53 5.1.5.2 Fotiadis Okulu
5.2. Kentsel Özellikler
REGIÕES CIDADES
Central Belo Horizonte – capital e metrópole
Mata Juiz de Fora
Triângulo Uberlândia
Centro-Oeste Divinópolis
Rio Doce Governador Valadares
Norte de Minas Montes Claros
Alto Paranaíba Patos de Minas
Sul de Minas Pouso Alegre
Noroeste Paracatu
Jequitinhonha/Mucuri Teófilo Otoni
Fonte da autora com base em ABREU, João Francisco de; AMORIM FILHO, Oswaldo Bueno; RIGOTTI, José Irineu Rangel. Tipologia de regiões. Cap. 6. In.: BDMG. Minas Gerais do Século XXI. Reinterpretando o espaço mineiro. v. II. Op. cit.
Da capital, Belo Horizonte, por ser uma cidade metrópole, com mais de dois milhões de habitantes, entrevistamos dezoito (18) mulheres empresárias – anexo 2. Nas demais cidades representativas as quais se enquadram nos portes de grandes centros, médias de nível superior e média (anexo 4), entrevistamos três (3) mulheres empresárias em cada uma delas, representantes para a amostra. (Anexo 2).
Totalizaram-se, assim, quarenta e cinco (45) entrevistas ressaltando, mais uma vez, que em uma pesquisa de cunho qualitativo, qualquer número de representantes, constitui uma amostra.139 Sobre essa questão da representatividade, Thompson escreve:
137
ARRUDA, Maria Aparecida; AMORIM FILHO, Oswaldo Bueno. Os Sistemas Urbanos. Cap. 5. In: BDMG. Minas Gerais do Século XXI. Reinterpretando o Espaço Mineiro. v. II. Op. cit., p. 192 (grifos nossos).
138
Para enfrentar os diversos problemas propostos pela representatividade retrospectiva, o historiador oral tem que desenvolver, em vez da amostra aleatória padronizada, um método de amostragem estratégica: uma abordagem mais tática, [...]. Vale a pena considerar várias abordagens diferentes. Para muitos projetos, como a respeito de um evento, ou de um grupo pequeno de pessoas, a questão não é de representatividade, mas de quem sabe mais. [...] a busca deve ser mais de validade do que de fidedignidade: “uns poucos indivíduos com esse tipo de conhecimento constituem uma ‘amostra representativa’ muito melhor do que mil indivíduos que estejam envolvidos na ação que se articula, mas que não tomam conhecimento dessa articulação”. [...] Não há método de amostragem que possa arvorar-se no melhor para todas as situações. [...] A preocupação com a representatividade é fundamental para que a história oral realize seu potencial. [...] Uma das mais profundas lições da história oral é a singularidade, tanto quanto a representatividade, de cada história de vida. [...] na seleção de informantes, não existem regras absolutas, mas antes um certo número de fatores a considerar, assim também no final há apenas orientações úteis para indicar quando as fontes orais podem ser utilizadas fidedignamente, exatamente como há para outras fontes históricas.140
Segundo o autor, existem vários testes para comprovação da fidedignidade que resumidamente apontam para a “[...] busca de consistência interna, conferência cruzada de detalhes de outras fontes, confronto da evidência com um contexto mais amplo [...]”141 que são usados, da mesma forma, para quaisquer outras fontes históricas. Foi dentro dessa orientação que analisamos as entrevistas realizadas com as mulheres empresárias de nossa amostra.
Ainda em relação à fidedignidade, continua dizendo Thompson: “Todas elas são falíveis e sujeitas a viés, e cada uma delas possui força variável em situações diferentes. Em alguns contextos, a evidência oral é o que há de melhor; em outros, ela é suplementar, ou complementar, à de outras fontes”.142
Também em relação ao número de pessoas entrevistadas que possa dar representatividade ao grupo, Thompson, citado por Meihy, afirma: “O número de participantes entrevistados deve obedecer a uma espécie de ‘lei dos rendimentos decrescentes’. Quando os depoimentos começam a se repetir está na hora de parar”.143 Em outra obra, reforça Thompson: “De modo geral, uma interpretação ou relato histórico se torna
139
Cf. MURARO, Rose Marie. Sexualidade da mulher brasileira: corpo e classe social no Brasil. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1983;
MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Manual de História Oral. Op. cit.
140
THOMPSON, Paul. A voz do passado: história oral. Op. cit., p. 173-4-5-6.
141
Ibidem, p. 176.
142
Ibidem, p. 176.
