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174 SERİ NO’LU GELİR VERGİSİ GENEL TEBLİĞİ

3. Ticari kazancın ve serbest meslek kazancının tespitinde özel tüketim vergisi ve katma değer vergisi hariç ilk iktisap bedeli (2021 yılı için) 170.000 Türk lirasını, söz konusu

4.2. Zirai Kazanç

O conto popular é um relato oral, transmitido de gerações a gerações. Também chamado História de Trancoso, veicula narrativas do imaginário tradicional de reinos, reis, rainhas, príncipes, princesas, fadas, mistérios, encantamentos, monstros e ainda facécias, contos etiológicos e de animais. A variação de temas tem despertado a atenção de pesquisadores e servido de motivos a estudos.

Com origem na narrativa de lendas e mitos, o conto ocupou um lugar entre as grandes obras universais com Boccacio, autor do Decamerom. Seus contos originaram a novela renascentista italiana. No campo religioso existia também o conto popular. Os monges bordavam de episódios a vida dos mártires e dos santos e espalhavam entre a gente tosca bem como a nobreza histórias edificantes de conversões, milagres e bênçãos.

Aragão (1992) refere que a origem do Conto Popular perde-se na esteira do tempo, havendo muitas teorias sobre sua origem, entre elas a de que ele tem uma raiz única, tendo surgido em um único ponto e daí difundindo-se progressivamente; outra teoria diz, ao contrário, que ele surgiu simultaneamente em várias regiões do planeta, sem qualquer ponto em comum.

No século XIV, o conto era até então unicamente transmitido pela via oral, beneficiava-se com a invenção da imprensa e afirmava seu caráter estético. O Decamerom (1350), coleção de contos eróticos de Boccaccio, foi traduzido em várias línguas.

O século XVI produziu o Heptamerom (1558) de Marguerite de Navarra. O início do século XVII foi marcado pelo surgimento das Novelas exemplares de Miguel de Cervantes. Charles Perrault publica Histoires ou conts du temps passé, com o subtítulo de Contes de Ma Mère L’Oye. (Contos de Mamãe Gansa) e Jean La Fontaine escreveu as fábulas. No século XX, o conto se desenvolveu estimulado pelos atrativos da cultura medieval, pela pesquisa sobre a cultura popular e sobre o folclore.

O interesse dos intelectuais pelo conto surgiu no século XVII, quando, Perrault publica os contos populares franceses (1697). O interesse pela literatura popular acentuou-se no século XIX, com os trabalhos dos irmãos Grimm na Alemanha e Hans Christian Anderson na Dinamarca. Desde a primeira metade do século passado, de acordo com os ideais estético–

românticos, já se propunha a valorização dos temas nacionais, inspirados nas tradições medievo-populares com retorno ao passado e às origens de cada país.

Almeida Garret publicou o Romanceiro (1843) reproduzindo os romances tradicionais colhidos da boca do povo. Posteriormente, Silvio Romero organizou em coletânea de contos populares em 1883, o trabalho pioneiro de Wlademir Propp. Em 1928, propôs um método de análise Morfológica de contos populares, obra que serviu de ponto de partida para estudos estruturais modernos da narrativa.

Apesar dos meios de comunicação em massa, o “contar história”, ainda resiste porque a narrativa e a ação do homem estão intimamente relacionados. No contexto de cada povo e de cada comunidade, seus atores estão articulados e organizados de forma que cada um cumpre o seu papel. Os contos possuem uma ligação profunda com as origens socioculturais e pragmáticas, porque envolvem as comunidades por onde percorrem.

No Nordeste brasileiro, onde ainda permanece viva a literatura de cordel, guarda estreitas relações com esse imaginário. Têm sido recontados, recriados poeticamente, em “folhetos de cordel”, “folhetos de feira”, além de várias estórias maravilhas, vários contos já consagrados, cuja origem se perde no tempo como se pode exemplificar: O Gato de Botas, Branca de Neve e os Sete Anões dentre outros.

Aragão (1992, p.7), em seu livro O conto popular na Paraíba diz que a experiência pioneira em termos de coleta, estudo e divulgação do conto popular, foi realizada pela UFPB através do NUPPO (Núcleo de Pesquisa e documentação da cultura popular), que já promoveu quatro Jornadas de Contadores de Estórias da Paraíba, reunindo cerca de dois mil contos populares, colhidos de trezentos narradores em 27 municípios paraibanos. Desenvolveram-se projetos com base no material coletado, como podemos citar os da “Biblioteca da Vida Rural Brasileira”, onde a referida autora, destaca-se como uma das responsáveis. Publicou-se 252 mil exemplares de textos de cultura popular para as escolas rurais paraibanas.

Pimentel (1981) desenvolveu estudos relevantes, tendo sido coordenador e idealizador da I Jornada de Contadores de Estórias da Paraíba com publicações de sua autoria dos contos: Contos da Carochinha, O diabo e outras entidades míticas no conto popular (1970).

Portanto, na Paraíba, há também grande interesse pelos contos populares, como podemos citar o acervo existente no NUPPO - Núcleo de Pesquisa da Cultura Popular, constando de 1.542 contos, coletados em várias cidades paraibanas. Dentre estas, cita-se a coletânea de dez volumes, contendo 40 histórias, publicadas através do projeto “Biblioteca da

Vida Rural Brasileira”. Os contos coletados em Catolé do Rocha, Patos e Santa Helena, além das 243 histórias contadas por Luiza Tereza, coletâneas por Miriam Gurgel e publicadas por Pimentel. Os contos coletados nas cidades de Mari e Pilar, já foram transcritos e quase a totalidade dos coletados em João Pessoa.

