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3. MATERYAL VE YÖNTEM

3.4. Yüzey ve Yapısal Ölçümler

3.4.1. Atomik kuvvet mikroskobu (AFM) ölçümü

Em 1887, H.W. Goodwin patenteia a película fotográfica de nitrato de celulóide; ou seja, o filme flexível, “que já havia sido sugerida por Fortier, na França, em 1881”, e já se tinha conhecimento do celulóide em patentes anteriores, desde 1855 (Mannoni, 2003, p. 339). Isso impulsiona o desenvolvimento da cronofotografia, que passa a utilizar o celulóide, em 1890, e será fundamental para o nascimento do cinema. George Eastman desenvolve, então, uma película altamente transparente, por meio de um substrato de celulóide. Esta película passa a ser produzida, tanto nos Estados Unidos como na França, em 1890. Em 1893, Edison desenvolve o Quinetoscópio: um projetor individual, que permite assistir a um filme cronofotográfico.

O que mais chama a atenção, neste período, é o fato de que estas experiências são resultantes da experimentação científica com a aplicação artística diletante. Uma vez com boa aceitação de público, avançou para a exploração comercial, que irá nortear todos os próximos desenvolvimentos nesta área, tanto na Europa - com Pathé -, como, nos Estados Unidos - com Edison: “Esta série de espetáculos visava a um público pagante.”38 Sobre isso, o cinema nasce com intenção de indústria.

No ano seguinte, 1894, Edison realiza seu primeiro filme: “O registro de um espirro”, ainda baseado na cronofotografia.

Em 1895, os irmãos Auguste e Louis Lumière, fazem a primeira exibição pública do seu Cinematógrafo. Exibem uma cena dos funcionários saindo da Fábrica Lumière, intitulado “Sortie d’usine”.39

Com a invenção do cinema, a trajetória da animação pode ser estudada em vertentes distintas, distinguindo-se sua forma constitutiva. Enquanto o filme “ao vivo” segue seu desenvolvimento, separando-se da cronofotografia, aplicando uma forma diferenciada de captação de imagem, a animação baseada no uso de desenhos assume outra trajetória. Assim, este estudo, considerou os eventos que se relacionam com a construção da linguagem e dos processos desta animação, para, posteriormente, avalia-la no contexto dos processos digitais e computacionais, agora entendidos como um alargamento das possibilidades.

Ilustração 21 - Fotograma do filme "Sortie d'usine".40

39 “Sortie d’usine” (título em francês), “Leaving the factory” (título em inglês), realização Louis e

Auguste Lumière, 1895.

40 Fotograma extraído do filme “Leaving the factory” realização Louis e Augute Lumière, 1895.

A animação

O período em que se desenvolve o cinema foi o palco do desenvolvimento da animação moderna. A cada filme, os avanços técnicos desenvolvidos pelos pioneiros impedem de se separar a história da técnica. Nas primeiras experiências cinematográficas, a intenção dos realizadores era o mero registro de acontecimentos que se desenvolviam diante das câmeras, tal qual, a chegada do trem à estação, a demolição de um muro e outros eventos. Não se tinha imaginado ainda a potencialidade do novo meio. Paralelamente a isso, ainda em 1895, nos Estados Unidos, surge a primeira estória em quadrinhos continuada, com personagem semanal, aos domingos, em cores, publicada no Jornal “Sunday New York Journal” (Moya, 1996, p.17), de Willian Hurst, criada por Richard Fenton Outcault.

Enquanto o cinema ainda era um mero registro passivo ou espetáculo fantasioso, os quadrinhos já se colocavam como uma forma de contar uma estória. Esta história exibia intenção de contestação sócio-cultural, como é o caso da primeira tira fixa semanal, “Yellow Kid” (Garoto Amarelo): um menino de rua, habitante do Hogan’s Allen, um beco marginal da cidade de Nova York, trazia suas mensagens sempre escritas em um longo camisolão amarelo.

