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2.3. Çevre Kavramı

2.3.8. Kentleşme ve Çevre Sorunları

No dia 25 de novembro de 1700, foi instaurada uma devassa no Morro do Ouro Fino – um daqueles que viria a constituir Vila Rica do Pilar de Ouro Preto. Na ocasião, todos os inquiridos deram notícias, pelo ver, ou pelo ouvir dizer, da prática ilegal de venda de bebidas e comestíveis exercida por muitos dos moradores no morro. Os únicos testemunhos divergentes foram os de Antônio Soares Couto, que afirmou não saber de nada, e de Pedro de Freitas Guimarães que, disse, que não era do seu próprio conhecimento, mas que ouvira murmúrios a respeito.420

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INSTRUÇÃO para Visconde de Barbacena Luiz Antônio Furtado de Mendonça, governador e capitão general da Capitania de Minas Gerais. Salvaterra de Magos, em 28 de janeiro de 1788. Marinho de Melo e Castro. Belo Horizonte, Revista Trimestral do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro (RIHGB), t.6, v.6, p.03-59, 1844, p.48.

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APM. CMOP. Cx. 88, doc. 38. DEVASSAS realizadas contra as pessoas que vendiam no Morro do Ouro Fino. Consta o depoimento de várias testemunhas delatando as vendas ilegais, 25 de novembro de 1700. [Embora essa devassa se encontre atualmente no fundo da Câmara Municipal de Ouro Preto é necessário ressaltar que a câmara, propriamente dita, só passou a existir depois da criação da Vila Rica de Ouro Preto pelo governador Antônio de Albuquerque em 8 de julho de 1711 ver COELHO, José João Teixeira. Instruções para o governo da capitania de Minas Gerais 1782]

A leitura desses testemunhos revelou que era quase impossível subir ou descer as ladeiras sem ser percebido, com ou sem mercadorias, mesmo na calada da noite. Isso foi o que aconteceu, por exemplo, com Luiz Pinheiro e Manoel de Macedo. Segundo, [Cipriano] Veloso, morador na rua Nova, “que sabia pelo ver”, os dois “levaram, em uma noite, três barris de aguardente de cana e alguma farinha”. Apesar disso, o depoente declarou que só tinha, “por notícia, que os sobreditos” as vendiam no morro.

Pelos demais depoentes, todos do gênero masculino, que viviam da mineração ou de seus negócios, foi possível perceber que os que estavam envolvidos com a atividade de venda ilegal de bebidas e de comestíveis na localidade pertenciam a diferentes estratos sociais. No rol dos denunciados, havia tanto vendedores ambulantes – como a escrava de Antônio da Cunha, “que andava vendendo no morro com um cesto e frascos de aguardente” –, quanto proprietários de vendas fixas, como, por exemplo, os dois primos (ou irmãos) de José Oliveira, que vendiam os produtos em sua venda localizada dentro de uma mina, sendo esses últimos denunciados mais de duas vezes. Já Manoel de Almeida, acusado de ser sócio do aferidor Alexandre Pinto de Miranda, além de ter negras vendendo a seu mando, publicamente, vendia, ele mesmo, comidas e bebidas, o que foi atestado por quase todos os inquiridos.

No início de 1730, os moradores do morro de Mata-Cavalos, situado na Vila do Carmo, que, em conjunto, eram proprietários de mais de cinco mil escravos, declararam que sofriam com as vendas de comestíveis e bebidas, principalmente, de aguardente aos negros, pois essas lhes causavam grande prejuízo. Segundo os próprios, seus negros lhes roubavam “o jornal para empregarem em aguardente e cachaça, com as quais perdiam o juízo” e eram encontrados nos “buracos das minas, donde morriam uns e outros ficavam aleijados e os mais fugiam com o temor do castigo”. Diante disso, recorreram ao

capitão general e governador destas Minas para que mandassem [sic] publicar um Bando em que proibisse as tais vendas com pena de prisão e de cem oitavas de ouro pagas da cadeia [...]. Vendo, porém, os mineiros [que] não bastava aquela pena para proibir as tais vendas e que muitos dos mesmos moradores as tenham ocultas em sua casa e por serem poderosos não havia que os denunciasse,

tornaram a recorrer ao governador “para que [este] mandasse proceder [a uma] devassa e, por meio dela, se [executasse] a pena do referido Bando e se evitasse um tão grande prejuízo”. 421 Nesse caso, eram os próprios moradores que recorriam às autoridades, visto que se sentiam prejudicados, já que os maiores consumidores das vendas ilegais de bebida eram seus próprios escravos, que não poupavam recursos escusos, inclusive o de roubarem seus senhores, para sustentarem o vício que a aguardente provocava.

