1.2 TARİHSEL ARKA PLAN
1.2.1 Hz. Peygamber Sonrası Dönem ve Kerbela Olayı
A Carta Magna de 1891 trouxe alguns institutos jurídicos singulares, atinentes às relações entre os Estados-membros, não mais reproduzidos a partir de então nas Constituições seguintes.
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“Após a primeira Guerra Mundial, as oligarquias brasileiras já não conseguiam manter o controle político da nação. A república, que segundo a Constituição de 1891 deveria ser democrática, representativa e federativa, na prática havia-se transformado ao longo de quase três décadas em uma imensa propriedade administrada em conformidade com os interesses político-econômicos das oligarquias rurais. O sistema político da república era totalmente manipulado por elites regionais, que controlavam eleições, partidos e juízes, utilizando a violência e a corrupção.” Ibdem, p.285.
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Merece menção a autorização constitucional concedida aos Estados108 para celebração de tratados entre si, como se depreende da leitura do artigo 48.109 Esta proposição nos remete a uma possível aplicação moderada, no âmbito da Constituição de 1891, da chamada ‘teoria da dupla soberania’, já mencionada quando cuidamos da natureza jurídica da Federação. Tal teoria, difundida no Século XIX na Europa e Estados Unidos, atribuía o exercício da soberania à união federativa, bem como aos próprios entes federados (União e Estados-membros). Deste modo, haveria como que um compartilhamento da soberania estatal, em vez de ser ela um atributo exclusivo da Federação.
Evidentemente que tais espécies de tratados, na verdade acordos estaduais, mencionados pela Constituição de 1891 não tinham a mesma natureza daqueles outros celebrados pelos Países no plano internacional. Assim, tais convenções pactuadas pelos Estados-membros possuíam natureza doméstica (nacional), mais especificamente interestadual e se apresentavam como manifestação do prestígio auferido à autonomia estadual no início da Velha República.
Importa destacar também que naquela ocasião os tratados estaduais eram aprovados privativamente pelo Presidente da República e submetidos, quando fosse o caso, ao Congresso Nacional de acordo com o artigo 48, 16.º da Carta de 1891, sendo que competia privativamente ao Poder Legislativo federal - conforme o artigo 34, 12º da citada Lei Maior - resolver de forma definitiva a respeito da celebração de tratados internacionais, sem qualquer interferência estadual nesta matéria.
Merece ainda menção a hipótese de extradição de criminosos entre os Estados-membros. Em verdade, a extradição e o tratado são institutos celebrados no bojo das relações internacionais. Com efeito, ao Congresso Nacional competia regular os casos de extradição estadual, de acordo com o artigo 34, 32º) da Constituição de 1891, sendo defeso aos Estados-membros não extraditar os criminosos solicitados pela Justiça de outros Estados ou do Distrito Federal, como se extrai do disposto no artigo 66, 4º) da 1ª Constituição republicana.
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Art. 65 - É facultado aos Estados:
1º) celebrar entre si ajustes e convenções sem caráter político (art. 48, nº. 16);
109 Art. 48 - Compete privativamente ao Presidente da República:
(...)
16º) entabular negociações internacionais, celebrar ajustes, convenções e tratados, sempre ad
referendum do Congresso, e aprovar os que os Estados, celebrarem na conformidade do art. 65,
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Deste modo, não se admitia a recusa de um Estado-membro em autorizar a extradição de um criminoso para outro Estado federado onde ele houvesse cometido crime.110
Tal situação é indicativa de que, guardadas as devidas proporções, o Poder Originário quis compartilhar com os Estados algumas competências pertencentes à União, sem descuidar de impor limites à atuação estadual no exercício de tais assuntos.
Assim é que por influência do Federalismo norte-americano alguns institutos comuns ao Direito Internacional, que pressupõem necessariamente a independência e soberania dos Países, sofreram na Constituição de 1891 adaptações para serem atribuídos aos Estados-membros.
2.5. A Reforma de 1926 e a revisão do pacto federativo
Na Carta de 1891 competia à União cuidar de assuntos, tais como: dívida pública; serviços dos correios e telégrafos federais, organização do Exército e da Armada, terras e minas da União, organização do Distrito Federal, polícia, ensino superior, Direito Civil, Direito Comercial, Direito Criminal da República, Direito Processual da Justiça Federal, dentre outros temas.
A Reforma de 1926 surgiu sob o argumento de que alguns dispositivos da Lei Maior de 1891 eram inviáveis e de difícil aplicação, além do que se afirmava naquela ocasião que a descentralização de competências legislativas enfraquecia o poder da União na manutenção do pacto federativo.
A citada Reforma não extinguiu a Federação, assim como o Ato Adicional de 1831 não eliminou o Unitarismo, mas frustrou as expectativas dos federalistas ao restabelecer a combatida centralização política em formato quase semelhante àquele praticado no período unitarista.
