3.3. Fars Atabegliği ( Salgurlular) (1147-1286)
3.3.1. Kirman Selçuklularının Fars Atabegliği (Salgurlular) İle
Nos dias atuais, podemos encontrar uma variedade de pesquisas na área educacional com potencial e limitações próprias. No entanto, a prática colaborativa estabelece-se de modo mais significativo a partir dos anos 1950, com Cook e Hardin (1948); Corey (1953); e Shumsky (1956; 1958) e outros.
No processo de sua evolução, surge a proposição de que o trabalho colaborativo, nessa perspectiva, emerge como um espaço propício à constituição de um profissional crítico e reflexivo em educação, assim como a criação de contextos interativos intencionais apresenta-se como
lócus privilegiado de participação mútua, em que cada agente tem o papel de conduzir o outro à
reflexão sobre sua ação, na medida em que questiona e pede esclarecimentos sobre as escolhas feitas. Essa perspectiva descortina o método de investigação-ação introduzido por Kurt Lewin, no período pós-guerra, e os trabalhos de Carr e Kemmis (1986), no sentido de reforçar esse método investigativo. Na investigação-ação, são colocados à disposição dos sujeitos os meios através dos quais a prática profissional pode ser melhorada, em um processo crítico de auto-reflexão.
Baseada na perspectiva de emancipação, a investigação-ação, no seu enfoque crítico, propõe melhorar o debate educativo e a educação simultaneamente; e, dessa forma, investigar, durante a ação educativa, objetivando o esclarecimento dos elos que unem as nossas crenças profissionais e o nosso modo de agir, possibilitando o desenvolvimento da autoconsciência acerca das situações que permeiam a nossa ação profissional.
Pesquisar em ação e colaborativamente passa a significar um processo permanente, cuja característica principal é o seu caráter dinâmico de planejar, agir e refletir sobre o processo investigativo. Esse processo desenvolve-se em forma de espiral e contém, necessariamente, o planejamento de uma mudança, ação e observação do processo e das conseqüências dessa mudança, a reflexão sistemática sobre esses processos e suas conseqüências, seguindo-se o replanejamento. É necessário lembrar que o mesmo é fluido, aberto e sensível, não se constituindo uma seqüência mecanicamente organizada.
Um aspecto importante neste tipo de investigação é o desenvolvimento e a evolução consciente das próprias práticas, bem como as situações em que as exercemos, o que conduz ao entendimento de que agir no sentido da transformação de nossas práticas individuais poderá implicar, também, na transformação da sociedade mais ampla.
Kemmis (1999) enfatiza que nem todos os teóricos da pesquisa-ação a compreendem como um processo colaborativo. Porém, para este autor, ela assume essa perspectiva a partir de alguns pressupostos básicos: estabelece como relevante às práticas de estudo, reconstrução e reestruturação de práticas que se constroem em processo interativo entre pessoas; prescreve que, para essas reconstruções se concretizarem, é necessário o compromisso e a disponibilidade dos envolvidos no processo. Ciclos sucessivamente organizados de planejamento/ação/observação permeados por reflexões deverão ser incluídos no projeto, constituindo-se uma espiral reflexiva; e o envolvimento de todos os participantes é pressuposto de vital importância em todos os momentos.
Surge assim a investigação colaborativa, que, segundo Arnal, Del Rincón e Latorre (1992), pode ser utilizada como sinônimo de investigação-ação colaborativa e de intervenção colaborativa, designando um modelo de estudo que tem como característica básica o “investigar em colaboração” ou “co-investigar”.
Este tipo de estudo se caracteriza pela participação e colaboração entre partícipes investigadores, objetivando uma parceria que se efetiva ao longo de todo o processo de investigação. Esse modelo se destaca dos demais devido a uma particularidade muito especial: todos os envolvidos no processo tornam-se parceiros legítimos de uma mesma atividade, que é determinada pelo envolvimento consciente dos partícipes, tanto nas decisões tomadas quanto nas ações realizadas. Ressalta-se, ainda, a particularidade de privilegiar o trabalhar "com" e não apenas "sobre" os sujeitos envolvidos.
A investigação colaborativa compreende uma maneira alternativa de indagar a realidade educativa em que os envolvidos trabalham conjuntamente, no sentido de resolver problemas imediatos e práticos dos educadores. O estudo é delineado sobre as bases de uma participação ativa, consciente e deliberada, pressupondo ações, análises e reflexões construídas coletivamente.
Desse modo, a nossa opção pela investigação do tipo colaborativa considerou as possibilidades que esta suscita de promover o desenvolvimento profissional a partir da investigação da própria prática, cuja conseqüência mais importante é a reconstrução sistemática e contínua da ação educativa.
Outro aspecto que precisa ser ressaltado é o fato de que os partícipes do processo educativo são interativos e não apenas meros objetos de análise; são sujeitos cognoscentes ativos, construtores de uma história e não apenas o seu produto. A figura do professor ganha
destaque substancial nesse tipo específico de investigação a partir da posição assumida por ele no contexto do desenvolvimento dos estudos. A perspectiva assumida é a do sujeito investigativo, na medida em que intervém e participa interativamente do processo.
A prática pedagógica torna-se, assim, o alvo da investigação, o que transforma o investigar sobre a educação no investigar para a educação. Do mesmo modo, nós investigadores assumimos, como tarefa, transformar o investigar para o professor no investigar com os professores, em uma parceria colaborativa que propõe trabalhar em comunhão, rumo a um propósito maior, partilhado conjuntamente, pois, mesmo com objetivos imediatos divergentes, esses objetivos precisam convergir em relação à finalidade do processo em si.