A estrutura do conto é muito simples e fixa como se observa a fórmula inicial (Era uma vez...) e final (foram felizes para sempre). Essa estrutura pode ser traduzida em: ordem existente - situação inicial; ordem perturbada - a situação de equilíbrio inicial é destruída, o que dá origem a uma série de peripécias que só se interrompem com o aparecimento de uma força retificadora; ordem restabelecida. A fórmula inicial (Era uma vez... ou outra equivalente) remete para o passado e, desse modo, funciona como um sinal de que se vai passar do mundo real para um mundo de fantasia, onde tudo é possível. A caracterização das personagens é sumária e estereotipada: os heróis concentram em si os traços positivos, enquanto os vilões evidenciam todos os aspectos negativos da personalidade humana. Assim, personifica-se o bem e o mal e manifesta-se a vitória do primeiro sobre o segundo.

Ainda com referência à estrutura do conto, Aragão (1992, p.4) diz que o conto além do código linguístico, em sua comunicação narrativa, serve-se de outros códigos e afirma:

Com um estatuto semiótico de prática significante oral, o conto é resultante de um tipo de comunicação narrativa que pressupõe a co-presença das instâncias emissora e receptora e a utilização de um canal natural. Compreende-se, portanto, que a estrutura do conto popular sirva-se não apenas do código linguístico, mas, também, de outros códigos, isto é, o cinésico (que regula os movimentos corporais), o proxêmico (responsável pela estruturação significante do espaço humano), o paralinguístico (regulador da entoação, qualidade e ênfase da voz) que contribuem para uma melhor performance do contador de histórias. (1992, p. 4)

As características presentes no conto, o faz ser distinto das demais narrativas populares e dentre estas, cita-se: a capacidade de resistir ao tempo, o anonimato da autoria, a antiguidade, o processo de divulgação, a convivência do homem como o mágico maravilhoso, a ficcionalidade, sem compromisso com a realidade e o reflexo de situações sociais. Contar exige criação de um espaço no qual os sentidos, as normas os valores e as experiências permitem que as pessoas sejam reconhecidas, estabeleçam convívio, solidariedade e recriem uma identidade.

Ainda podemos acrescentar que para haver de fato a contação de histórias é preciso que o narrador e o público ouvinte estejam em ambiente adequado, no qual os ouvintes devem colocar-se na posição de participantes concentrados. O silêncio faz com que o conto popular

se caracterize como um referencial de divertimento popular, sem exigir movimentação tampouco interação dialogada, porque:

O conto permeia o universo da diversão, cumprindo, enquanto entretenimento, função essencialmente lúdica; no entanto, é depositário de singularidades em relação a outras formas de diversão popular, dado o caráter formador e universalizante de que mais especialmente se reveste. Não atingindo a dimensão de espetáculo, seja de cunho religioso, mítico ou profano, nem a movimentação coletiva comum aos folguedos infantis, a prática do conto se orienta pela escuta de um público diante da figura central do contador, numa concentração participante, em que o ponto básico é o silêncio. (LIMA, 1985, p.55)

Segundo Cascudo (1986, p.15), o conto popular constitui um índice revelador de informação histórica e representa uma riqueza cultural que é repassada, muitas vezes, com alterações - perda ou ganho de elementos, porém conservando o sentido original. Segundo o referido autor, os contos são classificados em: Contos de encantamento, Contos de exemplo, Contos de animais, Facécias, Contos religiosos, Contos etiológicos, Contos acumulativos, Contos de adivinhação, Anedotas, dentre outros. Essa classificação é feita de acordo com o significado do enredo e a função que tem interação entre o narrador e o público ouvinte. (CASCUDO, 1986, p.22). Com base na classificação feita por Cascudo sobre os contos, elaboramos a seguinte tabela:

TIPOLOGIOA DOS CONTOS FUNÇÃO CARACTERÍSTICAS Contos de encantamento: Divertir

Tratam de temas sobrenaturais e maravilhosos.

Contos de exemplo: Divertir e Ensinar

Apresentam casos edificantes de cunho moralizador.

Contos de animais: Divertir e Reforçar a fé e os dogmas da igreja

Tematizam sobre questões sociais, através da abordagem de conflitos, comportamentos, sentimentos, qualidade e defeitos humanos. Facécias Fazer graça ou ironizar

Provocam graça ou ironia.

Contos religiosos: Divertir e Reforçar a fé e os dogmas da igreja

Trazem em seu enredo a presença ou interferência divina.

Contos etiológicos: Divertir

Explicam o aspecto, a forma, o hábito e o comportamento de um animal.

Contos acumulativos: Divertir

Apresentam os episódios encadeados, que são contados e recontados.

raciocínio Anedotas: Divertir

Provocam jocosidade, ridicularidade e desfecho inesperado.

Causos: Divertir

Tratam de temas fantásticos, nos quais se misturam elementos míticos e lendários.

Esses contos trazem narrações, funções e características distintivas que encantam e são difundidos por meio da expressividade oral. São transmitidos por cada narrador, guardados pela plasticidade da memória e da voz, em diferentes épocas e lugares, fazendo com que as narrativas sejam modificadas de geração para geração, acolhendo acréscimos, substituições e influências culturais.