o modelo de organização e estrutura do seu Poder Legislativo independentemente do propugnado no plano federal.

Em 1890 o Governo Provisório permitiu aos recém-criados Estados-membros escolherem o modelo legislativo a partir de sua conveniência.187 Deste modo, alguns

Estados (São Paulo, Ceará, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Alagoas, Minas Gerais e Pará) adotaram o bicameralismo à moda norte-americana.