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Kullanılan Pd(II) Bileşiği ve Trozin Kinaz İnhibitörü Canertinib ile

4. BULGULAR

4.4. Kullanılan Pd(II) Bileşiği ve Trozin Kinaz İnhibitörü Canertinib ile

De acordo com os relatos obtidos nas entrevistas a capital paraibana vai ver o surgimento do graffiti na década de 90. Encontramos nas falas dos 7 grafiteiros entrevistados a citação de três pessoas que foram importantes para o desenvolvimento do graffiti na capital paraibana que são GigaBrow, Shiko e Múmia. Esses personagens em momentos distintos na história recente da cidade contribuíram para a propagação do movimento. O primeiro deles é considerado o precursor desta atividade. Antes de GigaBrow não encontramos relatos de outra pessoa praticando o graffiti na cidade de

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João Pessoa como nos relata o grafiteiro Paul Klee19: O que eu sei assim começou, se não me engano, começou em 1993 por ai até tem um cara tipo assim é um dos veterano assim, e até hoje ele grafita, ele é tipo vovô. É GigaBrow. Ele é muito conhecido no graffiti aqui em João Pessoa. Em João Pessoa ele é o cara conhecido pra caramba, gente boa geral.

O relato de Picasso nos mostrar este pioneirismo e também fala de um fortalecimento atualmente desta pratica, ele diz o seguinte: Agora GigaBrow que é um

dos mais antigo em graffiti mesmo, a uns 10 mais ou menos, a uns 11 anos atrás só tinha o Giga mesmo, ai foi aparecendo outra galera. Ai hoje ta bem forte o movimento de graffiti aqui em João Pessoa.

O próprio GigaBrow nos conta que a sua trajetória vai se iniciar por volta dos anos de 1990, 1991 que foi quando começou a fazer algumas pichações pela cidade. Ele já tinha gosto por desenhar desde sua infância. Em seu relato ele deixa claro que foi influenciado desde pequeno por um irmão que sempre gostou de trabalhar com desenho. Neste ambiente ele acabou ganhando gosto pela pratica do desenho já quando pequeno, e este gosto ele passou a incorporar nas suas intervenções: Isso foi lá pra 91, 90 alguma

coisa assim. Em 91 eu comecei pichando. Ai eu já desenhava desde de criança que eu vinha desenhando. Tem um irmão meu que faz. Hoje em dia ele faz escultura com vidro tal. Ai o bicho já desenhava, ai eu cresci perto de uma pessoa que desenha, ai consequentemente, ai toda criança gosta desenhar, de pintar, de tinta. Ai ele deve ter instigado me estimulou, ai isso com uns 9 anos. Ai desde boy eu desenho, já vinha desenhando na escola através dele, ai nas minhas pichações eu pegava e fazia uma cabeça, ou então fazia um morcegão. Percebe-se que a partir de um gosto de infância e

influenciado pelo irmão ele com o tempo passa do espaço escolar, para o espaço da rua onde ele encontra nos muros um bom suporte para as suas produções.

Como esta era uma pratica noturna, e que envolvia certo aspecto “marginal”, este desenho de morcego além de ter relação a uma característica biológica desta espécie de mamífero tinha também um sentido que conotava a noite. A pratica “furtiva”

19 Para preservar a identidade dos informantes, troquei os seus nomes originais por pseudônimos ligados a

artistas famosos. No caso dos grafiteiros foram usados os nomes de artistas modernos (Paulo Klee, Picasso, Van Gogh, Tarsila do Amaral, Salvador Dali, Warhol, Duchamp). Quando me refiro aos pixadores utilizei o nome de artistas pré-modernos (Leonardo da Vinci, Rafael, Michelagelo, Giotto). De certa forma as produções dos grafiteiros e pixadores consultados nesta pesquisa se aproximam do estilo usado por cada um desses grandes nomes da arte.

