• Sonuç bulunamadı

3. OSMANLI SOSYO- KÜLTÜREL YAPISI BAĞLAMINDA TAŞINMAZ

4.3 Vakıf Arazisi (Arazi-i Mevkufe)

4.3.5 Konusuna göre vakıfların gruplandırılması

Sempre que se faz referência à palavra de Deus, ou do homem, não se significa uma parte da linguagem, como são para os gramáticos os nomes, ou os verbos, ou qualquer termo isolado, sem um contexto com outras palavras que o tornem significativo, e sim uma oração ou discurso perfeito, onde o orador afirma, nega, ordena, promete, ameaça, deseja ou interroga. E neste sentido uma palavra não significa vocabulum, mas sermo (em grego lógos), isto é, uma oração, discurso ou fala.

Por outro lado, quando falamos da palavra de Deus ou do homem, isso pode às vezes entender-se do orador (como as palavras que Deus proferiu, ou que um homem proferiu). Neste sentido, quando falamos do Evangelho de São Mateus entendemos que São Mateus foi seu autor. Outras vezes pode entender-se do tema, e nesse sentido, quando lemos na Bíblia as palavras dos dias dos reis de Israel e de Judá isso significa que as ações praticadas nesses dias foram o tema dessas palavras. E na língua grega, que nas Escrituras conserva muitos hebraísmos, entende-se muitas vezes pela palavra de Deus, não aquela que é dita por Deus, mas a que

é dita a respeito de Deus e de seu governo, quer dizer, a doutrina da religião. Assim, é a mesma coisa dizer lógos theoú ou theologia, a doutrina a que precisamente chamamos teologia, conforme é manifesto na seguinte passagem (At 13,46): Então Paulo e Barnabé passaram à ousadia e disseram: É necessário que a palavra de Deus primeiro vos seja dita, mas vendo que a recusais e que vos julgais indignos de uma vida eterna, vede, voltamos para os gentios! 0 que aqui se chamava palavra de Deus era a doutrina da religião cristã, como fica evidente pelo que precede. E onde (At 5,20) um anjo diz aos apóstolos: Erguei-vos e dizei no templo todas as palavras desta vida, a expressão palavras desta vida significa a doutrina do Evangelho, como se torna evidente pelo que eles fizeram no templo, e se encontra expresso no último versículo do mesmo capítulo: Diariamente no templo e em cada casa eles não cessavam de ensinar e pregar a Cristo Jesus. Fica manifesto nesta passagem que Jesus Cristo era o tema desta palavra da vida, ou então, o que é o mesmo, o tema das palavras desta eterna vida que nosso Salvador lhes ofereceu. Assim (At 15,7), a palavra de Deus é chamada a palavra do Evangelho, porque encerrava a doutrina do Reino de Cristo, e a mesma palavra (Rom 10,8s) é chamada a palavra da fé, isto é, conforme aí se encontra expresso, a doutrina de Cristo erguido e regressado de entre os mortos. E também, em (Mtensinada por Cristo. E da mesma palavra se diz (At 12,24) que cresce e se multiplica, o que é fácil ser entendido da doutrina evangélica, mas é difícil e estranho ser entendido da voz ou fala de Deus. No mesmo sentido, doutrina dos diabos não significa as palavras de qualquer diabo, e sim a doutrina dos pagãos a respeito dos demônios, e aqueles fantasmas a quem eles adoravam como deuses.

Examinando estas duas significações da palavra de Deus, conforme aparece nas Escrituras, é manifesto neste último sentido (quando tomada como doutrina da religião cristã) que as Escrituras inteiras são a palavra de Deus; mas no primeiro sentido não é esse o caso. Por exemplo, embora as palavras Eu sou o Senhor teu Deus, etc., no final dos dez mandamentos, tenham sido ditas a Moisés por Deus, apesar disso o Prefácio, Deus proferiu estas palavras e disse, deve ser entendido como as palavras daquele que escreveu a história santa. A palavra de Deus, no sentido daquela que ele proferiu, às vezes entende-se propriamente, e às vezes metaforicamente. Propriamente, como as palavras que ele disse a seus profetas, e metaforicamente como sua sabedoria, poder e eterno decreto, ao fazer o mundo. Neste sentido, os fiat de Gên 1, Faça-se a luz, Faça-se um firmamento, Façamos o homem, etc., são a palavra de Deus. E no mesmo sentido se diz (Jo 1,3): Todas as coisas são feitas com ela, e sem ela nada foi feito do que foi feito; e também (Hbr 1,3): Ele manteve todas as coisas pela palavra de seu poder, quer dizer, pelo poder de sua palavra, ou seja, por seu poder; e ainda (Hbr 11,3): Os mundos foram forjados pela palavra de Deus; e muitas outras passagens com o mesmo sentido. Assim como também entre os latinos a palavra face, que significava propriamente a palavra dita, era tomada no mesmo sentido.

