5. OSMANLI TAŞINMAZ SİSTEMİNİN MAKRO SOSYOLOJİK KURAMLAR
5.1 Çatışmacı Yaklaşım
5.1.4 Atüt’ün empirik açıdan sorgulanışı
Dos direitos do reino de Deus em Abraão, Moisés, nos Sumos e nos Reis de Judá
O pai dos fiéis e o primeiro no reino de Deus por contrato foi Abraão. Pois foi com ele que o contrato foi primeiro feito, pelo qual se obrigou, e a sua semente depois dele, a reconhecer e obedecer às ordens de Deus, não apenas aquelas de que tinha conhecimento (como as leis morais) pela luz da natureza, mas também aquelas que Deus lhe comunicasse de maneira especial por sonhos e visões. Pois quanto à lei moral, estavam já obrigados e não precisavam de fazer contrato, pela promessa da terra de Canaã. Nem havia nenhum contrato que pudesse aumentar ou fortalecer a obrigação pela qual quer eles, quer todos os outros homens eram obrigados a obedecer naturalmente a Deus todo-poderoso. E, portanto, o contrato que Abraão fez com Deus era para receber como ordem de Deus aquilo que em nome de Deus lhe fosse ordenado num sonho ou visão, e para comunicá-lo a sua família e levá-la a observar as mesmas coisas.
Neste contrato de Deus com Abraão podemos observar três pontos de importante conseqüência no governo do povo de Deus. Primeiro, que ao fazer este contrata, Deus só falou a Abraão e portanto não fez contrato com ninguém de sua família, ou descendência, a não ser na medida em que suas vontades (que constituem a essência de todos os contratos) estavam antes do contrato implicadas na vontade de Abraão, que então se supôs possuir um poder legítimo para fazê-los realizar tudo o que ele tinha contratado em seu nome. Conforme a isso (Gên 18,18s), Deus disse: Todas as nações da terra serão nele abençoadas, pois sei que ele governará seus filhos e sua casa depois dele, e que eles conservarão 0 caminho do Senhor. Do que pode ser concluído este primeiro ponto, que aqueles a quem Deus não falou imediatamente devem receber de seu soberano as ordens positivas de Deus, como a família c semente de Abraão as recebeu de seu pai e senhor e soberano civil. E consequentemente em todos os Estados aqueles que não têm revelação sobrenatural em contrário devem obedecer às leis de seu próprio soberano nos atos externos e na profissão de religião. Quanto ao pensamento interior e à crença dos homens, de que os governantes não podem ter conhecimento (pois só Deus conhece os corações), não são voluntários nem são efeito das leis, mas sim de uma vontade não revelada, e do poder de Deus, c consequentemente não caem sob a obrigação.
Donde se segue um outro ponto, que não era ilegítimo para Abraão punir seus súditos, quando algum deles. pretendesse ter uma visão particular, ou espírito, ou outra revelação da parte de Deus, em apoio de qualquer doutrina que Abraão proibisse, ou quando aderissem ou seguissem qualquer dos que tal pretendiam; e consequentemente que é agora legítimo o soberano punir alguém que oponha o espírito particular às leis, pois ele ocupa o mesmo lugar no Estado que Abraão ocupava em sua própria família.
Do mesmo deriva também um terceiro ponto: que assim como ninguém exceto Abraão em sua família, também ninguém exceto o soberano num Estado cristão pode conhecer o que é, ou o que não é a palavra de Deus. Pois Deus falou apenas a Abraão e só ele podia saber o que Deus disse e interpretar isso para a família. E, portanto, também aqueles que ocupam o lugar de Abraão num Estado são os únicos intérpretes daquilo que Deus falou.
0 mesmo pacto foi renovado com Isaac e depois com Jacob, mas em seguida não o foi mais, até os israelitas se libertarem dos egípcios e terem chegado ao sopé do monte Sinai, e então foi renovado por Moisés (como disse antes, no capítulo 35), de tal modo que eles se tornaram dali em diante o reino eleito de Deus, cujo representante era Moisés, durante seu tempo, e a sucessão daquele cargo foi atribuída a Aarão e a seus herdeiros depois dele, para ser eternamente para Deus um reino sacerdotal.
