4. BULGULAR VE TARTIŞMA
4.5. Katı Elektrolitli İnce Film Pillerin Elektrokimyasal Özelliklerinin İncelenmesi
Com o início da Primeira Guerra Mundial e a paralisação da produção européia, aliada a grande aceitação pública do cinema e o misto de mistério e espanto gerados no público pelos espetáculos de McCay, os norte-americanos vêem a possibilidade da instauração de uma indústria voltada exclusivamente para o filme animado.
John Randolf Bray99 foi o primeiro visionário a considerar a animação como uma forma viável e lucrativa de negócio, nos Estados Unidos.
98 O espetáculo fez tanto sucesso, quanto W. C. Fields, Will Rorgers e Harry Houdini, a ponto de
J. R. Bray fazer uma versão falsa de “Gertie” e a distribuir como original. Ao mesmo tempo seu empregador Willian Hurst, que mantinha McCay sob um contrato de exclusividade como cartunista em seus jornais o proibiu de continuar com os espetáculos (Solomon, 1994 p.16). McCay então faz um contrato de distribuição com a Fox, filma um prólogo ao vivo para os três filmes, trocou o nome do dinossauro de Gertie para Genie e no lugar onde havia a sua narração e interação colocou intertítulos (Crafton, 1993 p.112), e os exibe como filme e não mais como espetáculo de vaudeville.
99 Bray, em 1913, havia lançado sua primeira animação - “The Artists Dream” -, a estória de um
cachorro que devora o jantar de seu dono, enquanto ele se distrai. Foi a primeira animação americana produzida e distribuída comercialmente para os cinemas. Os filmes de McCay tinham sido produzidos originalmente para seus espetáculos de vaudeville e posteriormente adaptados para o cinema. Por outro lado, as animações de Cohl, embora parte delas, nesta época, fossem
Funda, em 1914, a Bray’s Studios, a primeira produtora exclusivamente de animação. Também, a primeira a introduzir os modelos da administração de “linha de montagem”, que foram fundamentais para consolidação do gênero como forma de entretenimento. A Bray’s Studios lançou as bases para uma indústria, entre outros para a dos estúdios Disney e dos modernos estúdios, que ainda se baseiam no modelo desenvolvido por ele: “O Henry Ford da animação” (Crafton, 1993 p.137). Bray patenteia uma série de processos. Entre eles, o de desenhar os cenários em uma única folha de acetato, para ser sobreposto a animação no instante da filmagem, e um sistema de “pinos” (peg-bar), para manter o registro entre os desenhos.100 O canadense Raul Barré foi quem desenvolveu um sistema mais eficiente, furando as folhas previamente, que permitiu um registro mais estável, sem a necessidade de todas as folhas serem rigorosamente cortadas do mesmo tamanho.101
Posteriormente, nos estúdios de Disney, o sistema evoluiu para o modelo de três pinos: dois pinos chatos e um pino central redondo, padrão usado até hoje no mundo inteiro.
Ilustração 61 – Com os três furos o papel se mantém estável, uma vez que, alinhado pelo furo redondo central. Como os furos laterais são pouco maiores que os pinos largos, evitam a formação de “barriga” no papel, mesmo quando houver pequenas diferenças na distância entre os pinos. 102
Raul Barré, antecedendo a invenção do acetato e devido à precisão do seu sistema de registro (pinos ou peg-bar), desenvolveu e patenteou o realizadas nos Estados Unidos, eram produzidas e distribuídas pela empresa francesa de Charles Pathé.
100 John Fitzsimmons, assistente de McCay, também, tinha desenvolvido um processo de registro
semelhante, durante a produção de “Gertie”.
101 Este sistema consistia em dois furos no papel, que combinava com uma régua com dois pinos,
onde as folhas eram encaixadas. Eventualmente, se os pinos não estivessem na distância exata um do outro, uma pequena “barriga” seria formada no papel entre os pinos. Mesmo assim, era mais estável que os outros sistemas.
processo de desenhar apenas um cenário, recortando a área onde estaria a animação, permitindo uma grande economia de trabalho e a possibilidade de cenários um pouco mais elaborados, embora fixos.
Earl Hurd patenteia o “acetato”103 (cel), em 1914: uma folha de acetato de
celulose com extrema transparência. Mas, a principal inovação era a de colocar os desenhos no acetato e não o fundo.