143
THOMPSON, Paul. A voz do passado: história oral apud MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Manual de História Oral. Op. cit., p. 138.
verossímil quando o modelo de evidência é coerente e procede de mais de um ponto de vista”.144
Amparando-nos nessa concepção de Thompson, à medida em que fazíamos as entrevistas, percebíamos que o número adotado fora suficiente a partir do momento em que os argumentos e as informações que buscávamos tornaram-se repetitivas e coerentes.
E ainda, em uma pesquisa que se propõe a uma abordagem no âmbito do estudo da cultura política, justificada mais à frente, defende
[...] o pressuposto de que cada membro da sociedade é representativo de um padrão cultural mais amplo, apreendido através de processos de socialização e comunicação. Por isso mesmo, a definição dos padrões culturais que compõem um caráter nacional dependeria menos de pesquisas quantitativas, de grande amplitude, do que de investigações, multidisciplinares e em profundidade, de experiências subjetivas.145
Por meio das entrevistas, portanto, procuramos observar e elucidar as motivações, os valores, as emoções que levam e/ou levaram as mulheres empresárias da amostra ao espaço público, atribuindo sentido e significado aos comportamentos pessoais, individuais, de uma cultura específica, de caráter qualitativo. E reforça Tabak que
[...] aquele que deseja estudar a participação política da mulher (na América Latina em particular), deve usar critérios qualitativos antes que quantitativos, utilizar variáveis e indicadores não “tradicionais” na Ciência Política, procurar perceber o conteúdo político das manifestações conduzidas pelas mulheres tanto em defesa de seus interesses e suas reivindicações “específicas” como aquelas que se situam num contexto mais amplo.146
As questões específicas tanto quanto as reais são partes da mesma luta, porque, afirma Tabak, ao serem travadas simultaneamente, “[...] uma amplia e fortalece a outra [...]”,147 contribuindo para o aumento da participação das mulheres na esfera pública em todas as áreas.
As empresárias de nosso estudo, após a análise dos depoimentos, revelaram que a maioria pertence às classes média e alta. São proprietárias individuais ou em sociedade com o marido ou com filhos. Suas funções são administrativas ou de coordenação, com o controle da(s) empresa(s) sob suas responsabilidades. Portanto, o papel efetivo das mulheres empresárias dentro de suas empresas é o de comando. Estão inseridas nos segmentos da
144
THOMPSON, Paul. A voz do passado: história oral. Op. cit., p. 316-7.
145
KUSCHNIR, Karina; CARNEIRO, Leandro Piquet. As Dimensões Subjetivas da Política: cultura política e antropologia da política. Estudos Históricos. Op. cit. p. 229.
146
TABAK, Fanny. Mulheres públicas: participação política e poder. Op. cit., p. 29.
147
indústria, comércio e prestação de serviços com várias diversificações: empresa de transportes urbanos, empresa de táxi aéreo, agronegócios (agricultura e promoções de negócios), promoções de eventos, sementes, haras (criação de cavalos), escolas de línguas, informática, construtoras, atividades culturais, turismo, confecções, tecidos, perfumaria e cosméticos, hospitais e clínicas, academias de ginástica, mecânica de aviões, artesanato, educação, ótica, manipulação e farmácia. Indicaram que a religião católica é a predominante, sendo poucas mulheres espíritas ou evangélicas. A maioria é casada, apresentando uma média de um (1) a três (3) filhos. Apenas uma delas possui cinco (5) filhos. A maioria tem formação superior, algumas com mestrado e especialização no exterior. Suas idades variam entre 32 (trinta e dois) e 70 (setenta) anos de idade.
A maioria das mulheres empresárias é afiliada a alguma associação, instituição, entidade ou fundação. A maioria, ainda, participa dessas organizações ocupando cargos na direção executiva, de forma eletiva e/ou através de cargos de confiança. A participação no espaço público das mulheres empresárias da amostra mostrou-se ativa, dividindo-se entre atividades de caráter político e/ou social, incluindo ações de filantropia e de voluntariado.
O nosso objeto de estudo, portanto, a empresária, é aquela que empreende. Tecnicamente, o conceito de empresária(o) significa
[...] detentor148 de um fator de produção especial: aquele que coloca todos os demais fatores em harmonia, a fim de dar curso ao processo de produção de bens ou de serviços. A tal fator, costuma-se chamar de capacidade empresarial e os livros-texto associam o lucro como remuneração a esta habilidade. Num contexto ligeiramente diferente, diz que empresário é o agente que percebe demandas latentes para as quais os consumidores estão dispostos a pagar um preço não-nulo.149
Segundo Coase,150 empresário(a) é uma pessoa que retira do mecanismo de preços e se responsabiliza pela alocação de recursos dentro de um sistema econômico competitivo.
