9. Osmanlı Döneminde Irak Eğitim Sistemi
1.2. Irak’ın Bağımsızlığı
No seminário número 17, O avesso da Psicanálise, (LACAN [1969-1970] 1992) na Universidade do Panthéon, o psicanalista francês nos propõe a pensar a experiência analítica como experiência de discurso. Assim, podemos entender, por meio de seus discursos, como se dá o laço social na perspectiva da Psicanálise.
Lacan ([1969-1970] 1992) propõe entendermos que é pelo discurso que fazemos laço social. Neste tópico, buscamos compartilhar com o leitor as formas apresentdas nesse seminário. São abordadas quatro formas possíveis de estabelecer vínculos sociais entre os sujeitos: o discurso do mestre32, o da histérica33, o do analista34 e o do
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“Trata-se da formalização do momento mítico da entrada do sujeito na linguagem, que é descrita do
seguinte modo: um significante intervém junto ao campo do Outro, e, lá se repetindo, representa um sujeito dividido, deixando o objeto do qual se separou para poder se constituir sem possibilidade de representação especular” (RIOLFI, 2011b, p.116).
universitário35, além do quinto discurso, o do capitalista, o qual não será abordado aqui,
pois não apresenta relação entre o agente e o outro.
Lacan construiu os discursos a partir dos estudos já elaborados por Freud ([1930-1936] 2010) em o Mal-estar na Civilização, sobre os quatro modos de relacionamentos do homem como fonte de sofrimento: governar, educar, analisar e fazer desejar. Ambos debruçaram-se a investigar o que ordena e regula um vínculo social e afirmaram considerá-las como as profissões do impossível. A partir de seus estudos, Lacan ([1969-1970] 1992) sistematizou ao que ele se refere como discurso mínimo, com quatro posições e termos: o agente do discurso, o lugar do outro, a produção e a verdade.
O agente exerce domínio do laço social e é responsável por ser o organizador e propiciador de uma alteridade com o outro que, para se constituir, precisa do agente. Desse modo, temos a produção como efeito do discurso e a posição de verdade é
apenas acessada no “semi-dito”, pois há uma barra (//) que interdita a produção da
verdade. Lacan designa em letras e símbolos os termos do discurso, sendo: significante mestre (S1), saber (S2) objeto (a), causa do desejo e sujeito ($) marcado por uma barra. Estessão os termos que ocupam as posições estruturais do discurso de modo alternado. A seguir, vejamos então o discurso mínimo no Quadro 1.
Quadro 1 – Discurso Mínimo (Posições Fundamentais)
Agente Outro Verdade // Produção
Agente do discurso O lugar do outro a verdade // a produção
Lacan ([1969-1970] 1992) chama seus discursos de “pequenos quadrípodes
giratórios”. Quero acentuar agora que, a cada um quarto de giro dos termos pelas 33 “Trata-se da formalização do modo de organizar a fala que é regida pela lógica do inconsciente, a livre associação, e não pelos princípios da discursividade vigente. Assim sendo, este é o discurso que leva um sujeito a poder mobilizar o saber inconsciente, o saber-fazer” (RIOLFI, 2011b, p.116).
34 “Trata-se da formalização do modo de organizar a fala no qual o sentido não é dominante. Introduzindo o equívoco, dá-se uma leitura outra ao que se enuncia de significante, o que permite ao
sujeito romper com o senso comum e abrir espaço para inventar uma expressão de sua singularidade”
(RIOLFI, 2011b, p. 116).
35 “Trata-se da formalização do modo de organizar as relações que é regido pelo saber articulado presente na cultura. Na vigência deste laço, os sujeitos são convocados a empenhar sua pele na sustentação dos conhecimentos socialmente validados, conformando-se a eles” (RIOLFI, 2011b, p.116).
posições, temos cada um das quatro formas de laço social, o que não significa que eles vão girar nessa ordem. Conforme apresentado no Quadro 2.