Em segundo lugar, entende-se como os efeitos de sua palavra, quer dizer, como a própria coisa que por sua palavra é afirmada, ordenada, ameaçada ou prometida. Como quando se diz (Sl 105,19) que José foi mantido na prisão até que sua palavra chegou, isto é, até vir a acontecer aquilo que ele havia predito (Gên 40,13) ao copeiro de Faraó, a respeito de sua recuperação desse cargo; porque sua palavra chegou significa aí que a própria coisa aconteceu. E também Elias disse a Deus (1 Rs 18,36): Eu fiz todas estas tuas palavras, em vez de dizer: Eu fiz todas estas coisas por tua palavra, ou ordem. E (Jer 17,15) Onde está a palavra do Senhor está em vez de Onde está o mal que ele ameaçou. E (Ez 12,28) em Nenhuma de minhas palavras se prolongará mais, entende-se por palavras aquelas coisas que Deus havia prometido a seu povo. E no Novo Testamento (Mt 24,35) o céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão quer dizer que não há nada do que ele prometeu ou predisse que não venha a acontecer. E é neste sentido que São João Evangelista, e, segundo creio, apenas São João, chamava a nosso próprio Salvador a encarnação da palavra de Deus (como em Jo 1,14: a palavra se fez carne), quer dizer, a palavra ou promessa de que Cristo viria ao mundo; que no princípio estava com Deus, quer dizer, era intenção de Deus Pai enviar ao mundo a Deus Filho, a fim de iluminar os homens no caminho da vida eterna; mas até esse momento essa intenção não foi posta em execução e efetivamente encarnada, e assim nosso Salvador é aí chamado a palavra, não porque ele fosse a promessa, mas porque era a coisa prometida. Aqueles que se apóiam nesta passagem para lhe chamar o Verbo de Deus não fazem mais do que tornar o texto mais obscuro. Também poderiam ter-lhe chamado o Nome de Deus, porque por nome, tal como por verbo, entende-se apenas uma parte da linguagem, uma voz, um som, que nem afirma nem nega, não ordena nem promete, e também não é qualquer substância corpórea ou espiritual, da qual portanto não pode dizer-se que seja Deus ou homem, ao passo que nosso Salvador era ambas essas coisas. E essa palavra que São João disse em seu Evangelho que estava com Deus é (em sua primeira Epístola, versículo 1) chamada a palavra da vida, e (versículo 2) a vida eterna, que estava com o Pai, de modo que Deus só pode ser chamado a palavra na medida em que é chamado vida eterna, quer dizer, aquele que nos trouxe a vida eterna, pelo fato de ter-se feito carne. Assim também (Ape 19,13) o apóstolo, ao

falar do Cristo, vestido com uma túnica empapada de sangue, disse: seu nome é a palavra de Deus, o que deve ser entendido como se ele tivesse dito que seu nome era Aquele que veio conformemente à intenção de Deus desde o princípio, e conformemente a sua palavra e promessas transmitidas pelos profetas. Portanto aqui de modo algum se trata da encarnação da palavra, mas da encarnação de Deus Filho, ao qual portanto se chama a palavra, porque sua encarnação foi o cumprimento da promessa. Da mesma maneira que ao Espírito Santo se chama a promessa.

Há também passagens das Escrituras onde a palavra de Deus significa aquelas palavras que são conformes à razão e à eqüidade, embora às vezes não sejam proferidas nem por um profeta nem por um homem santo. Porque o faraó Necao era um idólatra, e no entanto se diz de suas palavras ao bom rei Josias, nas quais o aconselhava, por intermédio de mensageiros, a não se opor a sua marcha contra Carchemish, que elas provinham da boca de Deus, e que Josias, como não lhes deu ouvidos, foi morto na batalha, conforme pode ler-se em 2 Crôn 35,21-23. É certo que quando a mesma história é narrada no primeiro livro de Esdras não é o faraó, e sim Jeremias que diz essas palavras a Josias, a partir da boca do Senhor. Mas devemos dar crédito às Escrituras canônicas, seja o que for que esteja escrito nos apócrifos.