O Novo Código Civil define o conceito de empresário151 no “caput” do artigo 966, no seguinte molde:
148
Denunciamos a linguagem sexista presente em grande parte da literatura, onde aparece a palavra empresário, e não também, a palavra empresária, mesmo sabendo que o termo no masculino engloba homens e mulheres. Por força da metodologia, conforme as normas técnicas, a transcrição direta não permite alterações no texto. Por isso, ressaltamos, não acrescentamos e não mudamos o termo empresário para empresária no texto transcrito, mesmo não concordando com o mesmo. Contudo, em todos os momentos nos quais pudemos usar o termo empresária fizemos a distinção, para exatamente, alertar o uso corrente de uma linguagem masculina e evidenciar a diferença e igualdade no tratamento lingüístico. Portanto, onde se lê empresário, leia-se também, empresária e vice-versa, mesmo com o cuidado de usar no texto as duas referências.
149
CORRÊA, David. Pedroso; BÊRNI, Duílio de Ávila. O Conceito de Empresário Empreendedor Schumpeteriano e sua atualização. duí[email protected].
150
“Art. 966 – Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços”.152
Na seqüência do mesmo artigo, encontra-se a definição de não empresário:
“Parágrafo único: não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”.153
Na lógica legislativa no contexto atual, de acordo com Brito,154 empresário(a) é aquele(a) que exerce de forma organizada suas atividades. Aparentemente não há diferença na definição em relação a outras anteriores, mas o grande foco diferencial entre aquele(a) que é empresário(a) e não empresário(a) é a forma organizacional, com grande destaque para a organização, para o organismo, ou seja, para a atividade organizada. Afirma Brito:
Aquele que exercer isoladamente – se desejarmos primeiro o conceito de empresário individual – através de um organismo, sua atividade, é considerado empresário. Ou seja, o organismo aqui se sobrepõe à idéia de pessoalidade, de fazer a própria pessoa diretamente. Ao invés de assim se portar, cria uma organização, arregimentando pessoas, trabalho, capital, matéria-prima, tecnologia. A realização da atividade não é exercida diretamente pelo empresário. Ele é quem coordena, quem organiza os fatores da produção, quem dá as diretrizes, por outro lado, quem aparece aos olhos de todos é o tal organismo criado. Este, entretanto, não pode ser confundido com pessoa jurídica, pois o empresário pode ser pessoa física ou jurídica155.
A proposta da legislação em vigor é suprir a firma individual, trazendo um novo conceito de empresário(a) individual, diferenciando-o(a) de sociedade, ou seja, isolado(a), e não com um ou mais empresários(as). Ressaltamos que, mais à frente, abordaremos o conceito de sociedade empresária e sociedade simples, ou seja, com sócios.
De acordo com Brito, a organização independe do porte ou tamanho da atividade, do número de funcionários, do montante de capital, do tipo de serviço, ou seja, se é venda e compra ou prestação de serviços.
Estes são, aliás, conceitos que devem ser retirados do pensamento corrente tradicional para o entendimento do novo conceito proposto pelo Código Civil. Segundo Néri,156 o empresário(a) não exerce diretamente a atividade e, sim, o organismo ou a organização. Existe, dessa forma, uma distância entre o(a) empresário(a) da atividade empresarial exercida,
151
BRASIL. Novo Código Civil. Senado Federal. Brasília: Secretaria Especial de Editoração e Publicações, 2002, p. 183. 152 Ibidem, p. 183. 153 Ibidem, p. 183. 154
BRITO, Rodrigo Toscano. O empresário, o não empresário e as sociedades simples e empresárias no Código Civil de 2002. Jornal da Serjus. Belo Horizonte, dez./2003, ano IV, n. 59. Edição Especial.
155
Ibidem, p. 5.
156
porque essa não trata diretamente com os consumidores. O elemento de empresa atual é o
organismo e não mais o ato de exercer uma atividade comercial.
Dessa forma, de acordo com Brito,157 um(a) comerciante antigo(a) pode ser empresário(a) ou não empresário(a). Superou-se a figura e a idéia de comerciante, porque, por si só, a atividade mercantil não define nada mais. E, se caso a pessoa exercer pessoalmente a atividade ela é “não empresário(a)”, e o contrário, vale dizer, se exercer a atividade com elemento de empresa, com organização (de capital, tecnologia, matéria-prima, trabalho) e coordenação da empresa, é, então, empresário(a). Aprofundamos a discussão do termo empresária e empresário, sua origem e formação no capítulo 3.
