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2. TÜRK DIŞ POLİTİKASI VE ARAP BAHARININ KİMLİK BOYUTUNDA

2.1. Arap Baharı Öncesi Dönem

Os mecanismos de desapropriação das áreas resultaram em cinco realidades dentro da área de intervenção do projeto assim como também foi possível identificarmos qual o perfil de ocupante que se adequa ao projeto e quem consegue se adaptar à tamanha modificação em seu modo de vida. Após a descrição das realidades apresentamos um quadro de avaliação de cada família entrevistada.

Segue abaixo a classificação dos moradores da área de intervenção do projeto:

a) Moradores não remanejados beneficiados pelo Projeto Tucunduba; b) Moradores que estão em processo de remanejamento, dentre eles: - Os que estão recebendo o auxílio moradia.

- E os que aguardam em suas casas a conclusão do projeto.

c) Os moradores remanejados para as unidades sanitárias concluídas no Pantanal; d) Os indenizados;

Seto r 4,5 e 6

Projeto Tucunduba Setor 2

Setor 3

Figura 43 – Mecanismos de desapropriação e seus resultados.Fonte: Prefeitura Municipal de Belém CODEM,1998, adaptado pela autora.

*Dentre os grupos acima também encontramos o grupo dos moradores que não aderiram ao projeto e tiveram suas casas indenizadas. Alguns continuaram na área e outros compraram a casa fora da área de influência do projeto.

Moradores remanejados para as novas unidades promovidas pelo programa - setor 4,5,6

Moradores em fase de remanejamento - setor 2 e 3 Moradores não remanejados

Escritório da prefeitura Assentamento em formação Legenda:

a) Os moradores não remanejados pelo PDL e beneficiados pelo Projeto Tucunduba

Classificamos como moradores não remanejados aqueles que fazem parte da área do Riacho Doce que foi beneficiada pelo Projeto Tucunduba, projeto anterior ao PDL, que como foi apresentado no capítulo III, que tinha como objetivo redimensionar as intervenções de macrodrenagem na Bacia do Tucunduba (proposta pelo projeto Infra- Marco), além de garantir a permanência da navegabilidade, que ficaria comprometida se o igarapé fosse revestido em concreto.

A proposta de revestimento natural no Igarapé reduziu significativamente os custos do projeto, possibilitando a ampliação das metas de drenagem e pavimentação. Foi possível realizar a pavimentação asfáltica das avenidas marginais, dentre as quais podemos destacar a Av. Tucunduba e a pavimentação asfáltica do final da Rua Barão de Igarapé- Miri, assim como a pavimentação em blokcrets das vias transversais das áreas Riacho Doce, Pantanal e Nova Terra Firme, áreas adjacentes ao Igarapé.

Entretanto, como o recurso não conseguiu abranger toda a área do assentamento, beneficiou apenas a parte adjacente ao igarapé até a Rua da Olaria, dividiu espacialmente o assentamento Riacho Doce. Portanto, de um lado da Rua da Olaria residem os beneficiados pelo Projeto Tucunduba e do outro lado os que aguardam o processo de remanejamento resultante dos mecanismos de desapropriação do PDL. Dentre os moradores retirados das margens do igarapé pelo Projeto Tucunduba, consideramos apenas estão os que assentados na área em questão.

Os moradores não remanejados apresentam-se tranqüilos e satisfeitos em relação ao andamento do projeto. O fato das famílias terem permanecido na área e em suas casas, não desagregou os núcleos familiares, fortaleceu aspectos referentes às ligaduras dentro da comunidade, assim como manteve a fonte de renda de quem dependia da moradia. Observamos ainda que as famílias mais experientes, que já haviam passado por assentamentos anteriores, são as que melhor conseguem se apropriar dos benefícios.

A certeza de que não seriam remanejados pelo PDL motivou as famílias a realizarem melhorias na habitação. As melhorias foram realizadas através do processo de auto-

construção e não houve nenhum apoio técnico do PDL. Dentre as melhorias mais comuns destacamos: elevação do nível da casa ao nível da rua devido ao serviço de pavimentação, a agregação do banheiro à residência, aumento da área construída e a substituição dos quintais por pequenas áreas de serviço, revestimento de piso, entre outros. Como relata o Sr. Raul morador da Rua da Esperança casa nº 113.