Por esta constituição foi obtida para Deus um reino. Mas dado que Moisés não tinha autoridade para governar os israelitas como sucessor do direito de Abraão, porque não podia reclamá-lo por herança, ainda parece que o povo só era obrigado a encará-lo como representante de Deus enquanto acreditava que Deus lhe falava. Portanto, sua autoridade (apesar do contrato que tinham feito com Deus) dependia ainda só da opinião que tinha de sua santidade e da realidade de suas conferências com Deus, e da verdade de seus milagres; vindo a mudar essa opinião, deixavam de estar obrigados a aceitar como lei de Deus tudo aquilo que ele lhes propunha em nome de Deus. Devemos portanto investigar que outro fundamento havia para a obrigação de lhe obedecerem. Pois não podia ser a ordem de Deus que os obrigava, porque Deus não lhes falou imediatamente, mas pela mediação do próprio Moisés. E nosso Salvador disse de si próprio: Se eu trouxer testemunho de mim próprio, meu testemunho não é verdadeiro; muito menos se Moisés trouxesse testemunho de si próprio (especialmente numa reivindicação de poder monárquico sobre o povo de Deus) devia seu
testemunho ser recebido. Sua autoridade, portanto, como a autoridade de todos os outros príncipes, tem de ter como fundamento o consentimento do povo e sua promessa de lhe obedecer. E assim foi: pois o povo (Êx 20,18) quando viu os trovões e os relâmpagos, e o barulho da trombeta, e a montanha lançar fumo, ser afastada e ficar bem longe, disse a Moisés: fala-nos e ouvir-te-emos, mas que Deus não nos fale, senão morreremos. Aqui estava sua promessa de obediência e foi deste modo que se obrigaram a obedecer a tudo o que ele lhes transmitisse por ordem de Deus.
E apesar de o pacto constituir um reino sacerdotal, isto é, um reino hereditário a Aarão, contudo isso deve ser entendido da sucessão, depois de Moisés ter morrido. Pois todo aquele que ordene e estabeleça a polícia, como primeiro fundador de um Estado (seja ele uma monarquia, uma aristocracia, ou uma democracia) precisa ter poder soberano sobre o povo durante todo o tempo em que o estiver fazendo. E que Moisés teve aquele poder durante todo o seu tempo está afirmado com evidência nas Escrituras. Primeiro, no texto há pouco citado, porque o povo prometeu obediência a ele e não a Aarão. Segundo, (Êx 24,1 s) E Deus disse a Moisés: Vem até ao Senhor, tu e Aarão, Nadab e Abihu e setenta dos anciãos de Israel. E só Moisés chegará perto do Senhor, mas eles não chegarão perto, nem o povo subirá com ele. Pelo que fica claro que Moisés, que foi chamado sozinho até Deus (e não Aarão, nem os outros sacerdotes nem os setenta anciãos, nem o povo a quem foi proibido subir), era o único que representava para os israelitas a pessoa de Deus, isto é, era seu único soberano sob Deus. E embora depois seja dito (versículo 9): Então subiram Moisés, e Aarâo, Nadaó e Abihu, e setenta dos anciãos de Israel, e viram o Deus de Israel, e havia sob seus pés algo que se assemelhava a um pavimento de pedra safira, ete., contudo isto só foi depois de Moisés ter estado antes com Deus e de ter trazido para o povo as palavras que Deus lhe dissera. Só ele foi para tratar dos negócios do povo; aos outros, como aos nobres de seu séquito, foi admitida como honra aquela graça especial, que não foi concedida ao povo, a qual foi (como se vê pelo versículo seguinte), ver Deus e viver. Deus não pós sua mão sobre eles, viram Deus e comeram e beberam (isto é, viveram), mas não transmitiram nenhuma ordem dele para o povo. Também é dito em toda parte 0 Senhor falou a Moisés, como em todas as outras ocasiões de governo; assim também na ordenação das cerimônias de religião contidas nos capítulos 25, 26, 27, 28, 29, 30, e 31 do Êxodo e em todo o Levítico; a Aarão raras vezes. 