3. MATERYAL ve YÖNTEM
3.2. Yöntem
3.2.20. CAM (Chorio-allantoik membran) testi
3.1- O que são essas manifestações, e seu desenvolvimento pelo mundo.
Tanto o graffiti quanto a pichação são formas de intervenção que na contemporaneidade se inserem no corpo da cidade, sejam em seus muros, fachadas, viadutos, postes, ou hidrantes; é em cima destes espaços que seus atores se manifestam dentro da paisagem urbana. Mas como é que são estas atividades, quais são e de onde são os seus precursores, como estas formas de intervenção surgiram e se expandiram pelo globo, e quais são as suas características?
A gênese de ambas as manifestações descendem do graffito italiano que designava as inscrições feitas com carvão em rochas, em paredes, etc, presentes no período pré-histórico e na antiga Roma; o plural de graffito vem a ser graffiti. Na forma singular refere-se à técnica (pedaço de pintura no muro onde uma primeira camada da parede é clara e esta é talhada para que se forme um desenho na cor escura da segunda camada de parede), já quando o termo é no plural se refere aos desenhos (os graffiti do palácio de Pisa como exemplo). (GITAHY, 1999; RAMOS, 1994)
O Dizionário Grazanti da língua italiana no ano de 1965 indicou o graffiti como sendo uma forma de talhar, de arranhar a parte de trás escura por entre a frente de argamassa branca. Assim se nota desta forma que esta palavra é uma derivação do verbo italiano graffiare, que significar arranhar, e este por sua vez se origina do alemão antigo Krapfo, que é um gancho, uma espécie de arma antiga utilizada no assalto às muralhas das cidades sitiadas. (BAGNARIOL, 2004; MACHADO, 2004)
A língua inglesa utiliza o termo italiano sem qualquer distinção entre o singular e o plural, em ambos os casos se escreve graffiti, na língua portuguesa antes de 1987 usava-se o termo grafito e que tinha como plural grafitos, e possuíam a mesma conotação da forma italiana referente as inscrições com carvão.
Com a expansão recente desta manifestação cultural o dicionário Aurélio no ano de 1987 passa a empregar a grafia da seguinte forma: grafite(S) para se referir as inscrições urbanas. Entretanto na pratica a maioria dos membros participantes desta manifestação utilizam o termo seguindo a grafia italiana e inglesa (graffiti), até porque assim desta maneira se distingue claramente do minério composto de carbono que é usado na fabricação de lápis (o grafite).
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No caso da pichação a origem do termo é algo que ainda não se chegou a uma conclusão satisfatória, mas na maioria dos casos lê-se a palavra pichação em conjunção com algo sujo e poluído visualmente, uma das explicações da origem do termo vai nos falar que ele se origina no elemento complementar pich-, do inglês pitche (piche, breu); este elemento se desenvolveu desde o século XVII. Atualmente surgiu o verbo pichar (que junta pich + ar), palavra que se originou no Brasil, o termo pichar á algo aparentemente nativo brasileiro. A língua inglesa refere-se a pichação com o termo Graffiti. (CALÓ, 2005)
Ambas as manifestações (graffiti e pichação) possuem uma gênese única, elas nascem e se desenvolvem juntas, na verdade é na segunda metade do século XX que elas se “separam” passando cada uma delas a possuir certas características distintas e a partir daí serem vista como duas manifestações distintas. Foi a partir do surgimento da tinta aerossol que estas atividades se expandem. A tinta spray vai dar uma maior mobilidade e rapidez aos indivíduos propiciando que as intervenções sejam feitas de forma mais discreta e rápida.
A década de 60 foi marcante devido a uma grande efervescência cultural, política e social que se espalhou ao redor do mundo, neste período irão surgir diversos movimentos mundo afora, que vão questionar e criticar as guerras imperialistas, o totalitarismo, a massificação da sociedade industrial, e os tabus culturais e morais.
As soluções para determinados “problemas sociais” deixam de serem buscadas somente na esfera técnica, elas agora dizem respeito à esfera política que deve propor mudanças sociais e culturais. O ponto culminante dessas manifestações foi em maio de 68 na cidade de Paris (França) onde estudantes universitários e secundaristas ocuparam as ruas e as universidades reivindicando reformulações nos métodos de ensino e nos currículos, além de criticarem as consequências do capitalismo mundo afora, uma das formas de protesto foi a utilização de intervenções em muros da capital francesa.
