16. Yüzyıl (William Tyndale ve İncil Çevirisi)
3.1. Kur’an’dan Seçilen Deyimler
HOMENS MULHERES Brancos Brancas Casados 70 Casadas 01 Solteiros 09 Solteiras 04 Viúvos 07 Viúvas 18 TOTAL 86 TOTAL 23 Pardos Pardas Casados 34 Casadas 8 Solteiros 04 Solteiras 27 Viúvos 01 Viúvas 21 TOTAL 39 TOTAL 56 Negros Negras Casados 05 Casadas 01 Solteiros 01 Solteiras 09 Viúvos 00 Viúvas 02 TOTAL 06 TOTAL 12 Não foram especificados estado civil e/ou
etnia
77 Não foram
especificados estado civil e/ou
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Dados retirados do “Inventário dos Teares existente na Capitania de Minas Gerais no ano de 1786”. Revista do Arquivo Público Mineiro. Belo Horizonte, 1995, ano 60, nº 40.
Apesar da maioria dos Teares da Comarca do Rio das Velhas, no ano de 1786, serem de propriedade masculina, eram as mulheres que prioritariamente se ocupavam do serviço da tecelagem. Isso fica evidente quando o comandante responsável pelo inventário faz a descrição do tipo de tecido fabricado no tear e quem é o tecelão ou tecelã. Na maioria dos casos
dos teares pertencentes a homens, quem se ocupa dele é a esposa, filhas, irmãs ou escravas do proprietário. A maior parte da produção é destinada ao consumo doméstico, mas há também uma pequena parcela que é comercializada. Embora muitos comandantes tenham declarado que a atividade não era lucrativa e boa parte dos proprietários viviam num estado de pobreza, havia aqueles que defendiam a tecelagem como uma atividade importante para a ocupação das mulheres nas horas em que elas não se dedicavam aos serviços domésticos. A fala do comandante Custódio Pereira Coelho, do Distrito de Paraopeba, nos apresenta uma série de informações importantes acerca do universo econômico e cultural da Comarca, sobretudo no que diz respeito ao imaginário que se tinha sobre as mulheres. O comandante declarou que
Nestes tessumes destes teares não se ocupam atualmente todo o ano, as tecedeiras, e fiandeiras, mas sim interpolados em alguns meses do ano, a primeira causa pela falta de algodoes, que não se produz com abundancia neste distrito, por causa do frio que os dissipa [sic]; e parte se compra em outros países, onde há mais abundância deles para fabricarem os ditos panos acima.
A segunda razão, por que nesta manufatura não são fábricas de negócio, ou comércio, nem nelas se ocupam escravos de serviço ou lavra, que comumente se ocupam as mulheres que não podem trabalhar em lavras ou roças.
As utilidades que tem seguido os interesses de sua majestade é o dizimo que se paga dos algodoes em cada dez arrobas uma. E os que poderão seguir é o aumento e conservação dos vassalos, principalmente ao grande número de pobres que se tem multiplicado nessas Minas e se julga foi essa industria de teares inspirada por Deus para remédio dos mesmos pobres e miseráveis.
As utilidades que se tiram dos tessumes são de terem ocupação as praças vagas que são as mulheres, o grande número delas que tem hoje estas Minas, e cada vez mais se multiplicam e não tem outro modo lícito em que se ocupem, e com estas limitadas
varas que fabricam de pano ajudam na conservação de suas fábricas que quase todas se acham empenhadas com dívidas aos comércios, e real fazenda que pelas diminutas conveniências que experimenta neste continente.153
153 “Inventário dos Teares existentes em Minas Gerais”. RAPM, nº 40, p. 121-122. (
Grifos meus).
Podemos perceber, analisando o documento acima, que as mulheres não se ocupavam dos trabalhos nas minas e nas roças destinadas ao cultivo de gêneros alimentícios para comercialização. Porém, o que mais nos chama a atenção é a classificação do exercício da tecelagem como uma ocupação lícita
em que se poderia empregar a mulher. Uma vez que ela estivesse envolvida nessa ocupação, as horas vagas entre as outras atividades que exerciam em casa, tais como cozinhar e lavar, não seriam fonte de preocupação nem para os familiares, nem para o Estado. Uma mulher “desocupada”, naquela época, tendia a se envolver em negócios ilícitos, como por exemplo, a prostituição.
Outra ocupação bastante comum entre as mulheres da colônia era a costura. Um recenseamento realizado em algumas localidades na Comarca de Vila Rica, em 1804, nos indica que muitas mulheres, principalmente as solteiras e viúvas, se ocupavam da costura para sustentarem a si mesmas e sua família.154 Um exemplo é a crioula Maria Gonçalves de Souza Portugal, de 66 anos de idade, viúva que vivia com suas filhas Sebastiana Catharina de Souza, de 26 anos, Thimothea Maria Guedes, de 44 anos e Josefa Maria Guedes, de 24 anos, que declararam todas viverem de “suas costuras” enquanto a filha Maria Cândida, de 18 anos, também aprendia o mesmo oficio.155 Mary Del
Priore cita o caso de Vitória do Nascimento, moradora na Vila de Sabará que, em 1762, quando fez seu testamento, afirmava ser “preta forra, solteira, além
154 No recenseamento foram levantadas as seguintes profissões exercidas pelos moradores da Comarca de Vila Rica, em 1804: Faiscadores, mineiros, negociantes, sapateiros, militares, alfaiates, costureiras (sendo um total de 94), carpinteiros, funcionários, ferradores e ferreiros, quitandeiras (47), lavradores, mendigos, latoeiros, eclesiásticos, músicos, lenheiros, fiandeiras (31), lavadeiras (28), padeiros, barbeiros e cabeleireiros, caixeiros, cozinheiros, advogados e solicitadores, carreiros, médicos, marceneiros, pintores, boticários, sacristãos, serralheiros, seleiros, capineiros, caldeireiros, hortelãos, cobradores, professores, escreventes, estalajadeiros, padeiros, andadores, relojoeiros, escultores, mascates, enfermeiros, estudantes, requerentes, tintureiros, tropeiros, feitores, parteiras (2), fogueteiros, viajantes, chupeteiros, sombreireiro, funileiro, entalhador, porteiro, serrador, livreiro (encadernador), madeireiro, companhia da Misericórdia, canteiro, carcereiro, armeiro, coronheiro, rendeira (1), esteireiro, caçador, doceira (1), alcaide, boleeiro, carrteiro, sirgueiro, torneiro, homem particular. Ver: MATHIAS, Herculano Gomes. Um recenseamento na Capitania de Minas Gerais. Vila Rica – 1804. Rio de Janeiro: Ministério da Justiça /Arquivo Nacional, 1969, p. 9. (Grifos meus).
de possuir crianças escravas, criava uma “enjeitada”. Viviam todos de costurar para fora.”156
Além da costura, outras atividades faziam parte do universo feminino desta Capitania. Cynthia Greive Veiga, baseada em um estudo de Rosa Virginia Mattos e Silva, nos apresenta uma tabela comparando as diversas ocupações exercidas pelas mulheres em Vila Rica (MG) no ano de 1804 e São Pedro (BA) no ano de 1775:
Quadro 4