• Sonuç bulunamadı

ZEMİNLERİN İYİLEŞTİRİLMESİ

2. Derin Stabilizasyon: a Koheyonsuz Zeminler:

3.2.1.3 Kireç İle Stabilizasyon

Autocontrole é um dos temas de pesquisa que tem chamado a atenção de abordagens baseadas em psicologia, em especial, daquelas que investigam escolhas intertemporais. Dentro dessa literatura, autocontrole implica que os indivíduos serão capazes de perceber a situação imediata (p. ex. consumo ou remuneração) em termos de interesses de longo-prazo (BAUMEISTER; HEATHERTON, 1996). Em contraposição, a falta de autocontrole significa que os indivíduos serão governados por prazeres momentâneos, ainda que tais prazeres coloquem em risco valores mais importantes (PRELEC; BODNER, 2003).

Teorias de autocontrole têm buscado entender as discrepâncias entre o comportamento atual e o comportamento desejado (LOEWENSTEIN, 1996). Significa dizer que essa literatura

baseada em psicologia tem se dedicado ao entendimento da falta de autocontrole e dos fatores que intensificam e inibem esse comportamento.

Um dos típicos problemas de autocontrole se refere à postergação de gratificação. A presença desse problema significa que, à medida que aumenta o tempo de postergação de uma remuneração, quanto mais distante ela se torna do momento atual, mais os indivíduos percebem como mais atrativo o recebimento imediato dessa remuneração (MISCHEL et al, 1969; MISCHEL et al, 1989).

Diferentes abordagens em psicologia têm explorado fatores cognitivos que moderam o efeito do momento de recebimento de uma remuneração sobre o comportamento dos indivíduos. Esses fatores cognitivos são vistos como úteis para encorajar os indivíduos a perseguir uma meta distante em vez de uma menos atraente, embora mais imediata (BAUMEISTER; VOHS, 2003). Dentre os fatores cognitivos explorados pela literatura baseada em psicologia, destacam-se: fatores viscerais (LOEWENSTEIN, 1996), modelo emocional-cognitivo (METCALFE; MISCHEL, 1999) e nível de construção de eventos (TROPE; LIBERMAN, 2003).

Loewenstein (1996) sugere que os problemas de autocontrole decorrem da presença de

fatores viscerais (p. ex. fome, sede e orientação temporal de curto-prazo) que são capazes de

alterar a atratividade relativa de tarefas, bens e gratificações. Esses fatores, atuando em altos níveis de intensidade, são capazes de levar as pessoas a se comportarem de modo contrário a interesses de longo prazo, uma vez que a atenção seria direcionada para as formas de consumo associadas com o fator visceral (LOEWENSTEIN, 1996). Como consequência, qualquer outra atividade não associada com esse mecanismo cognitivo seria negligenciada.

Tem-se, assim, que fatores viscerais induzem os indivíduos a preferências enviesadas pelo momento atual (present-biased preferences) em que as trocas compensatórias entre consumo imediato e postergado ocorrem sempre em favor do primeiro (Loewenstein, 1996). Em termos de suas implicações para o entendimento de OTG, a presença de fatores viscerais representados por uma orientação temporal de curto-prazo altera a atratividade de diferentes tarefas, aumentando para aquelas tarefas com efeitos financeiros de curto-prazo e diminuindo para aquelas cujos efeitos são de longo-prazo. Quanto mais intensa for a ação do fator visceral, no caso específico, a tendência para uma orientação temporal de curto-prazo, menos

os indivíduos estarão dispostos a dedicar esforços a atividades que afetam resultados financeiros de longo-prazo, conduzindo a um foco excessivo no curto-prazo (BERNS et al, 2007; FREDERICK et al, 2002; LOEWENSTEIN, 1996).

O modelo emocional-cognitivo (hot-cool model) também explora o efeito de fatores viscerais, denominados por esse modelo de representação emocional, além de explorar estratégias para inibir esse efeito por meio de representações cognitivas (METCALFE; MISCHEL, 1999; MISCHEL et al, 2003).

A principal expectativa desse modelo é que, quando o sistema emocional for dominante, os indivíduos serão mais relutantes em postergar gratificação, tal como ocorre diante da presença de fatores viscerais; enquanto que a ativação do sistema cognitivo pode induzir as pessoas a aceitarem a postergação de gratificações (METCALFE; MISCHEL, 1999). Um aspecto adicional desse modelo é que essa tentação por consumo imediato decorrente do efeito do sistema emocional pode ser exacerbada através de uma exposição saliente a determinados estímulos (METCALFE; MISCHEL, 1999). Por exemplo, a presença de remuneração imediata, estimulando o sistema emocional, intensifica uma orientação temporal de curto- prazo. A fim de inibir esse estímulo, uma das estratégias de controle sugerida é a reconstrução do significado do estímulo que produz as respostas impulsivas (METCALFE; MISCHEL, 1999; MISCHEL et al, 2003).