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e silenciosa da pichação ocorria em um horário onde o fluxo de pessoas perambulando pela rua era pequeno como nos mostra o próprio GigaBrow em sua fala: A gente tinha o

costume de sair umas 7 horas, seis e pouco, o horário quando todo mundo entra pra jantar. Quando tem assalto. A maioria dos assaltos se você for ver é nesse horário mesmo. Que já é uma parada criminosa mesmo né, que a gente ia pichar. Ai não vamo pegar esse horário, que isso fica melhor. Marginal mesmo. Ai saia. Ai eu viajava nos morcego porque é nessa hora que os morcegos saem, ta ligado, de noite. Ai sai o morcego ai eu ficava desenhando. Ai a gente saia no horário dos morcegos eu ficava olhando eles sair. Pegava e fazia esse morcego ou então fazia uma cabeça como se fosse um pensador.

No principio estas intervenções aconteciam de uma forma monocromática, mas com o tempo estas intervenções começam a ganhar cores. Como ele já trabalhava em uma oficina onde se restaurava para-choque de carro, era deste emprego onde conseguia dinheiro para comprar o spray para as suas intervenções. Com o tempo ele passa a utilizar as sobras do material utilizado na pintura de pára-choque e passa a incorporar elementos coloridos em suas intervenções. Tempos depois passa a se envolver com o movimento Hip-Hop, mais especificamente com o grupo Realidade Crua, e como um dos elementos deste movimento são as intervenções por meio do graffiti20 passa a atuar no grupo como grafiteiro.

Atualmente GigaBrow atua no cenário paraibano de diversas formas, ele próprio se afirma como um artista multimídia desenvolvendo trabalhos além dos campos do graffiti - como na produção de alguns vídeos21 -, ele também atua no desenvolvimento de projetos educativos ligados a arte. Ele próprio se define da seguinte forma: Eu digo

que eu sou um DJ, um B-Boy, um MC, um Grafiteiro, uma produtora, uma ONG, e um Deputado Federal para as próximas eleições. Por que tem gente que tem a vontade de fazer alguma coisa ai faz.

Percebe-se assim que o caminho de GigaBrow para o graffiti vai passar por estas etapas onde ele tem a influência do seu irmão, onde a partir do emprego na oficina onde pintava para-choques consegue no inicio o material necessário para as intervenções, e

20 Além do graffiti o movimento Hip-Hop é formado por mais três elementos que são o Rap, o Break, e a

discotecagem ou o DJ.

21 Um destes vídeos é possível encontrar no seguinte endereço da internet:

http://www.youtube.com/watch?v=fJw1TKE8QGE&context=C4e8fde1ADvjVQa1PpcFP9vlDSu_hrBf4 BXI7MqEapd9WtQxdXuK0=

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por fim o movimento o Hip-Hop onde ele encontra um campo de ressonância (principalmente no inicio) para as suas produções. Todos estes fatores contribuíram para a formação do “artista” que ele é hoje em dia.

Por volta da segunda metade da década de 90, mais especificamente no ano de 1997 chega ao bairro da Torre um sujeito chamado Shiko, que trabalhava pintando pranchas de surf, capacetes, fachadas de lojas utilizando um aerógrafo (pistola de tinta ligada a um compressor). Natural da cidade de Patos onde já produzia alguns desenhos para tatuagens e camisetas, assim como também produzia um Zine chamado Marginal Zine, começa aqui em João Pessoa a fazer trabalhos comerciais por meio da aerografia (ou como é denominado em inglês airbrush). Como esta técnica possui uma aproximação técnica com o graffiti, isto faz com que Shiko passe a utilizar o spray, e a partir disto ele desenvolve suas intervenções na rua. Com o tempo deixa de lado a aerografia e se foca no graffiti. Como ele mesmo nos fala: Deixa eu vê, eu comecei... eu

comecei fazendo aerografia, que é uma técnica parecida assim, que usa uma pistolinha de ar, mas pinta mais camiseta, capacete, fachada de loja e tal... e ai, e ai tem uma aproximação técnica com o graffiti, ai acho que logo em seguida eu comecei a usar, a usar o spray mesmo e pintar na rua, e ai fui abandonando assim a aerografia e fui ficando no graffiti, comecei ali na torre onde que era onde morava na época.

