4. BULGULAR
4.12. HCT-15, HT-29 Hücrelerinde Pd(II) ve Canertinib Bileşiklerinin Anjiyogenez
Entre pixadores e grafiteiros a faixa etária será algo distinto no que diz respeito aos graffiteiros temos uma faixa etária bem variada, até mesmo por conta das oficinas ofertadas, temos adolescentes em uma das extremidades com seus 14, 15 anos, e em outra ponta se têm adultos que já passaram dos trinta anos. Entretanto é importante salientar que mesmo aqueles que já passaram dos trinta anos iniciaram na atividade na sua juventude. No caso da pixação se observa que esta é uma atividade com uma predominância juvenil, onde seus praticantes mais antigos são em sua maioria jovens de 18, 19, e 20 anos que entraram muito novos nesta atividade com 10, 11 anos de idade.
Ambas as manifestações possuem como característica a utilização de Tags, que são os apelidos nos quais o pixador deixa a sua marca, e o grafiteiro assina a sua obra, estes apelidos ganham a conotação de um novo nome, uma nova identidade, pois eles acabam sendo reconhecidos muito mais por estes “nomes da rua” do que por seus
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verdadeiros nomes, ou seja, eles se chamam por esses apelidos mesmo aqueles que são próximos uns dos outros e conhecem os nomes originais se tratam pela Tag. A escolha deste novo nome é algo que varia muito em alguns casos esta atrelada a uma característica física, outros casos são escolhidos um apelido que lembre o nome verdadeiro, ou então um apelido de infância, uma situação inusitada, enfim muitos são os motivos descritos por eles.
O fato de eles utilizarem outros nomes promove um anonimato, a utilização de tags é uma forma de não ser descoberto pelo poder publico e também pelos proprietários sobre a autoria da “obra”, mas entre eles este é conhecido, pois eles partilham dos mesmos signos, esta inserida na pratica destas intervenções um segredo, que só os que estão dentro sabem desvendar32. Este relativo anonimato também vem do fato da produção não ser de ninguém, de tanto a pixação quanto o graffiti se tornarem uma coisa pública, onde não se pode depois de feita vir alguém e requerer o direito de propriedade sobre ela, como bem fala MARCEL DUCHAMP: acho que tem a ver com
desapego também, porque, quando você faz na rua instantaneamente aquilo deixa de lhe pertencer, não quer que tenha dono, aquilo não é de ninguém, aquilo, eu fiz na rua a rua não é minha aquilo não é de ninguém. No caso do graffiti o reconhecimento entre
eles é algo que distingue da pixação até porque esta ultima é ligada ao nome o que é distinto no graffiti, sendo assim no graffiti mesmo que uma produção não esteja “assinada” eles reconhecem quem foi o seu autor, pois cada um possui algum tipo de “personagem” especifico, e um estilo de traço que é reconhecido pelos demais praticantes do graffiti na capital paraibana ou em qualquer outro lugar. O próprio GigaBrow tem utilizado um traço em suas intervenções mais ligado a arte Naif, assim mesmo que ele não “assine” é possível identificar as suas obras pelo estilo que ele utiliza.
A relação entre as duas manifestações foi abordada no transcorrer das entrevistas. Como já dito as duas manifestações são “irmãs”, elas nascem e se desenvolvem praticamente juntas. Ambas vão possuir uma linha muito tênue que as diferenciara. Por causa dessa proximidade existe nelas uma grande ambiguidade e
32 Apesar de ser esta uma característica importante destas manifestações este trabalho não se propôs
analisar a questão do segredo dentro destes grupos. Em relação a este tema o trabalho de Angelina Duarte (2010): A sociedade “secreta” de pichadores/as e grafiteiros/as em Campina Grande – PB. Mesmo
sendo feito em outro contexto faz uma excelente analise de como funciona o “segredo” nos grupos de pichadores e grafiteiros.
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devido a isto se não forem tomados os devidos cuidados acabamos por configura-las como sendo uma coisa só.
Como vimos nos relatos alguns grafiteiros vão se iniciar neste tipo de intervenção a partir da pixação. Entretanto mesmo com essa experiência dos praticantes a relação entre as duas manifestações transcorre de maneira dúbia, as posições de pixadores e grafiteiros em relação à outra manifestação é algo diferenciado individualmente não se tem um discurso determinante. Já que em ambos os lados existem sujeitos que são contrários e a favor da outra manifestação. Como é o caso de RAFAEL que diz o seguinte: Hoje em dia pra mim eles são um bando de otário,
porque eles se venderam pro governo e fazem campanha anti pichação, sem falar que eles não respeita os muros chega e atropela por que na rua você tem que respeita. E no
lado dos grafiteiros o relato de TARSILA que tem a seguinte visão sobre a pixação:
Não curto, nunca gostei acho babaquice, tipo assim quer ficar famoso bota uma melancia na cabeça, mas ai sai escrevendo pixando, não acho legal não.