0 bezerro que Aarão fez foi lançado por Moisés no fogo. Finalmente a questão da autoridade de Aarão, por ocasião de seu motim e de Míriam contra Moisés, foi (Números 12) julgada pelo próprio Deus em vez de Moisés. Assim como na questão entre Moisés e o povo, quem tinha o direito de governar o povo, quando Corah, Dathan e Abiram e duzentos e cinqüenta príncipes da assembléia se reuniram (Núm 16,3) contra Moisés e contra Aarão, e lhes disseram: vós tomais demasiado sobre vós mesmos, dado que toda a congregação é sagrada, cada um deles, e o Senhor está entre eles, por que vos elevais acima da congregação do Senhor?, Deus fez que a terra engulisse vivos Corah, Dathan e Abiram com suas mulheres e crianças, e consumiu aqueles e cinqüenta príncipes pelo fogo. Portanto, nem Aarão, nem o povo, nem qualquer aristocracia dos maiores príncipes do povo, mas só Moisés teve depois de Deus a sabedoria sobre os israelitas. E isto não apenas em questões de política civil, mas também de religião. Pois só Moisés falou com Deus, e portanto só ele podia dizer ao povo o que Deus exigia de suas mãos. Ninguém sob pena de morte podia ser tão presunçoso que se aproximasse da montanha onde Deus falou com Moisés. Colocarás limites (disse o Senhor, Êx 19,12) ao povo à tua volta e dirás: Tenham cautela convosco para que não subam a montanha ou toquem sua fronteira; aquele que tocar a montanha será certamente condenado à morte. E também (versículo 21): Desce, exorta o povo a que não irrompa para contemplar o Senhor. Do que podemos concluir que todo aquele que num Estado cristão ocupar o lugar de Moisés, é o único mensageiro de Deus e o intérprete de suas ordens. E de acordo com isto, ninguém devia, segundo a interpretação da Escritura, ir além dos limites que são colocados por seus vários soberanos. Pois as Escrituras, dado que Deus agora fala nelas, são o monte Sinai, cujos limites são as leis daqueles que representam a pessoa de Deus sobre a terra. Olhar para elas e ali contemplar as maravilhosas obras de Deus, e aprender a temê-lo é permitido, mas interpretá-las, isto é, espiar aquilo que Deus disse àquele que ele designou para governar em seu nome, e tornar-se juiz de se ele governa como Deus lhe ordenou, ou não, é transgredir os limites que Deus nos estabeleceu e olhar para Deus de maneira irreverente.
No tempo de Moisés não houve nenhum profeta nem nenhum pretendente ao espírito de Deus senão aqueles que Moisés tinha aprovado e autorizado. Pois havia em seu tempo só setenta homens que podem ser considerados profetas pelo Espírito de Deus, e estes eram todos da escolha de Moisés, a respeito dos quais Deus disse a Moisés (Núm 11,16): Reúne-me setenta dos anciãos de Israel, que souberes serem os anciãos do povo. A estes Deus concedeu seu espírito, mas não era um espírito diferente do de Moisés, pois disse (versículo 25): Deus desceu numa nuvem, e tirou do espírito que estava sobre Moisés e deu-o aos setenta anciãos. Mas como mostrei antes (capítulo 36) espírito significa entendimento, de tal modo que o sentido do texto não é outro senão este: que Deus os dotou de um entendimento conforme e subordinado ao de Moisés,
para que pudessem profetizar, isto é, falar ao povo em nome de Deus de tal modo que apresentassem (como ministros de Moisés e por autoridade sua) aquela doutrina que era agradável a Moisés. Pois não passavam de ministros, e quando dois deles profetizavam no acampamento isso era considerado uma coisa nova e ilegítima, e como está nos versículos 27 e 28 do mesmo capítulo, foram acusados disso, e Josué aconselhou Moisés a proibi-los, por não saberem que era pelo espírito de Moisés que eles profetizavam. Pelo que fica manifesto que nenhum súdito deve pretender à profecia, ou ao espírito, em oposição à doutrina estabelecida por aquele a quem Deus colocou no lugar de Moisés.
