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Kosova’nın Bağımsızlığı ve Türkiye’nin Tutumu

2.4. KOSOVA BUNALIMINA ULUSLARARASI MÜDAHALE

2.4.2. Kosova’nın Bağımsızlığı ve Türkiye’nin Tutumu

A organização estatal do setor elétrico teve um salto qualitativo com a criação das Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás) e da Canambra em 1961. A União passava a ter mecanismos diretos para o planejamento de mercado, e para os estudos de viabilidade de projetos, inventários e intervenção direta no setor, o que acabou por aumentar a importância do governo federal na geração e distribuição de eletricidade em território nacional (LIMA, 1995, p. 89).

43BRASIL. Diário Oficial da União (D.O.U.). Lei nº 3782, de 22 de julho de 1960. Disponível em:

http://www2.camara.gov.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-3782-22-julho-1960-354459-publicacaooriginal-1-pl.html. Acesso em 01 de novembro de 2010, às 15 horas.

I.4.1. Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás)

Assinada pelo Presidente Jânio Quadros em abril de 1961, a lei 3.890-A criou a Eletrobrás, cujo projeto fora esboçado e enviado ao Congresso pelo Presidente Getúlio Vargas em 1954, como um banco e um holding das concessionárias federais. O projeto ficou em discussão nas mais diversas comissões do legislativo brasileiro por aproximadamente sete anos.

Na data da sua criação, as Centrais Elétricas Brasileiras assumiram o controle da CHESF, de FURNAS, da CHEVAP e da TERMOCHAR.

Art. 2º - A ELETROBRÁS terá por objeto a realização de estudos, projetos, construção e operação de usinas produtoras e linhas e distribuição de energia elétrica, bem como a celebração dos atos de comércio decorrentes dessas atividades.

[...]

Art. 15º - A ELETROBRÁS operará, diretamente ou por intermédio de subsidiárias ou empresas a que se associar, para cumprimento de seu objeto social.

(BRASIL, 1961, p.17-21)44

No entanto, a nova estatal viu-se obrigada, desde o seu início, a enfrentar dois problemas cruciais: viabilizar-se economicamente, e interligar e padronizar os diferentes sistemas elétricos que então vigoravam no Brasil. No Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, a ciclagem era de 50 Hz; no restante do país, a corrente elétrica era de 60 Hz (LEITE, 2007, p. 123-124).

O equacionamento da primeira questão se deu por meio da transferência para a Eletrobrás da competência de administrar os recursos do FFE e do IUEE, com a obrigação de utilizá-los para a realização de investimentos no setor energético, retirando esses fundos do poder do BNDE.

O reforço das finanças da Eletrobrás ocorreu com a promulgação da lei nº 4.156 de 1962, que, em seu artigo segundo, transformou a base de cálculo do IUEE, de uma tarifa de valor nominal fixo, para ad valorem, e instituiu, pelo artigo quarto, o “empréstimo compulsório”; isto é, o governo confisca uma parte das receitas das

44 BRASIL. Agência Nacional de Energia Elétrica. LEI No. 3.890-A, de 25 de abril de 1961 (Constituição das Centrais Elétricas Brasileiras S. A.). Legislação básica do setor elétrico brasileiro. Brasília: ANEEL, 2000.

empresas do setor elétrico e devolve um ano depois com juros de 12% ao ano, valor muito inferior à inflação e aos juros praticados pelo mercado da época. Além disso, o artigo quinto condicionou o repasse de verbas aos Estados e aos municípios que tivessem um plano de eletrificação elaborados pela Eletrobrás (BRASIL, 1962)45.

Art. 2º - A tarifa fiscal a que se refere o artigo anterior será periodicamente declarada pelo Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica e seu valor será o quociente do valor em cruzeiros da energia vendida a medidor no País, em determinado mês, pelo correspondente volume físico (número de quilowatts-hora) de energia consumida durante o mês.

[...]

