B. Hukuki Niteliği
2. Karma Bir Sözleşme Olması
Este capítulo tem por objetivo apresentar a conclusão e considerações finais da pesquisa empírica. A estrutura do capitulo conta uma seção para apresentar o resumo e os principais resultados obtidos de acordo com a teoria. A segunda seção apresenta as limitações do estudo. Em seguida são sugeridos temas para pesquisas futuras e as implicações para políticas públicas e privadas.
6.1. Resumo e principais resultados
O aumento do número de casos de contaminação de alimentos, associada à crescente competitividade do mercado, favoreceu a difusão das normas e sistemas de certificação relacionados à segurança do alimento. A União Europeia têm exigido a rastreabilidade como condição necessária para acessar o seu mercado. Este estudo teve como objetivo principal identificar os fatores determinantes da adoção da certificação da produção pecuária no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (SISBOV) e no TRACES (European Trade Control and Expert System) no estado de São Paulo, Brasil. Com base na revisão de duas vertentes teóricas – a adoção e difusão de tecnologia e o empreendedorismo – foram identificados fatores relacionados às características do indivíduo e características do estabelecimento rural e da produção pecuária que pudessem explicar a adoção. A revisão da literatura e a análise dos dados primários e secundários subsidiaram o alcance dos objetivos. A pesquisa empírica contou com dados de 84 pecuaristas analisados por meio de estatística descritiva e modelos logit binário.
Realizou-se uma revisão sobre os conceitos que envolvem o objeto de estudo e sua evolução e funcionamento. A análise sobre a evolução do ambiente regulatório que envolve o SISBOV permitiu verificar que, em 2006, a exigência do SISBOV deixou de ser compulsória no território nacional e passou a ser voluntária. A obrigatoriedade, adicionado da publicação na lista TRACES, passou a aplicar-se apenas àqueles pecuaristas que desejassem alcançar o mercado europeu. Esta alteração foi determinante para que a aplicação da regulamentação se tornasse efetiva e a credibilidade no sistema pudesse ser resgatada. O desenho da regulamentação também foi alterado. O tempo mínimo requerido para que o animal pudesse ser considerado rastreado passou a ser de 90 dias em área habilitada para a exportação para a UE. Esta alteração foi importante para estimular a sua adoção por pecuaristas especializados
na fase de terminação do gado em regime de confinamento. O que explica alguns dos resultados alcançados na pesquisa empírica.
A revisão dos conceitos de rastreabilidade e de certificação mostrou que a rastreabilidade é uma ferramenta que tem seu potencial de uso e benefícios ampliados quando utilizada associada a programas de gestão e de garantia de diferentes atributos da qualidade. Quando aplicada isoladamente, a exemplo do SISBOV, os benefícios resultantes da sua adoção são reduzidos.
Na revisão da literatura relacionada à vertente que estuda o processo de adoção e difusão de inovações, os principais fatores que explicam a adoção, foram divididos em duas categorias: os efeitos de classificação, ordem e estoque; e os efeitos de epidemia. Os efeitos de classificação, ou as fontes de heterogeneidade entre as empresas, a exemplo de características do capital humano, tamanho da empresa, localização, acesso a recursos financeiros (SUNDING; ZILBERMAN, 2001) e uso de instrumentos de gestão de risco, influenciam os custos e retornos de adotar uma nova tecnologia. Os efeitos epidêmicos estão relacionados à incerteza sobre a tecnologia em si. Nesse caso, atrasos na adoção e uso da tecnologia podem ocorrer se faltar informação sobre a tecnologia. Assim, características que permitem a difusão e transmissão da informação eficiente, a exemplo do serviço de extensão rural, a rede de relacionamentos e fontes de difusão da informação foram incluídas na análise. Considerou-se também o conceito de complementaridade de Milgron e Roberts (1990), forneceu subsídio para testar o efeito sinérgico resultante da adoção conjunta da certificação SISBOV/TRACES com outras tecnologias, a exemplo do sistema intensivo de produção animal.
