não é desta forma, pelo contrário, é um pouco do que o Milton Santos colocava, é a globalização que exclui, é o global, mas que exclui o individuo que está excluindo e individualiza, porque o global era, pelo contrario, é o global no sentido de dizer: não, nós vamos ver a coisa como um todo, integral, o menino da escola ele começa a ter os conceitos desde a coletividade entre ele e o colega, até a coletividade maior do Estado, do País e de países e estados nacionais. Não é isso que a gente vê. Pelo contrario. É o liberalismo puro, da pior forma.
7. Existe algum aspecto que a APEOESP considere válido nesta Proposta Curricular?
Maria Isabel: Deles? É difícil considerar válido porque pelo método, já começa errado. O método que eu falo é o processo de construção da Proposta, para ser válido, ainda que eu discordasse, era preciso engolir porque ai foi coletivo, ai eu estaria sendo autoritária. Mas não foi isso que aconteceu. O que aconteceu é que
eles inventaram a Proposta, fizeram a Proposta, o governo fez e os professores não participaram, isso é autoritário.
Eles chegaram a dizer no documento que eles consultaram professores pra ver boas práticas e agregar a proposta, eu não vi isso acontecer e nem quem eu entrevistei viu isso acontecer.
Maria Isabel: E você vê na Proposta boas práticas?
Não! Só que me disseram que no site da educação teve um link escondidinho pra você sugerir...você viu isso? Porque eu não tenho certeza.
Maria Isabel: Se teve eles não divulgam, depois põe eles mesmos falando para eles. Se teve, teve de forma muito velada, que é o que eles fazem. Eles fazem velada, fecha de um dia para o outro diz que teve x números, mas a imprensa não é chamada a acompanhar. Porque quando a gente faz aqueles negócios para o professor votar, a gente chama a imprensa, fala: “Esta aqui ó!”. Agora não convém, cria uma opinião, porque olha uma coisa que eu botei fé, que eu achava, esse negócio de site, abri blog, primeiro porque eu vejo a opinião do professor abertinha, ele vem às vezes batendo em você, ai você tem a oportunidade de responder para ele. Depois você vê a volta, o professor volta e fala: “Poxa é verdade!”. Eu acho que é uma coisa muito boa essa..o professor esta sentindo vontade de interatividade, sabe aquela coisa de dizer, de eu quero falar, pronto, eu quero falar. Ai pega meu blog e desce no pau no governo. Entra que você vai ver. Eu não criei um blog pra dar cacete no professor, eu quero um blog exatamente para que ele fale, fale onde esta o problema e você vê claramente. Tem pessoas nessa categoria que defendem essa avaliação de mérito. Não é isso professor, não quer dizer que eu concordo, mas eu devolvo pra ele. Então você vê é uma riqueza muito grande, porque não abrir pra essa discussão é uma perda, porque você perde a oportunidade de acertar. Por que a gente erra, não é? Agora o que não pode é persistir de tal forma que não ouve o professor, não ouve ninguém, tampa o ouvido e fica lá, minha concepção é essa e ponto.
Do que você tem visto, você acha que os professores tendem a rejeitar a proposta?
Maria Isabel: Rejeitam, nossa mãe do céu! O negócio é meio que...eu não sei se não falam pra você porque tem medo, porque a lei da mordaça pra eles, é algo assim, mas pra nós falam viu? Reclamam, depois voltam para o sindicato, mas o sindicato somos todos. Por favor, eu fui eleita para vocês, mas não para substituir vocês. Naquilo que são vocês e naquilo que eu posso com o governo, então eu represento, mas tenho que ter a força, apoio. Porque se eu saio da SEE só com as arvores me aplaudindo, como é que eu posso? A praça está cheia de árvores e
vocês, onde é que estão? Eu falo, eu dou aquelas. A desunião dos professores é parte da política, fragmentação, toda essa divisão, isso foi pensado, é uma coisa muito bem orientada e tem a ver com o liberalismo. Não é só isso, é a concepção dos caras, de não deixar ninguém unido porque senão você não governa. Só que tem um detalhe, que não é frase minha, o Milton Santos falava isso: que tudo que é inflexível um dia se quebra. Você acaba usando tanto do método que acaba um dia se quebrando. Eu acredito muito nisso porque a outra secretária você viu, inconversável e tal e em pouco tempo ela levou o dela.
A impressão que eu tenho é que não mudou muito...
Maria Isabel: Não! Continua a mesma coisa, porém com mais jeitão do cara. O cara é político, já foi secretário, foi ministro, então o cara já tem um pouco do jeitão e isso engana, só que quando eu vi sexta feira – a nossa proposta é não iniciar o ano letivo e eu não tenho dúvida disso, o ano não começa, com esse jeito que ele está tratando, sabe porque? O professor vai dizer dane-se, eu não to perdendo nada! Vai perder o que mais? Fala que eu vou ganhar mais eu ganho menos, porque vai ter uma prova que até 20% vai poder ganhar 25% de aumento e 90% vai ficar fora. Eu já falei pra ele: eu sei o índice de greve: 90%. Eu falei : quer apostar? Quer pagar pra ver igual a Rose pagou em 2000? Eu era presidenta na época, é melhor você parar para pensar. É 80, 90%. O senhor unificou pra nós, é aposentado, efetivo e OFA..olha que legal. “Eu estou tranqüila Secretário, quem vai levar é o senhor!” E vai levar. Vai levar uma greve minha filha. Eu estou falando pra você a três, quatro meses antes, vai levar uma greve que para eles administrarem vai ser muito difícil. Vai levar, porque já está organizado todo o magistério e vai ser uma coisa bem lutada mesmo que é pra encher as paciências do cara. Ou o cara toma jeito, sabe, não é o grevismo pelo grevismo, é a greve que ele precisa tomar. A Secretária tomou uma greve, ficou com o narigão empinado, tentou dar um golpe em nós e meti ela na justiça, pronto, derrubei a prova dela, acabou, acabei com a graça dela. Dois meses depois ela cai, que ai ela fez também uma burrada atrás da outra. Ia pra televisão falava e depois dois Paraguai na apostila. Você acha que se tivesse gestão, o professor tivesse participado, tinha isso? Não ia ter, o professor sabe. Foi a equipe dela que fez, me poupe.
MARIA INÊS FINI – REDATORA DA APRESENTAÇÃO DA PROPOSTA