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3. KİMLİK KAVRAMI VE ULUSLARARASI İLİŞKİLER

3.2. Kimlik ve Dış Politika İlişkisi

a) Riacho Doce

A área do Riacho Doce até a década de 80 era ocupada apenas por uma olaria que aproveitava o tipo de solo para a fabricação de tijolos e uma outra área às margens do Igarapé era ocupada por uma fábrica de palmito. Ao longo da margem do Igarapé havia uma mata de várzea que foi gradativamente substituída palafitas. (PMB/PDLRDP,2001d:21). A ocupação, como movimento político, ocorreu no dia 04 de setembro de 1990 em meio a muitos conflitos com os supostos proprietários do terreno.

Em 1991, cerca de 100 famílias já ocupavam a área, no entanto não existia nenhum tipo de infra-estrutura. Em face dessas dificuldades, consolidaram-se movimentos populares de bairros, que passaram a denunciar as precárias condições de vida nesses espaços urbanos, e a exigir investimentos públicos, muito comuns em períodos eleitorais, para a implantação de serviços infra-estruturais e sócio-culturais (rede de esgoto, saneamento, arruamento, educação e saúde. As condições de vida eram as piores possíveis como relata uma moradora residente nas área do Riacho Doce desde o início da invasão.

(...)“Enchia tudo, tinha uma correnteza horrível. A água a gente pegava na Universidade e numa torneira na Barão de Igarapé Miri. Até que o Jader Barbalho mandou puxar água pra cá. E antes dele puxar a água pra cá ele mandava o carro pipa vim abastecer aqui. A gente passava o dia e a noite pra pegar água. Quanto a energia puxamos um gato da Barão. Quando eu vim morar pra cá eu tinha que pagar 5 cruzeiros para ligaram o gato, aí a Celpa vinha e desligava, e quando a Celpa ia embora, avisa que já ia e que a gente podia ligar de novo. Todo dia era isso, eles desligavam e a gente ligava. Aí o pessoal fez abaixo assinado, aí conseguimos colocar água e luz aqui. Não tinha rede de esgoto e a água ficava empossada” ( Srº A. moradora do Pantanal)

Figura 05 – Estivas no Pantanal.

Fonte: PMB/PDLRDP,2001a Figura 06 – Situação do início da ocupação no Pantanal. Fonte: PMB/PDLRDP,2001a

Figura 08 – Rua da Olaria antes do projeto Fonte: PMB/PDLRDP,2001a

Figura 07 – Navegabilidade do Rio Tucunduba Fonte: PMB/PDLRDP,2001a

Sobre o processo de regularização fundiária, em virtude dos conflitos gerados pela posse de terra, em 1991 e em 1992 o então governador Jader Barbalho, desapropriou as áreas correspondentes ao Riacho Doce (PMB/PDLRDP,2001d). Entretanto, de acordo com Araújo (2004:56/57), esses decretos não geraram efeitos jurídicos. Assim, “apesar de todos dos documentos citarem a Santa Casa de Misericórdia do Pará como possível proprietária, a CODEM forneceu um atestado informando que em função do regime enfitêutico, a área do Riacho Doce pertence ao patrimônio da PMB” (PMB/PDLRDP,2001b:2) por estar inserida no limite da Primeira Légua Patrimonial.

O traçado das ruas do assentamento, apresenta-se em forma de espinha de peixe (ver figura 08) , e revela que a configuração do espaço segue uma racionalidade própria dos espaços projetados, embora domine a espontaneidade no processo de ocupação. Cardoso (2002) afirma que a ocorrência de obras oficiais de melhoria na bacia durante o final

dos anos 80, que consistiram na construção de canais, aterros e regularização de ruas melhorou a estrutura espacial local pela criação de uma hierarquia legível de ruas curtas e de caráter local.

A via principal de acesso é a Rua da Olaria, foi a primeira rua aberta durante a ocupação e corta o assentamento do Riacho Doce transversalmente. Nesta rua observa-se uma

Figura 09 - Traçado das ruas do Riacho Doce em formato em espinha de peixe. Fonte: CODEM,2000

convergência das demais ruas do assentamento que a destaca como a rua de maior acessibilidade para o pedestre. Os nomes das ruas possuem conotação religiosa devido a forte presença da religião no assentamento (PMB/PDLRDP,2001 d)

A distribuição das ruas e a organização da área deram-se pela divisão do terreno em quadras, num total de 25. Nota-se que os limites de tais quadras correspondem às faces das habitações, organizadas lado a lado, ou ao conjunto de pequenas passagens que juntas compõem uma quadra. Tal configuração não obedecem ao padrão urbanístico daquilo que se classifica como quadra.

b) Comunidade do Pantanal

A área de ocupação do Pantanal encontrava-se sob domínio útil da UFPA, que posteriormente passou ser de domínio da CODEM compondo, atualmente, parte de seu patrimônio, controlado pela PMB (PMB/PDLRDP,2001d). De acordo com PDL a área denominada de Ilha Pantanal originou-se a partir de um processo de ocupação desordenada durante os meses de maio e agosto de 1990, recebeu esta denominação pôr se tratar de uma pequena ilha de mata fechada localizada às margens do Igarapé Tucunduba.

Segundo Costa (1998: s/pg) a formação da Comunidade do Pantanal ocorreu através da ocupação e criação de três passagens: a Primeiro de Agosto, a João Monteiro, assim denominada em homenagem a um vereador da época, e a Beirar-Mar. Assim como no Riacho Doce, os lotes foram divididos e a construção das moradias do tipo palafitas ocorreu de forma desordenada, inclusive com ocupações no leito do Igarapé. Sem saneamento básico, sem abastecimento de água e energia elétrica.

Durante o processo de organização sócio-espacial a comunidade do Pantanal recebeu apoio de organizações não governamentais, mas principalmente receberam o apoio da Comunidade dos Padres Capuchinhos, atuantes até hoje na área. A Igreja Católica implantou na área do pantanal a Comunidade Nossa Senhora Aparecida que conta com um ambulatório, uma creche e várias casas que foram destinadas ao atendimento da comunidade na organização de uma cooperativa, um clube de mães e um centro comunitário.