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2. KEMALİST KİMLİK İNŞAASI

1.2. Komşularla Sıfır Sorun

1.2.1. Eksen Kayması Tartışmaları

Em resposta ao primeiro objetivo específico, de acordo com Cadastro Familiar elaborado pelo PDL e visitas no local identificamos um quadro geral sobre as condições de vida dessas comunidades.

Quanto a origem dos moradores, de acordo com as entrevistas realizadas identificamos que cerca de 80% das famílias residentes na área do Riacho Doce e Pantanal são oriundas do interior do Pará, mais precisamente da região nordeste, sendo os municípios de origem mais comuns: Abaetetuba, Acará, Bujarú e Igarapé-Miri. Este resultado pode significar que vantagens locacionais, além das características naturais da área, foram fatores decisivos para a sua ocupação. A proximidade de bairros como: São Braz e Nazaré, centros geradores de trabalho e renda e a proximidade da margem do Igarapé favoreceram a apropriação da área.

Conforme abordado no Capítulo I, confirmamos o potencial atrativo da cidade, quando concluímos que os motivos que fizeram o imigrante se estabelecer na área estão relacionados à tratamento de saúde e estudo dos filhos, entretanto, entre os imigrantes e os que já moravam na cidade, o motivo aquisição da casa própria e fonte de renda (trabalho) são citados por pelo menos 90% dos entrevistados. Observamos que a partir da localização residencial, os pobres podem ter acesso diferenciado a núcleos de emprego e renda, bolsões de serviço e comércio urbano, transporte coletivo, equipamentos e serviços públicos bem como a outros fatores de acessibilidade relacionados com a posição do assentamento na hierarquia de localização da cidade.

Entretanto, historicamente observa-se que os assentamentos localizados na 1ª Légua Patrimonial da cidade de Belém, como o Riacho Doce e Pantanal, ocupam as áreas de baixadas. Devido a condição precária do solo urbano o conflito entre localização e configuração espacial é estabelecido, pois, no caso da ocupação do Tucunduba, apesar da boa localização a condição original do sítio é inadequada para a habitação. Isto impôs uma condição inicial de precariedade ao assentamento em questão atualmente revertida com as ações dos projetos implementados na área.

Quanto à idade, verificou-se que 75% dos entrevistados desta área possuem até 40 anos, o que confirma pesquisa de Abramo (2003) e Cardoso (2002) ao afirmarem que assentamentos informais são o lugar da moradia de jovens e adultos que querem se estabelecer com suas famílias e conforme enfocado no capítulo I, os jovens o fazem por aspirarem pela melhoria e por encontrarem meios de se apropriar dos benefícios decorrentes do espaço, diversificando formas de geração de renda e assumindo valores voltados para o fortalecimento da comunidade e do meio em que vivem. Entretanto, na área beneficiada pelo projeto Tucunduba é maior a incidência de pessoas mais velhas.

Com relação á escolaridade verificou-se que os entrevistados mais jovens, entre 20 e 25 anos, tiveram mais oportunidade de acesso ao sistema educacional que seus pais, entretanto a grande maioria não terminou o ensino médio. Das famílias entrevistadas apenas em uma família encontramos uma pessoa de 20 anos cursando um curso superior na Universidade Federal do Pará.

Alguns moradores voltaram a estudar em função de programas como MOVA - Movimento de Alfabetização, promovidos pela Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) que objetiva a alfabetização de jovens e adultos. Em 2002, foram implantadas três turmas; duas no Pantanal e uma na Base Física do Projeto, com cerca de 117 alunos freqüentando as aulas. As turmas contaram com quatro instrutores, uma estagiária do curso de serviço social da Universidade Federal do Pará – UFPA, e uma colaboradora. Os alunos, em sua maioria, são das Comunidades do Riacho Doce e Pantanal e da área do entorno do projeto. O quadro abaixo demonstra o nível de escolaridade na área.

Quadro 07 – Nível de escolaridade

ESCOLARIDADE RIACHO DOCE (%) PANTANAL (%)

1º GRAU INCOMPLETO 59,51 68,64 1º GRAU COMPLETO 6,29 4,62 ANALFABETOS 3,9 5,78 ALFABETIZADOS 4,68 4,91 PRÉ-ESCOLAR (03 À 06 ANOS) 5,86 8,53 2º GRAU INCOMPLETO 8 4,77 2° GRAU COMPLETO 5,27 2,75 UNIVERSITÁRIOS 0,6 Fonte: PMB/PDLRDP,2001d : 28

Em pesquisa de Abramo realizada em 2003, verificamos duas justificativas para a baixa escolaridade em áreas de assentamentos informais: a primeira trata da falta de investimento do Estado em capital humano. A segunda faz referência ao mercado atual onde a capacitação educacional não corresponderia a uma mobilidade ocupacional. A idéia de mobilidade ocupacional a partir do acesso ao sistema educacional, segundo Bourdieu citado em Abramo 2003, é produzida pelo meio familiar, alimentada pelo sistema educacional, mas, efetivamente, não está garantida pelo mercado de trabalho, o que resulta em um desencantamento em relação ao estudos e propicia as gerações mais jovens, mesmo com um grau de escolaridade maior que a dos pais, seguirem a mesma atividade produtiva.

A Pesquisa Sócio-econômica em Comunidades de Baixa Renda (PCBR), patrocinada pela Secretaria Municipal de Trabalho da Prefeitura do Rio de Janeiro, Abramo (2003) identificou que existe uma dificuldade maior entre os pobres em garantir seu acesso à escola e prolongar seus estudos. Em que pese o preceito constitucional de

universalização e obrigatoriedade do ensino fundamental, permanece elevada a proporção de analfabetos, concentrando-se estes, basicamente entre os estratos mais pobres da população. Diferenças sensíveis encontram-se também em relação a continuidade dos estudos, no que diz respeito a transpor o estudo primário, os anos de estudos, e ingresso na universidade.