A palavra de Deus também deve ser tomada como os ditames da razão e da eqüidade, quando da mesma se diz nas Escrituras que está escrita no coração do homem, como no Salmo 36,31, em Jer 31,33, em Dt 30,11.14, e em muitas outras passagens semelhantes.

0 nome de profeta significa nas Escrituras às vezes prolocutor, quer dizer, aquele que fala de Deus ao homem, ou do homem a Deus, outras vezes praedictor, aquele que prediz as coisas futuras, e outras vezes aquele que fala incoerentemente, como os homens que estão distraídos. É usado mais freqüentemente no sentido de quem fala de Deus ao povo. Assim Moisés, Samuel, Elias, Isaías, Jeremias e outros eram profetas. E neste sentido o Sumo Sacerdote era um profeta, pois só ele entrava no sanctum sanctorum, para inquirir de Deus e transmitir sua resposta ao povo. Portanto, de quando Caifás disse ser conveniente que um homem morresse pelo povo, diz São João (cap. 11,15) que Ele não disse isso por si mesmo, mas sendo o Sumo Sacerdote desse ano profetizou que um homem morreria pela nação. Também dos que nas congregações cristãs ensinavam o povo (1 Cor 14,3) se diz que profetizavam. Foi no mesmo sentido que Deus disse a Moisés, a respeito de Aarão (Êx 4,14): Ele será teu porta-voz perante o povo, e para ti ele será uma boca, e tu para ele farás as vezes de Deus; o que aqui é chamado porta-voz é (no cap. 7,1) interpretado como profeta: 1'ê (disse Deus), fiz de ti um Deus para Faraó, e teu irmão Aarão será teu profeta. No sentido de falar do homem para Deus, Abraão é chamado profeta (Gên 20,7), quando num sonho Deus fala a Abimelec desta maneira: Restitui portanto agora ao homem sua mulher, porque ele é um profeta, e rezará por ti, de onde se pode também concluir que o nome de profeta pode ser dado, e não impropriamente, aos que nas igrejas cristãs têm a vocação de dizer orações públicas para a congregação. No mesmo sentido, dos profetas que desceram do alto lugar (ou colina de Deus) com um saltério, um adufe, uma flauta e uma harpa (1 Sam 10,5s), entre os quais Saul (versículo 10), se diz que profetizaram, na medida em que dessa maneira publicamente louvaram a Deus. No mesmo sentido Míriam é chamada uma profetiza (Êx 15,20). 0 mesmo deve ser entendido quando São Paulo diz (1 Cor 11,4s): Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta, etc., e toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta; porque nesta passagem profetizar significa apenas louvar a Deus em salmos e santas canções, o que as mulheres podiam fazer na igreja, embora não fosse legítimo que elas falassem à congregação. E é neste sentido que os poetas dos pagãos, que compunham hinos e outros tipos de poema em honra de seus deuses, eram chamados vates (profetas), como bastante sabem todos os que são versados nos livros dos gentios, e como fica evidente quando São Paulo diz aos cretenses (Ti 1,12) que um dos seus profetas dissera que eles eram mentirosos, não que São Paulo considerasse profetas os seus poetas, pois ele simplesmente reconhecia assim que a palavra profeta era geralmente usada para designar os que celebravam em verso a honra de Deus.

Na medida em que profecia significa predição ou previsão de contingências futuras, não eram profetas apenas os que eram porta-vozes de Deus e prediziam para os outros as coisas que Deus havia predito a eles, eram-no também todos aqueles impostores que pretendiam, com a ajuda de espíritos familiares ou por supersticiosas adivinhações dos acontecimentos passados, a partir de falsas causas, prever a ocorrência de acontecimentos semelhantes no futuro. Dos quais há muitas espécies (conforme já declarei no capítulo 12 deste discurso), que adquirem na opinião das gentes do vulgo uma grande reputação de profecia, graças a um acontecimento casual que pode ser apenas distorcido em seu proveito, reputação essa que é maior do que a que depois pode ser perdida por um grande número de fracassos. A profecia não é uma arte, nem tampouco (quando é tomada como predição) uma vocação constante, mas um emprego extraordinário e temporário por Deus, na maior parte dos casos de homens bons, mas às vezes também de homens maus. A mulher de Endor, da qual se diz que tinha um espírito familiar, através do qual chamou o fantasma de Samuel e previu a morte