Desse modo, se ao invés de remuneração imediata, os indivíduos recebessem remuneração postergada, estimulando o sistema cognitivo, tal comportamento direcionado para o curto- prazo poderia ser mitigado. Portanto, o modelo emocional-cognitivo enfatiza o papel de determinados estímulos cognitivos que podem intensificar ou inibir os problemas de autocontrole. Em termos de suas implicações para OTG, significa dizer que o estímulo cognitivo provocado pelo momento de recebimento da remuneração, se imediata ou postergada, pode intensificar ou inibir as preferências temporais dos gestores.

Um dos estímulos cognitivos explorados pela literatura baseada em psicologia que investiga escolhas intertemporais refere-se ao nível de construção de eventos. Teoria do nível de construção (construal level theory) prediz que o efeito da distância temporal sobre o valor de um evento dependerá do nível de abstração em que o evento é construído: eventos construídos de forma menos abstrata tendem a serem relativamente mais atrativos no curto-prazo do que

aqueles construídos mais abstratamente, fazendo com que as pessoas concentrem consumo no curto-prazo; enquanto que aqueles eventos construídos de forma mais abstrata são preferidos no longo-prazo, levando os indivíduos a concentrarem consumo no longo-prazo (LIBERMAN; TROPE, 1998; TROPE; LIBERMAN, 2000; 2003; FUJITA et al, 2000).

Em termos de OTG, a orientação temporal de um gestor dependerá da forma como ele estrutura as tarefas organizacionais, de modo que, quanto menos abstrata for a construção dessas tarefas, menos aquelas com efeitos financeiros de longo-prazo serão atrativas e, em contraposição, mais as tarefas com efeitos financeiros de curto-prazo serão priorizadas. Estratégias de controle mental são sugeridas para induzir os indivíduos a considerarem os impactos de longo-prazo de eventos que afetam resultados de curto-prazo, quando esses eventos são construídos de forma menos abstrata; do mesmo modo que tais estratégias cognitivas induziriam as pessoas a considerarem os efeitos de curto-prazo dos eventos que afetam resultados de longo-prazo, quando os eventos são construídos de forma mais abstrata (TROPE; LIBERMAN, 2003).

Uma dessas estratégias cognitivas pode ser justamente o momento de recebimento da remuneração, em que a postergação desse recebimento seria capaz de encorajar os gestores que estruturam eventos de modo menos abstrato a considerarem os efeitos de longo-prazo de seus esforços; de forma semelhante, o recebimento imediato de remuneração induziria os indivíduos que constroem eventos de modo mais abstrato a pensar sobre as consequências de curto-prazo de seus esforços.

A literatura baseada em psicologia que investiga escolhas intertemporais concentra-se, portanto, nos problemas de autocontrole. Se os indivíduos fossem capazes de perceber seus interesses de longo-prazo, no momento de tomar suas decisões, não existiriam comportamentos ditos disfuncionais, tal como uma orientação temporal de curto-prazo. Entretanto, essa literatura assume que problemas de autocontrole de fato existem e que os indivíduos apresentam preferências enviesadas para o momento atual (THALER, 1981; O´DONOGHUE; RABIN, 1999), o que torna necessária a identificação e o entendimento de fatores cognitivos que intensificam e mitigam esses problemas.

A presença de fatores viscerais, a predominância de um sistema emocional e a construção de eventos em nível relativamente menos abstrato, todos contribuem para esse comportamento;

por outro lado, a ausência do fator visceral que intensifica as preferências temporais de curto- prazo, a ativação do sistema cognitivo através de dispositivos como o recebimento postergado da remuneração e a construção de eventos de forma mais abstrata também por meio de remuneração postergada, todos contribuem para a mitigação desse viés de curto-prazo (LOEWENSTEIN, 1996; METCALF; MISCHEL, 1999; TROPE; LIBERMAN, 2003).

As expectativas geradas por essa literatura têm importantes implicações para a pesquisa em contabilidade que busca entender o efeito do momento de remuneração sobre OTG. Seria possível predizer que remuneração imediata intensificaria orientação temporal de curto-prazo ou mitigaria uma de longo-prazo, enquanto que remuneração postergada teria o potencial de reduzir orientação temporal de curto-prazo ao mesmo tempo em que poderia intensificar uma de longo-prazo. Embora ofereça relevantes oportunidades de pesquisa, não se tem notícia de estudos contábeis que explorem essas expectativas para entenderem o efeito do recebimento da remuneração gerencial sobre OTG, tampouco para entenderem o efeito interativo desse elemento do sistema de remuneração gerencial e de outros, tais como medidas de desempenho e período de avaliação.

Benzer Belgeler