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KOVUŞTURMA AŞAMASINDA UZLAŞTIRMA USULÜ

Este trabalho teve por objetivo traçar um perfil dos alunos que estão hoje freqüentando a modalidade de ensino Educação de Jovens e Adultos matriculados nas séries inicial e final do ciclo II do Ensino Fundamental. Optou-se pela escolha das 5ª. e 8ª. séries visando investigar se ocorrem mudanças ao longo do processo de escolarização na significação atribuída pelos sujeitos. Este estudo partiu da hipótese de que existem tanto permanências quanto mudanças no perfil do aluno que está hoje freqüentando a EJA, comparado com o perfil do aluno que freqüentou o supletivo no passado.

Um traço marcante do público que freqüentava a EJA no passado era a predominância de alunos trabalhadores. Outra predominância que havia era quanto à faixa etária dos alunos. O público que freqüentava a EJA até o início da década de 80 era composto quase que exclusivamente por adultos. A análise dos dados revelou que na escola investigada ainda predominam essas características, mas foi possível notar também a presença de jovens menores de 16 anos, o que corrobora os resultados das pesquisas atuais que apontam para o processo de juvenilização que vem ocorrendo nessa modalidade de ensino, uma vez que os alunos multirrepetentes do ensino regular, tão logo atinjam a idade mínima exigida para matrícula no supletivo, são estimulados a migrar para os cursos que antes eram destinados exclusivamente aos adultos. Nas turmas escolhidas para essa pesquisa, os alunos com menos de vinte anos representam 25,92% do total e estão concentrados na 8ª. série. Esse cenário pode ser interpretado como um tímido início do processo de juvenilização do público que freqüenta a escola investigada.

Uma outra diferença constatada em relação aos alunos que freqüentavam a EJA no passado refere-se à idade em que os sujeitos foram alfabetizados. Antes os alunos chegavam nos cursos de EJA analfabetos, hoje eles chegam com essa etapa da escolarização já cumprida, pois os dados demonstraram que apenas 14,81% dos sujeitos foram alfabetizados na fase adulta. A análise dos dados permitiu constatar que na escola investigada ainda prevalecem algumas características do perfil do aluno de EJA do passado, tais como: alunos adultos, casados, empregados ou sobrevivendo do trabalho informal. No entanto, embora os sujeitos investigados sejam de baixa renda, visto que somente 30% ganha mais de três salários mínimos e apenas 16% tem renda familiar acima de cinco salários mínimos, a maioria possui casa própria e foi alfabetizada na infância.

Tais constatações contribuem para rever a tendência de boa parte dos estudos realizados, até os anos 90 do século passado, de homogeneizar os alunos da Educação de Jovens e Adultos. Eles sempre eram descritos como adultos, analfabetos, trabalhadores rurais ou trabalhadores urbanos de baixa qualificação e migrantes ou filhos de migrantes. Traçar o perfil do aluno de EJA do presente foi importante para checar se essa homogeneidade permanece contribuindo para se rever os estereótipos que ainda vigoram com relação ao alunado dessa modalidade de ensino, tendo como referência tal descrição. Os dados revelaram muito mais diversidade do que se supunha inicialmente. Entre os sujeitos investigados há muitos cujas ocupações não exigem ou exigem pouca qualificação; é o caso, por exemplo, das empregadas domésticas e dos ajudantes, mas há também alguns que são patrões, visto que são proprietários de estabelecimentos comerciais.

Em relação à comparação das significações atribuídas à escolarização pelos alunos ingressantes e concluintes, os dados demonstram que nas duas séries investigadas predominou uma avaliação positiva dos aspectos diretamente ligados à escola. No entanto, a análise dos dados apontou que os alunos da 8ª. série são mais críticos em relação à escola, uma vez que as avaliações negativas foram feitas pelos sujeitos dessa série. Mas, mesmo criticando a escola, as aulas e os professores, os dados revelaram a importância que a escolarização tem na vida dos sujeitos, uma vez que nenhum manifestou o desejo de não prosseguir os estudos no nível do Ensino Médio.

Outro eixo importante da análise dos dados foi o fator migração. Procurou-se comparar as semelhanças e diferenças nos perfis socioeconômico e escolar dos dois grupos de sujeitos (migrantes e não-migrantes). A comparação revelou existir mais diferenças que semelhanças, sendo que a diferença que mais chamou a atenção foi com relação aos aspectos relacionados à alfabetização, tanto dos sujeitos quanto dos seus pais. Em relação a esses aspectos, os índices dos sujeitos migrantes são piores que os índices dos não- migrantes. Alguns dados nessa comparação chamaram a atenção. O índice de desemprego é maior entre os não-migrantes e estes também têm renda inferior. A maioria, tanto de migrantes como de não-migrantes, manifestou o desejo de cursar o Ensino Médio, no entanto eles divergiram quanto à avaliação que fizeram das possibilidades de isso acontecer. O grau de certeza foi maior no grupo dos não-migrantes. Contudo, os dados não permitem uma resposta para essa questão.

Os dados foram ainda analisados de acordo com o sexo visando constatar semelhanças e diferenças. As maiores semelhanças ficaram por conta das condições

socioeconômicas e as maiores diferenças por conta de aspectos ligados à escolarização. As mulheres apresentaram “desvantagens” quando comparadas aos homens em relação ao tempo de afastamento da escola. Entre os motivos causadores do afastamento os de ordem socioeconômica pesaram sobre ambos, mas os motivos de ordem familiar tiveram maior peso para as mulheres. Quanto à avaliação dos aspectos diretamente ligados à escola homens e mulheres não divergiram. Ambos emitiram respostas utilizando adjetivos bastante elogiosos sobre a escola, os professores, as aulas, o diretor, o coordenador e também sobre os colegas.

Pode-se concluir que os sujeitos investigados, apesar das adversidades que enfrentam, estão investindo na sua escolarização e pretendem continuar investindo, visto que vislumbram a obtenção dos certificados de Ensino Fundamental e Ensino Médio, portanto, é válido afirmar que estão investindo no aumento do seu nível de capital cultural - ao menos no estado institucionalizado.