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9. Osmanlı Döneminde Irak Eğitim Sistemi

1.1. Kraliyet Döneminde Irak’ta Türkçe Eğitimi

Convido o leitor a compreender conosco a premissa estrutural do que é a angústia. É interessante notar como esse afeto atravessa o sujeito em seu desejo no real30. Ou seja, Lacan ([1962-63] 2005) afirma que a angústia não é uma emoção, mas sim um afeto, um afeto que não engana. E isso, principalmente, se trataria de verificar, ainda no seminário 10, o que o psicanalista afirma:

A angústia é esse corte – esse corte nítido sem o qual a presença do significante, seu funcionamento, seu sulco no real, é impensável; é esse corte a se abrir, e deixando aparecer o que vocês entenderão melhor agora: o inesperado, a visita, a notícia, aquilo que é tão bem

exprimido pelo termo “pressentimento”, que não deve ser

simplesmente entendido como o pressentimento de algo, mas também como o pré-sentimento, o que existe antes do nascimento de um sentimento (LACAN, [1962-63]2005, p. 87-88).

Portanto, a angústia precede o sentimento. Surge como algo que o sujeito não sabe bem o que é. É importante destacar, nesta pesquisa, o conceito de angústia como companheira da participante e parceira de trabalho do pesquisador. Verificamos, teoricamente, que a angústia é questão central na clínica psicanalítica. Lacan ([1969-70]

1992, p. 136) nos ensina que a angústia “é o afeto central, aquele em torno do qual tudo se ordena”. Assim, percebemos que a angústia foi fundamental na escrita da participante

em FC e também no processo vivenciado pelo pesquisador enquanto instrutor, ao fazer manejos com a finalidade de aproximar a participante de seu desejo.

No corpo das análises, mais adiante, traremos algumas marcas enunciativas desses registros e anotações de campo, em que estão representadas algumas saídas encontradas pelo pesquisador, durante o desenvolvimento da escrita, para os impasses causados pela presença real da angústia, no andamento do processo de implicação da participante com a escrita autobiográfica e o possível encontro com seu desejo.

30

“O conceito de real encontra sua dimensão teórica a partir do momento em que a negação é fundada

em sua determinação temporal- segundo a formulação freudiana de 1924: é real não o que é encontrado, mas o que é reencontrado” (KAUFMANN, 1996, p.445).

Neste sentido, nos diz Freud ([1916-1917] 1986a, p. 470) a“angústia constitui moeda corrente universal pela qual é ou pode ser trocado qualquer impulso, se o conteúdo ideativo vinculado a ele estiver no recalque”. Na expectativa de compreender isso um pouco mais, o autor percebe que o sujeito, em forma de fuga, ou de defesa, aciona o recalque.

O sintoma do sujeito funciona como uma tentativa de defesa da angústia. Freud ([1916-1917] 1986b, p. 472) conclui que, “onde se manifesta angústia, aí existe algo a

que se teme”. A esses exemplos, em sua primeira teoria sobre a angústia, o psicanalista

concluiu que a angústia está diretamente imbricada com uma não elaboração psíquica, uma situação em que o sujeito se vê desamparado, em perigo.

Posteriormente, no Ensaio Inibição, sintoma e angústia, Freud ([1925-1926] 1996) dá seguimento à segunda teoria da angústia, um marco na teoria freudiana, a qual se dedica ao aprofundamento de seus estudos sobre inibição e sintoma e descobre que estas são formas de encobrir a angústia. Ainda mais à frente, nos estudos sobre a angústia, Freud ([1933] 1986), na Conferência XXXIII, Angústia e vida pulsional, fez o caminho de volta ao artigo de 1926. Assim, ele estabeleceu três formas de angústia: angústia realística, relação entre o eu e o mundo externo; a neurótica e a relação do eu e do isso; e a moral na relação do eu e o Supereu. Ao longo de seu ensino, descobriu que essas formas de angústia são sentidas pelo sujeito como desprazer e são por ele sustentadas como resultado de um momento traumático ou angústia inicial e de uma reprodução de uma angústia-sinal, como um perigo interno.

Em contrapartida, Lacan ([1962-63] 2005, p. 169) no Seminário 10, A Angústia, por sua vez, parte da definição de Freud sobre o conceito defendido da angústia-sinal como um perigo interno, mas suprime em sua obra essa afirmação e introduz “a

angústia como a manifestação específica do desejo do “Outro”. 31 Com esse

deslocamento conceitual, na clínica lacaniana, este desejo é representado pela busca da angústia do outro.

