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Kendini Yönetme Stratejileri

2. Kavramsal/Kuramsal Çerçeve

2.4. Kendini Yönetme Stratejileri

Phillips (1995; 1998; 2001), defensora do sistema de cotas, acredita que a “política de presença” nasceu da desilusão com o modelo vigente de democracia representativa, principalmente com a accountability vertical, que não foi capaz de proteger as minorias. A democracia representativa não enfatiza a identidade dos representantes, mas sim, a ação e os interesses que eles representam. O problema é que essa “política de idéias” é insuficiente para incorporar mulheres, negros e pobres, setores historicamente sub-representados ou, até mesmo, excluídos. Nesse sentido, ocorre o deslocamento em direção à “política de presença” (PHILLIPS, 1995; 2001), fazendo referência à concepção de uma política substantiva, em que a inclusão de identidades e a demanda por reconhecimento tornam-se centrais. É fundamental, agora, do ponto de vista da representação, quem representa e não só o que ele representa (ARAUJO, 1999, p. 37). Phillips (1995; 2001) também chama a atenção para o perigo da crença no poder da presença, em detrimento das idéias. Isso seria apenas uma mudança cultural. É necessário, para as mudanças políticas, que presença, idéias e interesses façam parte de um único processo que leve à representação política (ARAUJO, 1999, p. 38).

A política de presença é fundamental, mas não suficiente para transformar as relações de poder estabelecidas entre homens e mulheres no parlamento. A política de idéias procura disseminar propostas advindas do movimento feminista e de mulheres buscando a equidade entre os sexos.

Na política de idéias, não importa a identidade dos representantes. A boa representação política depende do programa de idéias compartilhado pelos representantes e representados.

Já, na política de presença, é necessário que os grupos excluídos estejam presentes fisicamente nos locais de decisão. Cotas vêm para corroborar essa proposta, tentando forçar o aumento do número de candidatas e, conseqüentemente, de eleitas.

A preocupação de Phillips (2001, p. 289) é mostrar como é problemático colocar como opostas a política de idéias e a política de presença, ou seja, não é possível tratar separadamente as idéias de quem as defende, ou, quando se presta atenção apenas às pessoas, esquecem-se as idéias que elas apresentam. Não é na oposição idéia versus presença que está depositado um sistema justo de representação, mas na relação entre elas. Em outras palavras, é necessário que os grupos excluídos estejam fisicamente presentes, mas também tenham projetos para defender no parlamento. É preciso lembrar que muitas mulheres não entram na política para discutir questões de gênero. Elas entram, também, para defender outros interesses. As mulheres não têm só planos comuns. Existem interesses contraditórios que as dividem - defendendo, ou não, interesses de gênero. Gaspard acredita que as mulheres são diferentes no espaço público. Apesar de não haver muitos estudos sobre o comportamento feminino na política, existem dados sobre os países nórdicos, que contam hoje entre 30 e 40% de mulheres eleitas, mostrando que as mulheres inscrevem, na agenda política, questões que antes não apareciam. Por exemplo: organização do tempo na sociedade, duração e eficácia das reuniões. Elas priorizam os resultados concretos das reuniões, em detrimento dos discursos (1999, p. 4). Ângela Merkel, chanceler eleita recentemente na Alemanha, fez um discurso no dia da sua posse de apenas quatro minutos porque, “tinha mais coisas a fazer do que discursar”. Conquistou a simpatia dos eleitores pelo seu estilo direto e prático, uma espécie de

“viemos aqui para conversar ou para trabalhar?” (POMPEU, 2006). Uma das entrevistadas relatou o jeito como começou fazendo campanha.

[...]. Eu subia no caminhão, com sacrifício, porque tinha que subir escadas e todos os candidatos homens estavam na minha frente. O máximo que eu via no comício, era o bumbum deles. Ai me incomodava muito. Irritada eu descia e ficava em um canto. Eu ficava lá em baixo, eu pedia votos. Eles ficavam lá em cima, eles não pediam. Então eu ganhei as eleições (DEPUTADA ESTADUAL 1 DO PSDB).

Acrescenta ainda, “pouco discurso e trabalho de formiguinha foi o início de uma carreira política que já está no 4º mandato” (DEPUTADA ESTADUAL 1 DO PSDB).

Um dos argumentos levantados para defender a importância da presença das mulheres no parlamento reside no fato de que, segundo alguns autores, ela é diferente para tratar as questões públicas. Isso acontece porque, socialmente, compete à mulher cuidar dos filhos, velar pela família. A “política do desvelo” ou “pensamento maternal”, termos usados para descrever essa atitude, imprimiria um caráter diferenciado à atividade política. Em vez da agressividade, da “política de interesse” tão presentes no debate travado pelos homens, a solidariedade, a compaixão, a preocupação com as questões sociais como saúde, educação, meio-ambiente, seriam questões fundamentais para serem discutidas na arena da política (DIAMOND; HARTSOCK, 1981; CORREA, 1999 apud MIGUEL, S., 2000).

A crítica que se faz a essa concepção é que a mulher é mais generosa e se preocupa com os mais frágeis, porque esse é o locus de atuação feminina determinado pelo patriarcado. Mas, por outro lado, essas questões que, até então, não tiveram prioridade no debate público, acabam sendo um nicho aberto (DELPHY ,1994 apud MIGUEL, S., 2000).

Iris Marion Young (2000) defende a “Perspectiva Social” em vez da “Política de Interesses” e de “opiniões”, no caso dos grupos minoritários. O acesso ao poder dos grupos sociais marginalizados não deve acontecer porque compartilham dos mesmos interesses ou

opiniões, mas porque partem de uma mesma realidade social. É mais importante o ponto de onde saíram que o ponto de chegada. No caso das mulheres, os seus interesses, que muitas vezes são contraditórios ou divergentes, podem ser defendidos pelos homens. Já do ponto de vista da perspectiva social, isso é impossível, pois a experiência feminina é diferente do que é vivenciado pelo sexo masculino. Essa experiência vivenciada pelas mulheres não pode ser levada ao espaço público pelos homens, por mais sensíveis que sejam à questão feminina. O patriarcado submete mulheres e homens a vivências cotidianas diferenciadas e isso faz com que eles tenham perspectivas diferentes.

Young e Phillips, portanto, concordam que mulheres devem representar mulheres, mesmo que nem todas as parlamentares defendam os mesmos interesses. A experiência de gênero é que faz a diferença. Como diz Frei Beto (2001), “todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto”. Nesse sentido, o ponto de que as mulheres partem é diferente do dos homens. São submetidas - na maioria dos casos, não por opção, mas por necessidade, advinda de um espaço socialmente construído - a estarem mais tempo com os filhos; irem à escola, na tentativa de acompanhar o processo de aprendizagem; ao Pronto Socorro quando uma febre inesperada acomete o bebê. Essas experiências fazem com que o olhar para as questões públicas, principalmente as políticas de bem estar social, tenham uma dimensão diferenciada.