Comportamento absoluto:
A primeira abordagem fica a cargo do comportamento cíclico do emprego. A Tabela 9 expõe, para cada coorte, as correlações contemporâneas com a taxa de desemprego agregada, os desvios-padrões e a representatividade de cada grupo em cada coorte.
EDUCAÇÃO: Os dois grupos do coorte de educação têm representatividade próxima (cada um com aproximadamente metade da amostra)31. O grupo de maior quantidade de anos escolares (E2) apresenta um desvio padrão menor relativamente ao primeiro e se mostra mais sensível à taxa de desemprego. A primeira figura do Gráfico 10, que indica a correlação dinâmica de cada variável com a taxa de desemprego, sugerindo que o grupo de menor skill
29 Apesar da nova metodologia da PME estar disponível desde março de 2002, o início da série apresenta muita
volatilidade – seja pelo fato de o início da metodologia estar sujeito a ajustes ou pelo momento conturbado do início do primeiro governo Lula, que ainda carecia de credibilidade. Por esse motivo, o início da análise da série de tempo foi postergado por achar que isso resultaria em estatísticas mais coerentes com a realidade.
30 Como a periodicidade é mensal, utilizamos = 129600.
31 Apesar disso, desde o início da série de tempo, existe uma tendência de alta do grupo com mais anos de
estudo. Em janeiro de 2003, este representava 45.92 pp da amostra. Em novembro de 2011 o mesmo grupo representou 61.26 pp da amostra.
educacional atinge seu menor valor 2 meses antes, enquanto que o segundo grupo reage em igual período ao desemprego.
Tabela 9: Estatísticas dos ciclos do Emprego por coorte
As correlações estão em pontos percentuais. Ciclo obtido de Filtro HP, .
TEMPO DE TRABALHO: Para o tempo de trabalho (tenure), obtém-se resultado parecido ao do coorte de educação no tocante ao desvio padrão, indicando que grupos de maior skill (T3) têm menor variabilidade. Enquanto o grupo de menor tenure (T1) é o mais afetado pelo desemprego, apresentando a maior correlação em termos absolutos, o grupo (T3) vem em segundo lugar e o grupo intermediário (T2) apresenta pouca ou nenhuma relação com a taxa de desemprego. A segunda figura do Gráfico 10, que descreve o comportamento dinâmico do coorte de tenure, sugere que os grupos que se ajustam são os de menor e de maior tenure. Enquanto (T3) tende a reagir com antecedência ao desemprego, (T1) reage com mais força em atraso, tendo seu pico entre 2 e 4 meses. Vale ressaltar que, em termos de representatividade, o grupo de maior tenure representa 67.39 pp da amostra, o grupo (T1) tem 21.24 pp e o grupo intermediário representa meros 11.37 pp; ou seja, movimentos de (T3) e (T1) têm maior peso na análise do comportamento do coorte de tempo de trabalho.
Corr[U(t),X(t)] DP[X] Representatividade (média) Educação x < 14 (E1) -29.72 1.01 46.17 x ш 14 (E1) -51.12 0.76 53.83 Tempo de Trabalho y < 1 (T1) -33.82 2.92 21.24 1 < y ч (T2) -2.83 2.58 11.37 y ш 2 (T3) -25.22 0.78 67.39 Idade 15-25 (A1) -32.55 1.56 20.34 26-35 (A2) -24.30 1.33 27.55 36-45 (A3) -13.35 1.25 25.59 46-55 (A4) -3.75 1.29 18.78 56-65 (A5) -28.12 2.14 7.74
IDADE: Em relação à idade, ao contrário do que observamos nas análises anteriores, o grupo com maior skill, (A5), tem maior variabilidade (2.14). Entre os mais novos, (A1) indica a maior variabilidade (com 1.56), enquanto que as outras faixas etárias têm variabilidade próxima a 1.30. Já a correlação com o desemprego indica que os grupos nas extremidades da estrutura etária – o mais novo e o mais velho – são os mais sensíveis, com, respectivamente, - 31.55 pp e -28.12 pp. Todas as faixas etárias apresentam correlação contemporânea negativa com o desemprego. No entanto, as faixas etárias de maior relevância são as mais jovens, sendo que as três primeiras correspondem a 73.48 pp da amostra; ou seja, o comportamento mais importante no coorte de idade está ligado aos grupos mais novos.
Gráfico 10: Corr[Desemprego(t),X(t+i)] – Educação / Tempo de Trabalho
Comportamento relativo:
Durante períodos de contração econômica, esperamos que grupos com menor skill venham a ser mais afetados, de forma que o comportamento relativo (maior/menor skill) se mostre positivamente correlacionado com o desemprego. Na Tabela 10 estão expostas duas
-6 -4 -2 0 2 4 6 -0.6 -0.4 -0.2 0 0.2
Emprego (Educação, x=anos de estudo)
x<14 (E1) x>=14 (E2) -6 -4 -2 0 2 4 6 -0.6 -0.4 -0.2 0 0.2
Emprego (Tempo de Trabalho, y=anos de trabalho)
y<1 (T1) 1<=y<2 (T2) y>=2 (T3) -6 -4 -2 0 2 4 6 -0.15 -0.1 -0.05 0 0.05
Emprego Relativo (Educação)
(E2)/(E1) -6 -4 -2 0 2 4 6 -0.4 -0.2 0 0.2 0.4
Emprego Relativo (Tempo de Trabalho)
(T3)/(T1) (T3)/(T2) (T2)/(T1)
estatísticas de correlação contemporânea. A primeira abrange toda a amostra, enquanto que a segunda é a média do cálculo recursivo, mantendo-se o período inicial fixo, da correlação contemporânea entre as variáveis de interesse. Dessa maneira, obtemos uma medida de robustez do parâmetro, avaliada por sua dispersão e sua significância.