Os quadrinhos, narrativamente, foram, desde cedo, mais ousados visualmente que o cinema: logo abandonaram o enquadramento clássico e simétrico; recortavam suas estórias na forma que melhor exprimissem suas idéias; isso, pela familiaridade e flexibilidade das artes gráficas em relação ao cinema.

Ilustração 22 – Pagina do jornal Sunday New York, que publicava o quadrinho

Yellow Kid. 41

A adaptação de quadrinhos para o cinema, coincide, também, com as primeiras experiências em animação, adicionais à maturidade da narrativa cinematográfica, desenvolvida por Mélliès, na França; Poter e Griffith, nos Estados Unidos.

A primeira transposição para película de uma tira de quadrinhos foi “Un Arroseur Public”, criada por Christophe Georges Colomb, em 1889, que inspirou a primeira ficção do cinema, realizada pelos irmãos Lumière, em 1895, intitulada “Arroseur et Arrosé”.42 (Crafton,1993, p.37).

Ilustração 23 - Comparação entre o quadrinho e o filme. 43

Neste inicio do desenvolvimento da animação, principalmente pela ausência de som sincronizado, características próprias dos quadrinhos – tal qual a dos balões de diálogos -, foram fartamente incorporadas pelos animadores em seus filmes. Uma vez que os quadrinhos ficaram reconhecidos veículos de comunicação visual, como salienta Valdomiro Vergueiro, seu sucesso foi “devido à fascinação pela imagem desenhada”. Essa fascinação se estende, também, à animação, que, sem dúvida, parece ser sua melhor forma de adaptação, seja pela similaridade do desenho ou pelo avanço das técnicas de efeitos especiais. Como citado, em especial, na construção de artes hiper-realistas, por meio de computadores, o filme “ao vivo” adquire a possibilidade da transposição.

42 Seguido por “Little Nemo”, realizado pelo animador pioneiro, Winsor McCay, em 1911,

passando por “Mutt & Jeff”, de Bud Fisher, animado por Charles Bowers, em 1916, “Felix The Cat”, em 1920, entre outros.

Ilustração 24 - Fotogramas do filme "Bobby Bumps Starts a Lodge", animado por Earl Hurd em 1916 – Bray Studios.44

Em 1896, George Mèlliés, filmando na Place de L’Opéra, em Paris, descobre, casualmente, a “parada de câmera”. Esta descoberta será fundamental para a realização de animação, tal qual a filmagem quadro a quadro (stop-motion).

43 Composição de imagem realizada pelo autor. 44http://memory.loc.gov/ammem/oahtml/oahome.html

Durante as filmagens de uma simples “vista”, a câmera apresentou um pequeno defeito, que obrigou Mèlliés a interromper a filmagem por alguns minutos. O resultado desta parada assombra Mèlliés, ao ver, na projeção, que as pessoas desapareciam; também, que um ônibus que passava fora substituído por um carro funerário.

Isso ocorreu, porque, durante a parada de câmera, as pessoas e os veículos que estavam em movimento, não estavam mais na mesma posição de antes, causando a ilusão de desaparecimento ou de transformação. Aproveitando esta experiência, para causar espécie à platéia, ele realiza o primeiro filme com trucagens de parada de câmera, ainda em 1896: “Escamotage d’une Dame au Théâtre Robert Houdin”. Mèlliés se tornaria, também, o criador dos efeitos especiais, como o da utilização de múltiplas exposições com fundo preto, em realizações como a “Viagem à Lua”, de 1902, e muitos outros filmes.