Entretanto um ano antes na cidade de Brighton, na Inglaterra um dos seus moradores John Upton acabou sendo detido pela policia local devido a uma performance que se baseava em um recital de poesia e na criação de uma pintura mural de caráter hedonista, utópica, composto por adornos florais com namorados, feitos em cores vibrantes. A repercussão desta apreensão veio fazer com que surgissem outras iniciativas, que acabaram por originar um movimento de pintura mural comunitária no Reino Unido. Esta forma de intervenção que utiliza a pintura mural passou a ser
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utilizada na Grã-Bretanha como uma maneira de organização e fortalecimento das comunidades. (KNAUSS, 2001)
Este tipo de manifestação atravessa o Canal da Mancha e um ano depois é utilizada pelos jovens franceses nos protestos. As paredes e monumentos se tornam neste momento um importante meio de propagação destes protestos surgem inscrições que remetem a palavras de ordem como: “Abaixo a sociedade de consumo”, protesto: “A humanidade só será feliz quando o ultimo capitalista for enforcado com as tripas do último esquerdista”, foram possíveis também perceber palavras de amor: “Camaradas, o amor também se faz na faculdade de Ciências”, e palavras de tom humorístico: “Eu tinha alguma coisa a dizer, mas não sei o quê”.
Neste mesmo período, no outro lado do oceano atlântico, nos Estados Unidos estas manifestações também começavam a se fazer presentes nos cenários das cidades, primeiramente foram os subúrbios da Filadélfia, Chicago, Pensilvânia e posteriormente Nova York onde negros e imigrantes latinos passaram a escrever nos muros, trens, mêtros, e até mesmo em caminhões e ônibus as suas mensagens. No bojo dos movimentos de defesas dos direitos civis a pintura que utilizava o muro como suporte se tornou um instrumento politicamente orientado que se expandiu por todos os Estados Unidos como nos mostra Paulo Knauss:
Em Chicago, no mesmo ano de 1967, o movimento anti-racista e de afirmação da identidade afro-americana, Black Power, inaugurou uma pintura mural coletiva resultado de uma intervenção de 21 artistas negros que dividiram uma fachada, que foi intitulada Wall Of Respect. No mesmo ano, do outro lado da rua, o mesmo movimento inaugurou o Wall Of Truth e, posteriormente, na Episcopal Church surgiu depois o Wall Of Pride. (KNAUSS, p. 334, 2001).
Outras cidades também passaram em pouco tempo a possuírem o mesmo tipo de intervenção, estes murais supergráficos comunitários se espalharam pelos EUA, e atingiram as cidades de Detroit, Boston, ST Louis, Filadelfia, e estas intervenções se tornaram ícones do movimento social americano inscrito no espaço da sociedade urbana. (KNAUSS, 2001)
É nos Estados Unidos que vai surgir uma nova forma de intervenção urbana, diferente das que possuem conteúdo político, amoroso ou de ordem, elas vão se ater somente a nomes ou apelidos (as chamadas tags) juntamente com um numero que significava o de suas residências ou rua dos praticantes da atividade. Para muitos as
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primeiras pessoas a inscreverem dessa forma nos muros foram Taki 183, Zephir, Bárbara 62, Eva 62. (MACHADO, 2004; RAMOS, 1994, PEREIRA 2007, GITAHY, 1999). Isto porque essas acabaram tendo uma maior repercussão nos meios midiáticos, mas sabe-se que já em 1967 a inscrição Julio 204 é apontada como obra originaria do grafite em Nova York. (KNAUSS, 2001).
