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2. KÜBREVİYYE TARÎKATI

2.6. Kübreviyye’de Usul-i Aşere

1.1.3. Doğumu ve Doğum Yeri

1.1.8.3.1. Keşmîr Seferinin Tesirleri

Os biógrafos de Guy Debord observam a relação entre o autor e a guerra de vários modos. Bracken, por exemplo, considera que:

O espetáculo colocou um espectro de obstáculos que forçou as pessoas a restrições, a “opções razoáveis” favorecidas por dominações. Mas aqueles que, como Debord, resistiram à servidão e assumiram riscos, encontraram-se em condições de guerra. Essa vida durante a guerra não apenas corresponde a um evento como Maio de 1968, quando um numeroso bando disperso agrupado em unidades pesadas e, operando independentemente, conseguiu saquear Paris. A resistência de Debord inclui o cultivo da sua memória, personalidade, gostos, lógica, vocabulário, sintaxe, etc.; e, paradoxalmente, sua própria restrição tática pode ser racionalizada pela liberdade inerente em sua resistência.337

Com conteúdo diferente de Bracken, a biografia escrita por Andrew Hussey (2001) trata da vida e morte do revolucionário pela noção de “jogo da guerra”. A biografia de Hussey percorre cronologicamente a vida do autor. Algumas poucas vezes o biógrafo associa diretamente a vida à guerra, por exemplo, quando discorre sobre a principal fase de formação intelectual e a associação aos grupos vanguardistas, incluindo as ações desses grupos em Maio de 1968, todos se utilizando de táticas de “guerrilha” urbana para chamar a atenção para seus programas.

Outros trechos da biografia também resguardam a aproximação com a teoria da guerra. Hussey considera o momento de exílio do autor, na quarta parte de seu livro, o momento em que Debord se recolhe a uma “fortaleza”, em Champot, Auvergne.338 O biógrafo, por algumas vezes, evoca a analogia do príncipe de Maquiavel para se referir ao teórico. Essa analogia é deturpada, aparecendo na representação de Debord como um príncipe estrategista e, ao mesmo tempo, um bandido339, ou como um príncipe da cisão340, tal como a esposa, Alice, o chamava.

Outro biógrafo de Debord, Christophe Bourseiller, considera os anos de 1972 a 1984 na vida do autor como o seu jogo da guerra. Esse período representa o momento em que as atividades da Internacional Situacionista cessam e há a morte do amigo, Gérard Lebovici. Produtor de cinema, distribuidor, editor e empresário, Lebovici foi assassinado em uma situação estranha. Debord chegou a ser acusado de seu assassinato pela polícia, devido a sua proximidade com a vítima, bem como a sua reputação.

Lebovici era um dos principais apoios de Debord após o fim da Internacional Situacionista. Era o caminho principal da distribuição das suas ideias em seus livros, filmes e jogo.341 É durante esse período que Debord se divide entre Florença e Paris, e, na Itália, pôde se aproximar mais de alguns autores como Gianfranco Sanguinetti e Mario Perniola.

Para Bourseiller342, a Champ Libre, editora fundada por Lebovici, em 1969, serviu como um campo aberto para a publicação de textos da esquerda. Entre 1972 e 1984, o “jogo da guerra” de Debord foi realizado por duas ações: a parceria com Gérard Lebovici, que preparou e distribuiu os livros do autor e; a preparação e publicação do “Kriegspiel” (ou Kriegsspiel, em alemão, que significa “jogo da guerra”), um jogo de tabuleiro, suas estratégias e descrições de peças.343 É nesse período que realizou os filmes A sociedade do espetáculo (1973), Refutação... (1975) e In girum... (1978).

Missivista compulsivo, essa é uma das fases mais produtivas do autor, escrevendo cartas para vários autores, inclusive Sanguinetti. As cartas serviram como um importante elemento para posicionamento das ideias no terreno de batalhas.344 Com

338 HUSSEY. The game of war: the life and death of Guy Debord, 2001, p. 309 et seq. 339 HUSSEY. The game of war: the life and death of Guy Debord, 2001, p. 281. 340 HUSSEY. The game of war: the life and death of Guy Debord, 2001, p. 368. 341 BOURSEILLER. Vie et mort de Guy Debord – 1931-1994, 1999, p. 328. 342 BOURSEILLER. Vie et mort de Guy Debord – 1931-1994, 1999, p. 342. 343 BOURSEILLER. Vie et mort de Guy Debord – 1931-1994, 1999, p. 349.

Sanguinetti, Debord discutiu, sobretudo, as Brigadas Vermelhas da Itália.345 Foi nesse mesmo período, precisamente em 1978, que Aldo Moro foi assassinado, tendo a responsabilidade recaído sobre esse grupo.

É também desse período a sua pior crise decorrente da doença de gota. Aos quarenta e três anos346 a manifesta em sua forma mais agressiva, tornando impossível que suas escolhas, daí em diante, não tivessem a participação dessa doença. A casa onde veio a morar até o final da vida é desse período, ainda na década de 1970, em Champot, Auvergne, em Bellevue-la-Montagne. Uma região simples e de "charme austero”, mas que apresentava, segundo comentários de amigos, a personalidade do autor.347 Era a sua fortaleza, de onde comandaria as batalhas até o fim da vida.

Os biógrafos são unânimes em concordar que o autor é, de fato, um estrategista em uma guerra. No Panegírico, há o desejo de continuar a pensar a guerra como uma forma de sua expressão na vida:

Mais à frente direi como se desenrolam certas fases de uma outra guerra pouco conhecida: entre a tendência geral da dominação social nesta época e o que, apesar de tudo, pôde vir a perturbá-la, como se sabe.348

O teórico achava que era uma dessas perturbações, como deixa entender no parágrafo seguinte. Talvez, no volume três do seu Panegírico, o qual foi queimado no dia de sua morte349, saberíamos exatamente quais eram essas perturbações, bem como veríamos a continuidade do debate sobre a guerra, mas isso não saberemos. O que sabemos de fato é que no Panegírico – volumes 1 e 2 – o autor condiciona a discussão sobre a guerra aos teóricos que a pensam, mas não apenas a eles, pois escritores foram evocados para ajudá-lo a expressá-la, comparando as suas próprias experiências às deles. Há, para o crítico francês, uma relação muito concreta entre o que se fez e a vitória nesse jogo. Resta-nos verificar quais as armas de Debord para essa guerra.

345 BOURSEILLER. Vie et mort de Guy Debord – 1931-1994, 1999, p. 357. 346 BOURSEILLER. Vie et mort de Guy Debord – 1931-1994, 1999, p. 347-348. 347 BOURSEILLER. Vie et mort de Guy Debord – 1931-1994, 1999, p. 347. 348 DEBORD. Panegírico, 2002a, p. 76.

Benzer Belgeler