Ilustração 25 – Fotograma do filme “Viagem à Lua”, de George Mèlliés.45

45 “A trip to the moon”, direção de George Mèlliés, 1902. Extraído do DVD “The Great train

A parada de câmera foi, sem dúvida, descoberta, simultaneamente, por outros realizadores. Mas, apenas Mèlliés - mágico e desenhista em espetáculos apresentados em feiras de variedades chamados “lightning

sketches”46, em que o cartunista executa uma performance ao vivo,

realizando um desenho rapidamente e James Stuart Blackton, que também era desenhista de “lightning sketches” -, viram a possibilidade de um espetáculo diferente. Vale a pena detalharmos um pouco mais esta etapa, sobretudo a atuação de James Stuart Blackton, para melhor situarmos o processo da animação, mencionando criadores que ampliaram seu potencial e a estruturam como gênero cinematográfico. James Stuart Blackton, iniciou sua carreira de cartunista como artista de

“Lightning Speed”, em feiras de variedades. Estes espetáculos eram

performances, em que o cartunista, utilizando uma lousa ou um “flip

chart”, fazia um desenho, com traços muito rápidos, sempre iniciados por

detalhes, que só permitiam o entendimento da figura ao término do desenho, sempre ao vivo, diante da platéia. Blackton trabalhou como desenhista técnico de Edison, desenhando os esquemas para as patentes; inclusive, foi ele quem desenhou a lâmpada elétrica. Tornou-se desenhista oficial para exibições e feira de eventos, representando as oficinas Edison. Com esta aproximação, passou a trabalhar na “Black Maria”, estúdio de Edison, responsável pela produção de filmes para o Quinetoscópio. Blackton realizou um filme animado, utilizando um circo em miniatura e bonecos acrobatas, em 1898: “The Humpty Dumpty Circus”. Por este filme, acredita-se que Albert Smith, teria também descoberto a parada de câmera.

Em 1899, junto com Albert E. Smith, aproveitando a baixa definição das imagens filmadas na época, recriaram, em uma banheira com miniaturas e fumaça de cigarros, a batalha naval travada no conflito com o México, na baía de Santiago. O filme foi apresentado como um autêntico jornal cinematográfico (Solomon, 1994, p.12). Seriam as primeiras utilizações dos princípios de animação quadro a quadro e movimentação de

miniaturas, para recriar um evento real, modernamente conhecido como “efeitos especiais”.

Em 1900, Blackton realiza sua primeira animação, “The Enchanted Drawing”, que é uma mistura do espetáculo de “Lightning Speed”, filmado quadro a quadro, paradas de câmera para acelerar a ação e fazer surgir, no desenho, uma garrafa de vinho, uma taça e a cartola, para depois voltarem ao desenho. Esta técnica, chamada de substituição por parada de câmera, será fartamente usada por Mèlliés, na produção de seus filmes.

“The Enchanted Drawing”, ainda não é considerada uma animação típica, assim como os filmes de Blackton, por não terem sido inteiramente filmadas quadro a quadro. Entretanto, ela é classificada como um protótipo da animação. O Teatro Óptico de Reynaud estava mais próximo dos princípios técnicos e estéticos que estes filmes.

Ilustração 26 - Fotogramas do filme "Enchanted Drawing"47

Em 1906, Blackton realiza “Humorous Phases of Funny Faces”, considerada, então, a primeira animação típica, caracterizada pela utilização de filmagem quadro a quadro, em uma lousa e giz, que permitia que o desenho anterior, depois de fotografado, fosse apagado, para se desenhar a próxima posição do boneco. Ele utiliza ainda um boneco articulado, feito com suas partes recortadas. Ainda estamos falando de desenho animado, animação baseada em desenhos bi-dimensionais conhecido como 2D.

Ilustração 27 - Fotograma do filme "Humorous Phases of Funny Faces", em que podemos ver as articulações do boneco, para permitir os movimentos. 48

Blackton realiza no ano seguinte, 1907, o filme “The Haunted Hotel”. Neste filme, diferentemente do anterior, ele utiliza a técnica de stop-

motion: o vinho enche um copo sozinho e uma faca corta o pão, sem a

presença de seres humanos.

No mesmo ano, o espanhol Segundo de Chomons, realiza, na Europa, o filme “Hotel Ellectrico”, com a mesma técnica stop-motion, utilizada por Blackton. Este pode ser considerado o início da animação como gênero cinematográfico.