Havia no Brasil, do final do Século XIX, um conflito entre o que dispunha a Constituição de 1891 e o que se depreendia dos intentos do governo central. O Executivo não cogitava em se amoldar à Carta Magna, o que seria o mais correto, preferindo adequá-la ao seu plano político, utilizando-se do processo reformador para instituir no corpo da Constituição o que lhe era conveniente na ocasião.
110 Art. 66 - É defeso aos Estados:
(...)
4º) denegar a extradição de criminosos, reclamados pelas Justiças de outros Estados, ou Distrito Federal, segundo as leis da União por que esta matéria se reger (art. 34, nº 32).
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Assim na Primeira República o Brasil experimentou um formato de Federação, até certo ponto, inspirado no modelo aplicado nos Estados Unidos, com ampla descentralização política e fortalecimento da autonomia dos entes federados. Entretanto, a experiência foi frustrada em virtude do despreparo institucional para lidar com as liberdades conferidas aos Estados e pela falta de habilidade do governo central e dos entes estaduais para harmonizar as relações federativas.
Havia posições doutrinárias contrárias ao modelo de descentralização política proposto pela Constituição de 1891, pelo qual se concedia aos Estados-membros competência legislativa sobre diversos temas que a partir de 1926 tornaram-se de competência privativa da União.111
Com efeito, não convinha mais regressar ao Estado unitário, a solução que se apresentara pela emenda de 1926,112 consistia em adaptar o Federalismo à
centralização política sob a justificativa de facilitar a atuação da União em favor da governabilidade e da segurança nacional.
111 “Felizmente deixou-se-nos, ao menos, a unidade do direito civil, criminal e commercial da
Republica, a despeito do esforço com que também alguns pretenderam dilacerar-lhe o corpo, dividindo-o pelos vinte Estados federados... Entretanto, a verdade que se antolhava a todos, era, sabidamente outra: pela mesma razão, por que foi preferida a dualidade do direito civil e da magistratura em outras Federações, tal como na Norte-America, justamente por esta razão, se devia ter | conservado a unidade, tão completa quanto possivel, de taes matérias na Republica Brazileira. Com effeito, ao str constituído a Federação Norte-Americana, já tendo os Estados, separadamente, o direito de legislar sobre o direito civil e a administração da justiça no seu território,—julgou- se que seria o mais acertado, nada innovar-se sobre tão importante ramo da vida publica, — respeitados, desta sorte, o direito vigente, os hábitos e a tradicção histórica do paiz. No Brazil, pelo contrario, sendo o direito uno e a administração da justiça um serviço, inteiramente nacional, desde os tempos mais remotos, e, além disso, achando-se confiado a uma magistratura, que procurou sempre mostrar- se digna da sua nobre funcção, — preferiu-se, não obstante, tentar agora o desconhecido, abandonando-se a tradicção, aliás, consoante com os nossos conhecimentos jurídicos, — só porque se afigurara a alguns ser isto mais de molde com a dignidade ou a supposta soberania dos Estados federados !” CAVALCANTI, Amaro. Op. Cit.,p. 251.
112 “A proposta de revisão foi enviada à Câmara dos Deputados em 1925 pela chamada ‘Comissão
dos 21’. Essa comissão especial era composta pelos vinte e um representantes de cada estado do país, sendo ela responsável pela feitura e parecer de cada proposta de emenda apresentada ao Congresso. Para liderar os trabalhos, foi escolhido como relator da reforma o senador paulista Adolpho Gordo, político com experiência sobre a matéria de expulsão de estrangeiros, e que tinha conseguido aprovar a polêmica Lei de Imprensa, da qual fora propositor. Difícil tarefa a ser cumprida pelo senador, que além de se deparar com numerosas reclamações sobre a constitucionalidade das discussões da proposta de revisão da Constituição, por ocorrerem durante vigência do estado de sítio; teria recebido também várias críticas pelo fato das constantes intervenções feitas pelo presidente Arthur Bernardes na reforma, com a denúncia de que ela havia sido elaborada no Catete e não no interior das Casas legislativas. Os principais argumentos utilizados durante os debates no Congresso, ocorridos nos anos de 1925 e 1926, entre aqueles que se colocaram contrários à proposta da revisão seguiram essas críticas que pontuaram o discurso de alguns parlamentares.” RIBEIRO, Anna Clara Sampaio. “Abre-se a sessão” embates no poder legislativo para elaboração e aprovação de leis de expulsão a estrangeiros na primeira república (1889-1926), 2010, p.143.
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Aliás, foi durante o estado de sítio, medida garantidora da estabilidade institucional decretada por Artur Bernardes, que o Congresso Nacional emendou a Lei Maior de 1891 apesar da crítica velada de vários parlamentares.