“Era uma lama, uma mata, viemos pra cá porque não tinha pra onde ir. Hoje daqui eu não saio daqui ninguém me tira. Antes era só um quarto de madeira com dois compartimentos e o banheiros era fora, agora veja que beleza...”

(Srº R. morador do Riacho Doce) Figura 44 - Casa do Srº . R. no Riacho Doce. Fotos da autora. Novembro / 2005

Durante o processo de melhoria das casas é comum a substituição da madeira pela alvenaria, assim como a substituição do modelo arquitetônico ribeirinho pelo modelo urbano de formas rígidas da cidade. Identificamos também que as melhorias referentes à infra-estrutura, como pavimentação das ruas e adequação da iluminação pública, associadas à projetos educacionais como o MOVA motivaram adultos a voltar a estudar.

... Agora ficou mais fácil chegar até a escola, antes não tinha condição era tudo escuro e um lamaçal, agora ta bom, dá pra ir à noite. (Srª. J., moradora do Riacho Doce).

Figura 45 – Final da Rua Barão de Igarapé- Mirí que dá acesso aos assentamentos. Foto da autora. Dezembro /2005

Mesmo com as melhorias realizadas pelo projeto algumas questões de infra-estrutura continuam pendentes. Em algumas quadras como na Quadra 02 e 03 a o encanamento não possui pressão adequada para conduzir a água até a pia ou chuveiro das habitações.

Entretanto, durante as entrevistas constatamos que alguns moradores não vêem problemas em ter que coletar água em uma tubulação embaixo da casa, uma vez que estes reconhecem que as condições antes do projeto eram bem piores e que para coletar água tinham que ir até a torneira pública na rua principal, entrar na fila e carregar a lata d´água na cabeça.

Figura 46 - Coleta de água I . Fotos da

autora. Novembro / 2005 Figura 47 - Coleta de água II. Fotos da autora. Novembro / 2005

Entretanto, outros moradores mais informados não se contentam com o resultado do projeto como é o caso da Sr.ª A. que foi líder da comunidade durante a implementação do projeto.

(...) Aí depois começaram o trabalho da macrodrenagem, fizeram em todas as quadras desse lado daqui. Aí quando foi fazer a Rua da Olaria tava na planta 5 metros de largura e ela possuía 4 metros, aí já entrou outro engenheiro que achou que não devia recuar as casas e ainda botou uma calçada de 1 metro, por isso ficou tão estreito. O esgoto geral veio só até a quadra 02 pra cá só passou um tubo pequeno e inclusive o nosso esgoto pra cá não funciona, só depois que eles desapropriarem o terreno da fábrica de palmito para construir a ETA , por enquanto quem quiser esgoto tem que compra um monte de cano para jogar para a quadra 03 ou 04, a tubulação passa na frente da casa mas não funciona.

(...) Eu cheguei até a discutir com o engenheiro, porque antes dele aprontarem essa tubulação eu perguntei porque eles não chamavam a cosanpa, aí ele me perguntou, o que eu era e o que eu sabia disso, aí eu fui lá no projeto conversar e o outro engenheiro disse que já tinham

metido um ofício na cosanpa e a consanpa se recusou a atender a solicitação. Fizeram o serviço muito mal feito, aí passou um carro pesado e estourou tudo quanto foi cano, aí eu procurei aquele engenheiro e falei que o serviço tava uma porcaria, e que era pro tubo passar em baixo da calçada, e não na pista. O Engenheiro disse que eu queria mesmo era viver na lama, e eu perguntei pra ele: Pra que uma rede de esgoto que não funciona? Uma água que não chega? Uma rua estreita? (Sr.ª A. moradora do Riacho Doce).

Outros moradores sofrem pela falta de instrução e de informação sobre o projeto, fator observado nas residências que não interligaram o sistema de esgoto da casa à rede coletora, e por não conseguirem usufruir das melhorias do projeto, colocam suas casas à venda, devido à valorização da área, como é o caso do morador da Quadra 02 casa nº 88. A água servida da residência continua indo pra baixo da casa por falta de instrução do morador e também por falta de informação sobre o projeto, ou seja, observa-se a necessidade de programas complementares ao programa de urbanização que capacite o morador para usufruir dos benefícios. Conforme abordado no Capítulo I, Sen (1992) advoga que tão importante quanto ter suas necessidades básicas atendidas, seria dispor de meios para aproveitá-las. Apesar do Projeto Tucunduba não ter satisfeito todas famílias entrevistadas, identificamos ações significativas, não só de saneamento e infra- estrutura, que contribuirão para a agregação desta área à cidade formal.