O interessante é que em ambas as manifestações existem falas a favor da outra forma de intervenção em ambos os lados principalmente por causa dos bombers, que é uma espécie de fase intermediaria entre a pixação e o graffiti, ele possuiu como característica um pouco da policromia do graffiti e do fato de enfocar a letra e o nome, característica esta proveniente da pixação, ambos os lados vêem os bombers como algo positivo como nos diz GIOTTO: o graffiti é melhor que a pixação para mim, é um negocio muito difícil de fazer e é um negocio meio gay, xeio de cores coloridas, mas acho bom o graffiti, sem essas cores ai, só o graffiti de uma cor mesmo.
No graffiti também não se têm um discurso de ir contra a pichação, alguns enxergam a pixação como um tipo de arte inacabada, um esboço do graffiti como afirma VAN GOGH: a pichação é considerada vandalismo, mas a partir da pichação eu
tenho hoje, assim que se eu ver uma pichação aquilo ali pode ser transformado em graffiti com aquela mesma tag que ta feito lá é só colocar cores em cima, a pichação pra mim é o esboço do graffiti. Um ponto de destaque é que na fala de alguns ex-
pichadores que se tornaram grafiteiros eles alegam que não aconselham ninguém a cometer esta prática, existe um tipo de persuasão para que abandonem o picho e passem a grafitar. Talvez de forma inconsciente os grafiteiros reproduzem um discurso que discrimina a pixação. E este discurso é algo que já tem ressonância entre os pixadores
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por que alguns deles vão enxergar a manifestação do graffiti como uma saída, bem como relata MICHELANGELO: O graffiti é a saída da pichação. Eu acho moh da hora. To começando no graffiti também. Já tem uns dois bombers meu por ai.
As duas manifestações buscam a mesma coisa, ocupar o espaço dentro da cidade, logo esta busca se torna em alguns casos uma disputa por este espaço ocasiona logicamente situações de conflito quando algumas pixações atropelam os graffiti e estes últimos também são elaborados por cima da pixação, mas que são resolvidos na base da conversa como nos mostra MICHELANGELO: a gente foi fazer um grapixo da
família no busto, tinha um graffiti, com a metade apagada, a gente botou por cima, até porque o graffiteiro era parcero, e tava apagado. Mas ai o outro dia, uma pa de grafiteiro vem imbaçar, e botaram outro grafite por cima do nosso. Mas ai rolou um papo cabeça e a gente deixou pra lá.
Entre as duas manifestações acontecerá um fenômeno interessante. A “aceitação” da sociedade em relação ao graffiti vai promover de maneira gradativa um olhar negativo sobre a pixação. Hoje em dia existe uma maior aceitação do graffiti pela sociedade em geral, diferente do que acontecia em outros tempos quando esta atividade era mais marginalizada e discriminada. Este fato se devia em parte por causa do graffiti ser interpretado como sendo a mesma coisa que pichação, como nos fala PAUL KLEE:
antigamente era mais pau, a discriminação era grande, muitos não entende porque a discriminação. Mas assim eles só discriminam mais por causa da utilização do spray chama logo de pichador, acha que vai fazer vandalismo ali saca. Mas eu nunca vi um camarada parar com dez, quinze lata de spray pra fazer uma pichação não tem condições, ficar uma hora ou mais ali pintando pra fazer o risco não tem condições.
Esta visão de que ambos (pichação e graffiti) seriam a mesma coisa acabava por ocasionar também em um preconceito e uma perseguição da parte da policia aos grafiteiros fazendo com que a pratica fosse feita apenas no período da noite como afirma SALVADOR DALI: Antigamente dava muito rolo com a policia, oxe
antigamente a gente saia pra pintar só podia ser a noite, chegava a noite era aquela adrenalina, não podia vê uma viatura da policia que encostava na parede e mandava parar o trabalho.
Em 26 de maio do ano passado a presidente Dilma sancionou uma lei que havia sido aprovada na câmara dos deputados onde se diferencia a prática da pixação, da
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prática do graffiti alterando a legislação anterior que tratava como equivalentes e com as mesmas punições os atos de pichar e o de grafitar, além de também só permitir a venda de tinta spray para maiores de 18 anos33. Na cidade de João Pessoa também foi sancionada em fevereiro de 2012 a Lei nº 12.344 que como finalidade o combate a pratica da pichação, e conscientização dos cidadãos dos “malefícios” desta prática. Um dos pontos de destaque desta Lei é que ela fala em estimular e divulgar boas iniciativas relacionadas com a promoção da qualidade visual, e para isto promover práticas artísticas como o graffiti ou pintura contribuam para uma melhoria da qualidade visual do ambiente urbano34. Assim notamos que esta lei também vai tratar do graffiti como um “remédio” para combater a “pichação”.
Além disso, como já foi anteriormente dito, ocorreu uma expansão da atividade,
com as ações do Estado como oficinas e intervenções em praças passou-se a conhecer melhor a atividade, outro fator que contribuiu foi o fato do graffiti passar a ser tema ou então ter obras expostas em galerias e museus. Isto acabou por divulgar e lhe dar uma conotação artística, não quer dizer que antes esta conotação não lhe era atribuída, mas as exposições fazem com que a sociedade passe a enxergar o graffiti de outra forma como nos diz TARSILA: é bom acontece que o pessoal começa a ver com bons olhos,
entendeu, o graffiti, começam a valorizar mais... respeitam mais.
