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2.5. TÜRKİYE’NİN 2000’Lİ YILLAR POLİTİKASI

2.5.1. Adalet ve Kalkınma Partisi İktidarında Bağımsız Kosova ile İlişkiler 66

2.5.1.2. Kültürel ilişkiler

Na administração Castello Branco (1964 -1967), o setor de energia passou por uma nova mudança no arcabouço institucional, dentro das reformas Campos- Bulhões, cujas metas principais eram o combate ao processo inflacionário e a redução do déficit da balança de pagamentos47.

A principal transformação no setor elétrico foi a adoção da política do “realismo tarifário”, também conhecida como “verdade tarifária”, através dos decretos nº 54.936 e nº 54.937, de 4 de novembro de 1964, que instituíram a correção monetária e o aumento real das tarifas elétricas, com o objetivo de reduzir os subsídios do governo federal ao setor e “restabelecer as condições legais de

remuneração do investimento no setor de energia elétrica” (BRASIL, 1965, p 163)48.

Além das ações acima descritas, houve também a instituição de novas regras pela União, como se pode ver na lei nº 4.13149, e de estímulos, como mostra a Resolução 6350 do Banco Central, com vistas a facilitar a captação de recursos do mercado financeiro para os projetos no segmento elétrico. Essas medidas deram um “novo fôlego” para o setor.

Inicia-se, então, uma política dita de realidade tarifária. As tarifas elevam-se rapidamente: entre 1964 e 1967 subiram, em média, cerca de 60% acima da inflação do período.

[...]

[...] O novo padrão de financiamento da expansão dos serviços públicos de energia elétrica foi centralizado na ELETROBRÁS, que passa a exercer então um papel preponderante na administração da maior parcela dos recursos setoriais não tarifários. Desta forma o Estado pôde mobilizar e canalizar para o setor elétrico nacional durante um longo período, amplas fontes de recursos INTERNOS - quer pela via tarifária, quer pela criação de recursos específicos - e EXTERNOS - facilitados pelas condições de financiamento extremamente favoráveis do mercado financeiro internacional.

47 As reformas Campos-Bulhões visavam os seguintes objetivos: acelerar o desenvolvimento econômico; conter o processo inflacionário; reduzir os desníveis econômicos; assegurar, pela política de investimentos, oportunidades de emprego produtivo; atenuar os déficits da balança de pagamentos (BRASIL, 1965, p. 15). 48 BRASIL. Câmara dos Deputados. Decreto nº 54936, de 4 de novembro de 1964. Disponível em:

http://www2.camara.gov.br/legin/fed/decret/1960-1969/decreto-54936-4-de-novembro-1964-395248-publicacao-1-pe.html. Acesso em 08 de dezembro de 2010, às 12 horas.

BRASIL. Câmara dos Deputados. Decreto nº 54937, de 4 de novembro de 1964. Disponível em:

http://www2.camara.gov.br/legin/fed/decret/1960-1969/decreto-54937-4-de-novembro-1964-395248-publicacao-1- pe.html. Acesso em 08 de dezembro de 2010, às 12 horas.

49 Lei que permite a captação direta de recursos externos por empresas brasileiras (MENDES, 1993, p. 4). 43 Resolução que permite a captação de recursos externos, por meio de intermediação de um banco brasileiro (MENDES, 1993, p. 4).

(MEDEIROS, 1996, p. 48-49)

Com a ajuda dos estudos da Canambra, o Executivo Federal redesenhou a estrutura organizacional do Ministério de Minas e Energia (MME), eliminando o CNAEE e, com isso, extinguindo a sobreposição de tarefas e cargos. Em contrapartida, esse processo fortaleceu a Eletrobrás e o DNAEE (LEITE, 2007, 143- 144).

A Eletrobrás teve sua autonomia, as suas competências, a sua capacidade de investimento e de coordenação do setor elétrico ampliados pelo governo federal.

De acordo com o Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG) de 1964-1966, a União priorizaria os seguintes aspectos da política elétrica brasileira:

a) criação de um clima favorável às empresas concessionárias, reconhecendo-se-lhes o direito a uma justa remuneração do investimento;

b) orientação dos planos globais com vistas ao atendimento das necessidades nacionais de forma equitativa e econômica, objetivando a maior produtividade dos investimentos;

c) ampliação dos sistemas geradores com base em usinas tradicionais;

d) não consideração da energia nuclear como fonte geradora de

energia elétrica em larga escala, no presente estágio;

e) Aproveitamento das reservas de carvão do sul do país como fonte suplementar de energia primária para produção de energia elétrica;

f) Redução da utilização dos produtos de petróleo para produção de energia elétrica;

g) Estímulo à padronização de instalação dos equipamentos usados

nos serviços de eletricidade;

h) Estímulo à formação de pessoal técnico.