O envolvimento de todos no projeto também reforça a idéia de que o professor envolvido na investigação colaborativa é o seu próprio investigador, e, com isso, torna-se capaz de aprender e aprimorar-se continuamente, a partir das interpretações e reflexões que fazem da própria realidade.
Sob este aspecto, a investigação colaborativa permite aos indivíduos interpretar a realidade por meio de práticas intencionais, desempenhando um papel ativo no equacionamento dos problemas constatados na ação. Faz-se necessário ressaltar a importância do acompanhamento sistemático das ações que se desenvolvem cotidianamente e as reflexões acerca das situações-problema que sempre irão permear a prática pedagógica, exigindo, neste caso, estreita colaboração entre os implicados.
O potencial deste tipo de investigação ultrapassa a mera constatação, colocando-se no âmbito mais imediato da real transformação da realidade, cuja conseqüência mais esperada é a emancipação rumo à autonomia. Nesse sentido, o exercício permanente da auto-reflexão e da reflexão coletiva propicia aos envolvidos no projeto investigativo colaborativo a possibilidade de interpretar e significar as práticas pedagógicas, contribuindo para a manutenção ou reconstrução consciente das mesmas.
É importante assinalar também a superação da dicotomia teoria e prática na educação. O avanço profissional do professor, decorrente do exercício permanente do pensar
sobre o que faz, possibilita que estes tomem para si a tarefa de redimensionar as próprias
práticas, algo que decorre da auto-reflexão crítica e também da reflexão coletiva.
Tendo em vista que a satisfação das necessidades humanas é que dá origem à necessidade da prática e ambas (necessidades e prática) são dirigidas a uma finalidade, esta
finalidade só se concretiza se interligada com o pensamento. O pensamento é, assim, o atributo essencial na determinação dos fins, enquanto o conhecimento existe e se desenvolve subsidiando a atividade prática dos seres humanos.
No sentido teórico-cognitivo, a vantagem da prática diante do conhecimento consiste em que ela incorpora tanto o mérito da contemplação viva (por ser atividade sensorial-material do homem) quanto os aspectos fortes do pensamento abstrato (por ter caráter universal e nela se realizarem os conceitos). Nesse sentido a prática está acima de todo o conhecimento, empírico e teórico. (KOPNIN,1978 p. 170).
Podemos compreender, como o autor, que a prática é algo material, cujos resultados podem ser constatados, uma vez que provoca mudanças no objeto e no próprio sujeito simultaneamente, e que o conhecimento enquanto processo mediado tem por fundamento e conteúdo objetivo o domínio dos fenômenos do mundo circundante.
Deste modo, a interação prática é uma forma especificamente humana de atividade, pois, ao agir, o homem atua não somente como indivíduo, mas como membro de um determinado grupo social. O agir prático ou a atividade humana é racional, e é com tal característica que a ação dos homens une o sujeito ao seu objetivo, dando origem aos objetos, às coisas e ao conhecimento.
Nesse sentido, é necessário esclarecer que também pode ser considerada prática a atividade teórica, uma vez que ambas são atividades dos homens; e, apesar da especificidade que as caracteriza, mantêm uma unidade. A prática, esclarece Kopnin (1978, p. 168), “é a unidade do sujeito com o objeto, é ativa por forma porém concreta-sensorial por conteúdo e resultado”.
Podemos compreender, portanto, que a ação concreta dos homens, a sua atividade prática transforma a realidade, aliada ao conhecimento que temos desta realidade, pois o conhecimento apenas é incapaz de fazê-lo. O fato de conhecermos algo não é suficiente para transformá-lo, não é suficiente para criá-lo, daí a importância da atividade prática como parte indissociável do pensamento, posto que, sendo sua base, determina-lhe o fim.
A nossa opção metodológica considerou todos esses fatores, tendo em vista que compreendemos a ação educativa como atividade teórico-prática, consciente e deliberada, orientada para um determinado fim.
A pesquisa colaborativa toma, assim, a prática de ensinar como um fenômeno concreto, em que se estuda a prática docente e o desenvolvimento de teorias acerca dos
saberes e conhecimentos em situações concretas de sala de aula. O desenvolvimento profissional docente consiste, à medida do possível, em viabilizar novas práticas, auxiliando os profissionais que abraçam o ofício de ensinar, em um mundo em transformação permanente.
Transformações essas que derivam substancialmente da própria evolução dos mais diferentes setores que permeiam a vida social e que exigem, na mesma medida, especialmente dos profissionais da educação, um olhar mais atento com relação à sua atuação profissional.
A dimensão colaborativa da pesquisa está, assim, relacionada ao fato de que os conhecimentos construídos no processo investigativo serão sempre produto de uma negociação constante em torno das ações e da mediação concebida em uma perspectiva ampla. Nas pesquisas do tipo colaborativa, a mediação representa o duplo papel desempenhado pelo pesquisador: o de formador em ação, visando responder às preocupações relacionadas ao desenvolvimento profissional dos professores, e o avanço do conhecimento relacionado à pesquisa em si, conforme ressalta Desgagné (2003).
Nessa perspectiva, é que consideramos importante a criação de situações favoráveis à discussão permanente dos professores sobre suas práticas profissionais, ouvindo o que eles têm a dizer acerca de suas angústias cotidianas, sobre as necessidades que sentem de ouvir; enfim, a voz do professor investigador de sua prática, do professor que reflete sistematicamente na e sobre a ação cotidiana.