Tabela 10: Correlação dos ciclos do Emprego Relativo por coorte
As correlações estão em pontos percentuais. Ciclo obtido de Filtro HP, . Significância (t-student com 97 graus de liberdade): (a) 1%, (b) 5%, (c) 10%.
EDUCAÇÃO: O comportamento relativo de emprego no coorte de educação aparenta, de maneira geral, ser estável. Enquanto a primeira estatística indica uma relação negativa (-6.86 pp), a segunda medida (7.58 pp) indica mudança de sinal e sugere que a estatística pode ter valor igual a zero. Ambas, no entanto, estão próximas de zero. A terceira figura do Gráfico 10 sinaliza que o ponto de maior correlação absoluta está um período à frente (com aproximadamente correlação de -0.14), apesar de a diferença em relação à estatística
Corr[U(t),X(t)] Correlação Desvio-Padrão Educação (E2)/(E1) -6.86 7.58 27.73 Tempo de Trabalho (T3)/(T1) 25.43 13.59 15.07 (T3)/(T2) -4.13 33.68 22.70 (T2)/(T1) 19.81 -17.61 21.57 Idade (A5)/(A1) -4.84 -23.08c 11.83 (A5)/(A2) -12.77 -20.89a 5.20 (A5)/(A3) -19.44 -20.93a 4.19 (A5)/(A4) -27.85 -29.62a 4.93 (A4)/(A1) 29.46 12.62 15.33 (A4)/(A2) 17.93 10.49 10.69 (A4)/(A3) 8.54 9.63 7.82 (A3)/(A1) 20.98 2.28 15.56 (A3)/(A2) 12.17 -0.80 9.92 (A2)/(A1) 12.40 2.53 13.14 Análise Recursiva
contemporânea (com correlação de -0.12) não ser grande. Portanto, de maneira geral os resultados sugerem que a correlação entre desemprego e o comportamento relativo do emprego dos grupos deste coorte são próximos de zero.
TEMPO DE TRABALHO: O comportamento relativo contemporâneo do coorte de tenure, apesar de estimativas recursivas insignificantes, indica que a estimativa de (T3)/(T1) é positiva e que as estimativas de (T3)/(T2) e (T2)/(T1) são inconclusivas, apresentando estimativas com sinais opostos quando confrontadas com a correlação não recursiva. No entanto, a quarta figura do Gráfico 10 sugere que o ponto de maior correlação se encontra dois períodos à frente para (T2)/(T1) – e, vale dizer, com correlação contemporânea positiva de 0.22 – e quatro períodos para (T3)/(T1). Em outras palavras, uma recomposição mais significativa no coorte de tenure deve ocorrer períodos à frente em relação aos movimentos do desemprego. Dessa maneira, os resultados sugerem que este coorte favorece uma recomposição da mão de obra ao longo do ciclo.
Gráfico 11: Corr[Desemprego(t),Emprego Relativo(t+i)] – Idade
-6 -4 -2 0 2 4 6 -0.4 -0.3 -0.2 -0.1 0 0.1 0.2 0.3
Emprego Relativo à 56-65 anos de idade (A5) 15-25 (A5)/(A1) 26-35 (A5)/(A2) 36-45 (A5)/(A3) 46-55 (A5)/(A4) -6 -4 -2 0 2 4 6 -0.3 -0.2 -0.1 0 0.1 0.2 0.3 0.4
Emprego Relativo à 46-55 anos de idade (A4)
15-25 (A4)/(A1) 26-35 (A4)/(A2) 36-45 (A4)/(A3) -6 -4 -2 0 2 4 6 -0.2 -0.1 0 0.1 0.2 0.3
Emprego Relativo à 36-45 anos de idade (A3)
15-25 (A3)/(A1) 26-35 (A3)/(A2) -6 -4 -2 0 2 4 6 -0.05 0 0.05 0.1 0.15 0.2 0.25 0.3
Emprego Relativo à 26-35 anos de idade (A2)
IDADE: O comportamento relativo ao coorte de idade é significante somente nos casos relativos ao grupo de maior faixa etária (A5). Apesar de o grupo mais velho ser, supostamente, o de maior skill, seu comportamento se deve provavelmente ao ciclo de vida do trabalhador, que passa a sinalizar produtividade marginal decrescente32. O comportamento de todas as outras faixas etárias (à exceção da análise recursiva de (A3)/(A2), que possui correlação próxima a zero, -0.80 pp), apesar de insignificante, indica estimativas positivas. Vale ressaltar, no entanto, que o comportamento relativo da maioria das categorias (que não comparadas à faixa etária mais elevada), sugere, de acordo com o Gráfico 11, que o pico de correlação não se encontra em t=0, mas sim com antecedência ou defasagem. Além disso, os gráficos 11 e 12 (relativos às idades (A3) e (A2)) indicam correlação positiva em quase todo o período da dinâmica analisada e todas as figuras indicam que quanto maior a diferença relativa de idade, maior é a possibilidade de o comportamento relativo ocorrer no campo positivo. Considerando que os grupos etários mais relevantes são os mais novos – em ordem de representatividade: (A2), (A3), (A1), (A4) e (A5) – é natural dar maior importância aos comportamentos relativos que demonstram correlação positiva com o desemprego próximo a t=0.