b) Os moradores que estão em processo de remanejamento

Como foi verificado no capítulo III, em virtude da não desapropriação do terreno que pertence a Cooperufpa o projeto habitacional foi modificado. De acordo com o mapa de setorização do PDL, as famílias que estão em processo de remanejamento ocupam o setor 02, área do Riacho Doce que fica entre a Rua da Olaria e o muro do terreno, e o setor 03, área localizada em frente à Av. Perimetral, devem desocupar suas casas de acordo com a solicitação da prefeitura, para que sejam construídos no local os conjuntos de apartamentos.

Dentro deste grupo encontramos:

b.1) Os moradores que continuam em suas casas aguardando a solicitação da prefeitura. b.2) Os moradores que optaram pelo apartamento e atualmente recebem o auxílio moradia, enquanto aguardam a conclusão das obras.

b.1) Os moradores que continuam em suas casas aguardando a solicitação da prefeitura.

Os moradores que habitam na área sofrem com a incerteza sobre a data do remanejamento, e se sentem “enganados” em relação ao segundo projeto que foi apresentado que não contou com a participação popular. Muitos moradores ainda possuem dúvidas se vão aderir ou não ao projeto em virtude da tipologia da habitação apresentada, tais fatores contribuem para o aumento do fator vulnerabilidade em relação ao domicílio.

Quando indagados sobre o modo de vida antes e depois do projeto PDL, 100% dos entrevistados afirmam que a vida era melhor antes, haja vista, que não havia a incerteza do remanejamento que ocorre à passos lentos. Como identificado por Moser (1998:3) tais transformações contribuem para aumentar o risco e a incerteza, assim como contribuem para o declínio do auto-respeito. Como relata Srª N.:

“ Antes era tranqüilo, a gente pensava que iria ficar aqui a vida toda. Agora a gente não pode nem mexer na casa porque as coisas nunca se resolvem e eu não quero perder a minha casa que é a única coisa que eu tenho” (Srª. N., moradora do Riacho Doce).

Nesta área é comum identificar domicílios onde a mulher é a provedora dos recursos do domicílio. O acesso à renda da maioria dos moradores se dá através do trabalho informal ou temporário e existe uma grande quantidade de mulheres chefes de família que trabalham como temporárias na fábrica de castanha localizada na Av. Bernardo Sayão. Os trabalhos mais comuns são: diarista, flanelinha, vendedor de lanche, etc. A renda média das famílias entrevistadas não chega à R$350,00 e consideramos alto o nível de desemprego na área.

As casas, na sua grande maioria, são em madeira e apresentam a tipologia arquitetônica similar ao dos ribeirinhos. O processo de melhoria das moradias aconteceu antes do início do projeto dentre as quais destacamos: agregação do banheiro ao domicílio e troca de tábuas do assoalho. Tais melhorias contaram com recursos resultantes da força de trabalho, e das ligaduras estabelecidas com a comunidade. Os moradores afirmam que antes do projeto a casa estava em constante processo de melhoria, ainda que lentamente, com o início do projeto a prefeitura solicitou que nenhuma melhoria fosse realizada devido a previsão de remanejamento e de demolição das casas.

Eu comprei a casa aqui achando que ia viver tranqüila, já tinha saído da outra casa na beira do igarapé por causa do outro projeto (refere-se ao Projeto Tucunduba) e queria melhorar essa agora. Estava até fazendo isso mas a prefeitura mandou parar (Srª. M., moradora do Riacho Doce)

Outra dificuldade é que a desapropriação da área tem ocorrido à passos lentos, de forma que, a área vai ficando deserta, e algumas casas que ainda estão em processo de acordo que permanecem no local acabam ficando isoladas e sofrem com o aumento da violência e a interrupção dos serviços de água e luz, devido às demolições realizadas sem nenhum critério.Como relata o Srº. L.:

(...) Eu tô achando que a prefeitura está sendo muito irresponsável, com a demolição esbandalha a energia, na última demolição quase que a casa pega fogo, aumentou o número de assaltos, piorou muito, a gente tá na incerteza, a gente não tem garantia nenhuma. Se agente aceitar sair da nossa casa e for para o aluguel quem garante que o apartamento vai sair ?. (Srº.L., morador do Riacho Doce).

