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Desde a minha chegada a Cali, em dezembro de 2012, fiz contato com Rap Folklord porque existia entre eles a iniciativa de tentar participar de alguns eventos que aconteciam no final do ano em seu município de origem, Guapi. O grupo tinha visitado o município no dia 7 de dezembro e ficaram de retornar para ter um show na festa mais

popular da sua localidade, chamada “o dia dos inocentes” realizada cada ano o dia 28 de

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de um dos músicos do grupo conseguiram se apresentar nesse mesmo dia na cidade de Cali, no marco do seu carnaval.

Em janeiro de 2013, comecei a ter contato novamente com o grupo, realizando observações da sua cotidianidade, travando conversas principalmente com Luis, seu diretor e El Kapy, seu irmão e produtor musical. Foi o diretor quem cumpriu a função de informante para me colocar em contato com os outros integrantes de Rap Folklord assim como com os outros jovens de Chonta Urbana. Aliás, recebi convites através das redes sociais na internet para me reunir com El Kapy e Johan, vocalista do grupo, e escutar sua nova produção musical que tinham planejado lançar no mês de setembro de 2013, no festival de música do Pacífico Petronio Álvarez na qualidade de convidados especiais.

Por outro lado, nos encontros que se realizavam na casa de Luis sempre surgiam conversas sobre as relações dentro do grupo, as atitudes e conflitos, assim como suas estratégias e recursos para tentar garantir sua sustentabilidade, pensando numa fase de divulgação mais ampla e comercial. Entre elas, estava a ideia de fazer um vídeo de

apresentação do grupo, produzir o vídeo musical da sua canção emblemática “Ciudad de sueños”, propor projetos com outros gestores culturais afro, participar em reality shows.

As conversas também se tornaram um espaço de consulta e reflexão depois das desgastantes jornadas na prefeitura da cidade tentando conseguir um encontro com a Secretaria de cultura, motivados pela preocupação do estancamento do grupo em relação aos poucos cenários em que estiveram desde o mês de agosto de 2012.

Entrei em contato com dois ex-integrantes de Rap Folklord sugeridos pelo diretor da banda através das redes sociais. Assim que contei para eles o objetivo do grupo de discussão sua resposta foi positiva e imediata. A entrevista foi combinada para a segunda, dia 18 de Fevereiro, aproveitando que Johan voltou para Cali no fim de semana, logo depois de uma série de shows no município de Tumaco, localizado no departamento de Nariño, ao sul da Colômbia, no litoral pacífico. No entanto, Alejo teve inconvenientes para se reunir conosco esse dia, motivo que nos obrigou a adiar o grupo de discussão para a quarta feira, 20 de fevereiro às 14 horas, sendo que os participantes concordaram que o encontro acontecesse na casa do diretor e seu irmão. O grupo de discussão foi realizada com quatro integrantes atuais e dois ex-integrantes da banda: Johan, El Kapy, Alejo, Dj Kany, Fayer e Luis.

No dia do encontro cheguei às 14 horas acompanhado de um colega que ia apoiar a atividade como observador. O grupo de discussão começou às 14:30 horas:

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foram feitas a apresentação do moderador e do observador, foram revelados aos rapazes os objetivos da discussão e explicada a dinâmica da mesma.

A atividade teve um ambiente de empatia, com situações de informalidade. O computador ajudou o grupo em vários momentos para ilustrar sua fala com imagens e fotografias da sua trajetória. Luis esteve quase sempre à margem da entrevista e optou por agir assim para que os jovens integrantes expressassem seu ponto de vista. Ele só participou quando foi interpelado por um dos rapazes para que contasse acerca da história do grupo. Com exceção de Luis, diretor de Rap Folklord, que tem 34 anos, a idade dos outros integrantes oscila entre os 19 e os 23 anos. A entrevista durou em torno de 2 horas e 30 minutos.

3.3.2 O contato com Chonta Urbana

Na noite do dia 21 de fevereiro de 2013, fui convidado por Luis para acompanhar o grupo Rap Folklord numa pequena apresentação na casa de um vizinho como um gesto para agradecer o apoio oferecido por ele em várias ocasiões. Neste dia foi que conheci pessoalmente o Smile, rapper e produtor de Chonta Urbana que estava apoiando a Rap Folklord na percussão junto com Ciro, estudante de música e integrante mais novo de Chonta Urbana. Depois da apresentação conversei com Smile e combinamos um encontro para que eu pudesse lhe falar sobre o objetivo da investigação. Ele concordou em participar na realização do grupo de discussão, mas precisava de tempo para realizar a convocatória por causa dos compromissos dos outros integrantes. Já no mês de março consegui finalmente agendar uma reunião com quatro jovens da banda: Smile, Ciro, Cheo e El sensei de la marimba. O encontro foi combinado para o dia 5 de março 2013, na parte da manhã, mas devido a fortes chuvas tivemos que esperar até meio dia.

Além da participação dos quatro integrantes já mencionados, por sugestão do Smile foi convidado também “El Rede”, que está radicado em Bogotá (cidade na qual promove, junto a outro colega, o projeto musical “Afrotumba´o”), mas que visitava a

cidade de Cali nesse mês. Ainda que ele não pertença à banda atualmente, ele foi o fundador da mesma, o que justificaria sua contribuição à pesquisa. Contudo, ele chegou ao final da atividade, razão pela qual agendei uma conversa para o dia 8 de março.

Depois do grupo de discussão, os rapazes aproveitaram que estavam juntos com

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dos beats, se apoiaram na marimba, que foi levada por El sensei, para experimentar com sons que tentavam logo simular no computador. Essa atividade era dinamizada pela opinião de cada um a respeito de qual seria o melhor jeito para aprimorar a base dos beats e incluir os outros instrumentos.

Em outro momento, alguns aproveitaram para conversar com Luis e El Kapy fora da casa, enquanto Smile e Cheo permaneceram no computador e começaram a

gravar sua voz (“rapeando”), que não passou de uma frase, sempre voltando sobre os

beats e experimentando sons sobre a mesma base, repetindo em várias oportunidades a gravação da voz. Depois de 1 hora nesta atividade, começaram, Smile e Cheo junto com El Kapy, a improvisar com o microfone algo similar a um duelo de MCs. Às 18h30 me despedi e, com exceção do El Sensei, todos ficaram em casa de Luis e El Kapy. Além de

“El rede”, que tem 32 anos, a idade dos outros integrantes de Chonta Urbana oscila

entre os 19 e os 25 anos. A entrevista teve uma duração de 2horas e 10 minutos aproximadamente.

O fato de estarem radicados em Cali tem significado um momento de pausa e reorganização do grupo, cuja base são estes quatro jovens, mas deixa também a

sensação de um processo “estanque”, pelas dificuldades da banda em contar com uma

estrutura interna de sustentabilidade. Os outros músicos sempre foram convidados para os ensaios que antecedem as apresentações no seu município, tendo em algumas ocasiões 12 integrantes. Devido à ausência da maioria deles na cidade, o grupo vem realizando gestões com músicos locais ou radicados em Cali e esperam que um deles, conhecido de Smile, decida viajar para a cidade e assim formar um grupo que não supere os nove artistas.