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Konya İmam Hatip Lisesi ve Hacı Veyiszâde Mustafa Kurucu

Nos últimos tempos, o processo de diagnóstico psicológico sofreu importantes modificações, que muito contribuíram para sua evolução.

Partimos destacando a transformação histórica56 dos modelos

metodológicos positivistas vigentes como forma de atuação inicial em psicodiagnóstico, que foram largamente influenciados pela difusão da Psicanálise, constituindo na revolução do contexto metodológico do processo diagnóstico.

Atrelada à busca da compreensão dos fenômenos humanos, no período inicial do estudo da visão de homem no campo das ciências, a postura predominante na época era a de se chegar ao conhecimento do fenômeno humano por meio da observação imparcial e da experimentação. Com a inserção da ótica psicanalítica a explicitar o conceito de inconsciente e dos processos intrapsíquicos, reformulou-se a contextualização do diagnóstico psicológico, cujo estudo da personalidade foi contemplado com maior amplitude sobre sua formação, estrutura e funcionamento (ANCONA-LOPEZ, 1984).

56 A transformação histórica no campo das ciências será focalizada na discussão do método clínico, inserido no Capítulo IV, sobre os aspectos metodológicos deste estudo.

Destacamos, a seguir, alguns autores importantes que muito contribuíram para a compreensão do processo de diagnóstico psicológico, articulando desde a revolução de paradigma às reflexões sobre sua própria evolução.

Ocampo e Arzeno (2001) retrataram com importância a evolução histórica do processo diagnóstico, destacando a extrema carência de um marco de referência na adoção do papel do psicólogo, bem como do contexto teórico.

As autoras (idem:10-11) comentam sobre a conduta inicial do psicólogo em adotar o método do médico clínico durante o contato com o paciente na realização do diagnóstico e explicam que tal conduta expressava-se tanto pela carência de uma identidade sólida do psicólogo como de uma suposta proteção, um escudo contra o despertar de angústias e sentimentos que a relação com o paciente poderia propiciar. Por outro lado, em relação àqueles que abandonavam essa conduta e experimentavam uma aproximação com o paciente, alguns resultados dessa “desproteção” seguiam para a contra-identificação projetiva com o paciente, o que certamente interferia na tarefa diagnóstica.

Embora as autoras (ibidem) contemplem a difusão da Psicanálise como marco de referência e modelo de trabalho, ressalvam a necessidade de delimitar o processo diagnóstico, de definir suas diferenças com a técnica psicanalítica empregada durante o processo psicanalítico. O processo diagnóstico, explicam as autoras, dispõe de um contrato com o paciente, com tempo limitado, e requer um enquadramento específico, com começo, meio e fim, em poucas sessões.

Assim, Ocampo e Arzeno (idem:11) identificam que além da carência inicial de um marco de referência, mesmo com a adoção da Psicanálise, houve a necessidade de encontrar as semelhanças e as diferenças em relação ao analista. Lembra, ainda, a analogia de que o psicólogo, na evolução do diagnóstico, percorreu as “mesmas etapas que um indivíduo percorre em seu crescimento”.

Trinca (1997), destacado autor de nosso meio, também comentou sobre a contribuição da Psicanálise, bem como do método psicanalítico,57

para a ampliação do diagnóstico psicológico. O autor (idem:21) retrata que, tendo em vista a Psicanálise considerar a pessoa como totalidade indivisível, os aspectos conscientes e inconscientes poderiam ser estudados, além de priorizada a relação psicólogo-cliente. Denotou-se, assim, vasta inclusão de novos meios de investigação da dinâmica da personalidade, além de um contato mais profundo com o paciente.

Além disso, Trinca (idem) ressalta que os testes projetivos caminharam atrelados a essa transformação de paradigma, pois, além de se apresentarem como testes pelas concepções teóricas anteriores, também se encaixavam nessas novas perspectivas teóricas, o que resultou na flexibilização do processo diagnóstico como predominantemente clínico. O autor (ibidem:22):

O Diagnóstico Psicológico pôde evoluir para uma visão humanista integradora, que considera a perturbação emocional dentro de um processo global de rupturas e reequilíbrios na personalidade.

