1.5. Sağlık Hizmetleri Finansmanı Ve Kaynakları
2.1.2. Hastanelerin Sosyo – Coğrafik Dağılımının Dengesiz Oluşu
2.1.3.3. Kaynakların Etkin Kullanılamaması
As medidas protetivas previstas no art. 101 do ECA são executadas e acompanhadas pela equipe técnica do SAASE. As medidas restritivas de direito (liberdade assistida e prestação de serviço à comunidade) são executadas pelo município, através da Secretaria Municipal de Assistência Social, que possui uma gerência de coordenação de medidas sócio-educativas. Atualmente 52 (cinqüenta e dois) técnicos fazem o atendimento dos 868 adolescentes em cumprimento de liberdade assistida. Em relação à medida de prestação de serviços à comunidade atualmente existem 42 (quarenta e dois) técnicos para atender 806 (oitocentos e seis) adolescentes.
A equipe técnica do SAASE também fiscaliza o cumprimento das medidas de LA e PSC, além de elaborar relatórios psicológicos e sociais que subsidiam as decisões dos magistrados.
Alguns dos entrevistados e participantes dos grupos focais afirmaram ser satisfatória a execução das medidas sócio-educativas em meio aberto. Todavia, boa parte deles afirmou também que com a criação do CIA/BH e o consequente trâmite mais rápido no processamento do ato infracional, os programas de PSC e LA não estavam devidamente estruturados para receberem tantos adolescentes em um espaço tão curto de tempo, o que a princípio gerou uma fila de espera grande para o início de cumprimento da medida, provocando uma sensação de impunidade tanto na sociedade quanto no adolescente infrator, haja vista que esse jovem passava pelo sistema de justiça, mas não iniciava o cumprimento da medida em tempo hábil.
Um dos entrevistados informou que existem muitas falhas na execução das medidas em meio aberto no município. As falhas apontadas são principalmente no contato muito esporádico dos técnicos com os adolescentes, na falta de envolvimento dos familiares por parte dos técnicos no processo de cumprimento das medidas, dentre outras:
Eu acho que há pouco empenho para envolvimento da família no acompanhamento e no cumprimento da medida sócio-educativa pelo adolescente; eu acho que há falhas nos encaminhamentos para equipamentos de políticas sociais, na relação com as escolas, atividades profissionalizantes, atividades de lazer e outras atividades pedagógicas. [...] Nós temos detectado atualmente deficiência de pessoal, de técnicos que possam estar acompanhando esses adolescentes, essas famílias, dificuldades de vagas para esses adolescentes, então há uma série de problemas e umas concepções até equivocadas dentro da minha visão, tanto da LA e da PSC em Belo Horizonte (Promotor de Justiça).
As técnicas que participaram dos grupos focais também relataram sobre a necessidade de maior envolvimento da família no cumprimento das medidas, o que demandaria uma maior articulação entre os programas da prefeitura, principalmente com os Centros de Referência em Assistência Social – CRAS.
As informações obtidas são de que os adolescentes de PSC geralmente estão inseridos na escola, ao contrário dos que cumprem LA que em geral estão fora da escola; têm resistência em voltar a estudar e em ser aceito na escola, situações que fazem com que o cumprimento dessa medida seja mais difícil. Mais uma vez as falas dos entrevistados apontam caminhos pelos quais o rótulo vai acompanhando o adolescente em conflito com a lei e aos poucos o excluindo das oportunidades convencionais e aumentando a probabilidade de desvio futuro.
No que diz respeito aos cursos profissionalizantes, a informação da maioria das técnicas judiciárias é a de que muitas vezes os adolescentes não possuem a escolaridade exigida ou não se encaixam nos critérios para serem inseridos nas atividades de capacitação e sobram vagas.