Art. 4º - Durante 5 (cinco) exercícios a partir de 1964, o consumidor de energia elétrica tomará obrigações da ELETROBRÁS, resgatáveis em 10 (dez) anos, a juros de 12 % (doze por cento) ao ano, correspondente a 15 % (quinze por cento) no primeiro exercício e 20 % (vinte por cento) nos demais, sobre o valor de suas contas.

§ 1º - O distribuidor de energia fará cobrar ao consumidor, conjuntamente com as suas contas, o empréstimo de que trata este artigo e o recolherá com o imposto único.

§ 2º - O consumidor apresentará as suas contas à ELETROBRÁS e receberá os títulos correspondentes ao valor das obrigações, acumulando- se as frações até totalizarem o valor de um título.

[...]

Art. 5º - Do total da arrecadação do imposto único, 40% (quarenta por cento) pertencerão à União, 50 (cinquenta por cento) aos Estados, Distrito Federal e Territórios e 10% (dez por cento) aos municípios, para ser aplicado segundo planos plurianuais de investimentos, elaborados com a colaboração da Eletrobrás na produção, transmissão e distribuição de energia elétrica.

(BRASIL, 1962, s/p)46

O segundo grande problema, a ausência da interconexão e da estandardização dos sistemas regionais, começou a ser enfrentado em 1961, com a criação da Comissão para Unificação de Frequência (CUF), sob a responsabilidade inicial do CNAAE e, posteriormente, da Eletrobrás. A CUF decidiu pela ciclagem de 60Hz, que vigorava na maior parte do Brasil, mas era diferente de outros países da América do Sul, como Paraguai e Argentina, que adotam o padrão de 50Hz. Ulteriormente, isso se tornaria um assunto controverso nas discussões técnicas sobre Itaipu. Mas quais foram os motivos da escolha do padrão de 60 Hz?

45 BRASIL. Diário Oficial da União (D. O. U.). Lei nº 4.156/1962 (Lei Ordinária) de 28 de novembro de 1962. Disponível em:

http://www2.camara.gov.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4156-28-novembro-1962-353951-publicacaooriginal-1-pl.html. Acesso em 8 de novembro de 2010, às 11 horas.

46 BRASIL. Diário Oficial da União (D. O. U.). Lei nº 4.156/1962 (Lei Ordinária) de 28 de novembro de 1962. http://www2.camara.gov.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4156-28-novembro-1962-353951-publicacaooriginal-1-pl.html. Acesso em 8 de novembro de 2010, às 11 horas.

A opção pela ciclagem de 60 Hertz se deveu aos seguintes motivos: o sistema de 60 Hz possui uma menor perda de eletricidade na cintilação e na distribuição; o custo da unificação da frequência era menor, pois a maior parte das turbinas e dos equipamentos elétricos instalados no Brasil eram importados dos Estados Unidos, já com o padrão de 60 Hz; por fim, os bancos norte-americanos, em especial o Eximbank, foram os maiores financiadores das barragens no país; aliás, muitos desses empréstimos possuíam como exigência contratual a compra de maquinário e equipamentos de empresas norte-americanas.

I.4.2. O consórcio Canambra

No início da década de 1960 crescia a percepção, entre as autoridades, de que uma grave crise energética se avizinhava do país. Equacionar o incremento da oferta com o expressivo aumento do consumo de energia elétrica, causado pelos processos de industrialização e de urbanização, aparentava ser um trabalho hercúleo, em razão da falta de planejamento integrado e de coordenação dos esforços entre as empresas estatais, estaduais e privadas.