Juntamente com outras manifestações culturais que posteriormente se juntaram ao graffiti e formaram o movimento Hip-Hop, esta manifestação passou a se espalhar tão rapidamente pelo mundo quão intensamente foi o combate a sua pratica. Na primavera de 1972 a imprensa se opõe denunciando o caráter predatório das inscrições que naquele momento “bombardearam” toda a cidade, surgindo ai uma discussão política visando formas de acabar com esta manifestação. ( KNAUSS, 2001; RAMOS, 1994)
Em 1972, quatro anos depois dos registros parisienses já a nova onda irrompia em New York. Das paredes dos guetos e dos muros da periferia, as mensagens, letras e imagens, passaram a pegar carona nos trens dos metrôs, nos caminhões e ônibus, e percorreram a cidade. Fizeram historia. Esses grafites surpreenderam a população, afugentaram turistas dos metrôs, foram combatidos pela policia, e conduziram alguns de seus autores à cadeia, enquanto outros eram conduzidos às mais importantes galerias, bienais e museus de arte, não dos Estados Unidos como do mundo todo. (RAMOS, 1994, p.14)
Agora o grafite adquiria uma nova forma, e, a partir da cidade de Nova York, se alastrou facilmente por diversas cidades do mundo. O grafite retorna a Europa – isto no fim da década de 70 e inicio de 80. Neste período não são os movimentos estudantis que passam a utilizar esta forma de expressão, e diferentemente do que acontecia nos Estados Unidos também não é o Hip-Hop e sim são outros movimentos culturais que irão utilizar essa forma de linguagem; os anarquistas, os punks aderem ao grafite e o contrario também ocorre, o grafite adere ao punk e ao anarquismo, cidades como Amsterdã, Londres, Paris e Berlim se tornam redutos destas manifestações e consequentemente da arte de rua, surgem nomes como Speed Graphito12, Combas, Di Rosa, entre outros que utilizam a “arte do spray” como um movimento de libertação,
12 Este, aliás, é uma figurar peculiar, pois se autodenominava como sendo o artista de rua mais rápido, nas
suas intervenções ele levava junto um relógio despertador onde cronometrava as suas ações, além disso, utilizava um tradicional carrinho de supermercado para transportar as suas tintas.
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utilizando os muros como armas para combater o abstracionismo, o concretismo, e todos os ismos que permeavam o cenário artístico e circundavam pelas galerias e museus. (LARA, 1996, SANTOS 2009)
Dentre as cidades do velho continente onde esta manifestação se instalou de forma mais forte foi Berlim, que merece ser destacada. Como se sabe em 1961 foi construído um muro de 4,5 metros de altura e 166 kilometros de extensão que dividia o lado oriental do lado ocidental da cidade e que tinha como propósito impedir a fuga dos berlinenses do leste para o oeste, este muro era a representação do autoritarismo, da falta de liberdade e da segregação. Por volta de 1980 o muro da vergonha passa a receber diversas intervenções que de inicio eram apenas alguns poemas e provérbios tais como “Poder é sempre sem amor, amor nunca é com poder”; algumas advertências do
tipo “o muro deve permanecer”. A partir daí surgem também imagens, como figuras
humanas, rostos, paisagens, animais e esqueletos, em sua grande maioria estas inserções tinham o propósito de um protesto visual contra a existência desta barreira, que era o muro. “Símbolos da paz como, a pomba ou a estatua da Liberdade, ocuparam este espaço por algum tempo.” (RAMOS, 1994, p.15). Em 1989 quando o muro foi
derrubado, algumas destas intervenções se perderam, entretanto alguns fragmentos que continham imagens foram guardados e mais tarde vendidos por cifras muito altas.
A década de 80 foi, talvez, onde começou de forma mais enfática a ocorrer uma separação entre graffiti e pichação, até então os dois não se diferenciavam, sendo apreendidos como sendo uma coisa só, não havia fronteiras entre eles ambos eram igualmente marginalizados e discriminados, vistos sem valor estético. Mas este fenômeno que se espalhou inicialmente fazendo inscrições com spray, nos muros, trens, metrôs, postes e tudo aquilo que pudessem servir de “base” para as tags (assinaturas) por toda a cidade de Nova York, sofrem uma transformação, o caráter figurativo ganhou espaço, a imagem e a policromia passam a ser predominante no graffiti. (SANTOS, 2009)
O movimento denominado de pop-art ganha destaque no fim dos anos 50 - e tem na figura de Andy Warhol seu grande propagador - a partir de experiências de apropriação das imagens da indústria cultural, da sociedade de consumo e do uso de novas tecnologias passam a produzir um tipo de arte que questiona seu papel social e sua relação com o mercado e com os espaços institucionais que ela ocupa como museus
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e galerias; passam a aglutinar esses “jovens pintores da rua” que agora utilizam uma linguagem mais estética do que escrita, assim temos uma “institucionalização” do graffiti. Surgem nomes que passarão a ser referencia no mundo todo; Jean-Michel Basquiat, Keith Haring, Kenny Scharf se distanciam das tags e passam a elaborar algo mais no sentido plástico, da livre figuração, De maneira meteórica este estilo cai nas graças dos críticos artísticos, dos jornalistas e da população em geral que passa a enxergar com um olhar diferenciado esta forma de grafitar mais figurativa, e que carrega consigo elementos psicológicos e de estilos definidos. Assim os graffitis passam a frequentar galerias e museus, passando por um processo de aceitação publica.