Quadro 2 – Topologia dos 4 Discursos Formas de Laço Social
Discurso do Mestre S1 S2
$ // a
Mestre Discípulo Sujeito barrado // Objetos de gozo Discurso da Universidade
S2 a S1 // $
Educador aluno (objeto) Significante // Sujeito dividido Mestre e alienado Discurso da Histérica $ S1 a // S2 Sintoma Mestre Gozo // Saber (causa do desejo) Discurso do Analista a $ S2 // S1
Desejo inconsciente Sujeito dividido Saber inconsciente // Significante (enigma) Mestre (//) = Interditado (S1) = Significante Mestre (a) = objeto a (S2) = Saber ($) = sujeito
No discurso do mestre, temos uma relação dialógica entre o mestre (S1) e o discípulo (S2). Trata-se da ação de um mestre (agente) que quer um discípulo (outro) que produza um objeto (a) de gozo (produção), calcado em sua falta $ (verdade). A partir do discurso do mestre, compreendemos o resultado como uma busca incessante de
objetos de gozo; ao fazer isso, o mestre requer do discípulo um “laço civilizatório”
(PEREIRA, 2008, p.128-129). A partir desse discurso, temos outras três formas de laço social.
A segunda forma de laço social é o discurso da Universidade. Na posição de agente temos um educador (S2) que quer um aluno objeto (a) na posição de outro, causado pelo desejo do agente. A produção do discurso universitário é realizada por um sujeito ($) dividido e alienado que terá sempre o desejo de saber mais e apresenta no lugar da verdade (S1) sempre barrado, um significante mestre que o ordena a seguir em busca de mais conhecimento. O resultado do discurso da Universidade é a busca de
mais saber. Pereira (2008, p. 132) afirma que, “não se trata de um discurso exclusivo de
professores, mas quem quer que venha agenciá-lo vai se imbuir de um desejo de alcançar o saber dos grandes mestres, de cujas obras será apenas um intérprete literal”.
A terceira forma de fazer laço social é o discurso da histérica. Na posição de agente temos um sintoma da histérica ($) que elege um mestre (S1) na posição de outro para lhe dizer o que deve ser feito, e coloca-se no lugar de agente de seu desejo. A produção do discurso da histérica é um saber (S2) que produz como verdade, um gozo (a) causa do desejo. A histérica quer um mestre que saiba não mais que ela. Sobre isto, Lacan, ([1969-1970] 1992, p. 122) afirmou, “quer um mestre sobre o qual ela reine”. O discurso da histérica é o discurso do analisando que busca no analista a resposta para um sofrimento e encontra-se sempre insatisfeito com os resultados e por isso persiste em busca de uma perfeição. Segundo Pereira (2008, p. 133) “temos então, a insatisfação do desejo como uma marca do sujeito histérico e a queixa como efeito de sua
impotência.”
A quarta forma de fazer laço social é o discurso do analista. Na posição do agente temos um desejo inconsciente (a) causa de desejo, que tem como alteridade um sujeito dividido ($). Esse produz um significante mestre (S1), que tem como verdade um saber inconsciente como enigma (S2). O discurso do analista, por sua vez, contribui para o advento de um desejo inconsciente. Segundo Lacan (1992, p. 36), "o analista se faz causa do desejo do analisando”. O discurso do analista demarca o lugar da
experiência analítica. Pereira (2008, p. 134) explica que “em seu discurso, o analista
autoriza-se do saber inconsciente para obter do sujeito analisando sua pura diferença,
sua singularidade.”
Essas são as formas de fazer laço social, por meio dos quatro discursos
apresentados na “Teoria” ou “Produção dos quatro discursos”. Essa síntese nos revela a
possibilidade de mudança de discurso do sujeito frente ao Outro. A seguir, partindo de
uma visão lacaniana, abordaremos a noção do “ideal de eu” e o “eu ideal” na formação