de São Paulo, apresentado pela APEOESP, que é necessário uma base comum para todas as escolas e lamenta que a construção da Proposta tenha sido feita sem a parceria com os professores e a comunidade escolar. Você concorda?
Professora Lisete: Olha, um pouco. Nós temos que saber o que é base comum, porque a base comum, eu diria pra você, ajuda os professores, sem dúvida nenhuma. Você ter propostas de conceitos que você acharia interessante e importante que crianças, jovens e adultos tivessem ao passar pela escola. Agora o que as apostilas fazem – que é isso uma questão que eu acho mais complicada – é dizer que só tem um jeito de tratar um conceito. Então eu concordo com a Maria Izabel sobre que não houve participação nenhuma. Não houve mesmo e nem o PSDB acha que isso é importante. Essa é uma tarefa de especialistas, não é uma
tarefa dos professores. Os professores são, por definição, incompetentes, mal formados. Vira um circulo vicioso, eles autorizaram as faculdades mal formadas, na gestão do PSDB foi a que teve maior legalização de escolas isoladas em universidades e, portanto, hoje eles mesmos autorizaram e defendem a formação de professores em menor tempo e, portanto estamos também pegando a conseqüência disso. Portanto não adianta apontar o dedo para o professor, porque pro dedo que se aponta para o professor tem 3 para o governo, no mínimo 3, o dedão fica pra gente discutir com quem vai ficar. Mas do ponto de vista concreto, não é só que não participou e não participa de nada, por convicção deles. É desnecessário, você chama o especialista que faz melhor e etc. Em segundo lugar porque eu acho que tem uma discussão: base comum pra mim é realmente você até pode pegar a experiência dos professores, combinar os pesquisadores com os professores da rede pra buscar conceitos que efetivamente sejam importantes que sejam comuns, isso é uma coisa. Agora se o trabalho, de uma forma ou de outra, isso entra evidentemente pelo direito individual e sagrado de cada professor – a medida que nós não temos mais o estímulo para que cada escola elabore o seu Projeto Pedagógico, evidentemente que o professor fica cada vez mais isolado, quer dizer, cada professor fica uma unidade como se ele fosse o decisor. Eu acredito numa proposta de escola em que o coletivo de professores, historia combine com geografia, que vai combinar com física, com química com artes, com português, pra nós termos uma proposta comum de como é que nós, no coletivo, vamos desenvolver esses objetivos que tem que ser comuns e que implica numa base comum de criação de cidadania. É isto que a Constituição também deseja e nós também. Pra isso as formas de eu chegar lá são formas diferenciadas, que não quer dizer um conteúdo único, lembrando que nós não vamos discutir e nem vamos disputar com os googles da vida, simplesmente a informação; nem vamos à lá Comenius discutir uma Didática Magna em que tudo seja tarefa da escola a transmissão. Por isso você tem que eleger conceitos que tenham a ver, por isso que a gente diz conteúdos significativos para cada grupo social que você está trabalhando. Porque ele é simplesmente uma estratégia pra você criar a dúvida, a curiosidade, o querer saber mais, o conhecimento da escola, nós sabemos disso, ele é superado historicamente. O que eu aprendi certamente não teria o mínimo sentido – mesmo sendo naquele momento histórico considerado uma boa base comum – ele não tem sentido hoje, como certamente a sua escola poderia ter sido fruto de uma discussão interessante que não serviria pra hoje. Agora certamente não é o governo que diz o que cada escola e toda escola deve fazer.
O que acontece é que as escolas param em função disso tudo. Chega um determinado momento em que o SARESP se aproxima e as escolas simplesmente param...
Professora Lisete: Atualmente você tem até cursinhos dentro das escolas para treinar para as pessoas responderem. No fundo você veja que é maluco, porque, claro o teste de múltipla escolha também tem uma lógica e, portanto, se eu treino um jovem pra respondê-lo, ou uma criança, ele cria, “algumas habilidades” pra responder testes o que é muito diferente para quem nunca respondeu. Então é uma contradição e uma maluquice, porque os professores têm deixado de fazer a sua avaliação e aquilo que a própria escola considera mais importante – tem deixado eu
também quero deixar claro que há escolas que estão resistindo, tem vida inteligente nas escolas – mas estou dizendo que isto é tão massacrante e é tão repetido e eu tenho ficado surpresa com uma adesão dos supervisores em relação a isso que tem se comportado cobrando que os diretores por sua vez cobrem os professores a aderir a Proposta de política e nós não estamos na Ditadura Militar – e é interessante você ver isso – é uma tentativa de alinhamento que nem no Governo Militar nós tivemos, eu fico um pouco surpresa com isso. E, portanto, apesar das pessoas dizerem “É, mas hoje eu uso o convencimento” está mais pra coação do que propriamente convencimento. A pressão é muito grande, sem dúvida nenhuma. E se você não atingir a meta, etc., veja bem, você trabalha de uma forma autônoma e nós na escola toda, que somos prejudicados, porque não vamos ganhar o 14º. etc. E eu vou te dizer, a muitos anos, não é de agora, e essa tentativa do governo também não é a primeira, mas eu vou te dizer, nós estamos tendo uma certa generalização e eu lamento profundamente, e aceito inclusive às vezes por alguns colegas nossos da Universidade Pública, desta relação entre a premiação salarial dos professores em relação ao atingimento de determinadas metas que todas elas são feitas sempre de forma externa, não são metas que a escola se pôs ousadamente para enfrentar problemas que ela quer, mas efetivamente um procedimento que como, vamos supor em São Paulo, R$2.500,00 não é uma coisinha a toa pra nenhum professor. Estou falando que no ano passado nós, no inicio de janeiro, nós levantamos e a média era de R$2.500 a R$3.000 que os professores receberam, nós não achamos nenhum com R$6.500, a não ser um Delegado de Ensino. Então, agora, R$2.500 garante os 10 dias de férias na praia que os professores tem com a sua família. Então você tem também uma pressão familiar pra que a professora e o professor não deixe de receber este dinheiro, que aliás era do salário dele mesmo e foi chamado 14º. exatamente como uma motivação ao enquadramento. Eu acho bastante perigoso você vincular metas à premiação salarial. Salário é uma coisa muito complicada e isso levará, na minha opinião, a redução progressiva, como a gente já esta vendo, dos trabalhos coletivos, da importância dos trabalhos coletivos na escola, porque o que interessa é que eu consiga a minha meta e acabou. E cada um deve procurar por si, não tem nenhum outro compromisso nessa direção. Por isso acredito na importância dos sindicatos, dos grupos que atuam dentro da escola, de conselhos de escola que os pais e os alunos se manifestem de uma forma, eu diria, mais ativa porque é preocupante.
4. A Proposta apóia-se no conceito de competências que aparece na LDB e