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1.2. ÇOCUK VE DAVRANIŞ DEĞİŞİMİ

1.2.3. Kişisel Faktörler

Uma preocupação presente em todos os depoimentos é a melhoria da qualidade do ensino de inglês dentro de suas escolas, tornando-o mais significativo e eficiente. No Ensino Fundamental, a escola Einstein utiliza material didático que prioriza o ensino das quatro habilidades fundamentais para a aprendizagem de uma LE: ler, escrever, ouvir

(compreensão oral), falar. Já no Ensino Médio, a escola adota material próprio que, segundo o coordenador, apesar de contemplar as habilidades de compreensão oral e da fala, prioriza o desenvolvimento das habilidades de leitura e produção de texto. De acordo com o coordenador geral, o objetivo do ensino do inglês é garantir que todos os alunos consigam chegar pelo menos a um nível intermediário se optarem por estudar o idioma apenas na escola.

Porque nós temos uma filosofia de trabalho muito clara. [...] Se o aluno quiser fazer algum curso a mais... Ele vai espontaneamente procurar. [...] A gente quer que ele saiba inglês para ele poder fazer uma boa prova, independente de qual seja o vestibular dele... E que aquilo sirva também para o cotidiano dele. Nós temos alunos que... que tiram absolutamente de letra, não é? Se... se ele só trabalhasse com a gente...Tem alunos que chegariam até no nível avançado, não é? [...] Mas, em média, ele chega ao nível intermediário. Só com o inglês daqui. É isso o que a gente quer. (Coordenador geral da escola Einstein) É interessante notar que em nenhum momento o coordenador menciona classes numerosas e heterogêneas como um fator um empecilho para o desenvolvimento de um programa de ensino de inglês de qualidade. Para o coordenador, o importante é garantir que todo aluno tenha acesso a um ensino de inglês que o leve a alcançar, no mínimo, o nível intermediário até o final do Ensino Médio. A questão de alguns estudantes fazerem aulas em escolas de idiomas e, com isso, tornarem as classes mais heterogêneas, não entra na discussão sobre os objetivos da escola para o ensino de inglês e não parece ser um fator que gera indisciplina ou desinteresse. Quando questionado se a escola tem intenção de dividir as turmas de inglês de acordo com o conhecimento do idioma, o coordenador foi taxativo:

Não pretendemos. [...] Como eu te falei, existe sempre o lado bom e o lado ruim. Lado bom: você tem um trabalho mais homogêneo (trabalhando com turmas niveladas). Lado ruim: você dá menos possibilidade do aluno com mais dificuldade evoluir porque ele está... Com seus pares comuns. [...] Eu já tive a experiência em outras escolas, não é? Desse tipo de divisão... Até os professores mesmo rotulam as turmas mais fracas... Tem uma fraca e tem uma forte. (Coordenador geral da escola Einstein)

É interessante notar que a heterogeneidade é tida como um obstáculo para a aprendizagem e o ensino de LE por todos os entrevistados, inclusive os da rede pública. No entanto, o coordenador diz que em Einstein a diferença no nível de conhecimento dos alunos é tida como um fator para motivar o aluno mais fraco a melhorar. Para o coordenador, devido ao alto nível de exigência em relação ao desempenho dos alunos, as aulas de inglês são significativas até para aqueles com bom conhecimento do idioma.

Assim, segundo ele, a escola garante o comprometimento do aluno com a aprendizagem da matéria.

A solução encontrada pela escola Bem-Te-Vi para desenvolver o ensino de inglês foi um pouco diferente. Segundo a diretora da escola, as aulas de inglês começam já no ensino infantil e têm como objetivo fazer com que os alunos usem o idioma de maneira contextualizada e significativa para promover a aprendizagem real da língua. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, as classes são divididas e os alunos agrupados em duas turmas menores, mas não de acordo com nível de conhecimento. A partir do sexto ano do Ensino Fundamental, os alunos têm aulas de inglês duas vezes por semana no próprio grupo e essa disciplina também é trabalhada em conjunto com aulas de outras matérias, como língua portuguesa e cinema.

A gente trabalha com essas quatro habilidades, não é? Então eles começam na educação infantil, não é? Eles têm um livro, não é? [...] Quando chega no fundamental um eles têm já um livro mais puxado, e aí para a gente garantir uma qualidade... aí metade da turma vai para informática e a outra metade vai para o inglês, depois troca. Porque aí a gente divide a turma. E aqui no fundamental dois a gente tem dois professores. Aqui ele (o ensino do inglês) já muda de configuração. Só lá no fundamental um que dá para dividir as turmas... No dois não, porque são mais matérias. Mas o tipo de trabalho é o mesmo. (Diretora da escola Bem-Te-Vi)

Esse formato de aulas foi implantado há aproximadamente 10 anos e, a partir de um trabalho sistemático de ensino de inglês desde o ensino infantil, a diretora diz conseguir garantir que os alunos alcancem um nível considerado bom até o final do nono ano. Assim como o coordenador da escola Einstein, a diretora frisou a importância de oferecer um ensino de inglês que garanta que todos os alunos cheguem a um nível intermediário, independentemente de frequentarem cursos de idiomas ou não. Para ela, essa é uma demanda do mundo atual. Os estudantes têm ou pretendem ter contato com outros idiomas, seja por lazer (por meio de viagens, música, Internet), seja por uma razão instrumental (serem profissionais mais completos no futuro).