Ilustração 62 – Na ilustração acima, podemos ver a esquerda os layers que compõem uma cena. À direita, o resultado final desta composição. 104
O acetato permitiu que a animação fosse sobreposta em vários níveis, ou seja, cada personagem podia estar em um layer diferente (nível) sobre o cenário, não necessitando mais ser desenhado em cada um dos lay-outs; ao mesmo tempo em que os desenhos de fundo (cenários) poderiam ter maior detalhamento e sofisticação, possibilitando ainda movimentos de travelling e composição com overlays, simulando profundidade de campo.105
John Bray106 dá um grande passo em direção a sistematização da produção, quando desenvolve um processo em que as partes fixas de um
102 Ilustração produzida pelo autor.
103Os acetatos (cel) são utilizados até hoje, embora o processo de colorização do desenho animado
tenham migrado para softwares específicos de computador, muitos estúdios ainda os utilizam para após a sua filmagem serem vendidos como produtos exclusivos relacionados ao filme.
104Os layers, apresentados nesta ilustração, são partes do filme “Saúde da Família”, 2003,
produzido e dirigido por nós, como uma série de educação sobre saúde, para a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, juntamente com o Ministério da Saúde, com desenhos de Sérgio Morettini.
105 É importante salientar que, com este novo processo, os desenhos, quando transferidos para o
acetato, precisavam ser pintados.
106John Bray se associa Earl Hurd, devido a suas patentes. Fundam a Bray & Hurd Process
personagem ficam desenhadas em um acetato e as partes que se movem, em acetatos separados, permitindo uma redução de trabalho e de tempo.
Ilustração 63 – Á esquerda, o personagem composto em um fotograma do filme. À direita, os desenhos desmembrados, que permitem uma significativa redução de trabalho, ao dispensar o desenho, todas as vezes, do corpo do personagem.107
Os irmãos Dave e Max Fleischer patenteiam, em 1915, a “”rotoscopia”108. É um processo, quadro a quadro, que permite que movimentos filmados ao vivo sejam transformados em desenho, para servir como referência para a animação. Os fotogramas do filme eram retro-projetados em uma tela translúcida, permitindo que o animador traçasse seu contorno ou comercialização de suas licenças. No ano seguinte, Bray adquire as demais patentes disponíveis. Durante quase 17 anos, mantém o monopólio dos processos para animação. Bray tentou obrigar que todos os estúdios que utilizassem suas patentes pagassem royalties. Alguns pagaram, outros ignoraram ou acharam uma forma de contornar as patentes. Outros ainda levaram este debate à longas disputas judiciais. Este monopólio vai até 1932. Por falta de atualização, as patentes passaram para domínio público. Muitas das patentes eram relacionadas a processos já inventados por Blackton, que nunca se interessou por isso, e por McCay, que em alguns casos recebia porcentagem pelos royalties (Solomon, 1994 p.25). Neste período, já existiam os Estúdios de Pat Sullivan com Otto Messmer (Gato Felix), o de Raoul Barré com Charles Bowers (Mutt & Jeff), a IFS – International Film Service de Willian Hearst com Walter Lantz (Pica-Pau, Andy Panda, Chilli willi, Oswald, Wally Walrus).
O estúdio de Bray se torna o mais importante no início da fase industrial da animação. Além de contar com Earl Hurd, começam suas carreiras os principais animadores da próxima geração, como: Paul Terry (Terrytoons - Super Mouse, Gandy Goose, Dinky Duck, Deputy Dawg), Max Fleischer (Ko-ko, Betty Boop, Viagens de Guliver), David Hand (Supervisor de Branca de Neve e diretor de de Bambi), Shanus Culhane (animador de Viagens de Guliver e Pica-Pau).
107 Fotograma da hipermídia “A Importância do voto”, realizada pelo autor, com desenhos de
outros detalhes da imagem em uma folha de acetato. Posteriormente, este processo passou a ser realizado em table-top projetando a imagem sobre uma folha de papel.
Ilustração 64 – À esquerda, ilustração do stand de rotoscopia, patenteado por Max Fleischer.109 À direita, representação de uma rotoscopia, em table-top.110
Com os processos de animação migrando para o computador, na década de 1980, o ato de traçar a imagem, para referência de animação, foi substituído pela simples impressão do fotograma do filme, permitindo que o animador tivesse uma informação muito mais precisa da imagem, principalmente no que diz respeito à direção do olhar.