As crianças, na sua grande maioria, estudam, haja vista, que este é um requisito básico para o recebimento do programa Bolsa Escola. Conforme abordamos no Capítulo II, programas municipais como o Bolsa Escola, que é uma derivação do programa Bolsa Família, implementado pelo Governo Federal, é um programa direcionado para famílias extremamente pobres, e funciona como política social complementar e tem como objetivo auxiliar na melhoria financeira imediata da vida dessas pessoas.

Os números de vagas nas escolas públicas para a população em idade escolar são baixos na área. A falta de vagas atinge as crianças mais jovens (de 3 à 6 anos) e nem sempre é possível encontrar vagas em escolas próximas à residência. O que leva a maioria dos pais à buscar escolas primárias particulares com mensalidades baixas. A assistência à saúde apresenta problemas semelhantes. No bairro encontramos o Pronto Socorro do Guamá que atente grande parcela dos problemas de saúde emergenciais. No Riacho Doce, foi implementado pela prefeitura o programa Família Saudável, que conta com um posto na Rua da Olaria, e faz um trabalho de prevenção e conscientização com a comunidade.

Com relação à renda, 60% dos entrevistados conta com uma renda média de R$ 300,00 e são autônomos. Os moradores economicamente ativos estão ligados à atividades informais de emprego ou atividades temporárias de trabalhos popularmente chamada de “bico”. Foi identificado que 3% das mulheres são trabalhadoras temporárias da fábrica de castanha localizada nas proximidades da área. Essas mulheres trabalham apenas durante de seis do ano, durante os outros seis meses é comum que se ocupem de outras atividades trabalhando como: faxineiras, manicures, etc. A área conta com apenas uma creche e as mulheres que trabalham deixam os filhos com parentes, ou vizinhos próximos a suas casas, exemplificando de forma clara a presença da rede de solidariedade na comunidade.

Nos domicílios tanto da área do Riacho Doce quanto do Pantanal, é possível observar atividades como: pequenos comércios, venda de açaí, serviços de costureira, salão de beleza, bares, entre outros, ocupados por mulheres, idosos (ver figuras 25,26,27 e 28).

Figura 27 - Venda de açaí no Riacho Doce. Fotos da autora. Dezembro / 2005

Figura 30 – Rua da Olaria depois do projeto- foto 2. Fotos da autora. Dezembro / 2005

Figura 28 - Bar no Pantanal. Fotos da autora. Dezembro / 2005

Figura 26 - Detalhe do pequeno comércio Riacho Doce. Fotos da autora.

Dezembro / 2005 Figura 25 - Pequeno comércio

Riacho Doce. Fotos da autora. Dezembro / 2005

Figura 29 – Rua da Olaria depois do projeto – foto 1.Fotos da autora. Dezembro / 2005

Na Rua da Olaria encontra-se uma grande variedade de comércio, e nela está concentrada a dinâmica econômica do local. Também devemos destacar o igarapé do Tucunduba como um agente que movimenta a economia no local, por ele navegam diariamente embarcações típicas da Amazônia e dentre as atividades desenvolvidas destacamos: a pesqueira, o transporte e o comércio de produtos como os tijolos e telhas, produzidos nas olarias ribeirinhas, palha, açaí, etc, além do transporte de passageiros. A atividade pesqueira embora não seja tão difundida contribui para o sustento de algumas famílias. Neste caso, o morador necessita apenas de uma pequena embarcação.

Figura 31 - Atividades na margem do Igarapé do Tucunduba - Riacho Doce.

Fotos da autora. Dezembro / 2005

Figura 32 - Canoa na margem do Igarapé do Tucunduba – Pantanal.

Fotos da autora. Dezembro / 2005

De acordo com Costa (2002:63) o igarapé apresenta-se como um forte elemento no imaginário dos “ocupantes”, especialmente aqueles que tem origem no interior. Também constitui um elemento da paisagem visual que serve de orientação, além de ser a via de ligação entre os assentamentos do Riacho Doce e Pantanal e os Municípios do interior.

Quanto ao lazer, a grande maioria, tanto da área do Riacho Doce quanto da área do Pantanal não identificam nenhuma forma de lazer nas áreas, e dos entrevistados apontou a Igreja como principal forma de lazer, a grande maioria dos moradores entrevistados, cerca de 90% , é de religião evangélica. Entretanto, de acordo com as visitas in loco, podemos observar que os moradores incorporam as ruas como área de lazer, é comum observar durante os finais de semana a realização de bingos e aniversários As crianças brincam, tomam banho de igarapé e ainda é comum o bate-papo nas portas das casas.

Figura 33 - Crianças brincando de pular corda em uma rua do Riacho Doce. Fotos da autora. Dezembro / 2005

Figura 34 - Crianças brincando de “garrafão” em uma rua do Riacho Doce. Fotos da autora. Dezembro / 2005 5.2.1 Equipamentos Urbanos e Infra-Estrutura:

Na Área do Riacho Doce foram identificados os seguintes equipamentos urbanos e comunitários:

QUADRO 08 -EQUIPAMENTOS COMUNITÁRIOS

LOCAL EQUIPAMENTO CAPACIDADE. DE ATENDIM.

Centro Comunitário Riacho Doce. Local

Unidade do Programa Família Saudável. Setor/bairro Sede da Comunidade Católica Nossa Senhora das Graças. Local Escola particular Fazendo Meu Caminho. Local Centro Educacional Arco Íris (particular). Local

Uma feira. Local

Igreja Assembléia de Deus Missionária. Local

Igreja Batista. Local

2 Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus. Local