É verdade que na década de 70 ocorreram as primeiras inserções deste tipo em galerias como em 1975 que foi realizada no Artist’Space uma exposição, mas a consagração mesmo desta arte dentro dos “espaços fechados” das galerias acontece em 1981 com a mostra New York/New Wave, organizada por Diego Cortez em um dos espaços de maior visibilidade da vanguarda americana o PS1. O East Village, que já possuía o rotulo de ser um pólo aglutinador da vanguarda artística e boemia na cidade de Nova York, teve um papel muito importante lançando artistas vindouros da rua e apoiando e inserindo esta manifestação no mercado artístico. Surge em East Village no ano de 1981 a Fun Gallery que era dirigida pela atriz de cinema underground Patty Astor que absorvia produção feita pelos artistas da Spray Art e logo pouco a pouco outras galerias começaram a abrir seus espaços, criando uma rede de galerias que requisitavam os artistas do graffiti, alguns destes se tornaram verdadeiras celebridades da arte contemporânea mundial (BAGNARIOL, 2004; GITAHY, 1999, KNAUSS, 2001).
Dois nomes que devem ser destacados são os de: Jean-Michel Basquiat que no inicio escrevia frases de impacto por toda a cidade de Nova York, ele possuía um estilo irreverente e rebelde, infelizmente acabou falecendo em 1988 vitima de uma overdose de heroína. Outro nome é o de Keith Haring, pode-se dizer que foi ele quem descobriu o metrô, ele foi um dos primeiros a desenhar nestes espaços, com um giz branco e ele fazia seus desenhos, que eram na sua maioria figuras simples de um boneco que possuía uma cabeça redonda, outros desenhos que foram uma marca registrada sua eram os labirintos, Haring - assim como Basquiat - também faleceu em 1990 só que vitima de AIDS. Ambos viajaram por diversos lugares do mundo expondo seus trabalhos em locais de grande renome mundial, inclusive Haring esteve no Brasil junto com Kenny
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Scharf na Bienal de São Paulo de 1983 onde eles expuseram a sua arte. (GITAHY, 1999)
Os percursos de Keith Haring e Jean-Michel Basquiat ilustram como a afirmação das artes plásticas nos EUA na década de 1980 se articulou com a cultura da urbanidade e do espaço da cidade, sendo o grafite o grande vinculo entre a arte institucionalizada e as ruas de Nova York. A aproximação com o grafite urbano expressou um dos modos de superação da arte de vanguarda, contudo sem que a criação artística perdesse seu caráter inovador, contido no programa vanguardistico. (KNAUSS, p. 339, 2001)
Como podemos observar o graffiti a partir da década de 1980 passa a ser reconhecido como forma de expressão artística, enquanto isso a sua “arte irmã” a pichação é “deixada de lado” e visualizada pela sociedade geral como algo sujo, impuro que poluiu o cenário das cidades, a pichação é um fenômeno que se tornou quase que uma exclusividade brasileira, a sua forma no nosso país é algo distinto do restante do globo, a seguir vamos perceber como o graffiti e a pichação se inserem no cenário brasileiro.