O(A) empresário(a), portanto, ao reunir um conjunto de recursos que caracteriza uma organização sob sua responsabilidade ou gerência constitui uma empresa.
A empresa moderna, devido a vários fatores, dentre eles, a complexidade e a padronização das funções, a hierarquização, a exigência de profissionalização específica, o poder distribuído, o tamanho e a necessidade cada vez maior de eficácia, transformaram os pequenos núcleos isolados, caseiros e artesanais em organizações modernas.
A conceituação de empresa tem apresentado mudanças em sua definição, devido às alterações e exigências do próprio sistema capitalista no qual se insere. Portanto, de acordo com o contexto histórico, o conceito de empresa é diferenciado. No nosso contexto, selecionamos que
[...] a empresa é hoje, um objeto empírico incontornável. Ela aparece como um ator social, desenvolvendo forte ideologia, que se edifica sobre os elementos da cultura e de uma hierarquia de valores, capazes de mobilizar energias e de servir como pólo idealizado.158
Ainda, “[...] uma empresa é o conjunto dos fatores de produção materiais e imateriais reunidos, sob autoridade de um indivíduo ou grupo, para a produção de bens ou serviços à comunidade”.159
A produção acadêmica sobre a empresa na área da Administração e do Direito é muito extensa, sendo impossível e até desnecessário fazer uma síntese da infinidade de definições de
157
BRITO, Rodrigo Toscano. O empresário, o não empresário e as sociedades simples e empresárias no Código Civil de 2002. Jornal da Serjus. Op. cit.
158
CORRÊA, M. L. & PIMENTA, S. M. Estratégias de modernização sistêmica: participação e formação profissional na indústria de Minas Gerais. In.: Congresso Latino Americano Del Trabajo. Buenos Aires. Anales eletrônicos. ALAST, 2000. p. 4.
159
KWASNICKA, Eunice Lavaca. Teoria geral da administração: uma síntese. 2. ed. São Paulo:Atlas, 1989; BETHLEM, Agrícola. Evolução do pensamento estratégico no Brasil: textos e casos. São Paulo: Atlas, 2003; TAVARES, Mauro Calixta. Gestão estratégica. São Paulo: Atlas, 2000.
empresa encontradas nestas áreas. Apenas para uma compreensão melhor, e devido a uma instigante curiosidade, buscamos a origem da empresa e aprofundamos um pouco mais esse conceito no capítulo 2. Contudo, adiantamos aqui o conceito de empresa registrado no novo Código Civil brasileiro160 de 2002, porque se trata de uma nova classificação das sociedades. Essa nova classificação faz uma distinção entre “sociedade empresária” e “sociedade simples”, refletindo na forma de seus registros, ou seja, no Registro Público de Empresas Mercantis ou Juntas Comerciais e no Registro Civil das Pessoas Jurídicas.
Segundo Coelho, a empresa pode ser definida por meio de sua organização:
O novo Código Civil introduziu no direito positivo brasileiro, a teoria da empresa. Como referido ao longo do Parecer, diferentemente da teoria dos atos de comércio, a teoria da empresa não lista um conjunto de atividades econômicas para qualificá-las e submetê-las ao direito comercial. Na verdade, a teoria da empresa qualifica a atividade econômica em função da forma como é explorada. Desde a entrada em vigor do novo Código Civil, portanto, as atividades econômicas são classificadas em empresariais ou não-empresariais. [...] Empresariais são as atividades econômicas organizadas como empresas. Sempre que ao produzir ou circular bens ou serviços, alguém combina os quatro fatores de produção do capitalismo superior (mão-de- obra, insumos, tecnologia e capital), confere à sua atividade uma organização específica. O nome desta organização é empresa. [...] Não-empresariais, por sua vez, são as atividades econômicas exploradas independentemente da articulação dos fatores de produção.161
De acordo com o Código Civil brasileiro, as sociedades comerciais não são distintas das civis pelo seu objeto ou por sua natureza e, sim, as sociedades empresariais são distintas das sociedades simples pela forma que a atividade econômica é explorada, ou seja: “Será empresária, se o objeto for explorado com a organização típica da empresa; será simples, se for explorado sem tal organização.”162
Continua Coelho dizendo que a declaração correspondente ao tipo societário perante o órgão de registro é de responsabilidade do(s) indivíduo(s) interessado(s). Dessa forma, para o registro de uma sociedade simples, o responsável deverá procurar o Registro Civil das Pessoas Jurídicas e, para o registro de uma sociedade empresária, o(a) interessado(a) deverá procurar a Junta Comercial.