de Saul, não era, portanto, uma profetiza. Pois nem possuía uma ciência mediante a qual pudesse chamar um tal fantasma, nem parece que Deus tenha ordenado esse chamamento, tendo-se limitado a usar essa impostura como meio para aterrorizar e desencorajar Saul, levando-o à derrota de que sucumbiu. Quanto à linguagem incoerente, entre os gentios era tomada por uma espécie de profecia, porque os profetas de seus oráculos, intoxicados por um espírito ou vapor da caverna do oráculo pítico de Delfos, ficavam por uns tempos realmente loucos, e falavam como loucos, e de suas palavras desconexas podia tirar-se um sentido capaz de aplicar-se a qualquer acontecimento, do mesmo modo que de todos os corpos se diz que são feitos de matéria prima. Também nas Escrituras encontro o mesmo sentido (1 Sam 18,10), nestas palavras: E o espírito maligno baixou sobre Saul, e ele profetizou no meio da casa.

Embora haja nas Escrituras grande número de significações da palavra profeta, a mais freqüente é a daquele a quem Deus falou imediatamente, e vai repeti-lo a outro homem ou ao povo. E aqui pode fazer-se uma pergunta, a saber, qual a maneira como Deus fala a um tal profeta. Poderá propriamente dizer-se, como dizem alguns, que Deus tem voz e linguagem, quando não pode propriamente dizer-se que ele tem língua, ou outros órgãos, idênticos aos do homem? 0 profeta Davi usa o seguinte argumento: Pode aquele que fez o olho não ver, e pode aquele que fez o ouvido não ouvir? Mas isto pode ser dito, não como habitualmente para descrever a natureza de Deus, mas para significar nossa intenção de honrá-lo. Porque ver e ouvir são atributos honrosos, e podem ser dados a Deus para declarar sua onipotência (na medida em que nossa capacidade pode concebê-la). Mas. se fossem tomados em sentido estrito e próprio, poderia argumentar-se, dado ele ter feito todas as outras partes do corpo humano, que ele faz delas o mesmo uso que nós, o que na maioria dos casos seria inconveniente, além de que atribuir-lho seria a maior contumélia deste mundo. Portanto, devemos interpretar o ato de Deus falar aos homens imediatamente como aquela maneira (seja ela qual for) através da qual Deus lhes dá a conhecer sua vontade. E são muitas as maneiras como ele faz isso, e só devem ser procuradas nas Sagradas Escrituras, onde embora muitas vezes se diga que Deus falou a esta ou àquela pessoa, sem declarar de que maneira, há por outro lado muitas passagens que mostram também quais os sinais mediante os quais essas pessoas deviam reconhecer sua presença e seus mandamentos, passagens essas através das quais pode tornar-se possível entender de que maneira falou a muitas das restantes.

Não se encontra expressa a maneira como Deus falou a Adão, Eva, Caim e Noé, nem como falou a Abraão, até ao momento em que este saiu de sua terra e foi a Sichem, na terra de Canaã, e aqui se diz (Gên 12,7) que Deus lhe apareceu. Portanto, há uma maneira pela qual Deus tornou manifesta sua presença: isto é. através de uma aparição ou visão. Além disso (Gên 15,1), a palavra de Deus chegou a Abraão numa visão, quer dizer, alguma coisa, em sinal da presença de Deus, apareceu como mensageiro de Deus para falar-lhe. 0 senhor apareceu também a Abraão (Gên 18,1) através de uma aparição de três anjos, e a Albimelec (Gên 20,3) num sonho; a Lot (Gên 19,1) através da aparição de dois anjos, e a Agar (Gên 21,17) através da aparição de um anjo; e novamente a Abraão. (Gên 22, l I) através da aparição de uma voz do céu, e a lsaac (Gên 26,24) durante a noite (quer dizer, durante o sono, ou através de um sonho); e a Jacob (Gên 18,12) foi num sonho, quer dizer (conforme as palavras do texto), Jacob sonhou que viu uma escada, etc., e também (Gên 32,1) numa visão de anjos; e a Moisés (Êx 3,2) foi a aparição de uma chama ou fogo no meio da sarça. E depois da época de Moisés (onde está expressa a maneira como Deus falou imediatamente ao homem no Antigo Testamento), ele sempre falou por uma visão ou por um sonho, como nos casos de Gedeão, Samuel, Elias, Elisa, Isaías, Ezequiel, e os restantes profetas; e muitas vezes também no Novo Testamento, como nos casos de São José, São Pedro, São Paulo, e São João Evangelista no Apocalipse.