Na revisão da literatura relacionada à vertente que estuda o empreendedorismo, verificou-se que a aversão ao risco é uma caracteristica comportamental do indivíduo necessária para que o processo se desenvolva (SHANE, 2003). Neste processo, a etapa do reconhecimento da oportunidade tem sido abordada com atenção. Nela, a informação também desempenha papel central (BARON; SHANE, 2007). Características do indivíduo que permitam o acesso à informação de ponta, a exemplo da rede de relacionamentos, experiência de vida e profissional e o comportamento da busca ativa pelo novo, bem como características que potencializem a capacidade de utilização da informação, a exemplo da idade e do nível de escolaridade, são apontadas como relevantes no reconhecimento da oportunidade.
A relevância atribuída ao papel da informação é um ponto de convergência entre ambas as abordagens teóricas consultadas. Tanto os modelos epidêmicos utilizados para explicar o processo de adoção e difusão da tecnologia, como o modelo para explicar o processo empreendedor (entendido como o processo de reconhecimento da oportunidade) enfatizam as características do indivíduo relacionadas ao acesso à infomação e aquisição do conhecimento. Os modelos teóricos sobre difusão da tecnologia avançam ao considerar que apenas a disseminação da informação e a aquisição do conhecimento nem sempre são suficientes para explicar a adoção de uma nova tecnologia. Existem situações em que outras características podem restringir ou mesmo acelerar a adoção. Estes fatores podem estar relacionados ao indivíduo, à empresa rural e ao sistema de produção. Assim, as abordagens teóricas utilizadas apresentaram um conjunto de fatores determinantes potenciais que se complementam para explicar a adoção da certificação SISBOV/TRACES.
A análise dos dados secundários coletados no Censo Agropecuário de 2006 forneceu uma primeira aproximação quanto aos fatores capazes de diferenciar os adotantes dos não adotantes no estado de São Paulo. Os estabelecimentos rurais que declararam o uso da prática do rastreamento animal (obrigatória para a certificação SISBOV/TRACES) eram dirigidos por indivíduos com nível de escolaridade superior, mais jovens e que eram afiliados a cooperativas agropecuárias e entidades de classe em uma proporção superior. Com relação às características do estabelecimento rural, aqueles que declararam a prática do rastreamento animal receberam assistência técnica e possuíam computador e acesso à internet no estabelecimento rural em uma proporção superior. Eram estabelecimentos rurais de maior tamanho, tanto medido em área total média do estabelecimento rural como em número de cabeças, e operavam, em maior proporção, com práticas mais intensivas de produção (confinamento, adubação e rotação do pasto e suplementação alimentar do rebanho) na fase de terminação do gado. Os estabelecimentos rurais que declararam a prática do rastreamento animal tiveram mais acesso ao crédito, bem como tomaram um valor médio maior de financiamento. Por fim, eram estabelecimentos rurais que operavam com mais empregados com maior nível de qualificação profissional.
As estatísticas descritivas dos dados obtidos junto à amostra de produtores do estado de São Paulo corroboraram tanto os resultados encontrados nos dados censitários como a maioria das hipóteses gerais encontradas na literatura. Os pecuaristas certificados apresentam um nível de escolaridade superior; fazem uso, em uma proporção superior, de informações pagas preparadas por especialistas e acessadas por meio da internet; e participam mais
ativamente de rede de relacionamentos voltados para a pecuária. A participação em associações de classe e em grupos não formais de pecuaristas voltados para a troca de experiências, compra de insumos e venda de boi gordo possibilitam tanto o acesso à informação de ponta como melhor poder de barganha na compra de insumos e melhor poder de negociação com os frigoríficos exportadores. Estes resultados corroboram os argumentos teóricos sobre a importância das fontes de acesso à informação para a adoção de tecnologia.
A experiência é outro fator relevante destacada na literatura revisada. Se por um lado, a experiência profissional especializada e em profundidade no tema relacionado ao da nova tecnologia confere maior confiança e menor tempo de aprendizagem para a adoção, por outro, a experiência profissional e de vida mais diversificada implica em uma visão de mercado mais ampla. Os pecuaristas certificados apresentaram um perfil mais cosmopolita, com vivência em grandes centros urbanos e a prática de viagens de negócio para regiões que extrapolam o limite geográfico estadual de sua residência, incluindo o exterior. Esta característica permite que estes indivíduos estejam mais bem informados com relação às necessidades dos consumidores, às exigências de mercados importadores e às inovações que poderiam ser aplicadas na produção animal. Eles possuem experiência anterior com outras certificações ou com práticas de gestão da qualidade, o que confere maior desenvoltura no uso de práticas de gestão semelhantes àquelas requeridas na certificação SISBOV/TRACES, a exemplo de práticas de controle e auditorias de processo. Neste caso, o tempo e o custo inicial de implantação da rastreabilidade são reduzidos.