Caso uma sociedade simples ou empresária seja registrada em órgão incompetente, essa sociedade encontrar-se-á em uma situação de irregularidade ou sem registro. Reforça Brito:
160
BRASIL. Novo Código Civil. Op. cit., p. 174.
161
COELHO, Fábio Uchoa. Consulta sobre dispositivos do nosso Código Civil atinentes ao registro das sociedades simples. Jornal da Serjus. Op. cit., p. 10.
162
As sociedades empresárias são registradas nas Juntas Comerciais e as sociedades simples nos cartórios de Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Aos referidos órgãos não cabe controlar ou policiar a espécie societária escolhida pela parte, eles devem se ater aos aspectos intrínsecos dos contratos. Assim, quem escolhe a espécie societária são os interessados, sem possibilidade de intervenção por parte do órgão de registro.163
Portanto, enfatizamos que a declaração de constituírem-se empresários(as) ou não, à frente de “sociedades empresárias” ou de “sociedades simples” é de responsabilidade de cada empresária ou não empresária entrevistada para a amostra de nossa pesquisa, tendo em vista, principalmente, que essa declaração é feita perante os órgãos competentes, quais sejam, nos cartórios de Registro Civil das Pessoas Jurídicas ou na Junta Comercial, de acordo com a opção da modalidade de sociedade pela própria proprietária.
Nesse sentido, a classificação de empresária ou não empresária das pessoas entrevistadas para este trabalho não é da competência desta autora, e sim das próprias mulheres empresárias entrevistadas.
A empresa, ainda, segundo Corrêa e Pimenta,164 não é atemporal, fazendo parte da sociedade conforme os seus valores sociais, culturais, institucionais e econômicos. Surgem, dentro de seu espaço, as relações entre as pessoas, imbuídas de paixões, interesses, desejos, frustrações, medos, esperanças etc. Esse espaço revela as formas de experiências coletivas, a política, o poder e a dominação.165 Revela, ainda, as formas de organização das ações políticas e/ou sociais, as práticas culturais de acordo com as transformações do capitalismo decorrente da globalização, das exigências na reestruturação da produção no âmbito nacional e internacional.166
163
BRITO, Rodrigo Toscano. O empresário, o não empresário e as sociedades simples e empresárias no Código Civil de 2002. Jornal da Serjus. Op. cit., p. 8.
164
CORRÊA, M. L. & PIMENTA, S. M. Estratégias de modernização sistêmica: participação e formação profissional na indústria de Minas Gerais. Op. cit.
165
Cf. SROUR, Robert Henry. Poder, cultura e ética nas organizações. Rio de Janeiro: Campinas, 1998;
CLEGG, Stewart.; HARDY, Cynthia; NORD, Walter R. (Orgs.). Handbook de estudos organizacionais. Organizadores brasileiros: Miguel Caldas, Roberto Fachin, Tânia Fischer. São Paulo: Atlas, 1998;
CHANLAT, Jean-François (Coord.). O indivíduo na organização: dimensões esquecidas. Organizadora: Ofélia de Lanna Sette Torres; Trad. e adaptação Arakcy Martins Rodrigues et al. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996. v. I e II; DAVEL, Eduardo; VERGARA, Sylvia Constant. (Orgs). Gestão com pessoas e subjetividade. São Paulo: Atlas, 2001;
PIMENTA, Solange Maria; CORRÊA, Maria Laetitia. (Orgs). Gestão, trabalho e cidadania: novas articulações. Belo Horizonte: Autêntica/CEPEAD/FACE/UFMG, 2001.
166
Cf. ABRAMO, L. & ABREU, A. R. P. (Orgs.). Gênero e trabalho na sociologia latino-americana. São Paulo, Rio de Janeiro: ALAST, 1998;
BRUNO, L. Educação e trabalho no capitalismo contemporâneo. São Paulo: Atlas, 1996; HARVEY, David. Condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 2000;
HIRATA, Helena. Sobre o modelo japonês: Automatização, novas formas de organização e de relações de trabalho. São Paulo: Edusp, 1993;
KUMAR, Krishan. Da sociedade pós-industrial à pós- moderna - Novas teorias sobre o mundo contemporâneo. Rio de Janeiro: Zahar, 1997;
A partir da mudança estrutural na organização do trabalho, as conseqüências fizeram-