Shiko é um artista que expandiu muito os seus horizontes hoje em dia ele atua como artista plástico, ilustrador, e quadrinista, já tendo participado de diversas exposições pelo mundo. Entre os seus trabalhos se destaca o trabalho feito em forma de HQ chamado Blue Note. Este trabalho lhe abriu as portas para participar de uma homenagem para o quadrinista Mauricio de Souza no livro MSP 50. O que lhe rendeu um convite do pai da turma da Monica para fazer parte do Graphic MSP, onde serão publicadas edições contendo cada qual uma história completa produzida por ilustradores com traços mais maduros. Algo distinto dos traços infantis que conhecemos. Shiko irá abordar a história de Piteco, e este trabalho deve ser concluído neste ano de 2012.

Um pouco depois surge mais um nome de destaque para o graffiti em João Pessoa, Múmia. Natural de Paudalho cidade do interior pernambucano, na segunda metade da década de 90 ele se muda para a capital de Pernambuco. No inicio na cidade de Recife ele atuava como pixador, após um tempo entra em contato com alguns grafiteiros e inicia algumas intervenções neste sentido. Após isto ele se muda para a

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FOTO: PAULO SERGIO BOMBER

cidade de João Pessoa onde intensifica a pratica do graffiti, e permanece nela até os dias de hoje passando a viver da sua arte como ele mesmo relata: Desde de pequeno que eu

desenho e tal. Ai quando passei a morar em Recife. Que eu sou pernambucano, eu nasci em Paudalho interior de Pernambuco. Ai quando mudei pra Recife eu conheci uma galera La do graffiti e comecei a chegar junto e fazer. Inclusive fiz umas pixações na época lá. Ai como profissão mesmo em torno de 6 a 7 anos. Dois anos foi só de “maloqueiragem” e tal. Ai mudei para João Pessoa, ai conheci o resto da galera e começou a rolar ainda mais aqui né. E ta rolando até hoje.

Ele conta também que no inicio, quando aqui chegou, não encontrava muitos grafites nos muros. O que segundo ele tinha mais era os Bombers, que vem a ser uma espécie hibrida que fica entre a pichação e o graffiti onde as Tags (nomes) são produzidas de uma maneira mais estilizada, multicolorida. Onde as letras vão possuir um formato “mais” elaborado. Como é possível ver na imagem abaixo:

No começo Mumia fazia estes bombers, segundo ele isto serviu como uma forma de reunir a “galera”, a partir deste tipo de intervenção se começou a buscar uma organização maior naquilo que era produzido nas paredes, “evoluindo” até o graffiti como vemos hoje em dia: quando cheguei aqui quase não tinha graffiti, na verdade

tinha uns bombers, que a galera fazia. Ai tinha uns bombers, que bomber é a evolução da pixação na verdade. A galera faz ainda sem autorização, mas é aquele estilo de letra mais elaborado. Ai na época eu também comecei a fazer uns bombers com galera

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FONTE: COLETIVO PARAÍBA

tentando elaborar umas coisas a mais. Fui conhecendo a galera reunindo, organizamos como produção, e fomos lá de pega a parede toda e fazer uma história com a galera. E de lá pra cá a parada foi evoluindo. (Fala de Mumia)

Estas três figuras (GigaBrow, Shiko, e Mumia) podem ser consideradas figuras primordiais para o surgimento do graffiti aqui em João Pessoa. E no início são os principais graffiteiros da capital paraibana, foi a partir deles que as intervenções de graffiti começam a se espargir, e se popularizar na capital paraibana. (SANTOS, 1999).

É difícil dizer hoje em dia um número exato de quantas pessoas praticam o graffiti na cidade de João Pessoa. Ao observar em um site de relacionamento uma comunidade virtual que dizia reunir os grafiteiros da capital. Foi possível constatar cerca de 170 membros que dela fazem parte, mas este número não reflete a realidade, no registro fotográfico realizado por mim encontrei o número de 18 tags22 de grafiterios. Contudo em um cartaz onde foi divulgado um mutirão foi possível constatar mais de 30 nomes.

22 Estas são: LEGO, BOB, SIC, GIGABROW, CYBER, G2, ROSS, PATO, MUSEU, WITCH,

DEDOVERDE, BAIANO, THREK, MEIACOR, MUMIA, SHIKO, DERBY BLUE, DAYSE, PERFECT.