Os objetivos definidos pelo programa, no que diz respeito aos mecanismos de desapropriação e remanejamento, impõem à comunidade dessa área uma condição de pobreza que pode ser definida a partir da teoria de Sen (1992) que enfatiza que dada as oportunidades reais, o que inclui circunstâncias pessoais, sociais e espaciais em que o indivíduo está inserido, o mesmo deve dispor de liberdade de ação e decisão.

Neste caso, essa comunidade está tolhida da sua liberdade de escolha quanto a sua localização dentro da cidade, haja vista, que de acordo com as entrevistas o valor das indenizações é baixo, ou seja, resta ao morador aceitar o apartamento proposto pelo PDL, entretanto, a tipologia habitacional do apartamento não leva em conta o valores pessoais da comunidade, que para o autor, trata-se de disponibilidade de meios para funcionar (functionnings), ou seja o projeto não leva em consideração a capacidade da comunidade de condução sobre o modo de vida escolhido que permitam obter a satisfação de tais necessidade (capabitit set).

b.2) Os moradores que estão recebendo auxílio moradia - aluguel

As famílias que recebem o auxílio aluguel eram moradores do setor 02 e 03 de acordo com a planta de setorialização do PDL. No momento da desapropriação a família que opta pelo apartamento recebe um auxílio de R$ 200,00 fornecido pela Prefeitura para que alugue uma casa, enquanto aguarda o término da obra, e como “garantia” da entrega da casa recebe apenas um “Termo de Compromisso” assinado por um técnico do projeto. No final de 2001, ocorreu um incêndio na área do Riacho Doce. Os moradores vítimas do incêndio também recebem o auxílio moradia e passaram a morar em imóveis locados e também aguardando a conclusão do projeto para o remanejamento.

A primeira dificuldade verificada dentro deste grupo é o valor oferecido pela prefeitura que não é suficiente para o aluguel de uma casa, haja vista, que além do valor do aluguel existem outras despesas que as famílias localizadas nessa área não pagavam como: água e luz. Em virtude do baixo valor do aluguel fornecido pelo prefeitura identificamos tipo de moradias precárias assim como sub-locações de casas, inclusive em áreas já entregues pelo projeto. Como exemplo citamos o caso da Srª. M., moradora que está recendo o auxílio moradia.

Antes moravam 08 pessoas e agora moram só 02 pessoas. Eu e a minha filha mais nova. Com o projeto cada um teve que tomar o seu rumo. A filha foi pra Ananindeua, o filho foi pra Pass. João de Deus, o outro foi pra Mocajuba, o outro para Oeiras...era para gente passar 03 meses no aluguel já estamos bem 02 anos. Nossos móveis estão todos quebrados, porque não cabe a gente pode alugar. A minha filha está grávida foi pra Ananindeua, ela passa o dia na casa e só vai à noite pra casa dela” (Srª. M, moradora remanejada no Pantanal)

As moradoras em questão pagam 100 reais por 02 cômodos, a sala e a cozinha a dona da casa ficou com o quarto. Elas ainda pagam 50,00 reais de luz. D. Maria pendura o sofá no teto da sala. Devido aos entraves referentes ao andamento da obra, os moradores que estão recebendo o auxílio moradia sofrem com o atraso da entrega dos apartamentos. As famílias afirmam que a prefeitura atrasa o pagamento, o que dificulta ainda mais o processo de locação acarretando mudanças constantes, resultando nas perdas de mobiliário da família. Como apontado no Capítulo I, Cardoso (2002) traduz o conceito de vulnerabilidade para o espaço urbano como insegurança e sensibilidade no bem-estar dos indivíduos, famílias e comunidade diante de um meio ambiente em transformação , e implícito nisto sua capacidade de oferecer respostas e de resistir a riscos enfrentados em cada transformação negativa. A grande quantidade de remoções no setor 2 e 3 famílias gerou uma especulação imobiliária e o aumento dos valores do aluguel das casas principalmente na área beneficiada pelo projeto Tucunduba onde o os moradores não foram remanejados.

c) Os moradores remanejados

Os moradores remanejados para as unidades sanitárias, localizados no setor 4,5 e 6, atualmente residem em uma casa de 32m2 edificadas pela prefeitura e caracterizam-se por já terem passado pelo processo do aluguel e hoje estão assentados.