Várias técnicas que participaram do grupo focal informaram que a medida de prestação de serviços à comunidade tem maior efeito naqueles adolescentes que ainda não estão muito envolvidos na criminalidade e que essa medida serviria mais como responsabilização do adolescente pelo ato cometido. No caso dos adolescentes que já estão mais envolvidos com a prática de atos infracionais e que são provenientes de famílias que não têm condições de acompanhá-los e/ou exercer autoridade sobre eles, aí a medida de liberdade assistida parece surtir maior efeito.
Sobre o desligamento dos adolescentes dos programas os relatos são de que, no caso de PSC, o tempo é determinado pelo ECA (máximo de 6 meses) e quando se extingue acaba o cumprimento. Já na LA o atendimento é mais subjetivo e o desligamento vai depender de como o adolescente está naquele momento, sendo que o tempo mínimo de cumprimento é de seis meses (art. 118 do ECA).
Enfim, a questão da falta de apoio e do envolvimento das famílias no cumprimento das medidas foi considerada pelas técnicas como o maior desafio que encontram no trabalho. Muitas delas citaram também a necessidade de se implementar um programa municipal de acompanhamento das medidas protetivas.
O Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública – CRISP – da UFMG realizou pesquisa de avaliação do programa Liberdade Assistida em Belo Horizonte no período de 2005 a 2006 e constatou que a existência e o estabelecimento da rede de atendimento, assim como de parcerias que permitam oferecer cursos, tratamento e estágio, tanto para o adolescente quanto para sua família foram considerados pelos técnicos da prefeitura como pontos fundamentais para o êxito do programa, embora tenham enfatizado o funcionamento precário e pouca organização da rede. Observam que no interior da própria prefeitura não há interação entre grupos e áreas fundamentais como saúde e educação (Vargas e Marinho, 2006).
A chance de sucesso na reinserção social e profissional do jovem em atendimento com pouco apoio da rede e dos parceiros é muito baixa, pois a medida sócio-educativa acaba se fundando exclusivamente nas orientações individuais oferecidas pelos técnicos e orientadores. Esta inadaptação da rede às necessidades
do programa é reconhecida pelos atores e constitui uma de suas principais críticas ao programa. A participação da escola, da família e da comunidade de origem dos jovens em atendimento também se demonstra como pilares das medidas.
Os pesquisadores constataram ainda que o nível de envolvimento das famílias e a presença de equipamentos públicos na comunidade dos jovens atendidos pela medida sócio-educativa podem também ser considerados como elementos associados ao fracasso ou sucesso do programa. O fato de as famílias conhecerem o programa pode indicar acompanhamento do andamento da medida. De acordo com a pesquisa, segundo os adolescentes entrevistados, seus familiares apóiam de forma significativa seu comparecimento aos encontros propostos pelo programa LA (76,5% dos jovens afirmaram que a família foi a que mais incentivou a sua participação no programa). Segundo a maior parte dos jovens abordados pela pesquisa, colegas de trabalho e amigos conhecem a aplicação da Liberdade Assistida (64,3%). Um indicador negativo, no entanto, refere-se ao percentual de adolescentes cujos companheiros desconhecem a aplicação ou os objetivos do programa. A pesquisa mostrou que mais da metade de parceiros e parceiras (58,3%), bem como dos vizinhos e membros das comunidades (63,3%) desconhecem o programa (Vargas e Marinho, 2006).
Pesquisa que realizei na Vara Infracional da Infância e da Juventude em 2007, intitulada Jovens infratores: o Programa Liberdade Assistida em Belo Horizonte, demonstrou que as famílias dos adolescentes são geralmente constituídas de pessoas com baixa renda, extensas e monoparentais, nas quais falta referência de autoridade. Os atores jurídicos entrevistados relataram também que, em geral, as famílias dos adolescentes em conflito com a lei são formadas por jovens pais, sem tempo suficiente para cuidarem de seus filhos, principalmente devido à necessidade de terem que sair de casa cedo para trabalhar. Além disso, a falta de programas de apoio à família também foi citada como uma dificuldade na obtenção de êxito da medida (Silva, 2007).