Só a Moisés falou de maneira mais extraordinária, no monte Sinai e no Tabernáculo, e ao Sumo Sacerdote no Tabernáculo e no sanctum sanctorum do templo. Mas Moisés, e depois dele os Sumos Sacerdotes, eram profetas de lugar e posição mais eminente no favor de Deus, e o próprio Deus declarou por palavras expressas que aos outros profetas falava através de sonhos e visões, mas a seu servo Moisés falava de maneira como um homem fala a um amigo. As palavras são estas (Núm 12,6-8): Se há um profeta entre vós, eu, vosso Senhor, me darei a conhecer a ele numa visão, e a ele falarei num sonho. Com meu servo Moisés não é assim, pois ele é fiel em toda a minha casa; com ele falarei de boca a boca, de maneira clara e não em palavras obscuras, e ele contemplará o semblante de Deus. E também (Êx 33,11):0 Senhor falou a Moisés frente a frente, como um homem fala a um amigo. Apesar disso esta fala de Deus a Moisés foi através da mediação de um anjo ou anjos, como é dito expressamente (At 7,35.53 e Gál 3,19), portanto através de uma visão, embora uma visão mais clara do que a que foi dada a outros profetas. Conformemente a isto, quando Deus diz (Dt 13,1): Se surgir entre vós um profeta, ou sonhador de sonhos, a última expressão é apenas uma interpretação da anterior. E também (JI 2,28) Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, e vossos velhos sonharão sonhos, e vossos jovens verão visões, onde mais uma vez a palavra profecia é exposta por sonho e visão. E foi da mesma maneira que Deus falou a Salomão, prometendo-lhe sabedoria, riqueza e honra, pois o

texto diz (1 Rs 3,15): E quando Salomão acordou viu que era um sonho. De modo que em geral os profetas extraordinários do Antigo Testamento só tomaram conhecimento da palavra de Deus através de seus sonhos ou visões, quer dizer, através das imaginações que tiveram durante o sono ou um êxtase, imaginações essas que em todos os verdadeiros profetas eram sobrenaturais, mas nos falsos profetas ou eram naturais, ou eram fingidas.

Não obstante, diz-se que os mesmos profetas falavam pelo espírito, como quando o profeta, falando dos judeus, disse (Zac 7,12): Eles fizeram seus corações duros como diamante, para não ouvirem a lei e as palavras que o Senhor das hostes enviara em seu espírito pelos profetas anteriores. Por onde fica manifesto que falar pelo espírito, ou inspiração, não era uma maneira especial de Deus falar, diferente de uma visão, quando aqueles de quem se dizia que falavam pelo espírito eram profetas extraordinários, tais que para cada nova mensagem haviam de ter uma comissão particular, ou, o que é a mesma coisa, um novo sonho ou visão.

Dos profetas que o eram por uma vocação perpétua, no Antigo t estamento, uns eram supremos e outros eram subordinados. Dos supremos o primeiro foi Moisés, e depois dele os Sumos Sacerdotes, cada um no seu tempo, enquanto o sacerdócio foi real. E depois que o povo dos judeus rejeitou a Deus, para que não mais reinasse sobre eles, aqueles reis que se submeteram ao governo de Deus eram também os profetas principais, e o cargo do Sumo Sacerdote passou a ser ministerial. E quando Deus ia ser consultado eles envergavam a indumentária sagrada, e interrogavam o Senhor, quando o rei tal lhes ordenava, e eram privados dessa função sempre que assim ao rei aprazia. Assim, o rei Saul (1 Sam 13,9) ordenou que lhe trouxessem o sacrifício pelo fogo, e ordenou (1 Sam 14,18) que o sacerdote trouxesse a arca para perto dele, e de novo que a deixasse (versículo 19), por ver nisso uma vantagem sobre o inimigo. E no mesmo capítulo Saul pede conselho a Deus. De maneira semelhante, do rei Davi, depois de ser ungido, embora antes de tomar posse do reino, se diz que interrogou o Senhor (1 Sam 23,2) sobre se deveria combater contra os filisteus em Keilah, e