SALA DE ESTAR

COZI NHA DORMI TÓRI O

BNHº

Figura 51 - Planta Baixa da casa proposta pelo projeto.Fonte: levantamento feito no local Dezembro /2005

Figura 50 - Conjunto de casas no Pantanal. Fotos da autora. Novembro / 2005

Dentro deste grupo a tipologia da habitação atingiu principalmente as famílias numerosas que se desmembraram em virtude do tamanho da habitação conforme ilustração anterior. Diferente do que ocorre nas ruas do Riacho Doce, nesta área é comum observar as ruas desertas, acredita-se que este fato se deve ao remanejamento recente das famílias que tiveram seus grupos de vizinhança desfeitos, fator que colabora para o aumento da violência na área e a implantação do narcotráfico.

Os moradores relatam que suas moradias anteriores eram maiores, com dois pavimentos e que possuíam em média 06 compartimentos, a grande maioria em madeira. Diante dessa disparidade, várias moradias têm passado pelo processo de ampliação, entretanto, os motivos da ampliação não se dão apenas em virtude do número de pessoas da família, os motivos são diversos, dentre os quais destacamos: adequação da casa para comércio, agregação de família, separação conjugal, etc. As ampliações normalmente são realizadas em alvenaria, através do processo de auto-construção e normalmente avançam para além do meio fio. Outros moradores relatam que foram enganados, e que fora prometido pelo PDL uma casa de acordo com o tamanho da casa anterior como é o caso do Sr.º R.:

“Era uma casa de madeira, só que ficavam entre duas casas e estes vizinhos haviam aterrado o terreno, ou seja, a água servida ia pra baixo da minha casa e quando chovia era um desespero. Aí veio o projeto, saí da casa mais pelo incômodo, fui pro aluguel, eles disseram que não tinham dinheiro para indenizar a gente, eles nos enganaram, se eu tivesse sido indenizado eu não teria ido pro aluguel. Primeiro Figura 52 – Moradia ampliada no Pantanal I.

disseram que a casa (que iria ser construída pelo projeto ) ia ser de acordo com a casa do morador . Na verdade, eles favoreceram alguns e desfavoreceram outros.

Disseram que as casas com estabelecimentos comercias seriam feitas com estabelecimentos comerciais. Você está vendo algum espaço aqui para estabelecimento comercial?

Antes éramos 08 pessoas, agora infelizmente somos só 05 pessoas. Não coube o número de pessoas, nem os móveis, inclusive eu me desfiz até do meu ponto comercial para fazer essa parte aqui de trás e hoje eu vivo desempregado. Me prometeram dar um Box na feira. Eu trabalhava com açaí, mas até agora não me deram posição. Olha só a cozinha, ficou tudo bagunçado, agente ta se ajeitando pouco à pouco. (Sr.º R., morador do Pantanal).

Entretanto, para alguns moradores a melhoria do aspecto físico da habitação no que diz respeito ao material (alvenaria), por possuir banheiro dentro da casa, pia, caixa d’água principalmente no que diz respeito a infra-estrutura, ao saneamento, drenagem, coleta de lixo, e acessibilidade são aspectos que para algumas famílias, conforme observamos, as mais pobres, compensam a diferença de área entre a moradia anterior e atual.

Dentre os remanejados, observamos que as famílias que contam com o emprego formal dentre eles os mais comuns são: empregos no setor de limpeza, fiscal de linha de ônibus e aposentados, ou seja, os que possuem acesso à credito, são os que melhor conseguem se apropriar da habitação. Dentro deste grupo observamos casas em constante melhoria dentre as quais destacamos: aplicação de revestimento, ampliação da residência para dois pavimentos, etc, conforme depoimento abaixo:

Antes do projeto a vida era pior, agente vivia no meio do lixo, não era assim organizado como é agora, faz tempo que eu não vejo um rato, a gente não sente tanta falta da vida antes porque ficou uma coisa melhor .

Aqui no Pantanal a melhor casa era a minha... quem pegou a indenização se arrependeu! Passei 10 meses no aluguel mas valeu a pena. (Sr.ª M., moradora do Pantanal)

Figura 53 - Residência com dois pavimentos. Fotos da autora. Novembro /2005

Figura 54 - Melhorias realizadas na residência Fotos da autora. Novembro / 2005

De acordo com as entrevistas, antes do remanejamento, o acesso à renda, por algumas