2. PROTEOLĐTĐK ENZĐMLER
2.2 Proteazlar
2.2.1 Proteazların sınıflandırılması
2.2.1.1 Kaynağına göre proteazlar
As décadas de 1970 e 1980 são marcadas por um intenso desenvolvimento tecnológico que introduziu sofisticadas inovações e modificou completamente os padrões de vida dos americanos. A revolução tecnológica, impulsionada, de modo mais acentuado, a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, mantém uma relação direta com os desejos de consumo e de acumulação de bens da sociedade americana. O advento e a quase onipresença de parafernálias eletrônicas como o toca-discos, o telefone e o televisor nos lares americanos altera de maneira profunda os hábitos das famílias, introduz novos modismos e instaura novas e vertiginosas formas de informação e de comunicação.
A partir da década de 1970, segundo o crítico Sven Birkerts, os Estados Unidos vivem uma era de grande fluxo de dados e de variados tipos de informação, que Birkerts chama de era do “infotretenimento” (2001, p.68).80 Na opinião desse analista, torna-se quase um truísmo afirmar que o panorama artístico é afetado pelo estabelecimento de um novo paradigma cultural, calcado na linguagem fragmentária, condensada e, muitas vezes, incompreensível proposta por inovações tecnológicas como, por exemplo, a televisão e, nos últimos anos, a Internet. Birkerts sintetiza essas transformações nos seguintes termos:
A revolução da comunicação — tudo desde o e-mail até o onipresente telefone celular — tem gerado o que para muitos parece ser um paradigma empobrecido, baseado na frase. O byte sonoro, a mensagem instantânea — a cada ano, os incrementos de significação e expressão parecem encolher. Era de se esperar naturalmente que a ficção americana do último quarto de século refletisse essa contração, e que jovens e talentosos escritores, produtos de uma cultura acelerada da distração, mapeassem em sua prosa os ritmos e os padrões de dicção do nosso tempo. (2001, p.68)81
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“infotainment” 81
“...The communications revolution — everything from e-mail to the ubiquitous cell phone — has spawned what seems to many an impoverished, phrase-based paradigm. The sound byte, the instant message — with every year, increments of meaning and expression seem to shrink. One might naturally expect American fiction of the last quarter-century to reflect that contraction, and gifted young writers, the products of an accelerated culture of distraction, to map in their prose the rhythms and diction patterns of our times.”
Essas transformações não deixam de afetar, portanto, também os artistas que, como observadores atentos do mundo ao seu redor, passam a transfigurar os elementos fornecidos pela realidade empírica e a transformá-los em artefatos estéticos. Nesse processo de transfiguração, o artista realiza um “desmascaramento do mundo epidérmico do senso comum” (ROSENFELD, 1969, p.79) por intermédio de experimentos com os meios expressivos, com a linguagem e com a estrutura da obra de arte.
Nessa época descrita por Birkerts como a era do “infotretenimento” destacam-se os experimentos com a arte, em especial, a literária, realizados por uma geração de jovens escritores, cujos trabalhos ganharam visibilidade ao serem publicados, nos anos setenta e oitenta, em periódicos de grande circulação nos Estados Unidos e em formato de livro pelo polêmico editor Gordon Lish, da editora Alfred A. Knopf, Inc. de Nova York (2001, p.68). Esses autores logo receberam da crítica o rótulo de escritores minimalistas e a tendência artística desenvolvida por eles passou a constar do vocabulário crítico como minimalismo, conforme observa Birkerts:
O minimalismo levou a extremos mais estilizados a idéia da expressão subentendida, porém, com uma inflexão mais irônica, e a crença de que a sugestão e a implicação eram construídas por meio de meticulosas estratégias de contenção. O minimalismo igualmente evitava grandes temas, preferindo criar retratos desconcertantes da vida doméstica da classe média americana. (BIRKERTS, 2001, p.68)82
Interessados em efetivamente mapear com sua prosa o contexto político, social, econômico e tecnológico nas décadas finais do século passado, esses escritores minimalistas ensejaram uma ampla reflexão em torno da arte literária e, ao mesmo tempo, propiciaram a revitalização e o fortalecimento do conto, gênero subestimado por uma parcela dos críticos nos Estados Unidos, se, para fins de comparação, levarmos em conta a atenção dedicada por esses estudiosos ao romance.
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“Minimalism took to more stylized extremes the idea of the understated utterance, though with more ironic inflection, and the belief that suggestion and implication were built through careful strategies of withholding. Minimalists likewise eschewed big themes, preferring to create uneasy portraits of American middle-class domesticity.”
Além disso, os escritores minimalistas, bem como toda uma geração de artistas pós- modernos norte-americanos, buscaram, com sua arte, provocar uma ruptura com quaisquer concepções totalizantes e cristalizadas que imperavam na sociedade da época. Dessa forma, os escritores usualmente associados ao minimalismo como Raymond Carver e Bobbie Ann Mason passaram a realizar experimentações com a linguagem, “limpando” o texto de quaisquer excessos, objetivando representar de maneira artística a revolução nos meios de comunicação vivenciada pelos Estados Unidos e a criar personagens confusas em meio a um mundo dominado pela tecnologia e pelas complexas transformações introduzidas por um ritmo acelerado de vida.