(Grifo nosso) (BRASIL, 1965, p. 164)51

As diretrizes “c” e “d” do programa elétrico do PAEG se destacam, pois explicitam a ênfase nos projetos tradicionais de produção de energia elétrica, em detrimento dos planos de maior complexidade e de maior custo, como o programa nuclear brasileiro e o projeto Sete Quedas. Percebe-se nos itens “b”, “g” e “h” a continuidade dos programas governamentais, iniciados pelo governo anterior.

51 BRASIL. Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica. Programa de Ação Econômica do Governo

1964-1966 (Síntese). Documentos EPEA- nº 1 de maio de 1965.

45 BRASIL. Diário Oficial da União (D.O.U.). Lei nº 4454, de 6 de novembro de 1964.

http://www2.camara.gov.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4454-6-novembro-1964-376693-publicacaooriginal-1- pl.html. Acesso em 02 de novembro de 2010, às 13 horas.

Ainda no governo Castello Branco, a lei nº 4.454 de 1964 padronizou a ciclagem da distribuição em 60 Hz para todo o território nacional, diferentemente dos demais países da América do Sul, onde o padrão do sistema elétrico em vigor é de 50 Hz.

Art. 1º - É adotada a frequência de 60 Hertz para distribuição de energia elétrica no território nacional.

Parágrafo único - A unificação da frequência far-se-á, progressivamente, dentro dos prazos e programas aprovados pelo Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica do Ministério das Minas e Energia.

Art. 2º - Nenhuma nova instalação de geração e distribuição de energia

elétrica, para serviços públicos ou de utilidade pública, será autorizada sem que opere ou possa operar em 60 Hertz, salvo quando

circunstâncias excepcionais, devidamente comprovadas a juízo do Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica, contraindicarem a exigência.

(Grifo nosso) (BRASIL, 1964, s/p)52

Por fim, a Eletrobrás finalizou as negociações da compra da AMFORP, pelo valor de vinte bilhões de cruzeiros (ou 135 milhões de dólares, conforme citado anteriormente). A operação foi autorizada pela lei nº 4.428/1964. O Poder Executivo brasileiro deu todas as garantias financeiras para a transação (BRASIL, 1964)53.

Essa medida encerrava o litígio da nacionalização da AMFORP, que se arrastava desde o governo João Goulart.

A Constituição de 24 de janeiro de 1967, no seu artigo 8º, mantém a exclusividade da União em legislar sobre: “XVII - (i) águas, energia elétrica e

telecomunicações” (BRASIL, 1967, p. 355)54. Já no artigo 161, reafirma a distinção

entre a propriedade do solo e das riquezas naturais:

Art. 161 - As jazidas minerais e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo para o efeito de exploração ou aproveitamento industrial.

1º - A exploração e o aproveitamento das jazidas, minas e demais recursos minerais e dos potenciais hidráulicos dependem de autorização ou

46 BRASIL. Diário Oficial da União (D.O.U.). Lei nº 4428, de 14 de outubro de 1964. Disponível em:

http://www2.camara.gov.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4428-14-outubro-1964-37666-publicação-1-pl.html. Acesso em 01 de novembro de 2010, às 13 horas.

54 BRASIL. Constituição do Brasil: promulgada em 24 de janeiro de 1967. In: ALENCAR, Ana Valderez A. N. de Rangel. Constituições do Brasil: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946 e 1967 e suas alterações. Brasília: Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, 1986.

48 BRASIL. Constituição do Brasil: promulgada em 24 de janeiro de 1967. In: ALENCAR, Ana Valderez A. N. de Rangel. Constituições do Brasil: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946 e 1967 e suas alterações. Brasília: Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, 1986.

concessão federal na forma da lei, dada exclusivamente a brasileiros ou a sociedades organizadas no País [...]

(BRASIL, 1967, p. 397)55

Já na gestão Costa e Silva (1967-1969), o poder executivo continuou com o processo de centralização através do decreto 60.820/67, que aumentou os poderes da Eletrobrás, do CNAEE e do DNAE, e incentivou o processo de fusão e concentração das empresas de energia elétrica, pois limitava o número de concessionárias autorizadas a atuar no mercado elétrico; consequentemente, estimulou o fortalecimento das empresas estaduais (BRASIL, 1968, p. II-2) 56.