31

“A concepção lacaniana do significante implica uma relação estrutural entre o desejo e o “grande Outro”. Essa noção de grande “Outro” é concebida como um espaço aberto de significantes que o sujeito

encontra desde o seu ingresso no mundo; trata-se de uma realidade discursiva de que Lacan fala no seminário 20; o conjunto dos termos que constituem esse espaço remete sempre a outros e eles participam da dimensão simbólica margeada pela do imaginário. A instância imaginária do eu se forja em função do

Cabe-nos então, voltar a nossa atenção à constituição do eu. Lacan ([1936] 1998, p. 96) elaborou o texto O estádio do espelho como formador da função do eu, tal como nos é revelada na experiência analítica. Esse trabalho foi apresentado em Zurique, no XVI Congresso Internacional de Psicanálise em 1949, e se tornou o primeiro esboço sobre o “eu” a partir de uma imagem virtual. Nas palavras dele, “é a partir de um Outro,

que o sujeito se constitui”.

Em suas considerações, Lacan ([1936] 1998, p. 96-103) aborda a concepção do estádio do espelho representado por um momento em que um adulto coloca um bebê, com idade entre seis e dezoito meses, frente a um espelho e este se surpreende com a sua imagem refletida. Este, ao voltar seu olhar para a mãe que o segura (e que representa o grande Outro), tem a intenção de obter uma confirmação do que acabara de ver e ratifica o valor da imagem.

Essa relação ficará marcada por toda a vida, pois o estádio do espelho é o momento da construção do eu, imaginário. Dessa forma, a função da imagem virtual do bebê no espelho, deixa um vazio necessário, portando em si uma falta, que a imagem não consegue recobrir, produzindo, na identificação espacial, uma imagem

“despedaçada do corpo”. É, portanto, o exercício da escrita um processo semelhante.

Compreendemos que a imagem despedaçada do corpo e a angústia do mesmo modo fazem parte do trabalho necessário para haver escrita. E, no nosso modo de ver, isso significa enfrentar o “inferno da escrita”(RIOLFI, 2011a), assim devemos ensinar aos nossos alunos que nem todas as possibilidades são percebidas pelo autor aos quais nada falta, mas a partir desse ponto passemos a considerar que os buracos também fazem parte do corpo de bons textos.

Pensamos, portanto, que essas considerações têm por princípio viabilizar um saber advindo de uma experiência clínica na experiência com educação e com o ensino de línguas. Desse modo, pensamos que o saber psicanalítico contribui para que profissionais atuantes na LA aprimorem a sua escuta no processo de orientação de qualquer atividade de escrita. Assim, acreditamos que o papel do pesquisador, ao desenvolver uma escuta do que este participante tem a dizer, serve como um mecanismo de amparo essencial para ambos, pois à medida que manifestações de angústia são compartilhadas entre pesquisado e pesquisador, este último pode procurar dosá-la por meio de manejos.

Concluímos que, mais que orientações de um “Outro” que ocupe a posição de

saber, um sujeito que escreve, precisa de um “Outro” que opere intervenções sobre ele

na condução da escrita autobiográfica. Afirmamos, ainda, que o sujeito, ao fazê-las, tem chances de suportar a angústia e desbloquear as barreiras subjetivas que o aprisiona.

Com essa perspectiva, o pesquisador retificará sua postura enquanto “mestre”, cedendo

espaço para que o participante em sua vivência com a escrita, dela instigue a causa de seu desejo e persista em constante busca.

Curiosamente, percebemos que isso não abolirá a angústia, e esta não é certamente intenção do pesquisador. Mas compreendemos que, a angústia para o participante é o principal elemento desencadeador de todo o processo, pois possibilita a condução da produção textual autobiográfica no movimento de direcionamento do sujeito frente a seu desejo.

A seguir, pretende-se discutir as formas de laço social elaboradas por Jacques Lacan no seminário 11 Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise e 17 O Avesso da Psicanálise. Buscamos as reflexões lacanianas sobre a questão do vínculo social, o aprofundamento da discussão sobre o objeto a e a mudança de posição de um sujeito frente a outro.