Morto Aarão e depois dele também Moisés, o reino, por ser um reino sacerdotal, passou em virtude do pacto ao filho de Aarão, Eleazar, o Sumo Sacerdote. E Deus declarou-o soberano (logo a seguir a ele), ao mesmo tempo que designou Josué para general de seu exército. Pois assim falou Deus expressamente (Núm 27,21) referindo-se a Josué: Ele ficará antes de Eleazar, o Sacerdote, que pedirá conselho para ele, diante do Senhor, perante sua palavra sairão e perante sua palavra entrarão, tanto ele quanto todos os filhos de Israel com ele. Portanto o supremo poder de fazer a guerra e a paz pertencia ao sacerdote. 0 supremo poder da judicatura pertencia também ao Sumo Sacerdote, pois o livro da lei estava à sua guarda e só os sacerdotes e levitas eram os juízes subordinados nas causas civis, como se vê no Dt 17,8ss. E quanto à maneira de se prestar culto a Deus, nunca houve dúvida de que o Sumo Sacerdote até ao tempo de Saul tinha a autoridade suprema. Portanto, o poder civil e eclesiástico estavam ambos reunidos numa única e mesma pessoa; o Sumo Sacerdote, e assim deve ser quando alguém governa por direito divino, isto é, por autoridade imediata de Deus.
0 intervalo entre a morte de Josué e a época de Saul é freqüentemente indicado no livro dos Juizes do seguinte modo: que nesses dias não havia rei em Israel; e algumas vezes com esta adição, que cada homem fazia aquilo que a seus olhos era certo. Pelo que deve entender-se que onde se diz não havia rei, isso significa não havia soberano poder em Israel. E assim era, se considerarmos o ato e o exercício de tal poder. Pois depois da morte de Josué e Eleazar, surgiu uma outra geração (Jz 2,10) que não conhecia o Senhor, nem as obras que tinha feito por Israel, e que procedeu mal perante o Senhor e serviu Baalim. E os judeus tinham aquela qualidade que São Paulo observou, procurar um sinal, não só antes de se submeterem ao governo de Moisés, mas também depois de se terem comprometido por sua submissão. Pois os sinais e os milagres tinham como objetivo conseguir a fé, e não impedir os homens de a violarem, quando já a tinham dado, pois a isso os homens estão obrigados pela lei de natureza. Mas se considerarmos não o exercício, mas o direito de governar, o soberano poder ainda pertencia ao Sumo Sacerdote. Portanto, seja qual for a obediência prestada a qualquer dos juizes (que eram homens escolhidos extraordinariamente por Deus para salvar seus súditos rebeldes das mãos do inimigo), isso não pode constituir argumento contra o direito do Sumo Sacerdote ao poder soberano, em todas as questões, quer de política, quer de religião. E nem os juízes, nem o próprio Samuel tiveram um chamado habitual para o governo, mas sim um chamado extraordinário, e foram obedecidos pelos israelitas não por dever mas por reverência para com seu favor junto a Deus, que aparecia em sua sabedoria, coragem ou fortuna. A partir daí, portanto, ficaram inseparáveis o direito de regular quer a política, quer a religião.
Aos juízes sucederam os reis, e enquanto anteriormente toda autoridade, quer em religião quer em política, estava no Sumo Sacerdote, agora ela estava toda no rei. Pois a soberania sobre o povo, que existia antes não apenas em virtude do poder divino, mas também por um pacto particular dos israelitas com Deus, e logo abaixo dele com o Sumo Sacerdote, como seu vice-rei sobre a terra, foi abandonada pelo povo com o consentimento do próprio Deus. Pois quando disseram a Samuel (1 Sam 8,5) faz-nos um rei para julgar-nos, como todas as outras nações, queriam dizer que não queriam mais ser governados pelas ordens que sobre eles caíam a partir do Sacerdote, em nome de Deus, mas sim por alguém que os governasse da mesma maneira como todas as outras nações eram governadas, e consequentemente ao despojarem o Sumo Sacerdote da autoridade real aboliram aquele especial governo de Deus. E contudo Deus consentiu nisso, dizendo a Samuel (versículo 7): Escuta com atenção a voz do povo em tudo o que ele te disser, pois ele não te rejeitou, mas me rejeitou a mim, para que não reinasse sobre ele. Tendo portanto rejeitado Deus, em cujo nome os Sacerdotes governavam, não foi deixada nenhuma autoridade aos sacerdotes, exceto aquela que aprouvesse ao rei