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Kontrol Edilen Yabancı Kurum Kazancı

ALINAC AK TUTAR

7. Kontrol Edilen Yabancı Kurum Kazancı

A crescente participação das mulheres nos espaços públicos, além da atividade no espaço doméstico, revela novas possibilidades de racionalização laboral, através do controle do trabalho assalariado proposto pelo mercado.

Com essa discussão, recorremos a Saffioti (2013), quando afirmou que o trabalho feminino remunerado não é requisitado pela formação econômico-social capitalista de modo uniforme, isto é, permanente, como também não se elevou à categoria de componente necessário da personalidade ideal para os elementos do segundo sexo. Ao contrário, idealmente, as mulheres deviam desenvolver um tipo de

personalidade capaz de ajustar-se às funções que delas se esperava: desempenho no lar como esposas e mães.

Para a autora, embora números crescentes de mulheres se qualifiquem para o exercício de uma atividade ocupacional, esta qualificação se faz, quase sempre, a título de garantias pessoais. Isto porque, o trabalho, como via de realização profissional, como fator de enriquecimento da personalidade humana e mesmo como meio de ajustamento social a condições de variável grau de insegurança econômica, não constitui ainda um valor nem para a maioria das mulheres nem para a sociedade quando atribui ao contingente feminino papéis bastante definidos.

Ter um emprego significava, segundo Saffioti (2013), para a mulher, encontrar um modo socialmente aceitável de enfrentar uma situação econômica difícil ou de ampliar os rendimentos da família, de maneira a permitir certa folga orçamentária para proporcionar melhor e mais completa educação aos filhos, alcançar um padrão superior de vida, e, até mesmo, certo grau de consumo. Para a autora, até certo ponto e de modo geral, o trabalho feminino poderia ser visto como mecanismo de manutenção do status econômico do grupo familiar ou como mecanismo coadjutor no processo de ascensão social.

Há quase duas décadas também Melo (1998) reiterava que o trabalho realizado pela mulher para a própria família é visto pela sociedade como uma situação natural, uma vez que não tem remuneração e é condicionado por relações afetivas entre a mulher e os demais membros familiares. Quando uma mulher contrata uma terceira para executar essas tarefas, isto é, prestar tais serviços para uma família diferente da sua, esse trabalho doméstico converte-se em serviço doméstico remunerado.

Nessa mesma perspectiva, no que diz respeito à naturalização, a mencionada autora definia o trabalho doméstico como um modo de vida e não como uma relação empregatícia. Ela mostra que o trabalho doméstico é visto como uma responsabilidade da mulher, culturalmente definida do ponto de vista social como dona de casa, mãe ou esposa. Esse trabalho dirigido às atividades de consumo familiar é um serviço pessoal para o qual cada mulher internaliza a ideologia de servir aos outros, principalmente maridos e filhos.

Assim, para reflexão acerca dessa temática, Quirino (2011) sintetiza as discussões que vimos apresentando:

[...] para se estudar o trabalho da mulher é necessário adotar uma perspectiva de análise em duas dimensões separadas: a do trabalho produtivo ou assalariado - referenciado espacial e funcionalmente ao campo produtivo, sendo que nele o trabalho/emprego é suportado por relações extrafamiliares e unido estritamente a uma remuneração - e a do trabalho (re)produtivo ou privado- referenciada espacial e funcionalmente ao lar, às relações familiares e ao trabalho doméstico envolvido na (re)produção quotidiana dos membros do grupo familiar. A construção social desta imagem polarizada de duas esferas separadas e complementares coloca uma fronteira nos âmbitos de ação de homens e mulheres, na qual o trabalho do mundo „exterior‟ seria apropriado para os homens na exata medida em que o lar e a vida doméstica seriam os mais adequados para as mulheres. (QUIRINO, 2011, p. 24)

Segundo a autora, todos os dados levantados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), por exemplo, não consideram o trabalho doméstico não remunerado realizado predominantemente pelas mulheres, ainda que de fundamental importância para a reprodução da vida e do bem estar da sociedade, do ponto de vista econômico. (QUIRINO, 2011, p. 24)

Por sua vez, Ávila (2009) constata que a construção do ideário do trabalho doméstico como uma atribuição das mulheres inicia-se ainda na infância e é um elemento de socialização no contexto de pobreza. Constitui-se também como um mecanismo de naturalização do percurso que leva as leva ao trabalho doméstico remunerado.

Nesse sentido, constata ainda que as tarefas de trabalho doméstico extrapolam as realizadas no âmbito da casa e podem se realizar na rua, no parque, na praia, ou então, de forma simultânea. Por isso, a lógica do tempo do mercado de trabalho não se ajusta ao trabalho doméstico. Mesmo nos momentos considerados de lazer, as mulheres podem estar desempenhando alguma atividade relativa ao trabalho doméstico, como, por exemplo, estar na praia ou na festa e estar cuidando de crianças ao mesmo tempo.