No depoimento da diretora é possível perceber o investimento feito pela escola e pela própria diretora no sentido de compreender como desenvolver um trabalho significativo de ensino de línguas. Apesar de não possuir formação na área, a diretora mostrou ter conhecimento de conceitos sobre o ensino e a aprendizagem de LEs, como é o caso da competência comunicativa. Esse conhecimento, segundo ela, foi adquirido por meio de

leitura e de contato com profissionais da área que a ajudaram a definir como seria construído o curso de inglês na escola.

Na escola Minas Gerais, a diretora diz ter sido inviável incluir a língua inglesa na proposta pedagógica da escola, que prevê o ensino integrado das disciplinas. De acordo com a diretora, um dos problemas era a dificuldade em lidar com alunos com níveis distintos de proficiência dentro dos grupos. Outra dificuldade era integrar o inglês às outras disciplinas da grade curricular, o que demandaria um professor com formação abrangente na área de educação e experiência de trabalho com propostas interdisciplinares, o que, segundo a diretora, é extremamente difícil de achar. Por esses motivos, a escola optou pela terceirização do ensino de inglês desde a primeira série do Ensino Fundamental, quando é iniciada a oferta do idioma, até o Ensino Médio. De acordo com a diretora,

A vantagem é que o ensino do idioma por uma escola de idiomas, ele é mais eficiente... do que o ensino de idiomas dentro da escola por uma professora contratada. Por quê? Se trabalhamos com uma professora contratada, ela vai respeitar os agrupamentos originais dos meninos. Então hoje a aula é no 6° ano do Ensino Fundamental, ela está com todos os alunos do 6° ano, e aí nós temos alunos com níveis distintos de idioma. Quando a escola não tem esse tipo de parceria, os pais optam, no caso das escolas particulares, por conta própria, a oferecerem esses cursos. Isso aumenta ainda mais a diversidade em relação à aprendizagem daquele idioma. [...] Se tivéssemos um professor aqui, de qualquer forma o pai ia colocar o filho nessa escola de inglês. (Diretora da escola Minas Gerais)

Até o sexto ano, as aulas de inglês são oferecidas dentro da própria escola. Porém, os objetivos, os professores, o material, a avaliação e todo o plano de ensino da disciplina ficam a cargo de um curso de idiomas. A partir do sexto ano, os alunos recebem um documento chamado de voucher e frequentam as aulas de inglês em uma das unidades de ensino do curso de idiomas contratado pela escola.

A diretora da instituição afirma que tanto pais quanto alunos mostram-se satisfeitos com essa solução. Um dos motivos é que, segundo ela, os pais já optariam por esse curso de inglês mesmo se a escola oferecesse as aulas regulares em sua grade curricular. Com isso, segundo a diretora, os pais têm um custo a menos. Outra vantagem apontada por ela é que os jovens estudam com pessoas com o mesmo nível de inglês e acabam realmente aprendendo o idioma. Prova disso, segundo ela, é que no Ensino Médio, a maioria dos estudantes opta por estudar somente o espanhol, pois acredita ter um nível de proficiência em inglês alto o suficiente para a interrupção dos estudos dessa disciplina. É importante

notar que esses alunos são de nível socioeconômico alto e, segundo a diretora, viajam frequentemente para o exterior para fazer cursos e para passear, tornando-se fluentes em inglês já no início do Ensino Médio. Esse fato, de acordo com o depoimento da diretora, poderia explicar essa rejeição à língua inglesa no Ensino Médio.

A diretora aponta desvantagens nessa terceirização. Uma delas é a falta de conexão entre o que acontece na escola e o ensino de inglês oferecido por uma instituição que possui uma cultura escolar diferente da Minas Gerais. Por não compartilhar da mesma proposta pedagógica da escola, o curso de idiomas parece deslocado do contexto em que está inserido. Entretanto, ela diz garantir que todos os alunos da escola consigam um bom nível de conhecimento de inglês, mesmo aqueles que não fazem cursos extras ou viajam para o exterior. E esse, segundo ela, é o maior objetivo da escola em relação ao inglês.

