C. KONYA EKONOMİSİ
V. KTO-KARATAY ÜNİVERSİTESİ
A interação entre o público e o veículo ou o sonho de Brecht (Quadros, 2005) é, sem dúvida nenhuma, o sonho de todos os comunicadores, pois a interatividade que se busca nas comunicações é justamente a resposta que o cidadão tem para dar ou complementar a informação. A autora afirma que estar junto ao público é uma das premissas do jornalismo público.
No final dos anos 80 por causa da queda da leitura de diários impressos e o descrédito dos meios de comunicação, como a TV e o rádio, começa a ganhar adeptos a corrente do Jornalismo Público. O Jornalismo Público parece ter sido uma reação de professores, editores e jornalistas que saíram a campo abrindo mão da postura-padrão, para se lançarem em um novo relacionamento com o público.
Para Barros (2009, p.1): “o jornalismo público não é nem um gênero nem uma categoria jornalística.” O autor afirma, ainda, que este tipo de jornalismo, mais detidamente nos Estados Unidos, pretendia retomar as questões éticas estampadas nos princípios democráticos da liberdade de expressão, por isso emerge como um movimento no processo de construção e formulação das notícias. Para Costa Filho (2006), os jornalistas públicos partem da premissa de que é necessário reanimar o debate público, é necessário interpelar o cidadão para que ele participe.
Deste modo, propõe uma nova dinâmica da vida em sociedade, tendo a imprensa um fundamental papel não só como mediadora, mas como espaço de mediação. De simples observadores isentos, os jornalistas passam a ser atores (COSTA FILHO, 2006, p. 127).
Vários autores (ABREU, 2003; TRAQUINA, 2003; QUADROS, 2005; COSTA FILHO, 2006; ARCE, 2007; BARCELOS, 2007) apontam como um dos papéis do JP a construção da cidadania. Porém, se alega que o Jornalismo é na essência um instrumento público, cívico, cidadão. E fica o questionamento de Costa Filho (2006): será que os meios e os jornalistas conseguem manter este compromisso, manter sua autonomia quando se dão conta que a imprensa hoje
se constitui como empresa ou está ligada a grandes grupos econômicos, pregado às vontades e interesses?
Na análise de um dos estudiosos do JP, o professor Nelson Traquina, de Portugal, esse é um dos mais importantes movimentos do jornalismo nos últimos 30 anos. Essa nova proposta é conhecida por diferentes nomes: “jornalismo comunitário” (CRAIG, 1995, apud COSTA FILHO, 2006), “jornalismo de serviço público” (SHEPARD, 1995, apud COSTA FILHO, 2006); “jornalismo cívico” (LAMBETH e CRAIG, 1995, apud COSTA FILHO, 2006). Mas, para Traquina, a centralidade do termo “cidadão” em sua proposta o leva a preferir a designação “jornalismo cívico” (TRAQUINA, 2001, p. 171). Entretanto, seus principais teóricos nos Estados Unidos utilizam Jornalismo Público (ROSEN, 1994; MERRIT, 1995,
apud COSTA FILHO, 2006).
Arce (2007, p. 616), citando Merritt (1995), afirma que:
o civic journalism assume a idéia de participante justo; concebe o público como ator social na vida democrática; incentiva a participação dos cidadãos nas discussões da sociedade. Dessa forma, esse tipo de jornalismo se mostra mais comprometido com a revitalização da vida pública e volta seu foco para a prestação de serviços para a comunidade e para a divulgação de informações que colaborem para a formação crítica dos sujeitos. Barcellos (2007) aponta que no caos brasileiro, o termo Jornalismo Cidadão é adequado, porque a palavra “cidadania” remete a iniciativas que tratam da inclusão social, da busca pelos direitos dos cidadãos e está consagrado na linguagem da própria imprensa.
Uma definição que poderia ser considerada sublime em relação ao jornalismo cívico, citada por Traquina (2003) equipara uma harmonia de opiniões entre o jornalista norte-americano Davis Merritt, profissional com mais de 30 anos de atuação, e Jay Rosen, professor da Universidade de Nova York. De acordo com o autor, o Jornalismo Cívico é a afirmação é a reconstrução do jornalismo por meio de um papel mais ativo na construção de um espaço público mais vibrante e na resolução dos problemas da comunidade.
adequações que possibilitam definir as peculiaridades do Jornalismo Cívico, tais quais podemos dispor da seguinte maneira:
- Encorajar o envolvimento do cidadão na vida pública;
- Definir o cidadão como personagem participante na resolução dos problemas da sociedade;
- Construção de uma pauta com foco nos problemas regionais coletados diretamente do cidadão que age como fonte dessas informações;
- Discussão nos órgãos de Comunicação Social os problemas identificados nas entrevistas com os cidadãos e identificar valores fundamentais e posições de conflito;
- Desenvolver a “Agenda dos cidadãos” por meio de suas demandas; - Direcionar recursos para as relações com as comunidades de maneira a buscar a interação entre o jornalismo e o cidadão a fim de ir além da busca pela solução de problemas, mas rumo à identificação desses conflitos;
- Retomar as obrigações do jornalismo para com a vida pública efetiva; - Ir para além da missão de dar as notícias para uma missão ainda mais ampla que é ajudar a melhorar a vida pública;
- Abandonar os princípios clássicos de “observação desprendida” adotando um papel de “participante justo”, isto é, enfraquecendo os princípios do afastamento rumo à participação equilibrada como agente interventor.
Assim sendo, e com base nessas definições, é possível estabelecer o Jornalismo Cívico como um Novo Jornalismo, que enxerga na notícia, o poder de opinar observando valores justos, éticos e morais para o bem da comunidade na qual está inserido. Por meio de uma natureza cívica, aguça a comunidade à participação nas questões públicas-políticas pertencente a esse meio, com o objetivo de identificar, discutir, democratizar e solucionar problemas como agente pensador, interventor e fiscalizador.
