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Kaynaştırma Eğitimine Yönelik Eğitim Kurumları

2. Kaynaştırma eğitimini planlamak

2.1. Kaynaştırma Eğitimine Yönelik Eğitim Kurumları

A grande variedade de atos investigativos que recaem sobre o corpo humano, aliada à ausência de disciplina legal em nosso ordenamento jurídico, dificulta sobremaneira a tarefa de definir o que se deve entender por intervenções corporais. Mesmo nos sistemas jurídicos em que há uma regulamentação dessas medidas subsistem divergências acerca do elenco de meios de prova que podem ser enquadrados nessa categoria.

Asencio Mellado designa como intervenção corporal “la utilización del cuerpo del proprio imputado mediante actos de intervención en el a los efetos de investigacion y a comprobation de los delitos”239. Trata-se de conceito bastante amplo, que abrange todas as diligências que tem por objeto o corpo do acusado com finalidade probatória. Sofre críticas da doutrina espanhola em decorrência de sua amplitude, bem como do fato de restringir o conceito ao acusado, não abrangendo outras pessoas que, possivelmente, também possam sofrer intervenções corporais na busca da verdade no processo penal, como as vítimas do delito e outros. É de se ressaltar que ao nosso estudo interessam apenas as medidas que possam levar à autoincriminação.

As intervenções corporais apresentam algumas características básicas que auxiliam a tarefa de delimitar o seu conceito. Primeiramente, são diligências que recaem sobre o corpo humano. Há que se consignar que assim são consideradas apenas medidas praticadas no corpo de pessoas vivas, restando excluída da categoria qualquer atuação de natureza similar que tenha como objeto cadáveres. Caracterizam-se, ademais, por, potencial ou efetivamente, afetarem direitos fundamentais, como o direito à intimidade, à integridade física – sem mencionar o direito de não se autoincriminar, que não apresenta relevância na distinção ora traçada.

Tais características, embora comuns às intervenções corporais, não são unanimemente consideradas suficientes para a identificação das diligências que devem enquadrar-se nesse conceito, levantando-se outros elementos diferenciadores.

239 Tradução livre: “a utilização do corpo do próprio imputado mediante atos de intervenção nele para efeito de

investigação e comprovoção de delitos” ASENCIO MELLADO, José Maria. Prueba prohibida y prueba preconstituida. Madrid: Trivium, 1989, p. 137 apud ZAGANELLI, Margareth Vetis. Intervenções corporais, processo penal e direitos fundamentais. In: A renovação processual penal após a Constituição de 1988. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009, p. 198.

O Tribunal Constitucional espanhol, na STC 207/1996, distinguiu duas categorias de diligências que incidem sobre o corpo humano, utilizando como critério o direito fundamental prioritariamente afetado por elas: investigações ou registros corporais, de um lado, e intervenções corporais, de outro. Nas primeiras, embora resulte afetado o direito à intimidade, não há ofensa à integridade física da pessoa, não se ocasiona lesão alguma a seu corpo. Nesse conceito inserem-se quaisquer tipos de reconhecimento, como exames dactilocópicos ou antropomórficos, inspeções anais ou vaginais, destinadas à identificação do agente do crime, à obtenção de objeto que constitui corpo de delito ou à investigação de circunstâncias relacionadas ao fato, que possam fornecer informações relevantes à instrução criminal. Nas intervenções corporais, por outro lado, há, primordialmente, uma afetação do direito à integridade física, tendo em vista que, normalmente, exigem a extração de uma amostra de matéria biológica para a realização de perícia, provocando uma lesão ao corpo, conquanto, via de regra, muito pequena. Dentre estas medidas situam-se a extração de sangue e exposição do imputado a radiações, como as radiografias e ressonâncias magnéticas.

Marín, tomando a distinção estabelecida pelo Tribunal Constitucional, cita como exemplos de “inspeções ou registros corporais” as inspeções que têm por objeto a parte externa do corpo, a fim de verificar se a pessoa oculta elementos que possam servir para a prova de um delito, tendo lugar acima da roupa; e, como intervenções corporais, cita as diligências que têm por finalidade obter substâncias, internas ou externas, como unhas, pêlo, sangue ou amostras de pele para análise. Entende a autora, entretanto, que também se enquadram no conceito de intervenções corporais a exploração sobre zonas internas do corpo, que não podem ser apreciadas com mera inspeção superficial, nas quais entende que pode ser vulnerado, além do direito à intimidade, o direito à integridade física, porque sua execução pode pressupor uma lesão de tecido, mesmo que leve e superficial240.