Ilustração 28 - Fotogramas do filme "Hotel Elétrico”. 49

Émile Cohl, na França, em 1908, realiza “Fantasmagorie”. Considerado, pela maioria dos historiadores, como o primeiro filme tipicamente animado, uma vez que, exceção a duas pequenas partes, em que

48 http://memory.loc.gov/ammem/oahtml/oahome.html 49 http://www.youtube.com/watch?v=up9JJOaWZE4

aparece a mão de Cohl, todas as imagens são obtidas com desenhos filmados quadro a quadro. Trata-se de uma seqüência de situações em que os personagens se transformam em outros, em movimentação e transformação metamórfica contínua, só possível na animação. Estas transformações estarão presentes em todos seus trabalhos50.

Ilustração 29 - Fotograma do filme "Fantasmagorie”. 51

Emile Cohl deu a animação um senso de poesia, inovação e pioneirismo, combinando pintura e cinema. “As questões formais não eram tratadas gratuitamente, desprovidas de qualquer significado. As imagens e narrativas não almejavam apenas o entretenimento, mas vinham alicerçadas sobre a filosofia anti-racional, que era o princípio estético norteador dos Incoerentes” (Lucena, 2002, p. 51).

50 Diferentemente das experiências anteriores de Blackton, em que elementos vão sendo

adicionados a um desenho principal, Cohl fez mais de 700 posições seqüenciadas, desenhadas em nanquim sobre folhas brancas de papel de arroz. “Simplificou o traço para agilizar a execução dos desenhos, mas sem abdicar da expressividade da linha” (Lucena, 2002, p. 50). O efeito obtido por Blackton desenhando com giz sobre uma lousa em “Humorous Phases of Funny Faces”, impressionou tanto Cohl, que solicitou ao laboratório que mantivesse a imagem em negativo para simular o efeito do giz (Crafton, 1993, p.60).

Os Incoerentes eram formados por um grupo de artistas franceses que tinham por filosofia uma postura anti-burguesa, anti-acadêmica, iconoclasta e, principalmente, anti-racional. Cohl se uniu a eles, em 1880, “e transpôs esta filosofia para o seu trabalho, tornando-se uma base estética que refletia sua personalidade e visão de mundo”. 52

Em 1914, com a Primeira Guerra Mundial, suas pesquisas e desenvolvimentos são interrompidos. Talvez por isso seu reconhecimento tenha ocorrido muito tardiamente. Cohl pode ser considerado o fundador da indústria do desenho animado. Entre 1908 e 1921, realizou mais de 250 filmes, ao contrário de seus antecessores, para quem a animação era apenas uma experiência artística. Desenvolveu não só as técnicas, mas, também, um processo industrial para a produção de animação.

Para desenhar, criou uma versão rudimentar do que chamamos - e ainda utilizamos hoje - de “mesa de luz”: uma superfície translúcida, iluminada por traz, de modo que se veja, por transparência, a posição do desenho anterior, como base e referência, para desenhar o movimento seguinte.

Ilustração 30 - À esquerda, mesa de luz utilizada hoje nos estúdios brasileiros. À direita, efeito de transparência, obtida pela retro-iluminação da mesa de luz.

52 O cinema incoerente de Cohl rejeitou os métodos tradicionais de contar uma estória. Em lugar

de uma narrativa seqüenciada, lógica, ele preferiu que as imagens fluíssem como um devaneio da mente...” (Crafton, 1993, p.66_70). Criou o primeiro personagem animado, “Fantoche”, e experimentou diversas técnicas, como a dos recortes, pixilation, stop motion. O primeiro filme combinando vivo com animação que foi “Les Joeyaux Microbes”, em 1909, em que convida o paciente a olhar no microscópio uma amostra de sangue repleta de micróbios, representando políticos, burocratas, motoristas de táxi e outras personalidades. Este filme que antecede ao “Um Luar Espanhol”, também com técnica mista, é considerado por muitos historiadores seu melhor trabalho.