• Sonuç bulunamadı

KİRALAYANIN, KİRACININ ZİLYETLİĞİNDEKİ MALIN MÜLKİYETİNİ

C. KİRACININ AYIPTAN DOĞAN HAKLARI:

VII. KİRALAYANIN, KİRACININ ZİLYETLİĞİNDEKİ MALIN MÜLKİYETİNİ

O processo de ensino envolve ações extremamente complexas e dinâmicas, dentre as quais destacamos, com base no enfoque metodológico adotado pelos professores, o sistema de avaliação.

Esse é, sem dúvida, um componente fundamental do processo de ensino- aprendizagem, o qual serve para que os professores reflitam sobre a prática e sobre como os alunos respondem às demandas que lhes são feitas.

Considerando que qualquer aluno – e não apenas aquele com deficiência identificada – poderá apresentar dificuldades para aprender devido às suas características pessoais, às metodologias de ensino e o nível de exigência do conteúdo curricular, entre outros aspectos, é importante na determinação das necessidades individuais que ocorra um entendimento inicial da equipe técnica pedagógica e dos docentes a respeito desse aluno, com base nas informações obtidas através da família e, também, a partir do contato freqüente com o próprio aluno.

No caso especificado, de acordo com os depoimentos dos professores:

Não houve, por parte da equipe técnica, informações adicionais a respeito dessa aluna, também não realizei avaliação inicial, até porque sinto dificuldades (Davi).

Se a escola realizou entrevista com a família dessa aluna ou uma avaliação inicial para conhecê-la melhor, não fui informada (Fábia). Não fiz avaliação inicial e não tenho conhecimento se o serviço de orientação educacional fez. Tudo está sendo igual aos anos anteriores (Cinthia).

Acho que uma avaliação inicial para conhecer a aluna é interessante, mas não fiz, nem recebi orientação para fazer (Luci).

Nos depoimentos dos professores ficou evidenciado, portanto, que não houve por parte desses, assim como pela equipe da escola, uma investigação ou avaliação inicial, como recomenda Falvey et al. (1999), para identificar os interesses do aluno, as suas potencialidades, necessidades acadêmicas, habilidades sociais e de comunicação, habilidades funcionais (da vida cotidiana), entre outros aspectos. Tal procedimento tem como finalidade conhecer as necessidades educacionais do aluno, seu grau de desenvolvimento atual e seu grau de participação nas várias atividades e ambientes e, a partir desse conhecimento, manter uma avaliação contínua sobre o “que ensinar”, “como ensinar” e “quando mudar o ensino”, em benefício dos alunos.

Como ocorre, então, o processo de avaliação da escola e como a aluna com deficiência mental está sendo avaliada? Para os professores:

A avaliação fica a critério de cada professor e a aluna com deficiência mental faz as mesmas atividades avaliativas que os demais colegas, a única diferença é que a letra é ampliada, devido à sua dificuldade visual, mas nem sempre isso é feito (Luci).

Não existe diferença, a avaliação é a mesma para todos (Fábia).

No caso dessa aluna, ela faz a mesma prova em sala de aula, mais os trabalhos em grupo. Como ela não consegue acompanhar e os próprios grupos acham que ela está ali só olhando, eu faço trabalho para ela fazer em casa. Trabalho de pesquisa com os mesmos conteúdos trabalhados em sala de aula, só que ela não tem dia para fazer e trazer e vem incompleto. Eu acho que ela não tem condições de fazer em sala de aula, acompanhando o mesmo raciocínio. Então, ela ficou em recuperação bimestral e vai fazer recuperação junto com os outros. Na hora que eu analisar a correção da recuperação e se ela não apresentar condições, vou chamá-la e ela vai fazer em forma de trabalho de

pesquisa. Eu acho que não posso avaliar igual como avalio os outros, seria da minha parte um desistímulo (Davi).

É mais no sentido oral, ela vai apresentar o que aprendeu, o que ela entendeu. Todas as avaliações dessa aluna eu fiz oralmente, também fiz a parte escrita, mas o que valeu foi a parte oral, porque ela tem mais facilidade de se expressar (Cinthia).

Apesar do entendimento que têm sobre as dificuldades cognitivas do aluno com deficiência mental, ficou evidenciado, nesses depoimentos, que os professores submetem a aluna às mesmas atividades formais de avaliação, priorizando o conhecimento acadêmico e desrespeitando as peculiaridades cognitivas do aluno com deficiência mental.

Nessa perspectiva, os instrumentos de verificação do rendimento do aluno realizam-se por meio de atividades escritas – provas, testes, trabalhos – deixando de lado outros aspectos igualmente importantes, como a compreensão, criatividade, capacidade de resolver problemas, capacidade de estabelecer relações dos conteúdos acadêmicos com a vida lá fora, entre outros. Trata-se, na verdade, da avaliação do tipo formal, desenvolvida com procedimentos específicos de aplicação, cujos resultados são traduzidos em “notas”.

É preciso reconhecer que, a depender dos objetivos a que está submetida, a avaliação poderá expressar informações empobrecidas sobre o rendimento escolar, referendado por uma nota classificatória, repercutindo negativamente na auto-estima do aluno, no seu ambiente escolar e familiar. Assim, questionada sobre as atividades avaliativas, a aluna reafirmou o direcionamento do sistema de avaliação utilizado pelos professores.

As provas são iguais aos dos outros alunos, aí eu não consigo responder nada, principalmente de Matemática. Aí, se tiver negócio de marcar, eu respondo (Laura).

Como podemos verificar, na realidade, o sistema de avaliação do grupo-classe em que a aluna estava inserida não sofreu modificações, optando por enquadrar todos os alunos às normas já pré-estabelecidas, ou ao fazer “já conhecido” e cristalizado em suas práticas. Mais uma vez ficou evidenciada a pressão homogeneizadora imposta pela instituição escolar, o desconhecimento, a falta de orientação e a conseqüente resistência dos professores quanto às mudanças necessárias para atender ao processo educacional inclusivo.

Dessa maneira, ficou evidente, para nós, que a escola pauta suas ações com base em parâmetros de normalidade, respaldada numa visão biológica do desenvolvimento, tendo como referência os estágios universais e homogêneos que todos os alunos, da mesma faixa de idade, deveriam alcançar. Considerando a visão biologizante no desenvolvimento da avaliação, particularmente para os alunos com déficit intelectual – cuja compreensão e desempenho acadêmico comumente são inferiores em relação aos colegas do grupo classe – esse critério de avaliação contribui, na verdade, para a sua exclusão de uma atividade que poderia ser fundamental para direcionar o seu processo educacional.

Assim, para que esse processo se efetive, é necessário que a escola tenha como base o compromisso de conhecer cada um, colocando como centro de seus interesses suas capacidades e interesses individuais, de forma que a avaliação se torne um processo contínuo, para direcionar a aprendizagem e servir, também, de revisão contínua da prática pedagógica.

Em síntese, a avaliação do desempenho escolar precisaria sofrer mudanças na medida em que, além de se adaptar aos alunos, se dispuser a, efetivamente, analisar as variáveis que dificultam a aprendizagem e a participação de todos. Para tanto, se faz necessário adequar as características do ensino às necessidades individuais, cujo fim deverá servir para encaminhar as mudanças no ensinar, no aprender e no avaliar.