A Carta de 1891 dispunha de mecanismos que permitiam às unidades estaduais atuarem com desenvoltura em favor de seus interesses, o que por certo enfraquecia a utilização daqueles instrumentos disponíveis para manutenção da ordem em face de levantes regionais e movimentos separatistas.
Esse ambiente de instabilidade política e de ameaça à Federação fez com que a Reforma de 1926 dispusesse de modo detalhado sobre o instituto da intervenção federal, como solução garantidora da tranquilidade institucional e da governabilidade, imprescindíveis aos primeiros governos da República. Em verdade, neste ambiente de tantas dificuldades políticas, o estado de sítio foi constantemente empregado como garantidor da ordem.
É certo que a citada Reforma de 1926 implicou em centralização de poderes e enfraquecimento da autonomia dos Estados-membros, responsabilizados naquela ocasião pela situação de desordem política vivenciada pelo País. 113
A respeito da conveniência de se reformar a Constituição de 1891, houve certa resistência por parte do Legislativo, diante do reconhecimento de que se tratava muito mais de uma manobra do Executivo do que propriamente de uma legítima manifestação de vontade parlamentar.
É certo que ajustes precisavam ser feitos, e sobre isso havia consenso, mas não necessariamente com a intensidade almejada pelo governo central. “Formou-se entre nós uma mentalidade hostil à revisão constitucional, não tanto porque seja desnecessária, mas porque se afigura a todos inoportuna. É o argumento dilatório que fecha a porta a todas as iniciativas.” 114
Aliás, Nunes115 manifestou-se favoravelmente às alterações constitucionais pontuais e graduais desde que não desfigurassem o modelo federalista, pelo receio
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Almeida ao comentar a centralização política no Império, a partir da obra de José Maria de Avellar Brotero, assim averbou: Ideia análoga aplica aos “estados”, cuja existência política – para além da mera situação de corpos administrativos – poria em risco a unidade da soberania de um País.
ALMEIDA, Fernando Dias Menezes de.Op. Cit. P. 372.
114 NUNES, José de Castro. As constituições estaduaes no Brasil. Rio de Janeiro: Edit. Leite Ribeiro,
1922, p. 03.
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de que uma reforma radical, nos termos pretendidos pelo governo federal, produzisse consequências nocivas ao País pelo risco de proliferação de intentos separatistas em virtude da insatisfação de alguns Estados-membros diante do cerceamento de sua autonomia.
Deste modo, é certo que a defesa contumaz dos ideais republicanos refletiu- se sobre a elaboração da Constituição de 1891, bem como permitiu o surgimento de um conjunto de normas criadas naquele período. O momento era, portanto, sobremaneira otimista com relação à República e o que ela poderia proporcionar aos brasileiros. Em verdade, tal expectativa não se confirmou nos primeiros governos republicanos diante das dificuldades advindas da relação do governo central com os Estados.
Com efeito, durante boa parte da Primeira República (1889-1930) o movimento revisionista manifestou-se diante da necessidade de se executar uma reforma constitucional substancial, com vistas a restringir a autonomia estadual – foco de tensões entre a União e os Estados-membros - através da amplificação das competências da União, com destaque para a atuação do Presidente da República. Neste sentido, Rui Barbosa se ocupou da defesa da revisão, inclusive, fazendo desta ideia uma de suas bandeiras na disputa da presidência da República.116
Neste sentido, a Reforma Constitucional de 1926 surgiu com o objetivo de reverter o modelo de descentralização surgido em 1891. A emenda, naquela ocasião, atendia às pretensões políticas do governo federal que passaria a se impor mais facilmente aos Estados a partir do fortalecimento de seus poderes.117
Destarte, todas as Constituições posteriores à primeira Carta republicana (CF/1934, CF/1937, CF/1946, CF/1967 e CF/1988) se inclinaram muito mais ao modelo federativo, desenhado a partir da Reforma de 1926 do que para aquele construído a partir de valores e princípios republicanos que nortearam a Assembleia Nacional Constituinte em 1891.
116 BARBOSA, Rui. Comentários à Constituição federal brasileira. São Paulo: Acadêmica, v. 6, 1932,
p. 461-462.
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A rigidez reforça a hegemonia constitucional, todavia as constituições escritas são essencialmente mutáveis para que reflitam a evolução da sociedade para a qual foram destinadas. “É pura vaidade pensar que se criam obras eternas ou definitivas nas construções sociais e nas construções legais; fizeram uma lei para o tempo e nela própria estabeleceram o processo das suas possíveis modificações.” FREITAS, Herculano de. Direito constitucional. São Paulo: Câmara Municipal de São Paulo, 1923, p.65.
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