A forma de calcular os valores das tarifas elétricas foi objeto de uma intensa discussão interministerial, em especial entre Delfim Neto, ministro da Fazenda, e Antônio Dias Leite, ministro de Minas e Energia. De um lado, Delfim defendia subsídio direto para controlar a inflação; de outro, Dias Leite manifestava-se a favor da manutenção do “realismo tarifário” (DIAS LEITE, 2007, p. 147). Essa dualidade está expressa no documento “Programa Estratégico de Desenvolvimento: 1968- 1970”:

A tarifa elétrica é, a um tempo, instrumento de política econômica, fonte de recursos destinada à expansão do setor elétrico e meio de captação de capitais fora do Setor. Seu cálculo deverá objetivar a prestação do serviço pelo custo, em condições de eficiência, atendendo às despesas de exploração e contemplando adequadas provisões financeiras. Considerará, outrossim, todos os princípios que conduzam a uma otimização do conjunto “produtor-consumidor”. A tarifa deverá ser estruturada de maneira a

proporcionar melhor aproveitamento da capacidade instalada, servindo ao mesmo tempo à política de redução de custos industriais básicos [...]

(Grifo nosso) (BRASIL, 1968, p. II-7)57

Em setembro de 1969, a responsabilidade das tarifas foi transferida do Ministério de Minas e Energia para o Conselho Interministerial de Preços (CIP), ligado ao Ministério da Fazenda (LEITE, 2007, p. 147).

Mesmo com os debates sobre as tarifas, o governo federal previu um programa de expansão de mais de 40% da potência instalada no país entre 1968 e

56 BRASIL. Ministério do Planejamento e Coordenação Geral. Programa Estratégico de Desenvolvimento (1968- 1970): Versão Preliminar. In: Estratégia de Desenvolvimento e Estrutura Geral. Volume II.1968.

57 BRASIL. Ministério do Planejamento e Coordenação Geral. Programa Estratégico de Desenvolvimento (1968- 1970): Versão Preliminar. In: Estratégia de Desenvolvimento e Estrutura Geral. Volume II.1968.

1970. Estimava-se um crescimento no consumo de 38% no mesmo período, e os recursos para o programa de investimento seriam captados junto ao mercado financeiro internacional (BRASIL, 1968, p. II-8, II-10 e II-16)58.

Na administração Médici (1969-1973), a União realizou um amplo programa de investimentos no setor elétrico, cujos destaques foram: os projetos de criação da Eletrosul e da Eletronorte, sob responsabilidade da Eletrobrás; o processo de levantamento da potência hidráulica das regiões Norte e Centro-Oeste para abertura de “novas” fronteiras energéticas59; o início dos estudos para a integração das diversas redes de transmissão no território nacional; a construção de uma usina nuclear para geração de eletricidade; a construção e conclusão de uma série de hidroelétricas e termoelétricas, como as barragens de Ilha Solteira e Jupiá (BRASIL, 197060; LEITE, 2007).

No documento “Metas e Bases para a Ação de Governo”, de setembro de 1970, a administração federal apontou a necessidade do planejamento integrado dos diversos setores energéticos, com vistas a atender à crescente demanda de eletricidade, causada pelo crescimento econômico e pelo processo de urbanização da cidade.

Segundo esse documento, o poder executivo estabeleceu como meta um aumento de 54% na capacidade instalada, que passaria de pouco mais de 10 mil quilowatts, em 1969, para algo próximo a 16 mil quilowatts, em 1973. Previu, ainda, o “ingresso efetivo do país na era da energia nuclear” (BRASIL, 1970, p. 130)61. O texto sugere discretamente a necessidade de se pensar estrategicamente a energia como elemento importante ao desenvolvimento e à segurança nacional (Op. Cit, p. 148)62.

Em 1973, o primeiro Choque do Petróleo colocou em risco o acelerado processo de desenvolvimento econômico brasileiro, devido à dependência da economia nacional desse insumo. As autoridades, obrigadas a repensar os caminhos do país, chegaram à conclusão de que a melhor forma de enfrentamento da crise mundial seria a aceleração dos investimentos nacionais.

58 BRASIL. Ministério do Planejamento e Coordenação Geral. Programa Estratégico de Desenvolvimento (1968- 1970): Versão Preliminar. In: Estratégia de Desenvolvimento e Estrutura Geral. Volume II.1968.

59 A Canambra, em um primeiro momento, fez o levantamento do potencial dos rios do Centro-Sul do Brasil. Após esse trabalho, a Canambra iniciou o trabalho de levantamento do Centro-Oeste e Norte do território brasileiro.

60 BRASIL. Presidência da República. Metas e Bases para a Ação de Governo. Brasília, setembro de1970. 61 BRASIL. Presidência da República. Metas e bases para a ação de Governo. Brasília, setembro-1970. 62 BRASIL. Presidência da República. Metas e bases para a ação de Governo. Brasília, setembro-1970.

I. 6 O II PND: a reposta ao choque do petróleo e o ápice do modelo centrado