Ainda que a informação esteja amplamente difundida e que o indivíduo apresente um conhecimento amplo e profundo que o permita reconhecer uma boa oportunidade e explorá-la, existem outros fatores capazes de influenciar o processo de adoção da nova prática. Estes fatores estão relacionados ao tamanho, ao acesso aos recursos financeiros e às práticas de gestão e tecnologias adotadas previamente. Os resultados mostram que os pecuaristas certificados trabalham com uma escala de produção mais elevada e possuem maior renda. São indivíduos que, no geral, operam com o autofinanciamento para uma maior parcela de suas atividades pecuárias, mas que, quando acessam o crédito, tomam um volume superior. São indivíduos que podem oferecer mais garantias e representam menor risco para as instituições financiadoras. Em função da renda e do tamanho, o volume de crédito negociado é superior.
Com relação ao sistema de produção adotado pelos pecuaristas certificados, verificou- se complementaridade entre a terminação de bovinos em sistemas de produção mais intensivos no uso de insumos e a certificação SISBOV/TRACES. Este resultado está
relacionado ao desenho da regulamentação do SISBOV, no qual o tempo requerido para que o animal esteja rastreado e apto à exportação para a UE coincide com o tempo médio de terminação de bois magros em sistemas de confinamento. A adoção de sistemas intensivos de produção está associada à adoção de um conjunto de tecnologias complementares de gestão, a exemplo do controle interno de inventário, planilhas de custos de produção e instrumentos de gestão de risco, o qual estimula e facilita a adoção da certificação SISBOV/TRACES.
A adoção de sistemas de produção mais intensivos no uso de insumos implica em maior necessidade de capital, aumento da complexidade de gestão da produção e maior vulnerabilidade ao risco de preços. Esta condição requer um melhor planejamento da produção e a adoção de instrumentos de gestão de risco. Na venda do boi gordo, os confinadores adotam, com maior frequência, mecanismos de comercialização que permitem lidar com as oscilações desfavoráveis do preço do boi gordo e planejar melhor a produção, a exemplo dos contratos negociados em bolsa de mercadorias e futuros e os contratos a termo estabelecidos com frigoríficos exportadores. Neste último caso, os pecuaristas certificados podem beneficiar-se da utilização de cláusula contratual que permita minimizar o risco de oscilação negativa do prêmio Europa, bem como a incerteza envolvida no pagamento do prêmio. Assim, verificou-se que a adoção de sistema de produção intensivo, particularmente o confinamento de alta rotação, e o conjunto de tecnologias de gestão a ele associado é um importante fator determinante da adoção da certificação SISBOV/TRACES.
Em resumo, dentre os fatores determinantes da adoção da certificação SISBOV/TRACES destacam-se as variáveis relacionadas ao tamanho, às tecnologias adotadas previamente e às fontes de acesso à informação. Conforme verificado na literatura, o tamanho superior confere maior acesso à informação, maior flexibilidade para lidar com as incertezas e menor risco para testar novas tecnologias. Algumas práticas adotadas previamente conferem um efeito sinérgico ou reduzem o custo de implantação da certificação SISBOV/TRACES, a exemplo da adoção prévia de outras certificações e o pacote tecnológico associado à intensificação da produção. Dentre as fontes de acesso à informação, destacam-se as redes de relacionamentos que conferem tanto o acesso à informação interpessoal como maior poder de negociação nas transações de compra de insumos e venda de gado.
Este perfil é distinto da maioria dos pecuaristas brasileiros. Em certa medida, uma parcela grande de produtores não se encontra nesse mercado. No entanto, verificou-se o surgimento de arranjos organizacionais inovadores que permitem a inclusão de pecuaristas menores no mercado de carne certificada. Este foi o caso do modelo de negócio baseado na