• Sonuç bulunamadı

4. TÜRKİYE’DE KOBİ’LERİN BANKA KREDİLERİNE ERİŞİM

4.3. KOBİ’lerin Kredilere Erişimi

4.4.1. KOSGEB Kredi Faiz Desteği

Com esta pesquisa foi possível dar a conhecer o cotidiano escolar de uma escola rural de uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. E entender como é construído o discurso de um professor nesta escola foi interessante, pois permitiu ver que, muito embora esteja impregnado de expectativas de valorização do local, respeito às diversidades culturais e regionais, visando a formação de um cidadão crítico e consciente - como previam os Parâmetros Curriculares Nacionais- notou-se, contudo, que havia desarmonia entre este discurso e as práticas pedagógicas realizadas na escola. Não é fácil transformar em prática cotidiana esses conceitos. Assim como dizia Foucault (1996), o discurso possui uma ordem, e estas não estão nas palavras e sim nas práticas.

Neste sentido, apesar da Escola Municipal de Roberts estar localizada na zona rural de Teixeiras, percebe-se que a escola é tratada pelos docentes, como uma escola urbana, uma vez que o referencial é urbano e a padronização é uma busca constante. O que se prioriza, como intenção, é preparar o estudante para enfrentar a “concorrência” “lá fora” e não ajudar a criar condições de desenvolvimento local.

Tanto a direção da escola como os docentes que trabalham nela, enfrentam dificuldades em inserir nas suas práticas pedagógicas o que eles entendem sobre o rural ou o que se apregoa os PCN´s. Sendo assim, não percebem a escola como um campo de possibilidades de realizar um trabalho pedagógico diferente, respeitando as particularidades e especificidades locais.

Entretanto, reconhecem que essas particularidades são importantes, mas não sabem como inseri-las em suas práticas.

Pode-se dizer também, que há descontinuidade e limitação para os trabalhos pedagógicos não só nessa escola, mas em todas as outras escolas no Município, porque todos os cargos técnicos-administrativos, como dos docentes, são designações temporárias, o que provoca insegurança na produção de qualquer inovação, criação ou crítica mudança.

A cada troca de governo municipal, costuma-se trocar todos os chamados “cargos de confiança”. Dessa forma, os projetos pedagógicos acabam ocorrendo dentro do curto prazo de quatro anos (período de gestão política-administrativa). Isso faz com que não haja nenhuma política pública voltada para as escolas rurais. Essa limitação estrutural e institucional implica numa limitação de construção conceitual que não esclarece outros propósitos para a educação do campo. A escola rural deixa de ser, assim, espaço estratégico de desenvolvimento local.

Outros dois problemas podem ser decorrentes dos “cargos de confiança”. Primeiro, a estagnação formativa de alguns professores, pois estes acabam ficando desatualizados. Segundo, a insegurança causada nos professores tem reflexo na escola, uma vez que, quando se aproxima o ano eleitoral, não se tem a garantia de que permanecerão no cargo. Para o trabalho docente, essa é uma situação pedagógica insuportável com efeitos maléficos para a aprendizagem. Entretanto, há uma pressão muito grande em relação à nomeação de um concurso público, que foi realizado em anos anteriores, ficando a esperança para que os docentes aprovados sejam, de fato, efetivados.

O fato de a escola estar inserida em área de Proteção Ambiental do município, não resultou em nada de especificidade no cotidiano escolar, talvez em razão da administração municipal nunca ter travado um diálogo com a escola a esse respeito. A desinformação é uma evidência. Ninguém da escola, e nem os moradores, sabem que eles fazem parte desta grande área.

Se o município incluísse a escola, tanto na criação da APA, como no seu plano de gestão, como acontece em outros municípios de Minas Gerais, ela poderia contribuir com o desenvolvimento sustentável local. A implantação de

agrícolas, coleta seletiva de lixo, cuidados com a saúde e plantas medicinais, dentre outros, poderiam entrar no plano de gestão da APA e a escola rural poderia ser um espaço de diálogo entre a comunidade e o poder municipal

Nessa condição, os professores poderiam ser agentes de desenvolvimento, pois seriam um elo na comunidade e viabilizadores de espaços para trocas de experiências.

Os professores, se assim forem capacitados, poderiam incentivar a problematização dos temas sócio-ambientais, e poderiam contribuir na gestão de projetos de pesquisa que visassem à diversidade do campo. Essa é uma prática pedagógica de pesquisa que tem como princípio cognitivo e formativo, a integração de conhecimentos, nas perspectivas multi e transdisciplinares, que são capazes de promover a complementaridade dos saberes para o entendimento da complexidade do real.

Daí a importância da valorização de outras formas de saberes, que não são reconhecidos como científicos e, que talvez, nem tenham fundamentos em grandes teorias, mas que acabam, por sua vez, ficando à margem do debate do que é tido como conhecimento-cientifico legítimo. A consideração destes conhecimentos locais pode ser útil na solução de problemas.

Os professores teriam, assim, um papel importante no processo que contribui para o resgate e repasse destes conhecimentos, cuidando para que suas intervenções pautem-se por convicções e conseqüências mais fundamentadas numa análise sociológica que não produz ausência, mas reconhecimento de valores constitutivos locais. Essas ações constituem-se em processos educativos, favorecendo espaços para troca de experiências tanto do conhecimento formal escolar quanto do conhecimento local ainda não sistematizado.

Por isso, o trabalho coletivo (entre professores, comunidade e estudantes) acaba sendo a base para a estruturação e condução das atividades desenvolvidas em ambientes escolares e não-escolares. Ao proporcionar a participação na gestão dos processos educativos e avaliativos constantes, perpassaram temas relevantes da agricultura, da produção e da organização das instituições que atuam no local, contribuindo, assim, para a geração e difusão de um conhecimento localmente referenciado.

Nesse sentido, seria de suma importância cursos de capacitação e atualização relacionados à Educação do Campo para esses professores.

Considerando o cotidiano escolar como um espaço de múltiplos significados, pode-se perceber que nessa escola rural, as práticas pedagógicas vão acontecendo a partir do referencial urbano. E esta é uma das facetas desse múltiplo espaço que, por mais que os educadores entendam que há particularidades da comunidade, ainda assim, predomina o sentimento de que a escola só está localizada na zona rural, mas que a escola não deve ser diferente de tantas outras urbanas.

E, compreender os elementos constitutivos do cotidiano escolar é compreender os alunos, os funcionários, os professores, os gestores da escola e quais as relações que são estabelecidas entre eles e com a comunidade local. A infra-estrutura da escola delimita espaços e práticas pedagógicas. As condições externas à escola, são questões de gestão política e também fazem parte deste cotidiano e influencia nas atividades pedagógicas.

Por outro lado, os acontecimentos necessários a esta escola, acabam extrapolando os muros da escola. Há que se abrir o portão para a comunidade como referência significativa e não como algo a ser negociado ou revelado apenas aspectos que o nega. E sendo assim, para compreender esses acontecimentos é preciso saber e construir a história local, respeitando os valores e a identidade da comunidade. Isso não implica em negar o urbano, mas problematizar sua relação com ele e a desvalorização do rural diante dele.