Abreu (2003) caracteriza o jornalismo público praticado no Brasil em duas frentes: “jornalismo de utilidade social”,
em que identifica a ação jornalística como tendente a servir os interesses concretos dos cidadãos e a responder às preocupações dos leitores ou da audiência referentes a emprego, habitação, educação, segurança, qualidade de vida, etc. [...] A imprensa assumiria aí o papel de mediadora e de interventora na sociedade (ABREU, 2003 p. 5-6).
Enquanto que a segunda é denominada de “jornalismo de utilidade pública” a qual, segundo ela, se manifesta através de várias alternativas, entre elas a de “prestador de serviços ao público”.
A imprensa escrita abriu espaço para as queixas e reivindicações de seus leitores através das seções de serviços. Hoje praticamente todos os jornais de grande circulação [...] mantêm colunas ou seções abertas ao público e procuram dar soluções a algumas das reclamações recebidas (Idem, p. 6).
Além disso, Abreu destaca (idem, p.7)
É importante assinalar que esses espaços atendem prioritariamente a reclamações do cidadão-consumidor de nível médio, tanto de instrução quanto de renda. (...) os leitores foram levados a buscar a ajuda dos jornais, por estarem cansados de esperar soluções dos serviços de atendimento ao consumidor das empresas sem conseguir sequer ser ouvidos como iniciativas da imprensa referentes à prestação de serviços, os espaços que atendem a reclamações do cidadão-consumidor, que se concentram em consumo e serviços; os canais abertos para reivindicações ao poder público do atendimento às necessidades do cidadão e o acesso à justiça; além do papel de fiscalizadora do poder público, “voltada para a denúncia de corrupção, para desvendar negócios ou ações ilícitas”
Abreu (2003) se refere à prática do Jornalismo Público no Brasil já na década de 50, quando afirma que alguns jornais já faziam alguns atendimentos ao público. Certos jornais populares mantinham canais abertos procurando dar soluções a algumas reclamações recebidas. Mas, foi na década de 90 que houve um grande salto deste tipo de iniciativa, o Brasil se abria francamente à
democracia, a liberdade de imprensa tinha sido devolvida aos meios de comunicação de massa e houve um aumento considerável do número de jornais que abriram espaço para reivindicações dos leitores, aumentando o número de frequentadores dessas colunas.
Já Silva (2002, p. 136) constata uma “‘boa vontade’, por parte da mídia, com relação a projetos sociais, mas, ao mesmo tempo, em vez de encontrar políticas ancoradas no Jornalismo Público, é mais fácil encontrar retrancas que se referem a Terceiro Setor e voluntariado”. De maneira geral, os veículos de comunicação brasileiros não se declaram praticantes do Jornalismo Público. A exceção mais clara é a da TV Cultura, que segundo Silva (2002), é o único meio brasileiro que declaradamente adotou, em meados de 2000, o JP como política editorial.
Segundo Arce (2007), no formato radiofônico, não temos conhecimento de uma iniciativa autodeclarada de jornalismo público. Entretanto, na análise de Quadros (2005), o rádio ainda pode ser considerado um grande meio de comunicação para as práticas do Jornalismo Público.
A trajetória do rádio, um meio de comunicação mais acessível para a população de todo o mundo, comprova que muitas de suas características de vinculação social podem ser resgatadas durante as transformações que exigem a nova era. Por exemplo, a agilidade na cobertura e a sua fácil portabilidade são pontos positivos para um cidadão que não têm mais paciência de esperar com tanta informação disponível. O rádio também sai na frente quando a rotina diária desse cidadão é atribulada. Afinal, pode-se ouvi-lo em qualquer lugar, seja on-off ou online, sem deixar de fazer alguma outra atividade (QUADROS, 2005, p. 50).
Ao considerar uma das premissas do Jornalismo Público, que é a de estar em contato permanente com o cidadão, a comunicação de mão dupla proposta por Brecht (2012) garante ao rádio renovação do meio. Barbeiro (2004, p.139), afirma que “o radiojornalismo precisa interagir com o ouvinte-cidadão, precisa, nas palavras do autor, “ser reinventado como tantas e tantas outras atividades humanas são modificadas todos os dias”. Nesse aspecto, segundo Quadros (2005), o radiojornalismo pode abrir mais espaço para o cidadão e colocar em
prática o JP. “É uma forma de reinventar-se, é um modo de prolongar seus dias” (p. 50).
De acordo com Quadros (2005), no JP, inserido na nova era digital, também existe uma interação entre mediador e ouvinte. Nessa interação está estabelecido que jornalistas e cidadãos construam uma agenda de forma conjunta, repercutindo as vozes de uma sociedade em benefício de uma causa comum. No entanto, essa relação não pode ser apenas aparente, “pois se o cidadão descobre manipulação na troca de informações ele definitivamente deixará de ouvir o programa” (QUADROS, 2005, p. 51). Isso quer dizer que o público das cidades reais e virtuais aprende a ser mais exigente a cada dia. Maria Cristina Castilho Costa (2002), assim como Barbeiro (2004), acredita que o rádio web passa agora a atender interesses individuais.
Barros (2009; p. 61) afirma que:
Em resumo, o que podemos constatar é que o Jornalismo Público pode e deve ser uma ferramenta da Comunicação de Interesse Público e existe para cumprir a função de envolver o cidadão nos assuntos que determinam a sua vida, individual ou coletivamente. O Jornalismo Público é um dos bons caminhos a ser trilhado pelo jornalismo e o cidadão precisa saber disso.