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A dificuldade de saber apenas olhando para os muros quantos grafiteiros existem em João Pessoa decorre de alguns empecilhos. Um deles seria de saber que é realmente daqui ou quem é de fora no cartaz do mutirão, eu sei que pelo menos um dos grafiteiros é da cidade de Campina Grande. Outro ponto é utilização de Tags diferentes pelo mesmo grafiteiro como é o caso de Shiko que também assina em algumas ocasiões Derby Blue. Além disso, existe o fato de que algumas pessoas se dizem grafiteiros, mas nem sempre são reconhecidas pelos outros. Esse reconhecimento depende de uma atuação sistemática na arte. Afirma VAN GOGH que: Numa comunidade que tem lá no Orkut, Grafiteiros de João Pessoa, se não me engano tem trezentos e poucos, agora só que acontece o seguinte quem realmente faz acho que é dez por cento, quem realmente faz é dez por cento tá entendendo, é que o pessoal assim tem uma oficina faz uma artesinha ai se acha grafiteiro.

Mesmo sem saber um número exato de praticantes, pode-se dizer que este movimento vem se expandindo não somente na capital, mas em todo o Estado. Esta expansão acontece devido a certos fatores como: o trabalho realizado nos muros pelos três expoentes desta atividade (GigaBrow, Shiko, e Mumia), que a partir destas produções começam a desenvolver outras atividades remuneradas ligadas ao campo da arte. O que atribuiu a este movimento um reconhecimento da sociedade paraibana passou a ocorrer uma aceitação desta manifestação como sendo arte, acontecendo inclusive algumas exposições que colocam o graffiti em destaque.

Outro ponto de destaque é a expansão do movimento Hip-Hop – não só em João Pessoa como em todo o país – que incorporou o graffiti como uma de suas formas de expressão. Sempre nos eventos ligados ao Hip-Hop existia alguém grafitando, isto ocasionou a divulgação e ampliação deste tipo de intervenção como bem nos mostra Tarsila do Amaral: Quando começou essa historia de hip-hop, creio eu que foi assim,

ai o pessoal começou a se mobilizar e a fazer porque é um dos quatro elementos né, ai pra complementar as historias quando tinha show sempre tinha uma pessoa graffitando também, ai eu sei que de uma hora para a outra bombou, tinha menina, menino, pirralho, homem, velho, todo mundo fazendo e hoje tem dezenas de graffiteiros aqui em João Pessoa.

Outro fator é que começam a ser desenvolvidas oficinas de graffiti, assim como também surgem o apoio e o “patrocínio” para que fossem feitas intervenções em locais

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públicos como praças, escolas, viadutos, entre outros. O apoio a estas intervenções vem em muitos casos do Estado ou da iniciativa privada. Um exemplo é uma campanha contra o tabagismo realizada no ano de 2009 e 2010 onde a Secretaria Estadual de Saúde (SES) e a Agencia Estadual de Vigilância Sanitária (AGEVISA) promoveram o I e segundo II Festival de Grafitagem. Estes eventos tinham em vista o combate ao tabagismo. Os grafiteiros faziam as suas produções com esta temática para concorrerem a uma premiação dada por estes órgãos governamentais.

Não podemos dizer que foi um único fator que proporcionou a expansão atual deste movimento, mas sim estas três características contribuíram – cada qual com seu peso e especificidade – para que hoje em dia se encontre de forma mais efetiva estas intervenções de graffiti em diversos lugares da cidade de João Pessoa.

A faixa etária dos praticantes desta manifestação varia muito. De um lado observamos um aumento de adolescentes com seus 14, 15 anos que entram nas oficinas e a partir delas se engajam no movimento. E em outra extremidade vão se situar aqueles praticantes que já se encontram há algum tempo na “Rua”, ou seja, aqueles que já são adultos e passaram dos 30 anos. Entre os meus entrevistados a faixa de idade vai abranger dos 18 até os 33 anos.

No que diz respeito ao gênero, a predominância é masculina, nas minhas entrevistas e observações feitas na rua foi possível identificar cerca de sete a oito mulheres praticando a atividade em João Pessoa, o que é visto ainda como um número muito incipiente quando comparados a outros Estados, como o Estado de Pernambuco onde obtive a informação que existe uma Crew (grupo) chamada Só Calcinha Crew, que conta com um número aproximado de 20 mulheres.