Larry McCaffery, no ensaio “The Fictions of the Present”, ressalta a preponderância desses fatores sobre a sensibilidade dos artistas e afirma que
[a]s atitudes políticas e sociais conservadoras que haviam predominado nos Estados Unidos desde o fim dos anos 1970 tendem a obscurecer o fato de que os ritmos diários e texturas da vida americana nos anos 80 sofreram uma ‘revolução’ não menos profunda em suas implicações que aquela ocorrida na década de 1960. De uma maneira geral, essa revolução é resultado das enormes mudanças que a tecnologia tem introduzido em nossas vidas nos últimos vinte anos. (1998, p.1165-1166)83
No entanto, a ficção minimalista tem uma relação problemática com essa mesma realidade que tenta representar. Embora tenha se constituído com base em uma “revolução envolvendo o intercâmbio da informação [e] a saturação da nossa cultura com imagens e palavras produzidas pela mídia” (McCAFFERY, 1998, p.1166), o narrador minimalista encontra uma grande dificuldade em captar a extrema complexidade do mundo que o cerca. Assim, surge “não a ficção do eu poderoso de uma tradição literária anterior, mas o eu sitiado e programado pela profusão de imagens que bombardeiam o indivíduo” (VILLAÇA, 1996, p.105).
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The conservative political and social attitudes that have predominated in the United States since the late
1970s have tended to obscure the fact that the daily rhythms and textures of American life in the 1980s have been undergoing a ‘revolution’ no less profound in its implications than what took place in the 1960s. To a great extent this revolution has resulted from the enormous changes technology has introduced into our lives in the past twenty years.
Essa vasta quantidade de informações e imagens fazem o narrador minimalista tornar-se uma instância que protagoniza sensações de confusão, isolamento e impotência. Seu completo estado de alienação e de incapacidade de organizar, de lidar com os fatos aleatórios do seu próprio cotidiano, quase nunca pressentidos por esse narrador, é representado em sua prosa, pois,
[o] mínimo estaria implicado na impossibilidade de experimentar a complexidade, a violência, a velocidade do contemporâneo. [...] Um caminho de despersonalização da arte, eliminação do próprio artista ou, pelo menos, drástica redução de seu papel como intérprete da existência. (VILLAÇA, 1996, p.102-104)
O eu minimalista, impossibilitado de interpretar a complexa rede de acontecimentos de sua vida e de estabelecer relações entre os fatos, retrai seu foco narrativo e restringe sensivelmente a sua área de percepção a um olhar mínimo. Passa, então, a apegar-se às pequenas negociações do cotidiano: os diálogos rápidos com as outras personagens, as refeições, as crises familiares, as ações banais do dia-a-dia etc. Ao contrário da profusão de fatos e imagens que pululam no mundo, as situações comezinhas da vida doméstica não exigem do narrador minimalista um nível muito grande de pensamento abstrato para entendê- las. Então, ele se prende a elas, pois essas situações ainda lhe são familiares e, portanto, mais fáceis de compreender de acordo com sua perspectiva limitada.
Seu olhar percorre a superfície das coisas, mas é incapaz de penetrar nas camadas mais profundas dos fatos e, por conseguinte, articular seus significados. Nizia Villaça escreve que o narrador minimalista é marcado por um “eu ameaçado, eu sitiado, que restringe ao máximo seu campo de visão e o pensamento reflexivo em geral. [...] O personagem narrador permanece colado a percepções e sensações, assediado pelo acaso” (1996, p.103-105).
Com essa limitação protagonizada pelo eu minimalista ao representar o caos descontrolado do mundo condizem as técnicas narrativas empregadas pelos escritores na urdidura do texto literário, conforme estudaremos adiante. Estratégias ficcionais, tais como a radical condensação de elementos expressivos, o desbastamento da sintaxe, os enredos descomplicados, a incapacidade do narrador em refletir sobre os acontecimentos, a omissão
de fatos que motivariam ou explicariam determinadas ações das personagens, a sugestividade poética dos detalhes do ambiente, são alguns dos expedientes de criação utilizados por esses artistas em suas obras.
Em “O microrrealismo do mínimo eu”, Villaça explica que
A economia de recursos utilizados pelo narrador [minimalista] na apresentação do texto prenuncia a mutilação da narrativa em todos os níveis. É a falta que articula o universo narrado, seja pela ausência de totalização no nível temporal, no nível espacial, seja pela ausência de nexo entre as partes ou pela gratuidade com que se sucedem as cenas. (1996, p.106, grifo nosso)
O resultado de todo esse trabalho executado com a linguagem é um artefato literário impregnado de uma atmosfera instável, contingente, que chama a atenção não só para as palavras presentes no texto, mas também para as palavras não pronunciadas, para os elementos que estão ausentes da história e que são apenas sugeridos pela narrativa (TRUSSLER, 1994, p.23). Como o narrador limita-se a transcrever aquilo que consegue apreender através dos seus órgãos sensoriais, além de não deixar transparecer seus pensamentos e de simplesmente relatar suas mínimas ações triviais e os pequenos diálogos que mantém com as outras personagens da história, o leitor apenas pode fazer inferências acerca dos elementos presentes no relato e, deste modo, buscar um significado. Os contos minimalistas não comportam totalizações nem fechamentos perfeitos. Eles são como “conchas de história, frágeis recipientes de significação condensada” (HALLET, 1996, p.489).84