conceder-lhes, a qual era maior ou menor conforme os reis eram bons ou maus. E quanto ao governo dos negócios civis, é manifesto que estava todo nas mãos do rei. Pois no mesmo capítulo, versículo 20, dizem que serão como todas as nações, que seu rei será seu juiz, e irá à frente deles e lutará em suas batalhas, isto é, terá toda a autoridade, tanto na paz como na guerra. No que está contida também a autoridade religiosa, pois não havia nessa altura outra palavra de Deus pela qual regular a religião, a não ser a lei de Moisés, que era sua lei civil. Além disso lemos (I Rs 2,27) que Salomão destituiu Abiathar de ser sacerdote perante o Senhor. Tinha portanto autoridade sobre o Sumo Sacerdote como sobre qualquer súdito, o que é uma grande marca de
supremacia em religião. E lemos também (1 Rs 8) que dedicou o templo, que abençoou o povo, e que ele em pessoa fez aquela excelente oração, usada na consagração de todas as igrejas e casas de oração, o que é uma outra grande marca de supremacia em religião. Também lemos (2 Rs 22) que quando havia questão a respeito do livro da lei encontrado no templo, a mesma não era decidida pelo Sumo Sacerdote, mas Josias enviou-o e a outros para inquirirem a tal respeito junto de Hulda, a profetiza, o que constituiu uma outra marca da supremacia em religião. Finalmente lemos (1 Crôn 26,30) que Davi tornou Hashabiah e seus irmãos, hebronitas, oficiais de Israel entre eles, para oeste, em todos os negócios do Senhor e no serviço do rei. Do mesmo modo (versículo 32) que ele tornou outros hebronitas governantes sobre os reubenitas, os gaditas e metade da tribo de Manassés (estes eram o resto de Israel que habitava para lá do Jordão) para todas as questões que dissessem respeito a Deus e para os negócios do rei. Não é isto o pleno poder, tanto temporal como espiritual, como lhe chamam aqueles que o dividem? Em conclusão são: desde a primeira instituição do reino de Deus até ao cativeiro, a supremacia da religião estava nas mesmas mãos que a da soberania civil, e o oficio de sacerdote depois da eleição de Saul não era magisterial, mas ministerial.
Apesar de o governo tanto na política quanto na religião estar unido, primeiro nos Sumos Sacerdotes e depois nos reis, pelo menos no que se refere ao direito, contudo vê-se pela mesma História Sagrada que o povo não o compreendeu, mas que havendo entre ele uma grande parte, e provavelmente a maior parte, que só na medida em que via grandes milagres ou (o que é equivalente a um milagre) grandes façanhas, ou grande fortuna nos empreendimentos de seus governantes, dava crédito suficiente quer à fama de Moisés, quer aos colóquios entre Deus e os sacerdotes; aproveitava a ocasião sempre que seu governante lhe desagradava, censurando por vezes a política, por vezes a religião, para mudar o governo, ou revoltar-se de sua obediência a seu bel-prazer. E daí se seguiram de tempos a tempos as guerras civis, as divisões e as calamidades da nação. Como, por exemplo, depois da morte de Eleazar e Josué, a geração seguinte, que não tinha visto os prodígios de Deus, mas foi deixada à sua própria e fraca razão, não se sabendo obrigada pelo pacto de um reino sacerdotal, deixou de acatar as ordens do sacerdote e qualquer lei de Moisés, e todos os homens passaram a fazer o que a seus olhos parecia certo, e nas questões civis obedeciam àqueles homens que de tempos a tempos julgavam capazes de libertá-los das nações vizinhas que os oprimiam, e não consultavam Deus (como o deviam fazer), mas aqueles homens ou mulheres que supunham ser profetas por suas predições das coisas que estavam para vir, e muito embora tivessem um ídolo em sua capela, contudo se tinham um levita como capelão fingiam adorar o Deus de Israel.
E depois quando pediram um rei segundo os costumes das nações, não foi com a intenção de se afastarem do culto de Deus rei, mas, desesperando da justiça dos filhos de Samuel, queriam ter um rei para julgá-los nas ações civis, mas não que permitissem a seu rei mudar a religião que pensavam lhes fora recomendada por Moisés. De tal modo que sempre conservaram de reserva um pretexto, ou de justiça ou de religião, para se desembaraçarem de sua obediência, sempre que tinham esperança de ganhar. Samuel ficou