O consórcio Canambra foi criado em 1961, fruto de uma parceria entre as empresas estatais e estaduais brasileiras, as multinacionais Montreal Engineering e Cripem Engineering Co., do Canadá, a Gibbs and Hill dos Estados Unidos e o Fundo Especial das Nações Unidas, que financiava a iniciativa e passou a ser responsável por todo o planejamento integrado do sistema elétrico brasileiro, pois seus estudos e relatórios passaram a fundamentar tecnicamente as políticas públicas e a opção do planejamento integrado de obras, com vistas a otimizar os investimentos, em detrimento de obras isoladas e preferências pessoais. Além do mais, os dados projetavam o crescimento do mercado de eletricidade em bases críveis, facilitando, entre outras coisas, o financiamento internacional das barragens e as encomendas aos fornecedores. Segundo Cotrim:

Antes da Canambra, as decisões sobre projetos e prioridades de projetos aconteciam na base do grito. Foi o que aconteceu com Furnas. Furnas foi feita no grito, porque não houve planejamento que a definisse.

A Canambra foi também responsável pela formação de quadros para os setores de planejamento e engenharia elétrica, áreas até então carentes de mão de obra qualificada; pelas mãos dos seus engenheiros foram feitos alguns dos principais inventários das bacias hidrográficas brasileiras. Esse consórcio estabeleceu ainda os parâmetros metodológicos para a realização de estudos e projetos relativos ao sistema elétrico brasileiro. Os projetos que não se adequassem ao “método Canambra” não conseguiam financiamento e não superavam os entraves burocráticos, como as licenças ambientais. Geralmente, uma grande parcela do sucesso do setor elétrico brasileiro é atribuída aos trabalhos da Canambra (LIMA, 1995, p.93; LEITE, 2007, p. 124-5; CACHAPUZ, 2002; MEDEIROS, 1996).

Em 1963, o Ministério de Minas e Energia e os Estados da Guanabara, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo organizaram o Comitê Coordenador de Estudos Energéticos da Região do Centro-Sul, para que as autoridades dos governos e das estatais dos diversos entes federativos discutissem as soluções para as dificuldades de abastecimento, a coordenação de obras e as possibilidades de integração do sistema elétrico no Centro-Sul. O Comitê Coordenador contratou a Canambra para realizar uma série de estudos com o intuito de indicar as melhores soluções para assegurar o fornecimento de energia elétrica (CACHAPUZ, 2000, p. 32-33).

Os técnicos da Canambra fizeram um minucioso inventário dos rios do Centro-Sul brasileiro, uma projeção do mercado elétrico nacional e uma relação de projetos necessários para evitar a crise energética. Posteriormente, no governo Médici, os colaboradores da Canambra fizeram também o inventário das bacias hidrográficas do Norte e do Centro-Oeste brasileiro.

Até então, as autoridades brasileiras não haviam feito um inventário completo das bacias hidrográficas do Centro-Sul do Brasil. Os trabalhos eram feitos de forma não coordenada e pontual, isto é, cada empresa elétrica estabelecia as suas prioridades e suas projeções de mercado. Outro problema é que até então os estudos seguiam metodologias diversas.

No entanto, alguns debates políticos permaneciam, como, por exemplo, as discussões entre as autoridades do setor elétrico em torno de duas opções: investir todos os recursos do setor na expansão de longo prazo em poucos, mas grandes, complexos e promissores projetos, como Sete Quedas e Tucuruí, os quais estavam em fase inicial de estudos técnicos; ou empregar todos os esforços na conclusão de

um grande número de obras de menor porte, portanto menos complexas, e na interligação do sistema para evitar o risco de racionamento de energia.

A Canambra, então, começou a empregar a técnica de passar o pente-fino, rio por rio, e qual não foi a nossa surpresa ao descobrirmos que só na região central tínhamos 50 milhões de quilowats! Estávamos pensando em fazer Sete Quedas, lá longe, quando havia uma porção de projetos debaixo do nosso nariz. A Canambra desenvolveu também um trabalho educativo extraordinário, introduzindo no Brasil a tecnologia da sistemática de investigação de rios. De ponta a ponta, das cabeceiras à foz [...]