59 anos depois, em outubro de 1789, um aviso régio, destinado ao Intendente dos Diamantes, e copiado ao governador da capitania, o Visconde de Barbacena, descrevia a Demarcação Diamantífera, situada na região nordeste da capitania, como “uma residência de contrabandistas e ladrões dos mesmos diamantes, que escandalosa e impunemente nela gozão, com todo o sossego, do fruto dos seus crimes”. A carta deixava claro que as licenças concedidas para a introdução de mantimentos na Demarcação, neste caso a cachaça, eram um dos mecanismos que contribuíam para o extravio das pedras e o prejuízo da Fazenda Real:

Estes traficantes, munidos para os seus ilícios fins com essas Licenças, que os segura do risco, ou encontro das guardas na estrada, seguem aquela, que lhes fica mais cômoda para os serviços, onde querem introduzir a dita Cachaça e nele[a]s furtivamente se introduzem de noite, e a vendem aos Pretos dos Diamantes, que têm roubado.422

Ainda que dirigida às autoridades da Real Extração dos Diamantes,423 a queixa era a mesma que os proprietários de Vila do Carmo haviam feito ao governador. A cachaça viciava os escravos, que, por sua vez, roubavam, ouro ou diamante, para troca-los pela bebida. Isso tudo com a conivência dos comerciantes, que lucravam com as vendas ilícitas e, dessa forma, contribuíam para o descaminho de ouro e das preciosas pedras. Eis porque era necessário controlar o comércio como parte das estratégias para impedir o contrabando.

Por um lado, o comércio era essencial para sustentar a população majoritariamente urbana que se fixou nas Minas setecentistas, mas, por outro, em parte

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AHU. MAMG. Cx.31, doc.96.

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AVISOS RÉGIOS 3. Avisos régios e outros papéis. Biblioteca Nacional de Portugal (BNP). [Manuscrito 1780-1799, 236.f, In 4º, pba-697] f.142.

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era acusado de ser responsável por contribuir para o contrabando, o descaminho de ouro e diamantes e, ainda, de provocar a desordem entre a massa de escravos. Nesse sentido, as autoridades metropolitanas procuraram regular as atividades mercantis, editando uma série de medidas e normas, particularmente no âmbito das câmaras municipais, com o intuito de regrar as consideradas legais e coibir as ilegais.424 Luciano Raposo de Almeida Figueiredo425 listou um número significativo de posturas, leis, bandos, acórdãos, editais, representações, ordens etc., que tiveram como objetivo a regulamentação do comércio e da circulação de produtos e pessoas na capitania, o que referenda esse esforço de regulação e fiscalização do comércio na capitania.

Parte da legislação e das medidas administrativas visando exercer um controle do setor mercantil nas Minas Gerais versaram sobre a comercialização e a circulação das bebidas. O seu exame permite delinear o lugar que a aguardente do reino, a aguardente de cana e a cachaça ocuparam na capitania. Para tanto, busca-se, ao longo desse capítulo, primeiramente analisar as práticas tidas como contraventoras, ou seja, as vendas realizadas nos locais proibidos, principalmente nas áreas destinadas exclusivamente à mineração. Em seguida, volta-se o foco para a fiscalização realizada, por meio das almotaçarias, nos estabelecimentos licenciados, em outras palavras, para as práticas compartilhadas entre o poder metropolitano e a população local. Por fim, como um contraponto a esses dois caminhos, o da oposição à lei e o da aparente adesão, investiga- se, especialmente, nos manuais de medicina, inventários e testamentos, as práticas sociais nas quais alguma(s) dessas bebidas eram costumeiramente empregadas ou condenadas.

2. Entre bandos e almotaçarias

Acolher as solicitações de seus vassalos, vedando ou homologando determinados costumes locais, era forma de exteriorizar os predicativos de um monarca justo, zeloso, benevolente e preocupado com o bem comum de seus subordinados e, também,

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FURTADO, Júnia Ferreira. Homens de negócio.

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FIGUEIREDO, Luciano Raposo de Almeida. Anexos. In: O avesso da memória: cotidiano e trabalho da mulher em Minas Gerais no século XVIII. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999, p.205-214.

Benzer Belgeler