Em seu depoimento, a diretora da escola São Judas diz que até o final do ano anterior, as aulas de inglês enfatizavam a leitura instrumental. Porém, a escola promoveu um evento em que muitos integrantes da congregação, que é de outro país, passaram alguns dias no Brasil e participaram do dia a dia do colégio. Nessa ocasião, a diretora diz ter se surpreendido ao perceber que os estudantes não conseguiam se comunicar minimamente com os estrangeiros em inglês, como é possível perceber em seu depoimento:

[...] me preocupa muito, não é? O aluno ficar do sexto, igual no caso aqui do colégio, até o Ensino Médio, não é? Dentro da escola tendo duas aulas semanais e muitas vezes quando tem a demanda para ele... porque aqui no colégio a gente recebe muito estrangeiro. [...] igual ano passado [...] vieram alguns padres do exterior e eles falam o inglês também, não é? E muitas vezes eu fui surpreendida quando eu falava com os meninos e eles não... desenvolviam um diálogo. [...]Nós tamos aí com tantos eventos que estão chegando, copa e tudo mais e os meninos tem que dar conta de está falando pelo menos o básico, não é? (Diretora de São Judas)

Por esse motivo, a diretora se reuniu com a coordenadora de LEs do colégio para discutir como tornar o ensino de inglês mais aplicável às situações de interação com as quais os alunos possam vir a se deparar. Segundo a diretora, os resultados têm sido positivos, pois ela percebe os alunos mais motivados e envolvidos com as aulas de inglês, já que, agora, durante as aulas eles têm momentos de interação no idioma. Ela cita alunos treinando diálogos nos corredores e cantando músicas em inglês como fatos que indicam maior envolvimento dos estudantes com a aprendizagem da língua.

De acordo com a diretora de São Judas, muitos alunos estudam inglês em cursos de idiomas, mas são poucos os que usam o inglês em situações reais de comunicação. A

escola possui parceria com duas escolas de idiomas que oferecem descontos para os estudantes de São Judas. Segundo a diretora, em uma delas estão matriculados aproximadamente 500 alunos de São Judas, um número bastante significativo em um universo de 2500 estudantes. De acordo com ela, os pais querem que seus filhos desenvolvam a habilidade de se comunicar em inglês e esse objetivo é difícil de ser alcançado na escola regular, já que as turmas são maiores e mais heterogêneas do que as classes dos cursos de idiomas.

Uma situação distinta é enfrentada pela escola Coliseu. A instituição possui poucos alunos e oferece apenas o Ensino Médio, o que, segundo a coordenadora, parece dificultar a definição dos objetivos do ensino de inglês. A heterogeneidade das turmas, devido ao grande número de alunos que faz aulas de inglês em cursos de idiomas e/ou intercâmbio também é apontada como uma das questões que dificultam a definição dos objetivos do ensino de inglês:

A gente recebe muitos alunos ... a maioria deles mora aqui na região... Então uma classe média, classe média alta... Os meninos... praticamente todos eles, é... fazem intercâmbio[...] É difícil você conseguir atrair esse aluno para língua estrangeira.. [...] Aí a gente... a gente trabalha língua estrangeira por nivelamento? Mas para você trabalhar a língua estrangeira por nivelamento tem que ter um número grande de alunos, então para nós que somos uma escola com um número reduzido de alunos. ..[...] E aqui... vai ter também menino que não sabe nada... por que não faz curso fora [...]. Então como é que você faz essa divisão também? É um outro problema. (Coordenadora pedagógica da escola Coliseu)

Atualmente, os alunos têm uma aula de inglês e uma aula de espanhol por semana, mas a coordenadora sinalizou que eles pretendem alterar essa configuração. Apesar de ter consciência de que nem todos os alunos têm um bom nível de inglês, a escola ainda não sabe como solucionar a questão da heterogeneidade e da baixa carga horária do ensino de inglês. O contexto geral descrito pela coordenadora parece dificultar o desenvolvimento de um trabalho consistente de ensino de língua inglesa. Por ser uma escola de pequeno porte, Coliseu não tem como oferecer um grande número de aulas para os professores de inglês, que terão, no máximo, duas aulas por semana em cada uma das turmas, totalizando seis horas semanais, o que acaba gerando uma alta rotatividade dos professores e dificultando a construção de um curso consistente.

Além da baixa carga horária, existe a dificuldade em lidar com a grande heterogeneidade dos alunos em relação ao conhecimento prévio do idioma, problema de solução complexa, já que alguns dos estudantes chegaram ao Ensino Médio com pouco

conhecimento do idioma. Na escola Coliseu não existe a opção de reestruturar o ensino de inglês a partir do ensino infantil, como optou a escola Bem-Te-Vi, e conseguir fazer com que todos os alunos consigam chegar a um nível razoável de inglês, diminuindo, assim, a grande heterogeneidade que geralmente surge no Ensino Fundamental 2 e que se acentua no Ensino Médio.