(COTRIM, 1995, p. 116)

No início do regime militar, sob forte influência dos trabalhos da Canambra e do problema brasileiro-paraguaio sobre a soberania de Sete Quedas, o governo optou pelos investimentos nas obras das bacias hidrográficas do Centro-Sul, em razão da urgência, da necessidade de realizar um planejamento integrado e da menor distância entre os centros produtores e consumidores:

Tais estudos energéticos, tanto na esfera federal como na dos estados, prosseguiam e, à medida que avançavam, continuavam a registrar novas descobertas, aumentando cada vez mais a avaliação do potencial hidráulico existente na Região Sul-Sudeste brasileira, deixando claro que qualquer empreendimento do tipo de Sete Quedas poderia ser muito adiado, pois haveria formas de atender à demanda com aproveitamentos mais factíveis por longo período.

Desse modo, quando caiu o governo Goulart, em março de 1964, a febre por Sete Quedas declinou de vez, a ponto do próprio autor do polêmico projeto, o engenheiro Marcondes Ferraz, ao assumir, no governo Castello Branco, a direção da Eletrobrás, relegou-o a plano secundário, em face de outras prioridades do setor de energia elétrica brasileiro.

(COLTRIM, 1999, p. 49-50)

Entre fins dos anos 60 e o início da década de 70, a ideia da construção das grandes barragens ganhou força no bojo do governo federal. Isso se deveu aos seguintes fatores: o choque do petróleo de 1973, a necessidade de atender à demanda crescente de energia barata, a decisão governamental de incentivar o crescimento de companhias de engenharia de alta complexidade e criar uma indústria de materiais para grandes barragens, entre outros motivos políticos e econômicos. O dilema entre grandes e poucas obras ou diversas e pequenas barragens foi resolvido somente com o Tratado de Itaipu de 1973 e a Lei de Itaipu, do mesmo ano. Essa temática será retomada e aprofundada mais adiante (item 1.6).

I.4.3.O problema da nacionalização das empresas de energia elétrica

Entre fins dos anos 50 e início dos 60 o debate sobre a situação e a necessidade (ou não) de nacionalização das concessionárias estrangeiras de energia elétrica entrou em voga na política nacional.

O estopim dessas discussões foi a encampação da subsidiária da AMFORP no Rio Grande do Sul pela Companhia de Energia Elétrica Riograndense em maio de 1959. O então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, ordenou o pagamento de um valor simbólico em cruzeiros pelos ativos da empresa. A AMFORP não aceitou a proposta e iniciou uma contenda jurídico-política nos âmbitos interno e externo, com a participação direta de autoridades brasileiras e norte-americanas (DIAS, 1988, p. 198).

O Presidente João Goulart (1961-1964), influenciado por Leonel Brizola, criou a Comissão de Nacionalização das Empresas Concessionárias de Serviços Públicos (Conesp) em 30 de maio de 1962, com o objetivo de fixar normas e valores para a transição do controle das concessionárias estrangeiras de energia elétrica para as mãos do Estado brasileiro.

O grupo norte-americano e o governo brasileiro entraram em acordo em 1963, depois que mais duas subsidiárias da AMFORP foram encampadas por governos estaduais. A AMFORP venderia seus bens ao Estado brasileiro pelo valor de 135 milhões de dólares. No entanto, um mês depois de celebrado o acordo, o Presidente João Goulart ordenou a suspensão dos pagamentos e a abertura de novas negociações sobre os termos do acordo (DIAS, 1988, p. 198-199).

A resolução do “problema da AMFORP” aconteceria em 1964, após o golpe militar, quando a Eletrobrás acertou sua compra pelos mesmos 135 milhões de dólares.

A administração João Goulart também estabeleceu uma série de contatos com a Light em 1963, com vistas à nacionalização da empresa. No entanto, as tratativas se encerraram com o golpe de 1964. O grupo Light vendeu seus bens à União pelo preço de 380 milhões de dólares em janeiro de 1979 (LEITE, 2007, p. 217-218).