Como visto no relato dos “precursores” do graffiti em João Pessoa as formas de entrada e as trajetórias de seus membros nesta atividade ocorrem de formas distintas, como é o caso de GigaBrow e Múmia que iniciaram com a pichação e com o tempo passa a fazer grafites, outras pessoas já trabalham com arte e com o tempo começam a usar a rua como uma forma de divulgar esta arte - foi o que aconteceu por exemplo com Shiko. As oficinas de graffiti hoje em dia são um dos motivos das pessoas entrarem nesta atividade, como ocorreu com Salvador Dali: Tudo começou a partir de uma oficina de graffiti em uma escola, no ano de 2001, ai dali surgiu o interesse comecei a buscar... a partir da oficina, rolou a oficina, ai eu me interessei, já gostava de

64 desenhar. Gostei da arte do graffitie comecei a me interessar. E também com Van

Gogh: Minha história no graffiti se deu a partir assim que eu fiz uma oficina. Ai a

partir dessa oficina despertou assim o desejo de começar a grafitar. Ai eu comecei a fazer graffiti na rua, simplesmente com pincel, lavável. Ai depois assim, com contato com vários grafiteiros fui aprendendo técnicas novas até fazer o que eu to fazendo hoje.

Há também aqueles que entram por meio do convite dos que já estão há mais tempo na atividade como é o caso de Tarsila do Amaral que nos diz o seguinte: bem,

tipo assim, eu sempre desenhei, fiz artesanato, ai muito tempo atrás, há muitos anos atrás, assim uns dez, quase, oito anos atrás, a gente tava lá no centro, tava tendo Centro em Cena, ai Ginaldo, e Leonardo que canta no, que cantava no Realidade Crua eles estavam fazendo graffiti nesse tempo, quase ninguém em João Pessoa fazia, ai vamos, vamos, vamos fazer um graffiti ali, a gente saiu pelo centro e eu fiz o meu primeiro graffiti, ai passou muito tempo, ai nunca mais fiz, mas sempre pintando parede mas em casa, ai passou um tempo e quando foi agora no final de 2007, ai Ginaldo que é Gigabrow, é bem conhecido, ele ficou me chamando e me incentivando, e Leonardo também continuou dizendo “vai que tu sabe fazer, não tem menina fazendo, vai fazer, vai fazer”, ai eu: “eu tenho pena de gastar com esse material é muito caro não sei o que”, Gigabrow fez uma oficina e disse “bora tem material” ai a gente foi e ai eu comecei.

Algo que se destaca neste tipo de manifestação é a relação com o nome. Na maioria dos casos observa-se a utilização de Tags (apelidos) que se situam como uma assinatura na sua produção. Muitos destes apelidos ganham uma conotação de um novo nome, uma nova identidade, já que eles acabam sendo reconhecidos muito mais por estes “nomes da rua” do que por seus verdadeiros nomes, ou seja, eles se chamam por esses apelidos. Mesmo os que são próximos uns dos outros e conhecem os nomes originais se tratam pela Tag. A escolha deste novo nome é algo que varia, em alguns casos esta atrelada a uma característica física ou psicológica, em outros casos são escolhidos apelidos que lembrem o nome verdadeiro, ou então um apelido de infância, uma situação inusitada. Enfim muitos são os motivos descritos por eles. Tarsila diz o seguinte: eu assino este nome porque uma amiga certa vez colocou este apelido e eu

gostei, e ele também se parece com o meu nome. Já no caso do grafiteiro Dali a sua assinatura vai ter a ver com as suas características físicas. É interessante notar que observando os muros percebe-se que este movimento de colocar outros nomes vem

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FOTO: PAULO SERGIO

perdendo a sua força. Esta característica que vem desde o surgimento do graffiti começa aos poucos a se modificar já é possível encontrar produções nas paredes onde são assinados os “nome originais”.

A prática da grafitagem é em geral realizada de forma individualizada. Nas entrevistas constatou-se que existe hoje em dia na capital da Paraíba apenas um grupo (crew) de grafiteiros (Evolução Graffiti23) atuando. Os entrevistados afirmaram que em outros tempos existiam mais delas só que com o tempo foram se desfazendo: em