Trinca A. e Becker (1984:85) ainda destacam que o diagnóstico psicológico deverá ter a apreensibilidade dos graus de psicopatologia, a diferenciar funcionamentos neuróticos de psicóticos, e dos quadros nosográficos, em que se descrevam as defesas e ansiedades predominantes; e explicar a dinâmica individual, em que se efetive a integração dos comportamentos manifestos do cliente ao material obtido por meio das técnicas empregadas.

As autoras (idem:93) contemplam a mudança atrelada ao papel do psicólogo e afirmam que, sendo ele o norteador de todo o processo diagnóstico, é de suma importância sua preparação pessoal, na medida em que acumule experiências profissionais humanizadas, paralelamente ao acervo de conhecimentos profundos sobre si próprio, o que facilita a apreensão de conteúdos latentes do cliente, inteiramente capacitada pela percepção de seu interior.

Aiello-Tsu (1984), importante autora de nosso meio, ao abordar a relação entre psicólogo-cliente altamente influenciada após a transformação epistemológica acerca da aceitabilidade de que os conhecimentos possam ser apreendidos a partir de um contexto relacional, discorre sobre a postura do psicólogo na instrumentação da transferência,58 o qual se utiliza do conceito

de “dissociação instrumental”59 para significar o manejo interno do

profissional, também durante o processo diagnóstico.

Trata-se, segundo Aiello-Tsu (idem:46-49), de uma dissociação desenvolvida pelo psicólogo, em que uma parte dele está profundamente inserida na relação com o cliente e recebe as emoções advindas de sua conduta; e a outra parte permanece distanciada da situação, o que vem a possibilitar, assim, a compreensão mais profunda do que está ocorrendo na relação, evidentemente alcançada pelo preparo do profissional, cujos conhecimentos psicológicos estão fundamentalmente atrelados a seu conhecimento pessoal.

Ao conceituar “dissociação instrumental”, a autora (idem:47) repercute às idéias de Winnicott (1953/1975) sobre a transicionalidade, que como campo emergente, a partir da manifestação advinda do mundo interno do cliente, transcorre em uma zona intermediária, na área transicional,60 tanto

nas sessões diagnósticas como nas terapêuticas.

Finalizamos este tópico nos remetendo ao importante pensamento de Ancona-Lopez (1984:10) acerca da tarefa diagnóstica. Enfatiza a autora (idem) que o processo diagnóstico, ainda que seja o mais completo, irá retratar um determinado momento da vida do paciente e se constituir sempre como hipótese diagnóstica, pois a autora utiliza como referência o conceito de que a Psicologia, como também qualquer outra ciência, não é

58Transferência “designa em psicanálise o processo pelo qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados objetos no quadro de um certo tipo de relação estabelecida com eles e, eminentemente, no quadro da relação analítica” (LAPLANCHE; PONTALIS, 1986, p. 668-669). Segundo Winnicott (1960/1983, p. 146), “transferência não é apenas uma questão de relacionamento, ou relações. Ela se refere ao modo como fenômenos altamente subjetivos aparecem repetidamente. A Psicanálise consiste principalmente em propiciar as condições para o desenvolvimento desses fenômenos, e a interpretação dos mesmos no momento oportuno”. Aiello- Vaisberg (2004) afirma que a transferência é poderosa aliada do psicodiagnóstico, pois ela “existe quando comunicações humanas, que são inelutavelmente fenômenos intersubjetivos, são vistas em função daquilo que permitem apreender, no plano psíquico, quem é aquele que as enuncia” (p. 9).

59 Segundo Aiello-Tsu (1984), esse conceito foi denominado pela escola argentina.

60

considerada como um corpo de conhecimento acabado, completo e terminado.

Benzer Belgeler