3.2 - A Pichação e o Graffiti no BRASIL
A cidade de São Paulo é o principal cenário do surgimento e expansão destas manifestações no Brasil, foi a partir dela que a pichação e o graffiti se expandiram para o restante do país; os muros já eram alvo de inscrições há algum tempo no inicio da ditadura, por exemplo, era costumeiro se encontrar algumas frases de conotação política espalhadas pelas cidades, intervenções do tipo Abaixo a Ditadura já permeavam o cenário urbano, mas em meados da década de 70 e inicio de 80 começa a surgir outras inscrições enigmáticas que intrigavam a curiosidade dos habitantes da cidade de São Paulo, uma destas inscrições (que para muitos é vista como a pioneira tanto do graffiti quanto da pichação) era a seguinte: Cão Fila KM 22 onde se tinha a silhueta do cachorro desenhado junto a esta frase, este registro se referia a uma nova raça de cachorro no país que estava sendo vendida, logo outras inscrições foram aparecendo, algumas pessoas que passaram certo tempo fora do país acabaram por também trazer esta onda “nova-iorquina” para São Paulo, assim nesta época surgem frases grafitadas que brincavam com as palavras como: “HENDRIX MANDRAX MANDRIX”, “Ora
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H”, “Oi Muro! Bi Olhei Gamei Gostei”, “Ah Ah Beija Me”, entre outras inscrições13 (RAMOS, 1994; GITAHY, 1999, PEREIRA, 2007).
Pessoas mais ligadas à arte, poetas, estudantes de arquitetura, técnicos em desenho, e etc., que com a repressão ditatorial das décadas de 60 e 70 não encontravam formas de se expressar aproveitam o espaço dos muros para difundir as suas poesias, suas mensagens e seus ícones pelas ruas da capital paulista. Assim começa-se além da inserção de frases também serem produzidas imagens, ocorrendo assim um salto de quantidade e de qualidade dos praticantes desta atividade, conforme afirma Célia Maria Antonacci Ramos:
Inaugurado por poetas, o espaço urbano logo teve a adesão de artistas plásticos, estudantes de arquitetura e técnicos em desenho, que pela mesma razão dos poetas, vêem nas ruas paulistanas um instigante canal de protesto às limitações artísticas. Com a entrada desses artistas, a inscrição urbana em São Paulo, que havia nascido de poetas e já contava com esporádicas e improvisadas pichações, deu um salto quantitativo e qualitativo. (RAMOS, 1994, p. 88)
O graffiti nesta época irá se valer da utilização do “estilo das máscaras”, que por meio de moldes vazados (que são chamados de máscaras) onde são feitas às imagens que serão grafitadas - um estilo muito parecido com o stencil - os principais nomes deste estilo e que podem ser considerados como os precursores do graffiti que enfoca a imagem no Brasil são: Alex Vallauri, Carlos Matuck, e Waldemar Zaidler que pintavam personagens de quadrinhos pela cidade além de outros objetos, por exemplo a marca registrada de Valluri era uma bota feminina, um frango assado entre outras, este artista veio a falecer em 26 de março de 1987, e no dia seguinte seus amigos em sua homenagem graffitaram o túnel da avenida paulista, a partir daí este dia ficou sendo o Dia Nacional do graffiti. Os três Alex Valluri, Carlos Matuck, Waldemar Zaidler foram no Brasil os primeiros grafiteiros a serem vistos como artistas e foram convidados a expor suas obras em galeria e bienais, inclusive seus trabalhos estiveram presentes na bienal de São Paulo em 1985. Nesta época com a expansão da atividade surgiram alguns
13 Alguns nomes que merecem ser destacados são os de Walter Silveira, Tadeu Jungle, Hudinilson Júnior,
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grupos de graffiteiros como o 3nós314 e o grupo Tupinãodá15, outro grupo de destaque foi o grupo Aerosol (RAMOS, 1994, GITAHY, 1999).
Na década de 80 também se desenvolve o movimento Hip-Hop no Brasil e junto a este o graffiti se atrela, foi o movimento hip-hop que proporcionou a expansão do graffiti da forma que ele é mais conhecido hoje em dia, com seu “estilo americano” que se valendo de letras coloridas e estilizadas, da utilização direta do spray na superfície a ser grafitada sem qualquer mascara, ele se expandiu, no inicio era algo sem técnica apenas um traço de spray, se modificou e evolui; a partir da utilização de outras formas de bico, a retirada de um pouco de ar da lata entre outras técnicas que fizeram com que a qualidade dos traços melhorasse muito. Surgiu ai nomes que são respeitados no Brasil e fora dele como os Gêmeos (Gustavo e Otavio), Speto, Binho, Tinho que expõem seus trabalhos em diversas partes do mundo. Temos então, segundo Gitahy (1999), três estilos de graffitagem no Brasil que seriam:
O estilo das máscaras - que tem em Alex Vallauri seu grande expoente.