A doutrina alemã estabelece uma distinção entre investigação corporal (Untersuchung des Beschuldigten) – que consistiriam na investigação do corpo mesmo, como, por exemplo, a prova de alcoolemia – e registro corporal (Dursuchung des körpes), mediante o qual se buscaria encontrar objetos escondidos na superfície ou nas cavidades naturais do corpo, como o registro bucal à procura de drogas. Essa distinção, entretanto, não é decisiva, tendo em vista que determinadas medidas realizadas com o objetivo de detectar substâncias estranhas ao organismo humano são, por sua gravidade, consideradas como investigação, e não registro corporal, como é o caso da lavagem estomacal241.

240 ÁNGELES PÉREZ MARÍN, op. cit., p. 14/15. 241 ZAGANELLI, op. cit., p. 201.

Entre nós, Queijo conceitua intervenções corporais como atos de investigação no próprio corpo do acusado, subdividindo-as em intervenções invasivas e não invasivas. Na lição da autora, “consideram-se invasivas as intervenções corporais que pressupõem penetração no organismo humano, por instrumentos ou substâncias, em cavidades naturais ou não”242. Exemplos destas são os exames de sangue em geral, os exames ginecológico e de reto, a endoscopia, a identificação dentária, a colheita de saliva na cavidade bucal e os exames de esperma e de urina, de acordo com a forma como forem obtidas as amostras. As intervenções não invasivas, conceituadas por exclusão, abrangem, segundo a autora, as buscas pessoais realizadas sem técnicas invasivas, as inspeções corporais, os exames de matérias fecais, os exames de DNA a partir de fios de cabelo e pêlos, as identificações dactiloscópicas, das impressões dos pés, unhas e palmar, bem como as radiografias243.

As provas que dependem da colaboração do acusado, sem intervenção corporal, na dicção da autora, são o reconhecimento, a acareação, a reconstituição do fato, o exame grafotécnico, o etilômetro e o exame clínico para a verificação da embriaguez244.

Albuquerque também distingue entre provas invasivas e não-invasivas. Estas, a seu ver, são aquelas que, no máximo, tangenciam direitos fundamentais, mas nunca os atingem de forma direta, limitando-se a contribuição do acusado a uma sujeição passiva ou, quando muito, ao fornecimento de materiais ou objetos para exame comparativo245. Dentre estas, enquadra, então, o reconhecimento de pessoas, a prova documental e algumas perícias, como o exame grafotécnico e outras que dependam de padrões de comparação que possam ser extraídos sem a invasão da esfera íntima do sujeito que as tolera, como o exame dactiloscópico. Invasivas, para o autor, são as provas que se efetivam “por meio de uma maior ingerência sobre a pessoa do acusado ou sobre sua esfera íntima ou privada”, como os exames médicos que acarretam alguma dose, ainda que mínima, de intromissão na integridade física do indivíduo, a par do impacto psíquico-moral246.

Tomamos como intervenções corporais, neste estudo, todos os atos realizados sobre o corpo de pessoa viva, que possam acarretar a vulneração de direitos fundamentais, na busca de elementos de relevo para a apuração de fatos delituosos.

As outras classificações apontadas, distinguindo as medidas realizadas sobre o corpo humano em inspeções e intervenções corporais, ou em intervenções corporais invasivas

242 QUEIJO, op. cit., p. 245. 243 Ibid., pp. 251-255. 244 Ibid., p. 255.

245 ALBUQUERQUE, op. cit., p. 99. 246 Ibid, p. 108.

ou não-invasivas, destinam-se a separá-las em grupos, a fim de conferir tratamento próprio a cada um. Para esse fim, o que importa, a nosso ver, é o nível de vulneração a direitos fundamentais, mormente a intimidade e a integridade física, que cada uma dessas medidas pode acarretar. É esse o critério que deve ser utilizado para conferir a umas e outras tratamento idêntico ou diferenciado, independentemente de visarem à extração de material orgânico ou à localização de objetos estranhos, ou de serem realizadas mediante a introdução de instrumentos no organismo ou não.

Há, assim, medidas que meramente tangenciam direitos fundamentais, como a busca pessoal e a inspeção superficiais, a coleta de fio de cabelo, de unha ou de saliva, bem como a tomada de impressões digitais, de unhas ou de pés e a radiografia, que podem ser chamadas itervenções leves. Outras afetam-nos mais gravemente, como a busca ou inspeção em regiões íntimas do corpo, a colonoscopia, a endoscopia e a coleta de líquido cefalorraquidiano, que configuram intervenções graves. Outras, ainda, situam-se em posição intermediária, como a coleta de sangue, que, embora provoque certa sensação de dor, não compromete a integridade física e não a submete a pessoa a situação vexatória ou humilhante, tratando-se de procedimento rotineiro.

Dentre as provas que dependem da colaboração do acusado, mas não implicam intevenções corporais, por outro lado, encontram-se o reconhecimento, o bafômetro, a reconstituição do fato, o exame grafotécnico e o exame clínico para a verificação de embriaguez. Nesses casos, o ato não se realiza diretamente sobre o corpo do acusado ou não há sequer risco de vulneração a direitos fundamentais.