Já para Fougeyrollas-Schwebel (2009), produção doméstica, economia doméstica, serviço doméstico, atividades do lar, atividades domésticas, cuidadora de pessoas, dona de casa, esposa, mãe, todos esses termos têm conotações disciplinares e conceituais distintas que, suscitam controvérsias que se ligam à expressão trabalho doméstico.

O trabalho doméstico determinaria a situação de todas as mulheres, de todas as classes sociais e de todos os níveis de escolaridade: das que o assumem em suas próprias residências, enquanto os demais membros familiares se dedicam a outras atividades; das que contratam outra pessoa, geralmente outra mulher, para executar essas atividades em suas casas enquanto assumem outras no mercado de trabalho.

O estudo das mudanças ocorridas nas últimas três décadas evidencia que um número crescente de tarefas domiciliares está sendo transformado pela ampliação do consumo de mercado ou realizado por instituições públicas, privadas e comunitárias. Citamos, neste caso: a guarda de crianças, particularmente as mais novas; o cuidado de pessoas idosas que é delegado por mulheres que exercem atividade profissional a outras mulheres. (FOUGEYROLLAS-SCHWEBEL, 2009, p. 260).

O trabalho doméstico não remunerado é definido por essa autora como um conjunto de tarefas relacionadas ao cuidado das pessoas e que são executadas no contexto da família – domicílio conjugal e parentela – essencialmente por mulheres e gratuitamente.

Fougeyrollas-Schwebel (2009) afirma, tendo em vista a realidade francesa, que mulheres e homens têm papéis domésticos diferentes (as atividades com as roupas são praticamente realizadas por mulheres).Mas, em termos de tempo gasto, a partilha das tarefas está um pouco menos desigual: se o volume global de tempo doméstico permaneceu estável, as atividades predominantemente masculinas (pequenos trabalhos e reparos) aumentaram, enquanto as femininas (cozinha, louça, roupa) diminuíram. Contudo, o que vai definir a variabilidade da produção doméstica ou trabalho doméstico é o tamanho da casa, o número de crianças, as idades delas e a idade do casal e a quantidade de eletrodomésticos disponíveis. Para Fougeyrollas-Schwebel (2009), as variações nas condições sócio-profisisonais influenciam mais os homens do que as mulheres. Pois poucas mulheres, qualquer que seja a sua condição social, escapam do trabalho doméstico.

No Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD)12 de 2009, pode-se afirmar que os afazeres domésticos constituem um grupo de atividades predominantemente femininas. No país, 109,2 milhões de pessoas declararam exercer atividades relacionadas a estes afazeres, sendo que, deste conjunto, 71,5 milhões são mulheres13. Em termos absolutos, é a população adulta de 25 a 49 anos de idade que mais realiza tarefas domésticas. Não obstante, considerando a população em cada grupo etário, observa-se que é a população de 50 a 59 anos de idade que despende maior parte do seu tempo em tais afazeres (24,3 horas semanais).

12Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/tempo_trabalho_afdom_pnad2009,

acesso em 04/05/2016, às 22h43min.

13Lembramos que os 37,7 milhões de homens que exercem atividades relacionadas com os afazeres domésticos atuam como: motoristas, seguranças, caseiros, copeiros, mordomos, etc.

De acordo com a PNAD de 2009, as desigualdades de gênero na realização dessas atividades são ainda mais visíveis quando se considera a população total de acordo com o sexo e os grupos de idade. Verificou-se que, somente 51,1% dos homens realizam afazeres domésticos enquanto que entre as mulheres esse percentual é de 90,6%.

Sobre o número médio de horas gasto em tais afazeres por grupos de idade, de acordo com a PNAD, verifica-se que são os homens de 60 anos ou mais de idade que mais dedicam parte do seu tempo em tais atividades (13 horas semanais). Para as mulheres o trabalho doméstico se intensifica a partir dos 50 anos de idade, mas consome mais tempo entre as de 50 a 59 anos de idade (31 horas semanais) – cerca de três vezes mais o tempo dedicado pelos homens.

Posto isso, sobre as relações entre a esfera doméstica e a esfera profissional, Hirata e Kergoat (2007) apresentam os diferentes modelos de papéis sexuados que são:

a) tradicional – o homem como provedor e a mulher responsável por todo o trabalho doméstico;

b) conciliação – a mulher assume, ou melhor, concilia o trabalho doméstico com o trabalho profissional;

c) parceria – este modelo está baseado na igualdade de estatutos sociais entre os sexos, ou seja, mulher e o homem, como parceiros, dividem as tarefas domésticas;

d) delegação – quando o trabalho doméstico é terceirizado e realizado por alguém contratado para tal. Esse modelo gera uma reação em cadeia sobre as mulheres, pois as trabalhadoras domésticas conciliarão suas tarefas domésticas ou as delegarão a outra mulher.

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Benzer Belgeler