Mesmo assim, hoje em dia quando se tem o “graffiti” dentro das galerias e dos museus, ou seja, dentro dos locais que estipulam e definem o campo artístico, ele agirá como um agente estrangeiro, ocorre uma apropriação destes locais, os grafiteiros se inserem nestes espaços para transgredi-los, “difamá-los”, é apenas mais uma plataforma para inserir suas produções mas nunca abandonando a sua origem que é a rua, isto fica bem claro no relato de DUCHAMP: então isso é arte, isso é vandalismo, isso tem
valor, isso não tem valor, bom perdido ai nesse caldo restou as instituições e as galerias, tentarem moldar em um formato que coubesse nas suas paredes, só que os grafiteiros mantiveram o discurso de que não sou contra expor na sua galeria, eu quero me apropriar de todos os espaços que eu puder me apropriar e isso vai da rua ao museus, mas o fato, é muito comum o pensamento de que o grafiteiro pinta na rua como se a rua fosse uma plataforma para ele chegar em um lugar melhor, em um lugar maior
33 Fonte: http://www.rapnacional.com.br/2010/index.php/noticias/a-presidenta-dilma-sanciona-lei-que- diferencia-grafite-de-pichacao/
34 Fonte: http://www.cmjp.pb.gov.br/Noticia/4304_lei-municipal-institui-a-politica-municipal-contra- pichacoes-no-municipio-de-joao-pessoa
79 que é a galeria, enquanto na verdade o artista ele ocupa o espaço da instituição, mas ele não tem a menor intenção de sair da rua.
Nos últimos anos visitei algumas exposições na cidade que tinham o graffiti como tema ou então com alguma obra em seu acervo, o que pude perceber é que quando esta manifestação é colocada em um lugar como este ela fica isolada, individualizada, não acontece um dialogo com as obras que estão ao seu lado, com a superfície que esta inserida, a atmosfera silenciosa destes espaços, a forma como as pessoas circulam observando-as, tudo isto afeta na percepção do publico, diferente do que acontece na rua onde elas dialogam entre si, ela irá complementar ou então negar o meio ambiente que a cerca, a forma de percepção destas é distinta, as pessoas passam em um corre-corre diário, nunca se sabe onde se irá encontrar alguma obra pode se virar uma esquina e dar de cara ela, os sons e a própria rua irão determinar uma atmosfera diferente da que se tem nos espaços legitimados da arte.
Existe uma grande ambiguidade no discurso dos grafiteiros em relação ao graffiti que é produzido em galerias e o que é feito na rua, alguns enxergam o graffiti como sendo também estes expostos em locais fechados, mas a maioria vai dizer que aquilo que é produzido por eles e depois exposto em um local fechado não pode ser chamado de graffiti. Este tipo de produção que se “isola da rua” é visto como uma “falsificação” deste tipo de intervenção. A pesquisadora Célia Maria Antonacci Ramos (1994) vai definir este tipo de intervenção fora da rua como sendo um “Pseudograffiti”, ou seja, é algo que se parece, mas não é, sendo visto como outro tipo de coisa. Em seus discursos os próprios grafiteiros não vão nomear alguns deles vão falar em arte contemporânea, outros em arte plástica, arte moderna, arte urbana, e por ai vai. Independente do nome que se da, uma coisa fica clara é que estas intervenções em locais fechados é algo diferente das que são produzidas na rua como nos fala WARHOL: O graffiti é a viagem de se expressar na rua, isso não é graffiti não, é
qualquer coisa. Isso é graffiti se ficar na rua.
Enquanto acontece um processo onde se tem uma “legalização” e “aceitação” do graffiti, o oposto se da com a pixação que cada vez mais, passa a ser encarada como um ato de vandalismo, sofrendo uma rejeição por boa parte da população que a encara como algo negativo que denigre e suja o espaço urbano. Quando perguntado como ele acha que a sociedade enxerga a pixação RAFAEL diz o seguinte: Marginaliza geral.
80 Nós somos excluídos completamente. Eles não tentam entender a gente. O pixador
MICHELANGELO vai ainda mais fundo nesta questão enfocando um aspecto “hipócrita" da sociedade que os marginaliza de um lado enquanto de outro legitima certas produções como arte apenas por estas estarem em determinados locais específicos. Ele diz o seguinte a respeito de como a sociedade encara a pixação: eles
nem enxergam, pra eles aqui num passa de um risco qualquer, que se resume em marginalização, falta do que fazer, saca? Eles olham pra parede, num entendem, mas quando eles vão numa galeria de arte, uma pa de arte sem fundamento, quadrados dentro de quadrados, e formas métricas, eles param pra analisar só porque esta numa galeria de arte, é a sociedade, é hipócrita, eles não se importam com o sentimento de quem pixa ou não, para eles a gente não passa de marginal.
4.3 QUESTIONAMENTOS ACERCA DOS PADRÕES DE ARTE, ESPAÇO, E