Os irmãos Fleischer, que abriram seu próprio estúdio em 1921, produzem, em 1924, a série animada “Song Car-tune”. Eram filmes curtos, com música e animação de uma bolinha saltitante sobre a letra ou um personagem indicando as palavras para a platéia cantar.
108 Anexo 2
109 Solomon, 1994, p.30
Ilustração 65 - Fotograma do Song Car-tune, “Smille”.111
Estas animações utilizavam um sistema de som ótico, impresso diretamente na película, que seria mais tarde o padrão do cinema sonoro112.
Com o advento do som, consolidado no cinema com o filme “The Jazz Singer”, em 1927, os animadores perceberam o poder narrativo que este novo elemento traria para a animação. Ao mesmo tempo em que mudaria radicalmente o processo de produção, ou seja, precisariam gravar e
“decupar” o som, antes de iniciar a animação. O processo de marcação
do som, chamado de “Bar-sheet”, consiste em marcar em uma planilha, dividida por fotogramas, a duração e a posição de cada elemento do som que será sincronizado com a animação, para que seja possível desenhar as poses na posição correta da cena e do tamanho exato, para não se perder o sincronismo. Esta planilha é chamada de “Ficha de animação”
(X-Sheet), e será, ao mesmo tempo, a principal peça do planejamento de
um filme. 113
O surgimento do som, na década de 1930, trouxe mais transformações para o processo de animação que a cor surgida na década de 1940. Esta praxis norteia a produção da animação experimental e bidimensional, ou 2D, até os dias de hoje. Mesmo diante das possibilidades oferecidas pela televisão, no fim das décadas de 40 e mais intensamente nas décadas posteriores a de 50, com o surgimento da televisão colorida e do
111 http://en.wikipedia.org/wiki/Screen_Songs
112O sistema chamado Phonofilme, desenvolvido pelo inventor americano Lee De Forest em 1919,
ainda tinha uma qualidade muito precária, quando foi utilizado por Fleischer, perdendo espaço para sistemas com discos sincronizados, como o Vitaphone, que mais tarde seriam substituídos por sistemas mais eficientes e sincronizados oticamente como o RCA Photophone e Fox Movietone.
vídeo tape, passando ainda pela década de 90, com a utilização de computadores e tecnologia digital.
No fim da década de 50, a manutenção de um departamento de animação pelos estúdios de cinema, tornou-se pouco rentável, levando ao fechamento de muitos estúdios tradicionais. A televisão por sua vez, se apresentava como o grande veículo de comunicação de massa, que se expandia rapidamente e necessitava de conteúdo para preencher longas horas de programação, e poderia absorver esta produção. Mas, os altos custos que as produções em animação demandavam impossibilitavam esta migração.
Entre as décadas de 1950 e 1960, os animadores perceberam que a tela pequena da televisão, não exigia o mesmo grau de sofisticação da imagem da tela grande do cinema. Podiam utilizar artifícios que barateasse essas produções, aplicando, de forma mais elástica, os métodos industriais desenvolvidos por John Bray, na década de 1910. Com isso, criaram não apenas um novo processo, que se chamou de animação simplificada, como, também, inauguraram um novo estilo.
A animação simplificada considera a máxima utilização de elementos parados, com apenas algumas partes em movimento em acetatos separados, de forma a se desenhar um mínimo para a produção de um filme; além de contar com a reutilização de partes das animações, em diversos momentos diferentes, limitando-se os movimentos.
Ilustração 66 – exemplo da separação das partes de um desenho para animação simplificada. 114
A dupla de animadores, Willian Hanna e Joseph Barbera, lideraram o desenvolvimento deste processo que teve seu maior destaque nas produções dos seriados “The Flintstones” e “The Jetsons”, iniciados no show semanal de “Huckleberry Hound”, em 1958, conhecido no Brasil como “Dom Pixote”.
Com a ampliação da exibição pela mídia televisiva, o próximo momento envolverá o recurso da utilização dos computadores. Com eles, a animação transfere uma série de processos para esta nova tecnologia, em especial nas etapas de arte final e de composição.
É neste momento que se pode inserir a ação da hipermídia, ao atuar na animação limitada. Nesse caso, não por uma questão econômica, mas funcional. Enquanto banco de dados executáveis, ela disponibilizará maior facilidade na obtenção da imagem de animação.
A televisão, de grande penetração, preparou o entendimento do espectador para este tipo de simplificação necessária.
É a partir deste momento que podemos refletir sobre essa nova possibilidade que se apresenta: a animação e a hipermídia.